quinta-feira, 14 de maio de 2015

Anton Tchekhov e o trato com um burguês

Anton Tchekhov (foto daqui) 


"Aos poucos ele aprendeu pela experiência que, enquanto se trata de jogar cartas ou de comer na companhia de um burguês, este permanece pacífico, benevolente e é até mesmo inteligente; porém, basta apenas puxar o assunto para algo não comestível, como política ou ciência, por exemplo, que ele fica num beco sem saída ou vem com alguma filosofia obtusa e perversa, e o único remédio é desistir e ir embora. Quando Stártsev tentava conversar com um burguês, mesmo um liberal, a respeito, por exemplo, da ideia de que a humanidade, graças a Deus, está avançando e de que, com o tempo, os documentos de identidade e a pena de morte serão dispensáveis, o tal burguês o olhava de esguelha e perguntava desconfiado: 'Quer dizer então que qualquer um vai poder degolar quem quiser na rua?'. E quando, em sociedade, num jantar ou tomando chá, Stártsev dizia que era necessário trabalhar, que não se pode viver sem trabalhar, cada um interpretava isso como uma crítica, zangava-se e começava a discutir de maneira inconveniente"




Presente no livro de contos A dama do cachorrinho [e outras histórias] (L&PM Pocket/2014), páginas 132 e 133, tradução de Maria Aparecida Botelho Pereira Soares.


Nenhum comentário: