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Quatro passagens de Anton Tchekhov no conto Uma história enfadonha

Anton Tchekhov (foto daqui)


"(...) se um jovem cientista ou literato inicia a sua atividade queixando-se amargamente de outros cientistas ou literatos, isso quer dizer que ele já se extenuou e não serve para o trabalho (...)"


"Quando amanhece, estou sentado na cama, abraçando os joelhos, e, não tendo o que fazer, procuro conhecer a mim mesmo. 'Conhece-te a ti mesmo' - eis um belo e útil conselho; dá pena, porém, que os antigos não tenham adivinhado como indicar o meio de utilizá-lo."


"(...) Eis os traços que diferenciam um cavalo de carga de um homem de talento: o seu campo visual é acanhado, limitado abruptamente pela especialização; fora da especialidade, ele é ingênuo como uma criança (...)"


"(...) Não consigo expressar para o senhor a amargura que sinto, vendo a arte que amo tanto nas mãos de gente que odeio; é triste que os homens melhores somente vejam o mal de longe, não queiram aproximar-se e, em lugar de entrar na luta, escrevam lugares-comuns num estilo pesado e preguem uma moral de que ninguém precisa... (...)"





Presente no livro de contos O beijo e outras histórias (Editora 34/2014), páginas 135, 177, 120-121 e 136, respectivamente, na tradução de Boris Schnaiderman.

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