“Sou capaz de negar uma rola dura porque finalmente entendi que homem gostoso mesmo é aquele que quer transar com a minha boca, com meu quiquiu, com a minha barriga e até com o meu querido pé, que me aguenta o dia inteiro. Eu sinto que aquele cara que, nas conversas com minhas melhores amigas, ganha o apelido de Madeirada Luxo (nunca pelo tamanho, sempre pela magia) me conquista por querer transar com nada menos do que o maior órgão do meu corpo. Me ganha quem quer transar com a minha pele, meu dourado couro de mina — que eu nem preciso medir para saber que é bem, bem maior do que qualquer projeto de surucucu real que só sobe se ficar hipnotizado pela flauta de uma cartela de Tadalafila.” “O solteiro não nasceu para ter paz. Para corroborar essa tese infeliz, criaram os aplicativos de paquera, que nos conectam a monstros e rendem mais enredo que histórias de Hollywood.” “Em anos pares o...
“Como todo velho, Olegário vivia repetindo que antigamente tudo era melhor. Dizia que a juventude de hoje não tinha educação, que os governantes, políticos e juízes eram todos ladrões, a imprensa era vendida, a família estava destruída e bom mesmo era o passado. Quanto mais passado, melhor. Olegário fazia força para ignorar o fato de que o pretérito provavelmente era tão ruim ou pior que o presente e seria invariavelmente tão terrível quanto o futuro. O velho acreditava, como muitos dos que dobram o Cabo da Boa Esperança, que seus muitos anos de vida lhe garantiam a prerrogativa de estar sempre certo e ser inquestionável, esquecendo o fato de que um velho pode ser simplesmente alguém que é estúpido, canalha ou mau-caráter há mais tempo do que um jovem.” “Por alguma razão misteriosa, para seu Olegário os fatos perderam a importância e ele passou a acreditar apenas no que lhe convinha. Se a notícia não lhe agradasse, mesmo que fosse comprovadamente verda...