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Dez poemas de Maria do Rosário Pedreira no livro O meu corpo humano

Maria do Rosário Pedreira (foto: Filipe Amorim/Observador) retina Maria do Rosário Pedreira Eu, que nunca pensei deixar de ser filha, faço agora de mãe da minha mãe aos domingos: sou a sua muleta nos longos corredores da casa antiga e chego-lhe mantas aos joelhos porque os velhos tremem em vida com o frio da morte. Para fugir às coisas que a entristecem, pergunto-lhe por gente do passado, pois sei que o que sucedeu ontem está já demasiado longe da sua memória — e, nos dias bons, a resposta dura a tarde inteira. Ao princípio, a minha mãe censurava a forma como eu ia vestida, mas já há muito tempo que não diz nada. Pensei que tivesse finalmente acertado com o seu gosto, ou que ela, derrotada, tivesse desistido de me mudar. Só depois percebi que já não me vê. -------- ouvidos Maria do Rosário Pedreira Quando estou sozinha, sento os mortos à mesa e dou-lhes de comer — um prato a cada um, em troca dessas histórias que morro de saudades de os ouvir contar. E escuto-os com a velha paixão — ta
Postagens recentes

Dez passagens do livro de memórias O ano do pensamento mágico, de Joan Didion

Joan Didion (foto: Brigitte Lacombe) “Nós não somos animais selvagens idealizados. (...) Somos seres mortais imperfeitos, conscientes dessa mortalidade mesmo quando a negamos, traídos por nossa própria complexidade, tão incorporada que quando choramos a perda de seres amados também estamos chorando, para o bem ou para o mal, por nós mesmos. Pela perda daquilo que éramos. Do que não somos mais. Do que um dia não seremos de todo.” “Não havia nada que eu não discutisse com John. (...) Como éramos escritores e ambos trabalhávamos em casa, nossos dias eram povoados pelo som de nossas vozes. (...) Eu não achava que ele estava sempre certo, nem ele achava que eu estava sempre certa, mas éramos a pessoa em quem o outro confiava. Não havia, em nenhuma circunstância, divergência em nosso trabalho e nossos interesses. Muita gente achava que, como às vezes um ou às vezes o outro recebia uma crítica mais positiva ou um adiantamento maior, nós devíamos ‘competir’ de alguma forma, que nossa vida priv

Seleta: Timbalada

A “ Seleta: Timbalada ” destaca as 81 músicas que mais gosto da banda baiana, concebida pelo multiartista Carlinhos Brown , presentes em 11 álbuns (os prediletos são “ Cada Cabeça é um Mundo ”, “ Timbalada ”, “ Andei Road ” e “ Mineral ”), 04 singles e 02 EPs . Ouça no Spotify aqui [falta 1 música] Ouça no YouTube aqui Os 11 álbuns, 04 singles e 02 EPs participantes desta Seleta 01) Beija-Flor [Timbalada, 1993] 02) Namoro a Dois [Cada Cabeça é um Mundo, 1994] 03) Mimar Você [Andei Road, 1995] 04) Minha História [Mineral, 1996] 05) Se Você Se For [Cada Cabeça é um Mundo, 1994] 06) Margarida Perfumada [Andei Road, 1995] 07) Ashanšu [Serviço de Animação Popular, 2003] 08) Cadê o Timbau? [Cada Cabeça é um Mundo, 1994] 09) Choveu Sorvete [Cada Cabeça é um Mundo, 1994] 10) Papá Papet [Cada Cabeça é um Mundo, 1994] 11) Coração de Bola [Andei Road, 1995] 12) Pracumcum Babá [Cada Cabeça é um Mundo, 1994] 13) Ralé [Serviço de Animação Popular, 2003] 14) Canto pro Mar [Timbalada

Seleta: World Music

Imagem de Freepik Para embalar o movimento que faz girar o balão frágil em que vivemos, experimentar sotaques, timbres, cores e temperos além do óbvio, transpor fronteiras imaginárias e aguçar a curiosidade planetária para se reconhecer tão humano quanto o outro (não há estrangeiro, pois terráqueos é o que somos), confira as 04 playlists de World Music da Seleta , com Gipsy Kings , Habib Koité , Salif Keita e Björk . Entre 2021 e 2024 , selecionei 343 músicas prediletas, presentes em 56 álbuns , 12 singles e 03 EPs , um acervo multicultural e diverso. PS: Esse post será atualizado a cada nova Seleta World Music criada. Seleta: Gipsy Kings (2024) 90 músicas | 14 álbuns Ouça aqui Seleta: Habib Koité (2021) 66 músicas | 06 álbuns Ouça aqui Seleta: Salif Keita (2024) 77 músicas | 17 álbuns Ouça aqui Seleta: Björk (2024) 110 músicas | 19 álbuns, 12 singles e 03 EPs Ouça aqui

1 milhão de views do blog de Emmanuel Mirdad

Em janeiro de 2024 , o meu blog alcançou a marca de 1 milhão de views ! Yeba! Um presente antecipado, pois em abril próximo, vou comemorar 15 anos de atividade do canal, um acervo de literatura, música e outras artes e assuntos, o lampião e a peneira desse mestiço fascinado pela cultura. Com mais de 2,3 mil postagens , em que divulguei os trabalhos de muitos artistas (livros, discos, etc.) e também o meu trabalho como escritor, compositor e produtor cultural. O melhor é saber de gente que compra um livro por conta dos trechos que seleciono (coleção aqui ) e publico no blog, ou que passa a ouvir uma banda ou artista (ou apenas embala uma viagem ou uma limpeza de casa) por causa das playlists das seletas (ouça aqui ). Viva o blog! 1 milhão (e 1 mil) de visualizações pra frente, em produção constante, enquanto eu viver (e o Google não fechar a plataforma)! PS: Segue abaixo algumas estatísticas desses 1M views  (acessos, locais e postagens mais populares):

Quinze passagens de Paul Auster no romance 4 3 2 1

“O que estou dizendo é que a gente nunca sabe se fez a opção errada ou não. Seria preciso saber de todos os fatos antes de decidir, e a única maneira de obter todos os fatos é estar em dois lugares ao mesmo tempo — o que é impossível.” “‘Não acredito mais em Deus’, escreveu numa delas. ‘Pelo menos, não no Deus do judaísmo, do cristianismo ou de nenhuma religião. A Bíblia diz que Deus criou o homem à sua própria imagem, mas foram os homens que escreveram a Bíblia, não é? O que significa que foi o homem que criou Deus à sua imagem. O que também significa que Deus não toma conta de nós e com certeza não dá a mínima para o que os homens pensam ou sentem. Se ligasse para nós, por pouco que fosse, não teria feito um mundo com tantas coisas terríveis. Os homens não lutariam em guerras nem se matariam uns aos outros nem construiriam campos de concentração. Não mentiriam, não enganariam, não roubariam. Não estou dizendo que Deus não criou o mundo (não foi nenhum homem que fez isso!), mas, ter

Seleta: Björk

A “ Seleta: Björk ” destaca as 110 músicas que mais gosto da cantora, compositora e multi-artista islandesa, presentes em 19 álbuns (os prediletos são “ Homogenic ”, “ Vespertine ”, “ Volta ” e “ Debut ”), 12 singles e 03 EPs . Ouça no Spotify aqui Ouça no YouTube aqui Os 19 álbuns, 12 singles e 03 EPs participantes desta Seleta 01) Pagan Poetry [Vespertine, 2001] 02) Jóga [Homogenic, 1997] 03) Bachelorette [Homogenic, 1997] 04) Hunter [Homogenic, 1997] 05) Vísur Vatnsenda-Rósu [Possibly Maybe (single), 1996] 06) Vökuró [Medúlla, 2004] 07) Mother Heroic [Hidden Place (single), 2001] 08) I Remember You [Venus as a Boy (single), 1993] 09) Blissing Me (Harp Version) [Blissing Me (EP), 2017] 10) Aurora [Vespertine, 2001] 11) Black Lake [Vulnicura, 2015] 12) I Go Humble [Isobel (single), 1995] 13) Features Creatures (The Knife Remix) [Country Creatures (EP), 2019] 14) Wanderlust (Ratatat Remix) [Voltaïc, 2009] 15) Alarm Call [Homogenic, 1997] 16) Earth Intruders (Mark Sten