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Livro Nostalgia da lama (2ª edição, 2026), de Emmanuel Mirdad

“ Nostalgia da lama ” (Sansevieria Livros, 2ª edição, 2026) Emmanuel Mirdad ISBN: 978-65-977385-0-2 100 poemas | 192 pg Capa: Jorge Barreto A expressão “ nostalgia da lama ” vem do francês “ nostalgie de la boue ”. O poeta e dramaturgo francês Émile Augier (1820-1899) apresentou-a na peça “ Le Mariage d'Olympe ” (1855) que, segundo o professor e crítico John Gledson , “mostra a maldade da heroína, Olympe Taverny , ex-cortesã que se casa com o Marquês de Puygiron , mas, por tédio (ou por nostalgia da lama ), acaba voltando a seus antigos hábitos”. A “ nostalgia da lama ” de Emmanuel Mirdad contém 100 poemas e traz acidez, frustração, alegria, a festa do amô, angústia, sexo, ironia, fossa, sentimentos complexos, crônicas, reflexões, figurações, enquadros e espetos de um feroz nômade contemporâneo. Estreando em livro de poemas (e desistindo de fazer outro), embora os escreva desde 1996 , o poeta laranja apresenta o seu mafuá de farpas psicodélicas, agridoces, cruéis & apaixonan...
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Depende (Nostalgia da lama, 2ª edição, Emmanuel Mirdad)

Download no Google Drive aqui Depende Emmanuel Mirdad Antes de ser brasileiro, eu sou nordestino, mas sirvo à pátria o papel de primogênito, oriundo do leste mar, fincado em paisagens áridas e heranças que compreendo e compartilho. Antes de ser brasileiro, eu sou terráqueo a girar neste balão frágil, a forjar que o horizonte é plano, e os sonhos a circular em uma pertença múltipla glocalizada; o Mali, no mar da Grécia, deságua em São Salvador. Antes de ser brasileiro, eu sou uma incógnita da Matrix, apenas mais um, a fruir o enigma, conectado à engrenagem, disposto a acreditar no que me mantém vivo e respirar um pouco mais, a sustentar o sentido que entretém Deus.   Antes de ser brasileiro, eu sou você.

Construção (Nostalgia da lama, 2ª edição, Emmanuel Mirdad)

Download no Google Drive aqui Construção Emmanuel Mirdad Acredito em fórmulas do meu próprio dicionário e me mantenho distante de todos que eu fui — a secreta mensagem do silêncio. Não construo mais falsos devaneios; agora, eu sangro, imerso na pura razão de quem aprendeu a se equilibrar. Cataliso os sonhos na substância que almejo. Ontem à noite, dissequei charadas como um herói. Quem nunca quis ser um herói? Não espalho mais a minha muda agonia. Vivo em uma outra surrealidade. A minha dor teve fim.

O sorriso (Nostalgia da lama, 2ª edição, Emmanuel Mirdad)

Download no Google Drive aqui O sorriso Emmanuel Mirdad I Se, algum dia, eu estiver na profunda noite escura, dentro de um bote, sem remo nem rumo, sobrevivente de um naufrágio de mim, acossado na quina por um tigre atento, mas adormecido, e o medo esmorecer o último vestígio da permanência, a romper a comunicação com o sagrado, ainda assim, não estarei só; fecharei os meus olhos e trarei a imagem do sorriso da mulher que eu amo, que é parte do melhor que vivenciei, e surgirá, na química transcendental da transmutação, como um farol em raios de luz, fincado ao chão safo, a traduzir a charada do enigma em um caminho iluminado; é por aí que eu seguirei, abastecido de esperança, a expressão da felicidade a inundar a noite escura, a raiar o parto do sol, o reencontro do encanto, sem quina, remo, tigre, livre do bote, vou deslizar, por cima da água, suavemente salvo. II O sorriso da mulher que eu amo é uma potência, uma supernova, o design da matéria humana que coincide com a álgebra do di...

Iemanjá (Nostalgia da lama, 2ª edição, Emmanuel Mirdad)

Download no Google Drive aqui Iemanjá Emmanuel Mirdad Ela manja de mim, salga os meus dissabores, enruga as pontas e as dobras, esfolia e me impregna de areia, para firmar a certeza de que, ali, o mar é só de passagem, e o chão é por onde devo prosseguir. Por mais que eu queira ser enfeitiçado e deitar com ela, no fim, devolve-me, cuspido de ondas, salgado e morgado. É na vida que devo insistir.