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Mostrando postagens de Maio, 2015

Tardes noites & dias, uma canção que eu amo

Tardes noites & dias
(Wal Jr./Esso A.)

saímos soturnos no escuro da noite
caindo poeira, vertendo histórias
mas é tão tarde, tão tarde da noite
no mesmo lugar dess’euforia lenta
canções dispersas, tantos dispersos
que eu possa cantar, trazer-nos aqui
vem, se distraia com algo estranho
lhe beba a leveza, lhe dança a tristeza

vem a madrugada densa, leve e fria
iluminando o corpo de sombras e sonhos
horas lancinantes em ruas, becos, cidades
monstros que devoram a vontade de ficar
mas sozinho vai andar de hoje em diante
procurando curar seus ferimentos de batalhas
e outros sem lugar

mas é tão cedo, tão cedo e cortante
retirando as cordas do violão noturno
me vens tão cansado com a mão enrugada
de viagens tão distantes por sobre o vazio
a vida e os desejos
desenhos em ti mesmo
borrados no teu rosto
por que tanto choras?
se mostra em teu corpo no escuro da tua boca
a pele na leveza, os tons da tristeza

dorme o prisioneiro no canto de uma cela
lhe jogam o que comer e ele grita de fome as…

O beijo e outras histórias, de Anton Tchekhov

Anton Tchekhov (foto daqui)

"(...) O pensamento livre e profundo, que procura compreender racionalmente a vida, e um desprezo absoluto às vaidades estúpidas do mundo – eis os dois bens mais elevados que o homem jamais conheceu (...)"


"(...) Não existe sobre a terra nada de bom que não tenha na sua origem alguma vilania."


"(...) Por mais esplêndida que seja a aurora que ilumine a sua vida, apesar de tudo no final será encerrado num caixão e atirado numa fossa."


"Infelizmente, não sou filósofo nem teólogo. Sei perfeitamente que não tenho mais de meio ano de vida; agora, parece, deveriam ocupar-me particularmente questões sobre as trevas de além-túmulo (...) Mas, por algum motivo, minha alma não quer saber dessas questões, embora a razão compreenda toda a sua importância (...) agora, diante da morte, só me interessa a ciência. Emitindo o suspiro derradeiro, ainda hei de crer que a ciência constitui o mais importante, o mais belo, o mais necessário na vi…

Seleta Mirdad do Embrulhador 2014

Minha seleta de álbuns da seleção do Embrulhador 2014

Tom Zé Vira Lata na Via Láctea Ouça aqui
Rua Limbo Ouça aqui
Sacassaia Boca da Terra Ouça aqui
Thamires Tannous Canto para Aldebarã Ouça aqui
The Junkie Dogs The Junkie Dogs Ouça aqui
Pipo Pegoraro Mergulhar, Mergulhei Ouça aqui
Bernardo Puhler O Alumbramento de um Guará Negro Numa Noite Escura Ouça aqui
Telecoteco É Hora de Trocar as Válvulas Ouça aqui
Wem Começo Ouça aqui
ruído/mm Rasura Ouça aqui
Pitanga em Pé de Amora Pontes para si Ouça aqui

Um homem extraordinário [e outras histórias], de Anton Tchekhov

Anton Tchekhov (foto daqui)

"Ver e ouvir como mentem (...) e depois te chamam de bobo, porque toleras essas mentiras; suportar ofensas, humilhações, não se atrever a declarar abertamente que estás do lado das pessoas honestas e livres, e mentires tu mesmo, sorrir, e tudo por causa de um pedaço de pão, por causa de um titulozinho qualquer, que não vale um centavo – não, não é mais possível viver assim!"


"(...) o marido é sempre assim... honesto, justo, ponderado, sensatamente econômico, mas tudo isso em dimensões tão extraordinárias, que os simples mortais sentem-se sufocados. Os parentes afastaram-se dele, os criados não param mais do que um mês, conhecidos não há, a mulher e os filhos estão sempre tensos de medo com cada um dos seus passos. Ele não bate, não grita, tem muito mais virtudes que defeitos, mas quando ele sai de casa, todos se sentem mais leves e saudáveis."


"Quanto mais desenvolvido é o homem, quanto mais ele pondera e entra em detalhes, tanto ma…

Trechos da orelha de Paisagem da insônia e do posfácio de Muralha: O goleiro imbatível

Victor Mascarenhas

"A cada conto, a cada página e a cada parágrafo, a solidão maníaca dos personagens se exibe quase que pornograficamente e se esfrega na cara do leitor, sempre numa prosa caudalosa, que não poupa os adjetivos, os exageros e uma misantropia domesticada e usada a serviço do texto. Os zumbis insones de Emmanuel Mirdad vagueiam pra cá e pra lá em um círculo vicioso que envolve desde a mais banal dor de cotovelo ao mais sofrido fracasso. Dormir? Melhor não, a paisagem da insônia tem caminhos tortuosos, armadilhas a serem superadas e, para fugir dali, picadas precisam ser abertas entre os excessos de um autor sem filtros."


O escritor e roteirista Victor Mascarenhas, autor dos livros de contos “A insuportável família feliz” e “Cafeína”, escreveu a orelha de “Paisagem da insônia”, terceiro e último livro de contos de Emmanuel Mirdad, que tá na fila para ser lançado, aguardando a revisão e a finalização.

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Elieser Cesar

"Em sua estreia no…

Luto por B.B. King (1925-2015)

B.B. King por Andy Freeberg
Luz, mestre! O gênio, a voz, a nota única, a simpatia, a cordialidade, o sentimento, a dor e a redenção do blues, Rei de milhões de súditos órfãos, insubstituível, inigualável, B.B King eterno! Muito obrigado!


B.B King interpreta Hummingbird, uma das minhas prediletas Não consegue visualizar o player? Veja no YouTube aqui
B.B King interpreta Sweet Sixteen Não consegue visualizar o player? Veja no YouTube aqui

A dama do cachorrinho [e outras histórias], de Anton Tchekhov

Anton Tchekhov (foto daqui)

"A folhagem das árvores estava quieta, cigarras cantavam e o ruído surdo e monótono do mar, vindo de baixo, falava de repouso, do sono eterno que nos espera. Esse barulho já se fazia ouvir ali quando não havia nem Ialta, nem Oreanda; ele se faz ouvir agora e será assim também no futuro, surdo e indiferente, quando nós não mais existirmos. E nessa constância, nessa completa indiferença em relação à vida e à morte de cada um de nós, esconde-se, talvez, a garantia de nossa salvação eterna, do incessante movimento da vida na terra, do seu contínuo aperfeiçoamento."


"O passado acabou e não interessa, o futuro é insignificante, e esta noite maravilhosa, única na vida, logo vai terminar, vai se fundir com a eternidade – então, para que viver?"


"Aos poucos ele aprendeu pela experiência que, enquanto se trata de jogar cartas ou de comer na companhia de um burguês, este permanece pacífico, benevolente e é até mesmo inteligente; porém, basta a…

Seis qualidades literárias por Anton Tchekhov

Anton Tchekhov (foto daqui)

As qualidades de uma obra de ficção (conto ou novela) segundo Anton Tchekhov:

1) Ausência de longas verborragias de cunho político, social ou econômico.

2) Total objetividade.

3) Veracidade na descrição de personagens e coisas.

4) Concisão absoluta.

5) Ousadia e originalidade, evitando-se os chavões.

6) Calor humano.

O autor russo listou essas qualidades em 1886. Continuam valendo.

PS: Essas qualidades se encontram no prefácio da tradutora Maria Aparecida Botelho Pereira Soares à edição da L&PM (2014) do livro "A dama do cachorrinho [e outras histórias]", de Anton Tchekhov.

Três passagens de Andrew Solomon em Longe da árvore

Andrew Solomon Foto: Annie Leibovitz / Scribner

"Por mais alegre que eu me sentisse por causa de nossa decisão, me entristecia o fato de que eu nunca saberia o que poderia resultar da mistura de meus genes com os de John. Eu estava feliz por podermos conseguir um óvulo, mas triste por nenhum de nós ser capaz de produzi-lo; feliz por podermos afinal ter um filho, mas triste por causa da aura de produção industrial que permeava todo o processo. Sem a tecnologia da reprodução assistida, eu nunca teria os filhos que tenho, mas teria sido bom produzi-los num momento de êxtase de amor físico em vez da exaustiva burocracia. Foi caro, também, e embora o dinheiro tenha sido bem empregado, nós dois lamentamos que uma situação econômica privilegiada tenha sido condição necessária para o que preferimos considerar como um ato de amor" [PS: O autor fala da sua experiência com o companheiro John]


"Conversando com muitas mulheres que deram à luz filhos nascidos de estupro, impressionei-…