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Revisando os anos 10

Emmanuel Mirdad (2010-2019)

Nos anos 10, fui produtor e empresário cultural, escritor, compositor, produtor musical, fonográfico, executivo e artístico, leitor e blogueiro. Nascido em Salvador, Bahia, em outubro de 1980, com um nome derivado de um livro, formei-me em Jornalismo pela Ufba em fevereiro de 2007, e, nos anos 10, fiz uma revisão anual dos trabalhos feitos, vitórias e derrotas, alegrias e frustrações, além de listas com os livros, filmes e séries vistas, e publiquei esse conteúdo nos posts “Revisando” desse blog.

Eu li 372 livros e assisti a 653 filmes e a 249 temporadas de séries nos anos 10. Li mais livros de contos (26,34%), vi mais filmes no Cinema (35,99%) e as séries na Netflix (84,34%). Prestigiei a produção brasileira na literatura (78,23%), mas a maioria esmagadora de filmes (90,66%) e séries (95,59%) foi estrangeira.

O livro predileto dos anos 10 foi de poesia, “Estação infinita e outras estações” (2012), do mestre baiano Ruy Espinheira Filho (embora o autor mais lido tenha sido o gigante russo Anton Tchekhov, com 16 livros); o filme, o emocionante e reflexivo “Ela” (Her - 2013), do norte-americano Spike Jonze; a temporada, a 4ª de “Game of Thrones” (vista em 2015), essa série fantástica da HBO, capitaneada por David Benioff e D.B. Weiss (eu não consumia séries, foi “The Walking Dead” que me viciou e, a partir do final de 2015, dediquei-me a esse tipo de produto audiovisual).

Li mais em 2016 (63 livros), assisti a mais filmes em 2019 (106 filmes) e a mais temporadas de séries em 2018 (70 temporadas). 2010 foi o ano em que eu menos li (11 livros) e assisti a filmes (39), e em 2014, vi menos temporadas de séries (04) – não assisti a nenhuma entre 2010 e 2012.


O livro, filme e série predileta dos anos 10

O grande destaque dos livros vai para 2019 (gostei de 76% das obras lidas e não gostei de apenas 8%); dos filmes, 2016, porque me proporcionou o maior número de filmes prediletos vistos (19) e mais obras que gostei (41 filmes ao todo); o das séries, 2017, com o maior número de temporadas que gostei (38) e o recorde de prediletas (17), e não gostei de apenas 13,22%.

Eu me frustrei mais com os livros lidos em 2014: não gostei de 28,30% – embora tenha lido obras valiosíssimas para mim, com 13 prediletos. Em 2011, assisti a menos prediletos (05) e gostei apenas de 1/3 dos filmes que assisti. E em 2018, não gostei de quase 25% das temporadas de séries vistas, e curti apenas 40% – embora tenha visto 16 prediletas.

Nos anos 10, eu tive a sorte de gostar da maioria das temporadas de séries vistas (52,21% contra 30,12% de meeiras e 17,67% que não gostei), ou seja, as obras contempladas me encantaram e surpreenderam mais do que me frustraram, assim como a maioria dos livros lidos (51,08% contra 29,03% de meeiros e 19,89% que não gostei). Uma pena que não foi assim com os filmes: mesmo com a sorte de gostar de 41,50% das obras, o percentual dos mais ou menos foi alto (39,97%), e, somado ao das que não gostei (18,53%), revela que os filmes vistos nos anos 10 me frustraram mais do que me encantaram ou surpreenderam.

Além de livros, filmes e séries, eu também fui a muitos shows e ouvi muita música nos anos 10, e cheguei até a divulgar nas postagens “Revisando”; contudo, a partir de 2014, decidi não mais catalogar e expor, porque a literatura e as artes visuais ainda continuavam pulsando na minha carreira artística, enquanto que a música migrara de vez para o consumo apenas.


A realização de nove edições da Flica
é o maior feito dos anos 10
Foto da Flica 2014: Egi Santana

A cada ano dos anos 10, elegi um feito como o principal, dentre tudo que realizei. Quando a carreira artística era o que me importava mais, elegi: 04 lançamentos de livros meus, em 2010, 2015, 2017 e 2018, dois físicos e dois virtuais; 02 lançamentos de discos (virtuais) com composições e produções minhas, em 2014 e 2019; e 01 celebração por ter concluído o meu primeiro romance, em 2016 (supostamente, porque só foi concluído em 2019). Quando o que me importava mais era a carreira de produtor cultural, elegi: a realização das três primeiras edições da Flica, de 2011 a 2013.

Abaixo, seguem os links para os posts dos livros, filmes e séries consumidas nos anos 10, além dos posts “Revisando”, de 2010 a 2019, com um resumo do que vivi, profissional e pessoal.

PS: As fotos minhas do flyer inicial são de Bruno Senna, Vinícius Xavier, Ana Gilli, Leo Monteiro (2x), Sarah Fernandes, Egi Santana, Sarah Fernandes, Rosane Barreto e Litza Rabelo.


Livros
Leia aqui
Lista com os 100 prediletos, 90 bons e demais 182 livros


Filmes
Leia aqui
Lista com os 100 prediletos, 171 bons, 261 meeiros e demais 121 filmes


Séries
Leia aqui
Lista com as 70 temporadas prediletas, 60 boas, 75 meeiras e demais 44 temporadas


Revisando 2010
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2010 foi o ano em que abracei o empreendedorismo (tornei-me um pequeno empresário da cultura), executei trabalhos e criei/formatei grandes projetos, no rumo que penso para a Putzgrillo Cultura – uma produtora de festivais. Em 2010, lancei “Abrupta sede”, o meu primeiro livro, de contos.


Revisando 2011
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2011 foi o ano em que a Putzgrillo Cultura pode finalmente estrear os seus dois primeiros produtos do portfólio de festivais: a Flica, 1ª festa literária da Bahia, e o Festival Brainstorm. Em 2011, perdi o meu pai, Ildegardo Rosa, a pessoa mais importante da minha vida (uma multidão de pessoas reunidas em um ser).


Revisando 2012
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2012 foi o ano em que a Putzgrillo Cultura estreou três festivais (Música no Cinema, Santo Antônio Jazz Festival e Recôncavo Jazz Festival) e realizou a 2ª edição da Flica. Em 2012, voltei a escrever, produzindo um livro de contos e outro de poemas, e comecei a jornada do meu 1º romance.


Revisando 2013
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2013 foi o ano dos negócios: saí da Putzgrillo Cultura, abri a Mirdad – Gestão em Cultura (em que tentei realizar outras festas literárias pelo país) e a Cali (para realizar a Flica). Em 2013, comecei a escrever o meu 1º romance, finalizei o livro de poemas “Nostalgia da lama” e iniciei as regravações da The Orange Poem.


Revisando 2014
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2014 foi o ano do retorno da minha carreira autoral. Desfiz a Mirdad Cultura (continuei com a Cali e a Flica), produzi e lancei seis EPs da The Orange Poem, organizei o meu blog por seções, produzi o single “A Mendiga e Eu” (gravada pela Quarteto de Cinco), lancei o livro de poemas “Nostalgia da lama”, finalizei o livro de contos “O grito do mar na noite”, continuei a escrever o meu 1º romance, e perdi o mestre André Setaro.


Revisando 2015
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2015 foi o ano da literatura. Lancei o livro “O grito do mar na noite” e escrevi “Olhos abertos no escuro” (ambos de contos), finalizei a versão “Muralha” do meu 1º romance, li grandes obras, divulguei no YouTube trechos de leituras dos meus livros e perdi o mestre Hélio Pólvora. Em 2015, a Cali realizou o evento de lançamento da Flica 2015 na Caixa Cultural de Salvador e a 5ª edição em Cachoeira, e eu produzi o EP “Fluid” do novo projeto musical Orange Roots.


Revisando 2016
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2016 também foi um ano literário, em que lancei o livro de contos “Olhos abertos no escuro”, finalizei a versão “Miwa – A nascente e a foz” do meu 1º romance, li grandes obras e divulguei no YouTube trechos de leituras dos meus livros. Em 2016, a Cali realizou os eventos Flica na Caixa (em Salvador) e a 6ª edição da Flica (em Cachoeira), em que assinei, pela primeira vez sozinho, a curadoria. Na música, transformei o “Fluid”, do Orange Roots, num álbum completo (mas ficou engavetado), e produzi a primeira gravação profissional da minha mãe, Martha Anísia, aos 78 anos: “Se os Sentimentos Falassem Sozinhos”.


Revisando 2017
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2017 foi o ano que decidi editar e disponibilizar os meus livros na internet, lançando virtualmente “Quem se habilita a colorir o vazio?”, com todos os meus poemas, e a antologia “Ontem nada, amanhã silêncio” (comecei a produzir a obra com os contos). A versão “Miwa — A nascente e a foz” do meu 1º romance foi finalista do Prêmio Sesc de Literatura e finalizei uma nova chamada “Miwa”, e organizei a antologia “Mestre Dedé — O andarilho da ilusão”, com poemas do meu pai (custeada por mãe e lançada em Salvador). Em 2017, a Cali realizou a 1ª edição da FliCaixa (Festa Literária da Caixa), em Salvador, Fortaleza e Curitiba (a 1ª produção da Cali além da Bahia), o evento de lançamento da Flica 2017 e a 7ª edição da Flica (com curador externo pela 1ª vez).


Revisando 2018
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2018 foi mais um ano dedicado ao trabalho literário, em que concluí a produção e lancei virtualmente os livros “O limbo dos clichês imperdoáveis”, com os contos completos, revisados e reescritos, e “Yesterday, Nothing, Tomorrow, Silence”, com poemas traduzidos para inglês por Sabrina Gledhill (pela 1ª vez, um livro meu em uma outra língua). Descobri que a versão “Miwa” do meu 1º romance foi um dos 10 finalistas do Prêmio Cepe Nacional de Literatura 2017, produzi duas novas versões (que apanharam nos prêmios que participaram) e concluí a versão “Tudo o que nos forma é hoje”. Em 2018, a Cali realizou a 2ª edição da FliCaixa (Festa Literária da Caixa), em Salvador e Fortaleza, o evento de lançamento da Flica 2018 e a 8ª edição da Flica.


Revisando 2019
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2019 foi o ano das comemorações, em que celebrei os meus 20 anos de produção cultural, os 10 anos de criação da Flica e os 10 anos do meu blog. Em 2019, o álbum “Fluid”, do meu último projeto musical, Orange Roots, finalmente foi lançado, fiz trabalhos como editor de livros, concluí a produção literária do meu 1º romance e lancei virtualmente “Boldo tea”, o meu 1º conto em outra língua, traduzido por Sabrina Gledhill. Em 2019, a Cali realizou o evento de lançamento da Flica 2019 e a 9ª edição da Flica, num ano dificílimo para a cultura no Brasil (tempos de obscurantismo e ignorância).

Comentários

Litza disse…
Muita coisa boa ainda pra viver, meu amor!!

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Orange Poem — Letras traduzidas para o português

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Segue abaixo a tradução para português das letras das músicas do álbum virtual duplo “Hybrid” (2014), da banda baiana The Orange Poem. Os poemas são quase todos de autoria de Emmanuel Mirdad, exceto um, que é a reunião de catorze fragmentos de poemas de Ildegardo Rosa, morto em 2011, pai de Mirdad, que foi gravado em português mesmo e não precisou de tradução. Mirdad agradece à cantora e professora de inglês Ana Gilli, que corrigiu as imperfeições existentes.




Cortes
Tradução para Cuts
(Emmanuel Mirdad)

Nós precisamos tanto de carinho, tão importante como oxigênio, tão raro como um abraço sincero, tão caro nestes dias de egoísmo.

Nós afastamos as pessoas ignorando a amizade, atraímos somente por negócio, criamos condições absurdas para o desejo, enquanto tentamos felicidade com coisas de plástico.

O lar se tornou refúgio, cela, e a privacidade é exposta como prêmio. Dia após dia nos restringimos a criar ídolos, o destino que foi lentamente confundi…