segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Perambulando #08 - Grupo Garagem (10 Anos Jam no MAM)

Rowney Scott, André Magalhães e Mou Brasil


Perambulando é uma seção deste blog destinada a expôr os vídeos que irei registrar nas andarilhadas por aí.

Nesta edição, destaco as comemorações dos 10 anos da Jam no MAM, principal projeto de jazz de Salvador, que rola nas tardinhas de sábado lá no belíssimo Museu de Arte Moderna. Foram três dias de festa, de quinta a sábado, com direito a um entupido show da gran-diva Elza Soares (que o som prejudicou, mas ela foi espetacular e cantou um tempão, com direito ao grito trompete gutural que só ela tem), um show muito rápido do mestre Toninho Horta e um muito longo do virtuose monstro Fernando Sodré, além de outras atrações. Mas, pra mim, o fino da bossa foi ouvir os camaradas do Grupo Garagem. Um espetáculo! Confira abaixo, em dois temas (uma porra q não deu pra gravar o surreal tema Atraído, de Mou Brasil):

Grupo Garagem - Na Dianteira



Grupo Garagem - Reisado

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Pílulas: Tiganá

foto: Luiz Brasil

"...
A água, em seu sopro, é o que erige o sonhador,
quando a vida doa o sonho à dor.

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Meu verbo é infinito, mas é feio
pra servir de epifania ou de portal,
Meu verbo é um elemental
e minha casa é o seu varal...
onde os corações tomam ar

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A gota dos encantos merece habitar os braços
do homem que não sangra...
... e que devotará ao corpo a extradição
do solo errante e do esperar;
bendita mulher é a poesia de partida
sem ter onde ficar na embarcação...
bebeste a manhã que, sequer, raiou por ti...

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O Tempo é o mundo todo
e é o sangue da mulher.

vai levantar até aquele que morre logo
por morar em sua fé.
vai derrubar até a vida mais colorida
e o argumento de quem bem quiser.

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De vez em quando
eu sou a árvore que fez o Mali
ser a pele a cobrir
as mulheres caídas sem os seus corpos.

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Bom irmão,
na vida do tempo
o coração é a casa.
Veja de frente,
que a causa do caminho
está no próprio caminho

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De que valerá o arrebol,
de que servirá ser alada
se a inocência lhe fez culpada,
qual rosa que despetalou
pra ser ofertada.

Esqueceu... preta esqueceu...
preta virou breu... ao morro ascendeu...

------

Vento do equador me levando a ti...
... pra, quando tu sejas Guiné,
eu seja abissal...

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Fome, mãe...
... a terra está distante
Com sabedoria, filho...
... há a alvorada

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Deus, no quilombo é que as pessoas são.
Quilombo da morte para a vida; quilombo da vida para a morte
Deus...

..."

Trechos de letras do álbum Maçalê (2009), na ordem deste post, Reverência, A Luz do Oculto e o Sol do Sentimento, Para a Poetisa Íntima, Dembwa (10 de Agosto),
Le Mali Chez La Carte Invisible (traduzida), Mpangi Mbote (trad.), Do Alto, Do Fundo, Muloloki (trad.), Nzambi Kakala ye Bikamazu (trad.), de Tiganá Santana, que está pronto e será lançado este ano ainda. www.myspace.com/avozdetigana

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sábado, 22 de agosto de 2009

Intervalo: Raul Seixas

foto: Ivan Cardoso

Como todos já sabem, ontem a cultura brasileira completou 20 anos sem Raul Seixas. Miguel Cordeiro escreveu uma resenha rápida, muito boa, aqui. Eu, por aqui, prefiro deixar minha pequenina homenagem a esse incrível ser genial, apenas com a reprodução da letra de uma de suas tantas músicas minhas prediletas. Pra sempre Raulzito!!!

Eu Sou Egoísta
(Raul Seixas - Marcelo Motta)

Se você acha que tem pouca sorte
Se lhe preocupa a doença ou a morte
Se você sente receio do inferno
Do fogo eterno, de Deus, do mal
Eu sou estrela no abismo do espaço
O que eu quero é o que eu penso e o que eu faço
Onde eu tô não há bicho-papão
Eu vou sempre avante no nada infinito
Flamejando meu rock, o meu grito
Minha espada é a guitarra na mão

Se o que você quer em sua vida é só paz
Muitas doçuras, seu nome em cartaz
E fica arretado se o açúcar demora
E você chora, cê reza, cê pede... implora...
Enquanto eu provo sempre o vinagre e o vinho
Eu quero é ter tentação no caminho
Pois o homem é o exercício que faz
Eu sei... sei que o mais puro gosto do mel
É apenas defeito do fel
E que a guerra é produto da paz

O que eu como a prato pleno
Bem pode ser o seu veneno
Mas como vai você saber... sem provar?

Se você acha o que eu digo fascista
Mista, simplista ou anti-socialista
Eu admito, você tá na pista
Eu sou ista, eu sou ego
Eu sou ista, eu sou ego
Eu sou egoísta, eu sou,
Eu sou egoísta, eu sou,
Por que não...

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quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Bloguijabá: No Chão Sem o Chão


Recomendo em alta o discaço duplo No Chão Sem o Chão, do camarada Rômulo Fróes (que já passou por aqui na Perambulando #06).

Como são tempos de poucas palavras, vá na Midialouca, Rio Vermelho, pra comprar o álbum duplo por apenas R$ 20. Ou então, acessem aqui, leiam o release e façam o download, ok? Aproveitem. Desde já, o melhor álbum do ano.

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quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Perambulando #07 - Tiganá & Roberto Mendes

Tiganá & Roberto Mendes - Mpangi Mbote




Perambulando é uma seção deste blog destinada a expôr os vídeos que irei registrar nas andarilhadas por aí.

Nesta edição, destaco o show Vozes no Espelho, que uniu os cantores e compositores baianos Roberto Mendes e Tiganá Santana, lá no Teatro SESI (Rio Vermelho, Salvador-BA) ontem (terça), 11/08/09.

Com produção de Emílio Mwana e assistência de Bruno Senna, conforme release, é "uma síntese artística de dois cantores e compositores que se reconhecem na maneira de compor, no rigor estilístico, no apego à ancestralidade, na permissão à música, na inventividade, na inteligência. São dois inventores da música popular brasileira, marcados de africanidades, lusitanismos, indianismos, dentro de uma territorialidade figurada como Recôncavo Baiano, mas de projeção e capacidade comunicativa universais".

Voz e violão, poemas e música, cenários em reflexos que se expandiam, se reconheciam, identificavam que o tempo dos calendários é apenas uma invenção, mais uma dentre tantas, porque ali não havia anos, e sim, eternidades. Tiganá em breve estará lançando o seu primeiro CD, Maçalê, e a música Mpangi Mbote (grande irmão), que foi o parto desta parceria (Roberto gravou-a neste álbum), iniciou também este show que nunca mais terminará. Pretérito presente em cada dose de um futuro aqui, a quem canalizar a ancestralidade sempre vigente.

Logo abaixo, Disu ye Vula, nova música de Tiganá, com o toque do mestre Roberto: "Eu já fui este rapaz há algum tempo. Tenho certeza de que eu fui ele antes de mim. Eu tenho certeza de que esse rapaz veio um pouquinho antes".

Tiganá & Roberto Mendes - Disu ye Vula




Na humilde opinião deste espinho aqui, o ponto mais emocionante do show (quase desapareci, o ato de filmar é que foi o peso preciso pra esse registro), foi a junção das irmãs Reverência (Tiganá) e Saluba (Roberto), em que Tiganá recitou um poema pedrada, impactante, com trechos assim: "Comecemos pela morte e terminaremos cuidados pelo saber ... A senhora madeirada segura o solo porque é menos seguro que a invisível solidão da fé-éter ... A morte é matéria prima da vida que é encontrada nos caminhos ... Para se ser lama, é preciso se ser lume, sem qualquer vestígio de limo, sem qualquer dúvida sobre o leme".

Tiganá & Roberto Mendes - Reverência / Saluba




Aqui, Dembwa (10 de Agosto), que também estará no CD Maçalê, encerrando a breve filmagem, pra deixar um gostaço de quero mais em você, caro leitor.

Tiganá & Roberto Mendes - Dembwa



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quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Perambulando #06 - Rômulo Fróes

Rômulo Fróes & Beto Barreto - Anjo




Perambulando é uma seção deste blog destinada a expôr os vídeos que irei registrar nas andarilhadas por aí.

Nesta edição, destaco o pocket show do cantor e compositor paulistano Rômulo Fróes, que rolou ontem (quarta), 05/08, lá na Midialouca, no Rio Vermelho, Salvador-BA.

Ele veio ajudar a montagem da exposição de sua talentosa esposa Tatiana Blass, que vai começar amanhã, 20h, no MAM (visitem!!!). Aproveitou pra gravar um Especial das Seis muito massa, com o seu terceiro e mais novo álbum No Chão sem o Chão, um discaço duplo que eu fiquei viciado. Na boa, é bom pra caralho, sonoridade calcada no melhor da música brasileira (que, na minha opinião, fica nos anos 70, comandada, entre outros, por Lanny Gordim e Tutti Moreno), em composições inéditas feitas por Rômulo e outros sacanas como Nuno Ramos e Clima, que oxigenam, com muito gás, esse ótimo momento criativo que já tá rolando na música de nosso país, como Mariana Aydar, Tiganá Santana, Marcela Bellas, etc. etc.

Por falar em Mariana, segue abaixo uma música do Rômulo Fróes que ela gravou no discaço Peixes Pássaros Pessoas, e que ele tocou pra'gente ontem:

Rômulo Fróes - Nada Disso é pra Você Querer




No pocket show, rolaram duas participações super-especiais, cruciais para a realização do evento e para a primeira circulação do Rômulo aqui em soterópolis: a cantora e compositora Manuela Rodrigues e o guitarrista e bom pai Beto Barreto. Segue abaixo uma ilustração destas:

Rômulo Fróes & Beto Barreto - Deserto Vermelho




Rômulo Fróes & Manuela Rodrigues - Fui Eu




Rômulo Fróes & Beto Barreto - Sei Lá




No final do evento, empolgado com a saída de terça para o Coletivo Circo dá Samba (altamente recomendável para a diversão das noites de terças), levamos Rômulo e Tati, por certeira indicação de Paulo da Midia, à Kombi 4 Rodas, em Amaralina, pr'ele provar uma bela MANIÇOBA. Prato fantástico, bom pra caralho (again), uma mesa de bate papo e muitas risadas, com Manuela, Mou Brasil e Luciano Salvador, que gerou esse vídeo histórico abaixo, que ilustra o exato instante em que um paulistano roots se encontra com as raízes da nossa boa mãe Bahia. Éxa! Retornem quando quiserem!

Rômulo Fróes na Maniçoba



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