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Mostrando postagens de Junho, 2019

Blog Minicontos, de Carlos Barbosa

Carlos Barbosa - Foto: Sarah Fernandes
O romancista, contista, poeta, minicontista e jornalista baiano Carlos Barbosa (1958) mantém, desde dezembro de 2009, o blog Minicontos, em que publica, principalmente, resenhas dos livros que lê (como ele mesmo afirma: “livros comentados espontaneamente”), além de poemas, memórias, homenagens, comentários, crônicas, minicontos, etc. Confira abaixo uma seleta com as 63 melhores passagens e os 20 poemas mais emocionantes de Carlos Barbosa no blog Minicontos (a foto do autor nos flyers abaixo é de Mário Espinheira):


Vinte passagens (2010 a 2012) “O bem primordial do ser humano é a liberdade. Ódio é a não aceitação da liberdade do outro, é a confissão mais clara de que suas ideias não possuem nenhum valor que as sustentem” Leia aqui
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Dezoito passagens (2013 e 2014) “Não deve ser suficiente ao escritor abrir o peito e despejar o que dele escorrer ou escapar, mas, sim, descer a nossas zonas mais sombrias, aos nossos infernos íntimos (...) para c…

Vinte e cinco passagens de Ângela Vilma no blog Aeronauta em 2012 e 2013

“(...) Pai tinha um orgulho danado de ter vindo da roça (...) era um amante da roça, odiava a cidade, dizia que um dia ainda voltaria para o mato, sem luz e sem geladeira. Mãe, eu e minha irmã gritávamos ‘não, não, não’ (...) Pai, que não fazia versos, era um poeta da roça, como Patativa do Assaré. Não queria viver ali, naquele meio de gente ingrata; ele queria era a sua roça, seu pé de milho, seu pé de fulô. Mas infelizmente foi ali ficando, ficando, ficando... Uma ou duas vezes na semana ia para a rocinha que comprou, com muita dificuldade; e plantava alguma coisa, que nunca dava. E que permitia que mãe lhe jogasse na cara: ‘Tá vendo aí, Bino? Pra que roça? Roça só serve para perder dinheiro!’ Ele não ouvia, era um apaixonado. Gostava dos tabaréus e de sua parentalha que lá ficou. (...) Eu era jovem demais para entender isso tudo (...) era metida a besta. Lembro que no lançamento de meu primeiro livro, ele, entusiasmado com a filha, levou para o lançamento todos os roceiros seus co…

Lançamento do conto "Boldo tea", de Emmanuel Mirdad

Boldo tea é o primeiro conto de Emmanuel Mirdad traduzido em outra língua. Será lançado, virtualmente, na próxima segunda, 1º de julho, às 09h, neste blog e na fanpage, com download gratuito também.

A tradução para o inglês foi feita pela tradutora H. Sabrina Gledhill, a mesma que traduziu o livro de poemas Yesterday, Nothing; Tomorrow, Silence de Mirdad em 2018.

A versão original, Chá de boldo, pode ser lida aqui.

Trinta passagens de Ângela Vilma no blog Aeronauta em 2011

“Devia ser essa a ambição de todo homem, em toda e qualquer instância: sair do senso comum. Tentar não se repetir, tentar dizer e fazer coisas diferentes, livrar-se de uma vez por todas desse legado medíocre e estúpido que é o convencionalismo humano; livrar-se, enfim, de uma certa voz de comando que sempre ecoa nas nossas costas. Uma voz de comando que se diz individual (‘a voz do povo... etc’), mas que de individual não tem nada. Aliás, há algo individual no mundo? Existe algo individual em mim? Estou contaminada pelo discurso alheio, não há nada de novo em mim a não ser a repetida estupidez. É preciso ser vigilante de si, em extrema e lúcida clarividência. Vigiar a si para só depois vigiar a dita e conclamada ‘sociedade’, e não o contrário. Vigiar a tal ‘sociedade’ sem se vigiar é a repetição da estupidez, é ser boneco de engonço, balançando a cabeça e marchando — porque todos marcham.”


“(...) ao finalmente livrar-me do engarrafamento e botar os pés no chão, o que vi não tinha a m…

Vinte poemas de Carlos Barbosa no blog Minicontos

O menino e eu
Carlos Barbosa

eu tenho dor, obrigações e conta bancária
ele tem fantasia e histórias pra contar

por isso me consumo em fortalecê-lo

quando eu partir, ele continuará

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Dez anos hoje
Carlos Barbosa

seus miúdos olhos ainda buscam os meus
que se desesperam
por entender aquele pouco brilho

quanta dor se pode suportar em silêncio?

garanti a meu pai minha companhia
até o último momento

meu pai apreciava o cumprimento de compromisso

hoje penso que se divertia
ao me ouvir murmurar:
— não tenha medo, estou aqui

pois era aquela frase que seus olhos me diziam

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Estação morte
Carlos Barbosa

Como não crer em Destino, se nos destinamos à morte?
Sabemos disso e agimos costumeiramente como se imortais fôssemos.
Empinamos o nariz, e outras partes, e arrostamos o tempo, heróis de porra nenhuma.
Alimentamos rancores e ódios, cultivamos inimizades, ampliamos distâncias.
Fabricamos couraças de arrogância e medo, crentes numa força que não possuímos.
Fazemos de conta que não há esqui…