terça-feira, 30 de junho de 2009

Podcast K7 #08 - Aurélio Schommer

ilustração por Muin


Bloco 01 (Politicamente Incorreto e Ponto G)
- Ouça e baixe aqui: www.4shared.com/file/113275336/36e26bd6/PodcastK708_AurelioSchommer_Bloco01.html

Bloco 02 (Mercado e Câmara Baiana do Livro)
- Ouça e baixe aqui: www.4shared.com/file/113420574/916a2f13/PodcastK708_AurelioSchommer_Bloco02.html

Bloco 03 (Cinema Acessível e Teste do Sofá)
- Ouça e baixe aqui: www.4shared.com/file/113442127/57541f1b/PodcastK708_AurelioSchommer_Bloco03.html

Bloco 04 (Sadismo e Êxodo Inverso)
- Ouça e baixe aqui: www.4shared.com/file/113445844/a01ea11/PodcastK708_AurelioSchommer_Bloco04.html

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Programa #08
Aurélio Schommer

Escritor e Roteirista.

Ariano, natural da cidade de Caxias do Sul (RS), de abril de 1967, é radicado na Bahia desde 1991. Escritor independente, publicou, por conta própria, os romances Memórias de Um Golpista e Maristela - Pura e Infiel, em 2007, o livro de contos Mulheres que Fazem Sexo e o Dicionário de Fetiches, ambos em 2008.

É o atual Presidente da Câmara Baiana do Livro, desde março de 2009. Hoje em dia empreende o início de sua carreira cinematográfica, como diretor e roteirista, autor dos roteiros para longa-metragem Desnecessário ou Incômodo e Clube da Honra, e para curta-metragem Mulher 1, Mulher 2 e O Testamento, ambos em fase de produção. Além disto, é jornalista.

Aurélio Schommer indica para ouvir a música erudita, como a ópera Carmen, Chopin, Wagner; ler Eça de Queiroz, principalmente Os Maias; assistir as adaptações de Nelson Rodrigues para o audiovisual; e contemplar a beleza de Salvador, do amanhecer ao pôr do sol, passando pela noite toda.

“Eu sou alguém que tem a petulância de pensar que o próprio pensamento deve ser compartilhado. E eu almejo compartilhar este pensamento”.

“O politicamente incorreto não vende. Chocar hoje em dia não vende. Todo mundo quer ser bonzinho. E ser politicamente incorreto é assumir as maldades, nossas imperfeições, é ser perverso sem medo de ser perverso”.

“Homem adora mulher que não presta. Mulher também adora homem que não presta, mas não assume isso. O homem assume mais facilmente”.

“Eu não conheço nenhum homem fiel. O homem não tem nenhuma razão, motivo, pra ser fiel. As mulheres acham que tem motivo. Entronizam essa coisa de ser de um homem só com o romance, a paixão, o príncipe encantado. Mas o que se constata, na verdade, é que a infidelidade feminina é muito mais comum do que se costuma admitir”.

“O livro Maristela (Pura e Infiel) é muito mais procurado por mulheres que por homens. E as mulheres que lêem, gostam muito mais do que os homens. E eu sinto uma demanda delas em querer assumir que não existe esse negócio de minoria, de opressão. E a sexualidade é um território feminino”.

“Eu não acredito em nada. Não defendo nenhuma bandeira. Não tenho nenhum objetivo. Quando escrevo, não quero chegar a lugar nenhum. Não tenho nenhuma mensagem pra passar. E minha literatura é isso, simplesmente não respeitar nenhum parâmetro desse, nenhuma crença ou coisa bonitinha”.

“Por que não mostrar que o mundinho do politicamente correto é uma coleção de sistema de crenças que não vai a lugar nenhum, não serve pra nada, em última análise?”.

“O Acre eu não conheço, mas o Ponto G conheço sim. E é fundamental ser um ginecologista amador da mulher, e passar à investigação exploratória, uma coisa de espeleólogo, penetrar na caverna e encontrar o paralelo à próstata masculina”.

“O livro já é anacrônico. Eu não sei com que velocidade ele vai ser superado e vai deixar de existir enquanto objeto de papel. Faria até o maior sentido ele deixar de existir, eu defendo isto. Pra quê, se pode ler de outra maneira?”.

“As editoras não têm lucro. Só conseguem (tê-lo) na medida em que vendem para o Estado ou então têm patrocínio do Estado. No mercado sozinho, pra se vender ficção, é muito difícil. É coisa pra dois ou três especialistas que conseguiram romper uma barreira quase intransponível”.

“Eu não tenho nada contra quem quiser ter publicação independente, agora não espere que isso seja algo além de gastar, torrar dinheiro”.

“A marca desta Diretoria e da minha Presidência é voltar a Câmara (Baiana do Livro) pra ser o representante e a voz da cadeia produtiva do livro. E o Governador Jaques Wagner já reconheceu isso”.

“As livrarias talvez estejam ressurgindo como lugares para eventos culturais. Estamos trabalhando nisso. Tem várias livrarias que tão começando a entender que elas são ponto de encontro, um gueto de intelectuais. Neste sentido, elas vão ser viáveis financeiramente. Mas só viver da venda do livro está difícil”.

“O sexo é território feminino. Portanto, a mulher sempre vai fazer sexo. Mas não é só abrir as pernas, é muito mais que isso. É seduzir, criar o seu mundo, o seu universo”.

“Sempre gostei mais de cinema do que literatura. É que fazer cinema dependia de equipe, e fazer literatura, você pode fazer sozinho. Apenas isso”.

“Eu não acredito em filme cult. Eu acredito naquilo que as pessoas entendem. É claro que você não vai dizer o óbvio, que a TV já diz. E o elogio da crítica é o enterro da possibilidade de se comunicar com o público”.

“Faço cinema porque de repente chove na minha horta”.

“A maioria é masoquista, porque é muito mais fácil e prazeroso. Ser sádico é muito mais trabalhoso. E eu não me contento em simplesmente viver. Tenho que criar o enredo. O enredo que o outro me dá não basta. Então, tendo a ser o sádico. E eu não quero apanhar não”.

(Sobre o uso do Dicionário de Fetiches) “Já há relatos de melhora da vida sexual, casais, gente que experimentou uma diferençazinha, e é muito esclarecimento, coisinhas miúdas que se esclarecem, porque os mitos nascem da ignorância”.

“Gaúcho não tem nada a ver comigo. A visão regionalista do Rio Grande do Sul me incomoda porque eu sou universal e Salvador é extremamente universal, mesmo com toda identidade baiana, porque ela aceita quem vem de fora, é uma cidade de tolerância com as variadas etnias, pensamentos, estrangeiros”.

“Eu me descobri cineasta e escritor ao longo do caminho. Tanta dissertação, que daqui a pouco você se descobre ficcionista”.

- Sobre a afirmação do Ras Sidney Rocha, no K7#07, de que ‘a minha função é tentar captar as coisas que acontecem na vida e transformá-las em poesia’: Não tenho função, não me vejo com função, não quero ter função, não pretendo e nem busco isso. Tenho é a petulância de achar que o meu pensamento deve ser compartilhado. Mais nada”.

“Pra mim, música popular não presta; Fantasmão e Chico Buarque estão no mesmo nível. É popular, comercial, não me interessa. Pra mim, música é erudita”.

“A gente não sabe porque a aventura humana existe, não sabe pra onde ela vai, e não há intenção nesse caminho. Nem deve haver. Acredito que não há nada a ser feito”.

“A pessoa que nunca trai é decepcionante. É falta de imaginação nunca trair. Uma mulher que passe a vida inteira sendo fiel não merece a fidelidade do marido”.

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Onde encontrar Aurélio Schommer:
aurelioschommer@gmail.com

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Ficha Técnica Podcast K7 #08
Gravado em 20.06.2009, Salvador-Ba.

Direção, produção, entrevista, gravação, edição, montagem, vinhetas e locução: Emmanuel Mirdad.
Trilha sonora: Curtas e Poemas, Noturno, Pílula Azul, Homeopata e A Esposa Impossível, Mirdad - Harmonogonia (2008).

Trilha das aberturas e vinhetas: Lost Mails, The Orange Poem - Psicodelia (2008).

Fotos: Mirdad.

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sábado, 27 de junho de 2009

Perambulando #02 - Letieres Leite & Orkestra Rumpilezz

Perambulando é uma seção deste blog destinada a expôr os vídeos que irei registrar nas andarilhadas por aí.

A primeira edição foi no sábado passado, com dois vídeos do show da banda Cais e Sais. Hoje, destaco o show do magistral grupo Letieres Leite & Orkestra Rumpilezz, com dois temas furiosos, Aláfia e O Samba Nasceu na Bahia, ambos de autoria do maestro Letieres Leite.

Reforço aqui que nesta segunda 29/06, às 20:30h (R$ 15 - R$ 30), no Teatro Jorge Amado (Pituba), vocês não podem perder a chance de ouvir esse espetacular grupo de música instrumental, aclamadíssimo por todos que ouvem seu trabalho.

Pra quem não conhece, é óbvio que irá gostar!

Letieres Leite & Orkestra Rumpilezz - Aláfia



Letieres Leite & Orkestra Rumpilezz - O Samba Nasceu na Bahia



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sexta-feira, 26 de junho de 2009

Pílulas: José Inácio Vieira de Melo

foto: Ricardo Prado

"...
Algo me aflige e não sei o que é.

Vivo a buscar o signo que me presentifique,
que, uma vez enunciado, seja por si.
Estou exausto de ser uma representação.

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Sinto saudades de lugares onde nunca estive
e uma voz me guia por estes mundos do não sei onde.

Tudo está em mim e é intransponível. Não há signo,
não há deus que me comunique por inteiro.

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A gente se enche de calo,
a gente pensa que sabe,
a gente se desespera até,
mas não abre mão de estar aqui.

Há de existir um lugar
onde teus mistérios possam descansar.

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Estou longe de mim, longe de minha morada.
No meio do caminho dessa estrada
o buraco, o vazio.

Busco a ponte.

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Eu venho do caos primordial.
Percorri as searas da escuridão
(caminhos que não sei).

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Quebrar todo e qualquer cabresto,
romper a barreira da forma,
caminhar para além da palavra.

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A tua cabeça ainda vai ser um enfeite lá em casa.
..."


Trechos dos poemas, na ordem deste post, Encruzilhada, Unidade, Centauro Escarlate, Ponte, A Infância do Centauro, Ausência e Adorno, de José Inácio Vieira de Melo, publicados no livro A Infância do Centauro, Escrituras (2007).
www.jivmcavaleirodefogo.blogspot.com

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segunda-feira, 22 de junho de 2009

Especial: Nota no Caderno DEZ!




Na semana passada, saiu uma nota de Ricardo Cury no Caderno DEZ!, do A Tarde, na coluna Coletânea, falando deste blog. O melhor é que foi espotâneo. Não estou enviando releases aos jornais e foi muito bom ser surpreendido com essa ótima lembrança! Valeu, Cury!

Segue abaixo a nota na íntegra:

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Blogcast baiano.

O jornalista e poeta soteropolitano Emmanuel Mirdad está à frente de um blog/podcast bastante diversificado e, melhor, sempre atualizado. Com uma série de entrevistas com pessoas de múltiplos segmentos artísticos, Emmanuel disponibiliza trechos dessas entrevistas no blog e o áudio completo no podcast. Já passaram por lá o professor André Setaro, o músico Mou Brasil, o ativista Ras Sidney Rocha, entre outros. www.elmirdad.blogspot.com /// (Ricardo Cury) /// Mou Brasil já deu as caras no blog/podcast de Mirdad. (legenda foto)

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sábado, 20 de junho de 2009

Perambulando #01 - Cais e Sais

- FASE DE TESTE -

Bem, Perambulando é uma seção deste blog destinada a expôr os vídeos que irei roubar das andarilhadas por aí.

Neste primeiro (em fase de teste, porque o áudio estourou em vários momentos), destaco duas músicas da banda Cais e Sais, surrupiadas de dois shows no Teatro Sesi (em maio e junho deste ano, em Salvador). Uma é a furiosa Overdose, de Cal Ribeiro e Enoch Carneiro, e a outra é uma espetacular versão para Pelas Tabelas, de Chico Buarque, daquelas que ficam melhor que a original.

Prometo que em breve aprenderei a utilizar melhor o equipamento (um celular), pra que não haja mais pipocos no som. Espero que gostem!

Atenção: Pelas Tabelas começa, de fato, aos 54s. Tenha paciência, que a versão é fodástica!!!

Cais e Sais - Overdose



Cais e Sais - Pelas Tabelas



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quarta-feira, 17 de junho de 2009

Intervalo: Theatro de Séraphin



Theatro de Séraphin - Doze por Oito (nova versão)
Imagens de Jorge Castro aka Fisternni
Edição de Marcos Rodrigues
Videoclipe 2009

Embora prefira a versão original da música, que está no fantástico álbum EP, de 2008, tenho que ressaltar que o clipe está muito bem feito, conceitualmente interessante, com o já sagrado selo de qualidade desta banda soteropolitana que, no meu humilde gosto particular, é a que eu mais admiro e curto em todo rock baiano.

Não é pra desmerecer os demais. É só uma constatação intimista de um fã confesso.

Longa vida à Theatro de Séraphin e à grande voz que surrealiza os meus ouvidos.

PS - Outra confissão: pra facãozar a existência, além de Artur (Theatro), só Glauber (Teclas Pretas) e Cal Ribeiro (Cais e Sais). Viva a acidez vocal, obra divina da genética, dom pra poucos (e raríssimos) privilegiados (que inveja boa!).

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Link: www.youtube.com/watch?v=92AFmbNcsFE

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terça-feira, 16 de junho de 2009

Compilação I - Podcast K7


Atenção: mudou a periodicidade do programa Podcast K7!

Passou de toda terça-feira para eventuais terças, variando a postagem de 15 em 15 dias, até 3 vezes ao mês, certo?

Então, o Podcast K7 retorna no dia 30/06, após o feriado de São João.

Continuem acessando o El Mirdad - Farpas e Psicodelia!

Grato, o Editor

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Compilação dos Programas I - #01 a #07

Se você perdeu alguma das sete edições do Podcast K7, aproveite o São João e mantenha-se antenado: segue abaixo o link de cada um dos entrevistados. Aproveite, que são verdadeiras figuraças do nosso cenário.


Txhelo Castilho
K7 #01

Multifacetado artista


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Minêu
K7 #02

Cartunista e Publicitário


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Mou Brasil
K7 #03

Músico e Compositor

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Nancyta
K7 #04

Cantora e Compositora

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José Inácio
Vieira de Melo

K7 #05

Poeta e Jornalista

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André Setaro

K7 #06

Crítico e Professor

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Ras Sidney Rocha

K7 #07

Ativista e Músico

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sexta-feira, 12 de junho de 2009

Especial: Tiganá Videorelease

Tiganá é um ser iluminado, que está em vias de lançar o primeiro CD, Maçalê, ainda este ano. Aproveite pra conhecer um pouco dele, neste videorelease que dirigi e produzi no ano passado.

Parte I



Parte II



Parte III



Tiganá Santana - Videorelease 2008


Direção, Câmera e Roteiro: Emmanuel Mirdad
Produção: Flor da Cruz
Edição: Daniel Santos e Jorge Rios
Assistente de Produção: Alan Lobo

Shows gravados no Teatro Gamboa Nova
Junho de 2008 - Salvador-BA

Tiganá Santana: Voz, violão e canções
Maurício Ribeiro: Viola, flauta e sanfona
Antenor Cardoso: Percussão
Alexandra Pessoa: Percussão

Participação especial: Virgínia Rodrigues

Depoimentos gravados na casa de Luiz Brasil e no lar de Tiganá.

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terça-feira, 9 de junho de 2009

Podcast K7 #07 - Ras Sidney Rocha

ilustração por Muin


Bloco 01 (Raízes e Ser Rastafári)
- Ouça e baixe aqui: www.4shared.com/file/110562859/7008050c/PodcastK707_RasSydneyRocha_Bloco01.html

Bloco 02 (Nova Flor e Distorções da Bahia)
- Ouça e baixe aqui: www.4shared.com/file/110563528/f82a576b/PodcastK707_RasSidneyRocha_Bloco02.html

Bloco 03 (Cenário Reggae e Poesia)
- Ouça e baixe aqui: www.4shared.com/file/110564507/c77410c1/PodcastK707_RasSidneyRocha_Bloco03.html

Bloco 04 (Retorno à África e Espiritualidade)
- Ouça e baixe aqui: www.4shared.com/file/110565680/2b33d656/PodcastK707_RasSidneyRocha_Bloco04.html

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Programa #07
Ras Sidney Rocha

Ativista e Músico.

Taurino, natural de Salvador, de maio de 1968, é formado em Teologia e ativista do Movimento Rastafári da Bahia desde 1985, sendo o atual diretor da Associação Cultural Nova Flor, que funciona em Salvador há quatro anos, e é voltada à consolidação do Movimento Rastafári enquanto movimento sócio-cultural, político, filosófico e espiritual.

Ras Sidney Rocha também é músico percussionista e compositor, fundador da banda Kebra Nagast, na ativa desde 2004, mas sua ligação com o reggae tem mais de 20 anos. Escritor e poeta, possui um livro de poemas em via de publicação, intitulado Infinito, que vai sair, de forma independente, até o final de 2009. Por fim, o multi-rasta de Rocha ainda é artesão, especializado em produtos derivados do coco, de colares até porta-jóias, que estão disponíveis só por encomenda, o que lhe rendeu, entre outras coisas, um intercâmbio cultural na França e na Suíça em 2003.

Sidney Rocha indica para ouvir Bob Marley, Peter Tosh, Ijahman, Burning Spear, Jacob Miller, Márcia Griffiths, Rita Marley; ler a Bíblia; assistir O Nome da Rosa, de Jean-Jacques Annaud; e contemplar a vida, a natureza, a nós próprios, a Jah, o criador.

“Eu sou servo de Jah, o Altíssimo, voltado para as coisas do Alto, tentando manifestá-las aqui no mundo”.

“Almejo um mundo mais justo, uma sociedade igualitária e fraterna”.

“Então, Marcus Garvey tem uma frase muito importante: ‘O homem que não conhece o seu passado, sua cultura e sua história é como uma árvore sem raízes’. Infelizmente a maioria das pessoas daqui na Bahia, que são afro-descendentes, por diversos motivos, não conhecem a sua história; por conta disso, discriminam o rasta. Mas esse processo está sendo desmistificado”.

“A gente está muito tranqüilo a cerca dessas pressões, discriminações, até porque as projeções que geralmente as pessoas fazem, é atribuir aos outros seus próprios desejos e sentimentos. Então, o problema não está com a gente, e sim em quem nos discrimina. Mas nos sentimos na obrigação de desmistificar essas coisas, para que tenhamos uma sociedade mais igualitária e justa, e conseqüentemente, uma sociedade onde reine a paz”.

“Infelizmente aqui acontece muita caricatura. Pessoas que tem os cabelos grandes absorvem a denominação de rasta, quando não tem nada a ver com o movimento. Isso tem influenciado de forma muito negativa. E o Rastafári não está só na questão estética”.

“Para mim, a melhor maneira de se conhecer um rasta, é pelas suas ações”.

“É interessante nos concentramos e adentrarmos aos conceitos históricos. As pessoas não esquecem de ressaltar a nobreza da rainha da Inglaterra, por exemplo. Mas quando se trata de um rei etíope, negro, pouco se fala, ou quando se fala, é de maneira pejorativa. Então, é interessante sim ressaltar todos esses títulos, essa linhagem, porque as coisas não acontecessem por acaso”.

“Hailé Selassié é um atributo divino, o poder da Santa Trindade. Aí está uma das grandes confusões. Muitas pessoas vêem Tafari Makonnen como um Deus. E ele sempre disse que não era. Mas ele tinha uma porção divina dentro dele, o poder da Santa Trindade. Como eu tenho, como todos que acreditam em Yeshua. E isso é questão de fé, deve ser respeitado”.

“A minha verdade está me renovando a cada instante”.

“Na maioria das vezes as pessoas vivem muito na superficialidade, baseada no ter. Nós rastas buscamos a nossa essência, ou seja, o ser. Mas isso não quer dizer que não tenhamos. O Movimento Rastafári não faz uma apologia à auto-comiseração, ao contrário do que muita gente fala. E é interessante possuirmos as coisas, e não sermos possuídos por elas”.

“Nós (Associação Cultural Nova Flor) temos um calendário anual, o Reggae em Movimento, composto por: Seminário Mulher em Foco (março), Seminário África Mãe (março), Seminário Um Povo, Uma Luta, Um Destino (agosto), Seminário Rastafári e Consciência Social (dezembro) e Seminário Música Reggae, Veículo de Transformação Social (flexível), além da Biblioteca Marcus Garvey e diversos cursos em fase implantação. Ou seja, temos uma estrutura que proporcionam uma transformação social”.

“O principal inimigo a vencer são os inimigos internos. E a paz só vem a partir de uma percepção interior e espiritual que transcende a tudo”.

“Não basta só falar, nós temos que praticar”.

“O que eu percebo aqui em Salvador é que as pessoas tentam desvencilhar a música reggae do Movimento Rastafári. Não vão conseguir. Há muitos anos que esta tentativa é explícita; os meios de comunicação, salvo exceções, colocam o reggae como se fosse uma coisa solta, como se não tivesse um fundamento”.

“Eu não posso negar o fato que ocorre, não só na Bahia, que a música reggae tem sido tocada com pouca responsabilidade. A maioria dos grupos só toca reggae. É diferente de um grupo rasta, que vive o reggae”.

“Salvo algumas exceções, é incrível: todos os estilos musicais tocam nas rádios, mas o reggae não toca. Quando toca, é nos programas especiais. Então, tem alguma coisa errada, em uma cidade com uma população imensa de afro-descendentes, que tem um público altamente consumidor da música reggae”.

“Alguma coisa tá desarmonizada com essa dita pretensão de que a música reggae vai bem na Bahia. Que bem é esse, que só existem determinados grupos que são colocados em evidência? A gente percebe nitidamente que não é dispensado o mesmo tratamento pra quem faz o reggae mais compromissado com a questão política, social, cultural e espiritual, e outras pessoas que fazem o reggae light”.

“O lugar da minha poesia começa na influência da galera do movimento dos Poetas da Praça. E a minha função é tentar captar as coisas que acontecem na vida e transformá-las em poesia”.

“A África está dentro de cada um de nós. E o mais importante é você estar cônscio de quem você é, de onde você veio”.

“Às vezes eu ouço determinadas citações de África como se fosse apenas um país. A especificidade e diversidade da África é uma coisa incomensurável. E é uma irresponsabilidade muito grande querer falar de África como se fosse uma coisa homogênea, o que não é”.

“Religião é composta, na maioria das vezes, de alguns elementos como: símbolos, a(s) divindade(s), os rituais, as doutrinas ou leis divinas. Ou seja, se a gente analisar, na essência da coisa, Rastafári tem tudo isso, como os símbolos Leão Conquistador da Tribo de Judá e Estrela de Davi, a forma de cultuar do Nyabinghi, a divindade Jah, Hailé Selassié, dentre outros elementos. Rastafári é religião, porque religião é vida”.

- Sobre a afirmação de André Setaro, no K7#06, de que ‘o homem, que passa por um sofrimento, se engrandece’: “Acho que é normal, faz parte do processo de vida do ser humano. E as pessoas que forem sábias, passarão por esses momentos adversos e realmente virão a crescer, a dar bons frutos”.

“Há muita coisa que se fazer, porque tudo se renova a cada instante”.

“Cada um viaja da maneira que achar mais interessante. Eu gosto de viajar de avião, que é mais rápido. Outro viaja de navio, outro de bicicleta, e é cada um na sua viagem”.

“O movimento ou religião Rastafári é uma coisa muito simples, ao mesmo tempo complexa”.

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Onde encontrar Ras Sidney Rocha:
www.myspace.com/kebranagastreggaemusic e www.nova-flor.blogspot.com

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Escute a banda Kebra Nagast, com a música de mesmo nome:

www.4shared.com/file/110566194/22bf9a65/PodcastK707_KebraNagast_KebraNagast.html

- download free autorizado, exclusivo -

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Ficha Técnica Podcast K7 #07
Gravado em 05.06.2009, Salvador-Ba.

Direção, produção, entrevista, gravação, edição, montagem, vinhetas e locução: Emmanuel Mirdad.

Trilha sonora: PsiK7 Experiênça 01 a 04, Mirdad - PsiK7 I (2009).

Trilha das aberturas e vinhetas: Lost Mails, The Orange Poem - Psicodelia (2008).

Fotos: 01 - Divulgação; 02 e 03 - Mirdad.

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sábado, 6 de junho de 2009

JIVM

foto: Ricardo Prado

(...)

Os livros foram lidos e tudo já foi dito:
resta o silêncio - este corvo doido,
resta a folha de papel em branco
urubuzando minhas dores,
buscando os meus anagramas.


(...)


Trecho do poema Zoada, de José Inácio Vieira de Melo
Decifração de Abismos - Aboio Livre (2003)

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terça-feira, 2 de junho de 2009

Podcast K7 #06 - André Setaro

ilustração por Zeca


Bloco 01 (30 Anos de Ensino e Declínio da Contemplação)
- Ouça e baixe aqui: www.4shared.com/file/108842486/651891f3/PodcastK706_Setaro_Bloco01.html

Bloco 02 (Crítica e Mercado)
- Ouça e baixe aqui: www.4shared.com/file/108844201/1243ad36/PodcastK706_Setaro_Bloco02.html

Bloco 03 (Blog e Mulher Maçã)
- Ouça e baixe aqui: www.4shared.com/file/108845545/ccb1ddcb/PodcastK706_Setaro_Bloco03.html

Bloco 04 (Aprendizado e Indicações)
- Ouça e baixe aqui: www.4shared.com/file/108846833/70fed284/PodcastK706_Setaro_Bloco04.html

Problemas para ouvir ou baixar? Entre em contato: elmirdad@yahoo.com.br

ATENÇÃO: Pra baixar, clique no botão azul "Download Now". Pra ouvir, clique na barra cinza acima do botão azul, no primeiro botão à esquerda.

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Programa #06
André Setaro

Crítico e Professor.

Libriano, natural da cidade do Rio de Janeiro, de 1950, veio morar na Bahia com um pouco mais de três anos de idade e, por isto, considera-se baiano. É formado em Direito pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), com Mestrado em Teoria da Arte pela Escola de Belas Artes na mesma universidade. É professor adjunto da Faculdade de Comunicação (Facom) da UFBA há 30 anos, onde ensina disciplinas relacionadas ao audiovisual (como Oficina de Comunicação Audiovisual, Linguagem Cinematográfica, Temas Especiais de Cinema, Cinema Internacional, entre outras).

Crítico de cinema do jornal Tribuna da Bahia desde 1974, colaborador bissexto do suplemento cultural do jornal A Tarde, foi um dos colaboradores da Enciclopédia do Cinema Brasileiro, organizada por Ferrnão Ramos e Luiz Fernando Miranda. Bloguista assíduo, mantém, muito bem atualizado, o articulado Setaro's Blog. Possui ainda três livros no prelo, para serem dados à devida luz ainda este ano, reunindo escritos selecionados em três décadas de atividade na área do ensino e crítica cinematográfica.

André Setaro indica para ouvir as nove sinfonias de Beethoven e toda a obra musical do maestro Tom Jobim; ler Os Irmãos Karamazov, de Fiódor Dostoiévski, e a obra completa de Machado de Assis; assistir Oito e Meio, de Federico Fellini, A Aventura, de Michelangelo Antonioni, e Rastros de Ódio, de John Ford; e contemplar Guernica, de Pablo Picasso, além de Henri Matisse e Diego Velásquez.

“Eu não sei quem sou, não gosto de me definir. Você não pede para vir ao mundo, você é despejado. Só me deram um nome e eu cumpro a minha função de viver”.

“Atualmente estou pouco ambicioso. O que eu almejo é ter paz e sossego na vida, ter tranqüilidade para exercer as minhas tarefas, e viver alguns anos a mais, só isso”.

“Vou lhe dizer a verdade: cinema não se ensina, não pode ser ensinado. É uma poesis. Você não pode ensinar um sentimento poético. E aprender cinema me parece que é um exercício autodidata. A função do professor é mais no sentido de orientar e sistematizar idéias a respeito do cinema para que o próprio aluno, por si, comece um processo de conhecimento e investigação”.

“Antigamente as pessoas contemplavam mais, estavam mais disponíveis, e hoje, com essa exigência perversa do mercado pela sobrevivência, as pessoas não têm mais tempo de contemplar. E as coisas estão muito velozes, porque elas querem tudo muito rápido, tudo muito mastigado”.

“O grande filme é sentido pela contemplação”.

“O filme produz sentidos não somente pela história, mas também pela articulação da linguagem cinematográfica: os planos, os movimentos de câmera, a angulação, os cortes. E o que eu tento humildemente fazer aqui é dar consciência aos alunos de que o cinema também é uma linguagem”.

“Na Bahia, Salvador, praticamente não existe crítica de cinema. Existem comentaristas, que informam, comentam, dão sua impressão nos jornais. Agora, o que está existindo é uma grande expansão de escritos sobre cinema na web, através de blogs e sites, e algumas pessoas têm se revelado como investigadores e estusiosos, como o Saymon Nascimento”.

“Não existe mais crítica de arte na Bahia. Já existiu, nos anos 50 e 60. E a imprensa baiana (atual), é um desastre completo, é triste”.

“A Bahia é uma terra arrasada, um estado culturalmente miserável. Dá pena. Hoje a cultura baiana é um lixo, imposta, aparelhada”.

“Antigamente um sujeito que quisesse expor, tinha a vergonha de ser esculhambado, porque existia uma crítica séria. E hoje o que acontece? Qualquer ignorante, completamente destituído de talento, resolve expor. E se tem amigos nos cadernos culturais, aí sai logo na primeira página. Então, os cadernos culturais são promotores dessa miséria”.

“Pessoas do sul do país e de NY vinham à Bahia assistir peças de teatro nos anos 50. E um aluno da escola de teatro, quando aparecia como garçom numa peça, ficava feliz. E hoje um sujeito da noite pro dia está dirigindo uma peça, sem nenhuma preparação. E o que é que se vê por aí são essas montagens vagabundérrimas, com os sujeitos pulando e gritando feitos macacos. Não vou mais a teatro”.

“A partir dos anos 80, a indústria cultural hollywoodiana, percebendo que 80% do público que vai ao cinema é constituído de adolescentes, infantilizou o cinema americano. E o grosso dessa produção cinematográfica é destinada a débeis mentais”.

“Hoje apenas 4% da população baiana pode ir ao cinema, (com esses) ingressos a R$ 17,00. O povo não vai mais ao cinema. Que Estado é esse? E quem não vai ao cinema pequeno, não vai mais. É como na literatura”.

“O cinema baiano tem hoje uma produção. No último decênio, temos quase 10 longas produzidos. Mas esses longas precisam ser distribuídos no mercado cinematográfico de exibição, que é dominado 99% por multinacionais. Ou seja, (por falta de viabilidade comercial) o cinema baiano não é exibido. E o que é que adianta fazer um filme se você não pode mostrá-lo?”.

“Surpreendentemente o Setaro’s Blog, que eu comecei sem nenhuma perspectiva (há quatro anos), é muito visitado, com uma média de 200 visitantes por dia, o que eu acho razoável. E o blog, antes de tudo, é um exercício de liberdade. Você não tem um editor; faz o que quiser”.

“Eu tenho um afeto todo especial por Spartacus, de Stanley Kubrick, porque eu vi menino, várias circunstâncias, e que teve uma influência enorme na minha vida, chegando a me formar, por mais incrível que isso possa parecer. Porque as circunstâncias da sua vida pessoal determinam muito a influência do filme sobre você”.

“Apague o seu celular! Eu peço encarecidamente: sejam civilizados. Quem vai ao cinema, deve apagar o celular. Se for um médico que está com um paciente em estado grave, então não vá ao cinema, vá pra casa esperar o telefonema, pra voltar ao hospital”.

“(Sobre a ‘selvageria’ nas salas de cinema) É um comportamento, um processo de deseducação, de decadência que está existindo na sociedade baiana, dessa incultura, dessa miséria que está aí”.

“Quando eu vejo essa Mulher Maçã, eu acho um ‘freaks’, um monstro. E esse exagero dos glúteos é uma coisa monstruosa. Não sei se você concorda comigo”.

- Sobre a afirmação de José Inácio, no K7#05, de que ‘as pessoas estão com o olhar preso às vitrines’: “Eu concordo plenamente, ele tem toda a razão”.

“O homem, que passa por um sofrimento, se engrandece. Ele começa a saber apreciar mais a vida, passa a refletir mais sobre a passagem do tempo, sobre a finitude da existência. Acho que todos nós deveríamos, sem morrer, passar por uma cirurgia de ponte de safena como um processo de aprendizado da vida”.

“Morrer faz parte da vida. Nascer e morrer são a mesma coisa. Agora o que a morte tem é isso, o sofrimento, que é terrível e não deveria existir, porque maltrata o homem. E a liturgia da morte, o enterro, que é uma coisa abominável”.

“O escrever em jornal, no outro dia, se enrola peixe, enrola lixo, se joga fora. E o livro é a permanência daquilo que você, bem ou mal, escreveu e elaborou em textos”.

“Não se deve fazer mais nada e se rever o que já foi feito”.

“Eu gosto muito de farpas, porque eu gosto muito de ironia. E a psicodelia faz parte da nossa loucura, da nossa existência. Viver é um nonsense”.

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Onde encontrar André Setaro:
www.setarosblog.blogspot.com

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Ficha Técnica Podcast K7 #06
Gravado em 28.05.2009, Salvador-Ba.

Direção, produção, entrevista, gravação, edição, montagem, vinhetas e locução: Emmanuel Mirdad.
Trilha sonora: Curtas e Poemas, Noturno, Reflexo Pesadelo, Homeopata e A Esposa Impossível, Mirdad - Harmonogonia (2008).

Trilha das aberturas e vinhetas: Lost Mails, The Orange Poem - Psicodelia (2008).

Fotos: Mirdad.

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