terça-feira, 28 de julho de 2009

Perambulando #05 - Retrofoguetes

Retrofoguetes - Maldito Mambo!




Perambulando é uma seção deste blog destinada a expôr os vídeos que irei registrar nas andarilhadas por aí.

Nesta edição, destaco a participação do trio instrumental Retrofoguetes no show do grupo Letieres Leite & Orkestra Rumpilezz, que rolou ontem (segunda), 27/07, lá no Teatro Jorge Amado, na Pituba, Salvador-BA.

Bem, como vocês já sabem, sou fã da Orkestra, e ela já apareceu nessa seção e no blog algumas vezes. E eu também sou fã do trabalho dos endiabrados Retrofoguetes. Ou seja, nem que tivesse capenga como João (que tb foi), eu perderia esse grande encontro. Já basta o arrependimento mortal que me abateu por ter perdido o Retro no TCA (motivos de trabalho).

Foi muito bom ver o teatro cheio, e tinha muita gente ali a fim de ver mais um pouco dessa incrível combinação “retrolezz”. Acredito que esta parceria, que já é sólida, ainda renderá muitos arranjos e temas pra nossos ouvidos babões. O que está faltando é o braço audiovisual dessa mistureba excepcional. Cineastas, uni-vos!! Vamos produzir!!

Enfim, o Retro tocou dois temas, ambos do álbum Chá-Chá-Chá, lançado este ano (que amanhã Morotó Slim apresentará na Educadora FM, às 18h). Por sinal, fui comprar este CD, pra dar de presente, na Saraiva do Barra, e simplesmente não tinha mais. Esgotado. Tratem de repor, rapaziada! Então, o primeiro tema foi o belo Constelación, que eles tocaram sozinhos, meio espremidos no canto do palco, e o segundo foi o mortal Maldito Mambo! - é sempre uma grande satisfação assistir esse arranjo fodástico ao vivo. Intensamente aplaudidos, platéia saciada, resta-nos a lembrança destes vídeos.

Retrofoguetes - Constelación



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sábado, 25 de julho de 2009

Perambulando #04 - Matiz

Matiz - Aos 27



Perambulando é uma seção deste blog destinada a expôr os vídeos que irei registrar nas andarilhadas por aí.

Porém, não pude expôr nesta edição os tais vídeos, porque o som foi rock, alto pra caralho (como deve ser), e a merdinha do meu celular não aguentou o tranco e distorceu tudo. Por isso, segue acima o recém-lançado videoclipe da música Aos 27, da banda baiana Matiz, cujo show de lançamento fui conferir na quinta passada, 23/07, lá na Boomerangue, principal casa do circuito alternativo em Salvador-BA. Essa música foi uma das cinco indicadas a Música do Ano, pelo Prêmio Bahia de Todos os Rocks de 2008.

Dirigido por Jero Soffer (fotografia também) e a dupla Renato Gaiarsa e Rodrigo Luna, com figurino de Irene Rio, o clipe tem um roteiro/idéia simples, concepção tradicional de apenas imagens da banda tocando e integrantes em separado (comum a produções de orçamentos do bolso-camaradagem de amigos), mas que funciona muito bem por conta da bela fotografia, harmonia entre cenário e figurino, e uma edição na medida certa do olhar de hoje, sem excessos carnavalescos ou exageros nervosos.

Comentei com Luna (durante o show) que o clipe é bonito e funcional, detectado pela vontade de assistir de novo que bate a cada vez que o assisto no youtube. Uma grande aquisição para a Matiz, que incorporou (comprovado pelo show) uma estética charmosa, elegante. Espero que continuem assim, classudos!

Conheçam mais da banda, que está prestes a lançar o primeiro CD, Nenhuma Tarde Ruim, e acompanhem suas novidades no site www.matizonline.com.br.

Segue abaixo o teaser do clipe, que ilustra bem essa tal nova aura:

Matiz - Teaser do Videoclipe Aos 27



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quinta-feira, 23 de julho de 2009

Pílulas: Zanom

foto: ?

"...
Pássaros podem partir
Pedras, permanecem

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Será que o homem
Já que tem prazo
para o coração parar
Também teria um
prazo pra começar?

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Jogo Fechado

Na mesa, tinha sua parceira
sua mulher, pouco desatenta
olhando demais para o primo

Percebeu ali todo fundamento
de todas as últimas desavenças
da recusa constante da esposa
de seu enorme desprezo ao lar

olhou para aquele moleque
e bateu com força na mesa

Foi um tapa que fez estrondo
silenciou a todos
Olhou nos olhos do adversário
e com muita raiva disse-lhe

Sua bucha de sena, é morta.

(...)

Afoito, com raiva, continuou
virando as pedras
até que fechou o jogo
contou as pedras
e chorou.

------

Chico Romero

1 - Sena e quadra
2 - Quadra e terno
3 - Bucha de terno
4 - Passo

Nas mãos embaralhando a partida
viu no jogo uma enorme previsão
poderia ser algo para toda a vida

1 - Terno e sena
2 - Sena e quina
3 - Bucha de quina
4 - Passo

Não acreditava no que via
parecia uma fileira de dominó

1 - Quina e branco
2- Branco e terno
3 - Sena e quina
4 - Passo.

Assistia com desespero,
Vontade de deixar o jogo
Vergonha do inevitável

1 - Quina e quadra
2 - Quadra e branco
3 - Branco e sena
4 - Passo.

Morreu de medo, suor na testa
cada rodada era só confirmação

(...)

Tinha ali a última chance
e nada mais lhe importava

1 - Sena e ás
2 - Ás e duque
3 - Duque e terno
4 - Foi chamado, dali em diante, até o fim da vida, de Chico Romero.

..."

Trechos dos poemas Pontos Próximos e A Menina de Dois Corações, e a íntegra dos poemas Jogo Fechado e Chico Romero, de Zanom (Marcus Zanomia), publicados no blog O Poema Nosso de Cada Dia (2009). http://www.opoemanossodecadadianosdaihoje.blogspot.com

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sábado, 18 de julho de 2009

Perambulando #03 - Tainah

Tainah - O Mais Bonito




Perambulando é uma seção deste blog destinada a expôr os vídeos que irei registrar nas andarilhadas por aí.

Nesta edição, destaco o show da cantora e compositora baiana Tainah, que rolou na última quinta, 16/07, lá no Teatro Gamboa Nova, casa de muitos espetáculos interessantes em Salvador-BA.

Pra mim, foi uma grata surpresa. Quando estava no show da bela Cláudia Cunha, fui convidado pelo amigo Jélber Oliveira, excelente músico, a ir assistir a temporada de sua esposa, Tainah. Fui inclusive apresentado a ela nesta mesma noite; confesso que não levei muita fé. Achei-a tímida, meio apagada. Mesmo assim, fui. Impressionante como a gente se engana fácil. Aquela menina tímida surgiu imperial, dominando o palco e a platéia com uma simplicidade fluida, sem excessos, fazendo o que quis com sua bela e afinada voz. É claro que Jélber ajudou, montando uma guiga massa, com arranjos certeiros, embora que, algumas vezes, ficou alto demais, atrapalhando as nuances de interpretação de sua digníssima. Mas nada que viesse a comprometer uma exibição confiante, com personalidade. Alías, gosto muito dessas meninas que bailam à vontade no palco, livre de estereótipos programados.

Enfim, foi um belo show e deixo aqui a sugestão: vá conferir Tainah, nas quintas que sobram em julho, 23 e 30/07, lá no Teatro Gamboa Nova, R$ 5, cantando sobre o amor, com pegada MPB, groove e jazz.

Logo abaixo, segue mais dois vídeos do show. O primeiro, da música Caminha, de Tainah e que está selecionada entre as 50 do VII Festival da Educadora FM, foi interrompido por conta de uma ligação (tenho que me lembrar de tirar o chip antes de filmar!). O segundo, com a música Imagina, de Chico Buarque, é o registro da participação do bom cantor Tito Bahiense no show.


Tainah - Caminha (trecho)



Tainah e Tito Bahiense - Imagina




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terça-feira, 14 de julho de 2009

Podcast K7 #09 - Roberto Mendes

fotoilustração por Mirdad

Bloco 01 (Chula e Brasil Real)
- Ouça aqui: www.4shared.com/file/115818198/97504114/PodcastK709_RobertoMendes_Bloco01.html

Bloco 02 (Cultura Orgânica e Crítica da Voz de Xoxota)
- Ouça aqui: www.4shared.com/file/115825257/1cd60fdd/PodcastK709_RobertoMendes_Bloco02.html

Bloco 03 (Amigos e Carreira)
- Ouça aqui: www.4shared.com/file/115829603/2b1328e5/PodcastK709_RobertoMendes_Bloco03.html

Bloco 04 (Política Canalha e Classe Média Miserável)
- Ouça aqui: www.4shared.com/file/115838700/36045dbd/PodcastK709_RobertoMendes_Bloco04.html

Nestes links acima, você também poderá fazer download gratuito das entrevistas.

Problemas para ouvir ou fazer download? Entre em contato: elmirdad@yahoo.com.br

ATENÇÃO: Pra baixar, clique no botão azul "Download Now". Pra ouvir, clique na barra cinza acima do botão azul, no primeiro botão à esquerda.

...
Programa #09
Roberto Mendes

Santamarense.

Sagitariano, natural de Santo Amaro da Purificação, na Bahia, de novembro de 1952, Roberto Mendes é cantor, compositor, violonista e pesquisador dos ritmos legítimos do recôncavo baiano. Ex-professor de matemática, começou a carreira artística em 1972, no grupo Sangue e Raça, ao lado do parceiro Jorge Portugal e Raimundo Sodré. Desde 1983 que a conterrânea Maria Bethânia eterniza suas composições, além de outros artistas da música brasileira. A carreira solo começou em 1988, e desde então, lançou nove álbuns e um DVD.

Em parceria com o jornalista Waldomiro Júnior, com o apoio da Fundação Palmares, lançou em 2008 o livro Chula - Comportamento Traduzido em Canção, sobre a importância da música de raiz do recôncavo na formação da nacionalidade brasileira. E está previsto para 2009 o lançamento da série Sotaque em Pauta, com o seu primeiro volume Chula: O Canto do Recôncavo, que engloba um livro, CD e DVD, feito em parceria com Nizaldo Costa e as transcrições para partitura de Marcos Bezerra.

Roberto Mendes indica para ouvir Maria Bethânia, principalmente Brasileirinho (2003); ler os cadernos de cultura de qualquer jornal e suas críticas (pra ficar com raiva); assistir os canais Discovery Channel (em mute) e TV Senado (pra ficar com mais raiva ainda) tocando violão para não enfartar; e contemplar o silêncio, um passarinho, uma planta ou uma foto de Santo Amaro da Purificação.

“Eu sou um santoamarense apaixonado por sua terra, um provinciano plantado, uma pessoa simples que tenta tocar violão, fazer tudo que traduza, da melhor maneira, o comportamento do seu povo, da sua tribo. E eu almejo ser feliz em minha terra, poder um dia morrer onde nasci”.

“A chula é um comportamento que foi traduzido em canção. Isso acontece pela fusão de três elementos: a língua, com o canto em redondilhas maior e menor, lusitanas; a viola que veio da Ilha da Madeira, tanto a machete como a ¾; e a ritmia kabila harmonizada em viola pelos sudaneses no século XIX. A chula é um canto violado”.

“Eu gosto de falar mais da música sem razão, o barulho naturalmente organizado, que traduz o comportamento de uma tribo, uma nação, um povo que forçosamente teve que criar situações para poder se entender. Essa é a música que eu tento fazer. A desconstrução do cais no leito de um rio para devolver a compreensão da mata ciliar”.

“O Brasil Oficial vai entender que tem que resolver as questões do Brasil Real, porque senão ele vai ser tomado pelo Brasil Clandestino. E eles já estão muito próximos. Hoje a clandestinidade está no Congresso, na Justiça. Então, é um problema do Brasil Oficial, porque o Brasil Real continua o mesmo; cantando, comendo, vivendo perto da natureza, do vizinho”.

“Eu não tenho nada além do que preciso para viver feliz aqui. Por isso que costumo dizer que eu não sou brasileiro, sou santamarense. Não sofro a doença dos brasileiros. Aqui nós vivemos muito bem com muito pouco. Muito bem”.

“Não sou artista na minha terra, sou um prestador de contas. Como representante da tribo, tenho que voltar e dizer o que fiz lá fora. E eu não gosto de sair da minha cidade. Caetano, Gil, Bethânia, Gal Costa; pessoas que tiveram de sair para que eu ficasse. E o que garante a minha ida é a passagem de volta; é a única exigência que faço”.

“Eu acho um absurdo o mundo interferir na cultura alheia. E a arte é um conteúdo cultural refém da forma. A cultura não tem forma. Eu nunca vi dizer a um chuleiro não cantar porque tá rouco. Ele canta mesmo. Mas o artista cantor jamais vai cantar rouco, porque ele é refém do seu canto, definido e afinado pela escola. Quem nunca viu um chuleiro desafinar? Ele não sabe o que é afinação. Ele se afina dentro do comportamento, da idéia de se comunicar”.

“(Sobre a obra ‘Sotaque em Pauta - Chula: O Canto do Recôncavo’) Eu permiti que pudesse ser definido em pauta (partitura) essa forma que copiei do Tune, João do Boi, Clarindo, pra que outras pessoas tenham acesso a isso. Tenho muito medo de ter um problema e deixar isso só pra mim. E isso é de todos, não me pertence”.

“Acho impossível a razão entender o orgânico. A razão é contra o prazer, é tira gosto. Mas na música, a academia precisa tomar conta desses imbecis, mal-criados e mal-nascidos, que pensam que podem dar nome a tudo. E, de repente, tudo passa a ser genial”.

“O câncer da cultura nacional é a agência de publicidade. É uma desgraça, tenho horror, não posso ver uma que eu saio correndo. Porque inventam produto em tudo e achataram o Brasil com isso”.

“É a minha cara dizer que alguém não canta nada”.

“A função do crítico sempre é o equívoco. E a visão acadêmica de crítica é muito burra, porque eu não faço música pra razão; faço pra freqüência simpática, emoção, prazer da alma”.

“Eu queria informar ao (crítico musical) Mauro Ferreira que, pra cantar, basta se ter voz, falar. Só quem não canta é o morto. O problema de afinar ou não afinar é um condicionamento do ouvinte. Mas é válido, porque eu tô dando trabalho a Mauro Ferreira. Queria até que ele mandasse uma graninha, porque se eu não cantar, bem ou mal, ele não tem o que falar”.

“A Bahia é generosa. Em iorubá, Ba é pai, e Ia é mãe. E o ‘h’ é que fez o elo, o hífen, que promoveu o encontro dessa baía grande, baía com ‘h’. E a Bahia é de tudo, de todos”.

“Capinan é o médico poeta que cura a gente com a frase, e tem na palavra o seu orixá; Jorge Portugal é a causa de tornar a minha canção refém da poesia; Raimundo Sodré veio pra ser o nosso intérprete, mas deu um golpe na carreira ao ir morar na França, ficando despatriado; Lenine, sou fã - é a única pessoa do Brasil que consegue emprestar a essa coisa pop mundial o seu sotaque, sem agredi-lo”.

“Gravar com Maria Bethânia é a certeza da qualidade de meu trabalho. Eu sempre fiz música pra Santo Amaro e quem dá voz a isso é ela. Talvez seja por isso que as pessoas acham que eu não tenho voz pra cantar, porque Bethânia já me canta muito bem. Mas a tradução, em termo de fidelidade à tribo, ainda é minha”.

“Se Bethânia não fosse de Santo Amaro, eu não gravaria com ela. Não teria nenhum interesse. Mas ela é o estímulo maior da minha obra”.

“Não faço música pro mercado. Não tenho nenhum vínculo com ele. O único disco que pego na gravadora é o meu, pra ter em casa; mesmo assim, depois alguém toma, e eu esqueço que fiz. Meu trabalho termina na gravadora quando eu entrego o disco. Acabou, não faço mais nada. Não sou vendedor de disco. Eu faço música, pra agradar a mim”.

“A música é boa quando as pessoas escutam e se acham dentro dela. Por isso que a crítica, na maioria das vezes, é grosseira e estúpida, porque ela cria uma ditadura do gosto, como se ela pudesse dizer o que é bom e o que é ruim”.

“Eu sou a reprodução do meu equívoco”.

“Hoje a cultura política é a cultura da canalhice. Ser político no Brasil é ser canalha. Cada dia que passa é pior, virou norma. É impressionante como a bandidagem oficial tomou conta. O conceito de moral e ética tem que ser preservado à bala, é intocável, não se pode sofrer um arranhão. E eu tenho a obrigação de conhecer o prefeito da minha cidade. Tenho que saber quem é o vereador, onde mora. Porque a única coisa real que existe é o município. O Estado é uma ficção, e a Federação é uma ficção pior que o Estado”.

- Sobre a afirmação do escritor e roteirista Aurélio Schommer, no K7#08, de que ‘o homem não tem nenhuma razão para ser fiel, e uma mulher que passe a vida inteira sendo fiel não merece a fidelidade do marido’: “Eu sou fiel porque eu sou fiel a mim. Sou casado há 30 anos e nunca passou no meu ambiente essa discussão. E minha mulher nunca perguntou onde eu estava e o que tava fazendo; então, não tenho cultura de ser interrogado. Minha individualidade nunca foi agredida. E eu acho uma coisa grosseira ser fiscal de xibiu. Não tenho tempo pra isso. Eu faço música!”.

“Pela primeira vez no Brasil temos um presidente falando a língua do Brasil Real. Eu tenho adorado os discursos de Lula porque é um discurso sem medo de ser criticado. E é a primeira vez que vejo a possibilidade do Brasil Real junto ao Brasil Oficial. O elo está em Lula, mas a classe média não gosta não, tem vergonha”.

“A classe média no Brasil ainda arruma a casa para receber visita. Depois que a visita vai embora, o lixo continua. Eu nunca arrumei a casa pra isso. Nunca irei arrumar. Na minha casa, a visita come o que minha mulher e meus filhos comem. E a minha casa vai estar arrumada porque minha família mora nela. Por isso que eu nunca vou ser classe média”.

“Eu acredito muito na memória. É a base de sustentação para a evolução da alma humana”.

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Escute Roberto Mendes, com a música Saluba, em uma gravação exclusiva para o Podcast K7:



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Ficha Técnica Podcast K7 #09
Gravado em 28.06.2009, Santo Amaro da Purificação-Ba.

Direção, produção, entrevista, gravação, edição, montagem, vinhetas e locução: Emmanuel Mirdad.

Trilha sonora: EP Mirdad - Harmonogonia (2008).

Trilha das aberturas e vinhetas: Lost Mails, The Orange Poem - Psicodelia (2008).

Fotos: Mirdad.

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segunda-feira, 13 de julho de 2009

Exposição "Eles Estão Entre Nós"



Eles Estão Entre Nós
Evidências e Artefatos do Rock Baiano

Hoje é o Dia Mundial do Rock, e é pra todo mundo ir no Iguatemi, a partir das 19:30h, pra bisoar a exposição, que ficou massa, ok? Só não tem boca livre, valeu? Terceiro piso, corredor da Riachuelo.

Muito obrigado ao curador Chico Castro Jr. e sua digníssima Carol, a Minêu (brilhante layout!), à equipe do Iguatemi e o ex-haole Zé Enrique, a Sora Maia e ao fuçador Marcus Ferreira (tá vendo no que deu sua cria, persistência!).

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sábado, 11 de julho de 2009

Bloguijabá: Exposição Rock BA

download da matéria aqui


Matéria de Ceci Alves que saiu no Caderno 2 do jornal A Tarde de ontem (10.07), divulgando a exposição "Eles Estão Entre Nós - Evidências e Artefatos do Rock Baiano", uma produção do Prêmio Bahia de Todos os Rocks e o Shopping Iguatemi, com a curadoria do grande jornalista Chico Castro Jr.

Pra quem quiser, será no Iguatemi, naquele corredor da Riachuelo/Fredíssimo, que liga ao estacionamento externo, a partir desta segunda 13/07, Dia Mundial do Rock, até o domingo 19/07. Não haverá coquetel, mas estamos planejando uma avistada comum pra segunda 13 mesmo, às 19:30h, 20h.

Com produção do aguerrido Marcus Ferreira e minha, fotos de Sora Maia e layout de Minêu. Além de vasta colaboração da galera do rock BA.

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quinta-feira, 9 de julho de 2009

Pílulas: Zanom

auto-retrato em Machu Picchu

"...
Aquele que um dia disser
que ouviu o silêncio

Está mentindo.
Porque silêncio não houve

No momento em que se ouve
Já não é mais silêncio

(...)

Mas pode ser um estado.
Eu mesmo já senti o silêncio
Duas, duras e inesquecíveis vezes

Uma foi quando morreu meu pai
outra quando o amor me trocou

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deslocamento
odeslocament
todeslocamen
ntodeslocame
entodeslocam
mentodesloca
amentodesloc
camentodeslo
ocamentodesl
locamentodes
slocamentode
eslocamentod
slocamentode
locamentodes
ocamentodesl
camentodeslo
amentodesloc
mentodesloca
entodeslocam
ntodeslocame
todeslocamen
odeslocament
deslocamento

..."


Trechos do poema SShhhhhhhhhhhhhhhh!!!! e a íntegra do poema concreto Desloucamento, de Zanom (Marcus Zanomia), publicados no blog O Poema Nosso de Cada Dia (2009). Zanom é um grande amigo, um músico fantástico, natural de Itapuã, Bahia, e que agora está morando no Rio de Janeiro, seguindo o curso do coração.
http://www.opoemanossodecadadianosdaihoje.blogspot.com/


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Especial: Ildegardo Rosa

foto: Mirdad

"...
O Muro

Do outro lado
do muro bem alto
alguém gritou:

- Eu sou Napoleão! E você?

- Eu sou um ser humano!

E ambos riram muito...

------

O Estrondo

houve um estrondo potente
e o espelho se rachou
em vários pedaços

a minha imagem
ficou estilhaçada
em uma só

------

A Vida

o rio desce
por entre as pedras
e lá embaixo
faz um redemoinho

e a vida seguiu
dentro dele
..."


É com muita honra que publico por aqui, pela primeira vez, o poeta e filósofo Ildegardo Rosa, 77 anos, meu mestre maior, amigo e pai. Ele possui uma obra muito interessante, no trato sobre a ilusão, que pude dialogar no meu TCC lá na Facom em 2006. Aos poucos, posto algum destes por aqui. Os poemetes de hoje são muito recentes, feitos na semana passada, e lidos a mim no melhor estilo de risadas debochadas de quem está despreendido de tudo.

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Intervalo: Orkestra Rumpilezz




Floresta Azul - Letieres Leite & Orkestra Rumpilezz


Registrada no último show da Orkestra, 06/07/2009, no Teatro Jorge Amado, em Salvador-BA. Na minha humilde opinião, este é o melhor tema do show, muito bonito.

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Pílulas: JIVM

foto: Ricardo Prado

"...
Assim se apresentava a vida:
cheia de vontade de se ramificar.

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O olho daquele pingo de chuva que vem caindo
revela a minha convicção: acredito no dilúvio

------

Eu preciso de um espelho:
olhar no fundo dos olhos
e ver bem dentro de mim:
quero beijar minha sombra,

os mitos vestem meu nome

------

No seio da chã da caatinga
a água é sêmen e fertiliza

------

Enquanto meus irmãos dissecam cadáveres,
eu, que louvo a natureza, disseco árvores
e me torno, cada vez mais, um cadáver,
e continuo escrevendo meu próprio epitáfio
..."


Trechos dos poemas, na ordem deste post, Evangelho, Dilúvio, A Sagração do Mito, Elementos e Serenata dos Pardais, de José Inácio Vieira de Melo, publicados no livro A Infância do Centauro, Escrituras (2007).
www.jivmcavaleirodefogo.blogspot.com
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terça-feira, 7 de julho de 2009

Bloguijabá: Roberto Mendes no Podcast K7 #09

foto: Mirdad

"Eu sou a reprodução do meu equívoco"- Roberto Mendes -

Não perca a franca e autêntica entrevista do Podcast K7 #09 com o cantor, compositor e santoamarense Roberto Mendes!

Ele vai falar da paixão por Santo Amaro, explicar a chula, o confronto Brasil Real x Oficial, que a arte não tem nada a ver com a cultura, além de defender o orgânico e a memória, falar dos amigos, da família, da relação com a intérprete Maria Bethânia, e ‘descer a madeira’ na política, publicidade, crítica musical, mercado, classe média, etc.

Só aqui, a partir da próxima terça, 14/07.

Eu tenho pena de quem não me ouve porque perde o melhor de mim - Roberto Mendes.

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domingo, 5 de julho de 2009

Intervalo: Diego Bruno

No segundo programa Jazz & Tal dedicado aos jazzistas baianos que produzi (a série Estação Bahia), veiculado semana passada na Educadora FM, destaquei o trabalho de um guitarrista argentino, radicado aqui, Diego Bruno, com o seu primeiro CD, Reflejos.

Quem ouviu o programa com certeza pirou pelo som. Tive até o relato de um amigo que embalou sua noite muito bem ambientado por este álbum fuderoso.

Pra quem não pode ouvir, confira abaixo dois vídeos do Diego Bruno Quarteto, e não deixe de procurar este discaço nas raras lojas que sobraram na cidade ou por download na Internet.

Diego Bruno - Afrodita



Diego Bruno - R.E.M.



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Intervalo: Cais e Sais



Cais e Sais - Nós in Nós

Mais um vídeo da banda Cais e Sais, em um show realizado no Teatro SESI, em junho deste ano.

O grupo é formado por Cal Ribeiro (voz e violão), Gustavo Barros (violão, guitarra e direção musical) e Dilton Borracha (bateria), com o apoio dos músicos Artur Paranhos (baixo) e Nova (guitarra).

E a música foi Nós in Nós, de Cal Ribeiro e o poeta Benemário Lins.
Os fragmentos abaixo, como diz o grande Antenor, entupiram:

"
Qual rio que vira mar na foz?
O real desata, desfaz os nós
...
Em todo silêncio há uma voz
E na unidade que flui após uma certeza
Deus se faz nós
"

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