quarta-feira, 27 de março de 2013

Vamos ouvir: Afroelectro

Afroelectro (2012) - Afroelectro





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Release disponível no blog do Afroelectro:

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Formada em 2009, a banda Afroelectro cria a sua identidade sonora revisitando o continente africano através do contato com artistas e a sua produção sonora mais comtemporânea, da vivência direta de alguns integrantes da banda com músicos de lá e da experiência de habitar uma grande metrópole como São Paulo, que tem sido a grande catalisadora da cultura brasileira e do mundo. É o lugar onde o côco e a embolada dialogam com o hip-hop, onde o rock encontra o camdomblé, onde a tradição encontra o novo.

A cultura brasileira é encontrada com muita força na música do Afroelectro, principalmente nos versos e nas partes cantadas. Cantos de cultura popular de diferentes regiões do país como os cantos de Tambor de Crioula de Taboca do Maranhão (trazidos para São Paulo pelo Pai Euclides da Casa Fanti-Ashanti), versos de Cavalo-Marinho originários de Nazaré da Mata (Pernambuco), cantos de capoeira e de Candomblé são colocados em evidência nas músicas do grupo.

Em 2012 o Afroelectro lança seu primeiro disco, resultado de um ano de trabalho entre horas de estúdio e apresentações ao vivo, assim criando um album diferenciado em experimentos rítmicos e sonoros mas ao mesmo tempo acessível e dançante. Produzido por Sérgio Machado e Michael Ruzitschka, o disco conta ainda com as participações de Chico Cesar, Kiko Dinucci, Siba, do multiinstrumentista Antônio Loureiro além dos percussionistas Felipe Roseno e Romulo Nardes do grupo Bixiga 70.

Afroelectro é composto pelos musicos Sérgio Machado (bateria, teclados, programações e vocais), Michael Ruzitschka (guitarras e vocais), João Taubkin (baixo-elétrico e vocais), Mauricio Badé (percussão e vocais) e Denis Duarte (loops, percussão e vocais).

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segunda-feira, 25 de março de 2013

Melhores da revista piauí (2006-2012)

Capas das revistas piauí 03, 01 e 02 de 2006, 8, 5, 15, 10, 12, 13, 04, 07, 06, 14, 09 e 11 de 2007, 
26, 25, 18, 20, 27, 21, 17, 24, 23, 19, 22 e 16 de 2008, 30, 35, 28, 29, 34, 33, 36, 38, 31, 37 e 32 de 2009, 
42, 45, 47, 41, 51, 46, 44 e 49 de 2010, 55, 59, 56, 61, 52, 58, 62, 53, 57, 54 e 63 de 2011,
e 72, 67, 68, 71, 75, 69, 70, 74, 66 e 73 de 2012.


Os 225 melhores textos/HQs que foram publicados na revista piauí entre 2006 e 2012 você confere nos links abaixo, selecionados por mim, assinante (primeiro das bancas e depois na forma padrão) desde a piauí_5, num levantamento que fiz nos meses de fevereiro e março de 2013, e janeiro de 2015.





2012
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2011 
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2010
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2009
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2008
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2007
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2006
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10 melhores textos
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10 melhores HQs
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domingo, 24 de março de 2013

Vamos ouvir: Dois Tempos, da Khrystal

Dois Tempos (2012) - Khrystal




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Release do CD por Tárik de Souza, disponível no Myspace da cantora:


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O BRILHO SEM AMARRAS DE KHRYSTAL
Tárik de Souza ::Set de 2012

“Não tenho samba no pé/ mas tenho um pé no samba/ eu canto tanto o samba quanto o meu baião/ não venha me tolher, pois eu tô pra fugir/ das amarras da padronização”. (“Na lama na Lapa”, Khrystal/Valéria Oliveira) Quem ouviu a estupenda estréia da cantora Khrystal, em 2007 (e foram mais de nove mil discos vendidos, mesmo no disperso mercado independente), no disco “Coisa de preto”, foi surpreendido por sua capacidade de abordar de forma inovadora o ritmo do coco. Do primal conterrâneo Chico Antonio (“Usina”, com Paulirio), descoberto na década de 20, pelo folclorista, ensaísta e escritor Mário de Andrade, aos paraibanos Chico César (“Sem ganzá não é coco”) e Kátia de França (“Quem vai, quem vem”), os pernambucanos Lenine e Siba (“Coco da mãe do mar”), Dominguinhos e Toinho Alves (“Sete meninas”), Rosil Cavalcante (“Coco do norte”), o alagoano Jacinto Silva (“Quadra e meia”, “Coco do M”) e até os cariocas Guinga e Aldir Blanc (“Influência de Jackson”, “Baião de Lacan”). No repertório, de escolha arguta e roupagens provocantes, já havia uma amostra autoral da cantora na faixa título, dividida com o também potiguar Tertuliano Aires. 

Na verdade, Khrystal vinha de um longo percurso musical iniciado, aos 19 anos, como cantora da noite, intérprete antenada com o que denomina “MPB do rock”. Sua parceria com Simona Talma, “Volta”, ganhou o Festival de Música do Beco da Lama (MPBeco) e a dupla - aliada a outros autores locais como Valéria Oliveira, Ângela Castro e Luiz Gadelha - partiu para o projeto Retrovisor, que percorreu a capital, Natal, e mais Mossoró, Ribeirão Preto e Fortaleza.". “Coisa de preto” levou Khrystal ainda mais longe, a mais de cem cidades brasileiras, incluindo o Rio (Teatro Rival, em maio de 2009) e São Paulo (SESC Santana ) e a programas de TV de alcance nacional como “Som Brasil”, “Viola, minha viola”, “Sr. Brasil’, “MPBambas”, “Sr Brasil”. 

Agora, em “Dois tempos” ela exibe com maior amplitude sua face compositora (sem descurar da cantora, ainda mais afiada), amadurecida ao longo do tempo, e já requisitada por vozes como Liz Rosa, Valéria Oliveira, Nara Costa, Irah Caldeira, Dodora Cardoso, além de Luiz Gadelha e Simona Talma. “Fiz um show chamado ‘O trem’ onde eu experimentava a produção autoral diante do público”, relata ela. “Isso arredondava as músicas dava cara e corpo, coisa que só ao vivo acontece. Fui me apropriando delas, achando legal falar dos temas.sinto-me autorizada a puxar esses assuntos pelos compositores/parceiros e por mim mesma”, avalia. Uma abordagem que a aproxima mais da música que a formou. “A razão da mudança é o desejo de me experimentar como artista. Fui criada ouvindo MPB. Em 2004, é que tive contato com a cultura popular, e até então desconhecia um Elino Julião da vida, ou um Jacinto Silva. Diante da minha catarse, a conseqüência foi ‘Coisa de preto’, que me trouxe as melhores experiências possíveis e tenho o maior orgulho de tê-lo feito”, conta. 

A faixa título “Dois tempos” sumariza o conceito central do disco. “Quando fiz a música e usei o termo fui movida pelo vício de linguagem do meu lugar, Natal, RN, onde ‘dois tempos’ quer dizer ‘rapidinho’, ‘ligeiro’, e o disco tem apenas 48 minutos. Por outro lado, faz um contraponto com a coisa de eu ter passado cinco anos sem gravar. Demora por uma série de fatores, entre eles, eu não gostar de estúdio”, argumenta. Num samba gingado, a letra da faixa título alfineta: “Mato meu leão todo dia/ pra não ver meu canto calado morrer”. E lanceta: “o glamour tá na lida/ e não me custa nada/ só me custa a vida”. Khrystal inspirou-se no mote de “Objeto semi-identificado”, da fase mais radicalmente vanguardista de Gilberto Gil, em parceria com os Rogérios Duarte e Duprat (“compre, olhe, vire, mexa/ talvez no embrulho você ache o que precisa/ não custa nada / só lhe custa a vida”), em seu disco de 1969. “Logo pensei; que lindo! Quero usar isso em música minha. Pensando sobre o glamour que atrai a maioria das cantoras a essa profissão, e como isso é desimportante, lembrei dos versos e encaixei na letra. Arrematou bem minha idéia”, conclui. 

O informalismo de seu processo autoral conduziu a situações curiosas como a do saboroso xote crivado de adversativas, “Bem ou mal” (“bala é gostosa/ mas estraga os dentes/ casaco é chique/ mas aqui é quente/ cachaça aquece, mas encurta a vida”). “Recebi um e-mail de Luiz Gadelha com uma letra belíssima e fui numa ‘tara’ tão grande de mexer naquelas palavras e torna-las minhas também, que não verifiquei no anexo, que já havia uma melodia. Mas Lú disse que não tinha problema: ele cantava a dele e eu cantava a minha”, diverte-se. 

Em “Sendo córrego”, de refrão contagiante e cuíca no recheio, a parceira surpreendida é Simona Talma. “Por ela ser ligada ao jazz, blues e rock, samba era a última coisa que ela imaginaria que eu fizesse. E é bem solar, remete à Bahia e ao Rio, ritmicamente”, descreve. Já o chute no traseiro, também em compasso de samba esperto, “Casa de Mãe Joana” (“O meu suingue, meu compasso, meu tom/ você não conseguiu acompanhar”) foi encomenda de uma amiga. “Ela me pediu que falasse de separação ‘na boa’, de um jeito feliz e até bem humorado”, acredita. 

Os recados de “Dois tempos”, como sugere o título, são curtos, mas diretos. Se há espaço para o lirismo, na marcha rancho litorânea “Água do mar” (parceria com Zé Fontes, responsável pelo baixolão na faixa) e no sincopado “De contente” (“a tristeza do outro/ é alegria da gente”), não faltam flechadas em alvos certeiros. Como em “Arranha céu”, xote invadido pelas guitarras pesadas do parceiro na faixa, Ricardo Baya. “Tem gente comendo xepa/ sem ter nem perspectiva/ de quando vai comer pão/ falta remédio, cobertor e caixa d’água”. “Baya, meu diretor musical e guitarrista há seis anos, é um compositor talentosíssimo e muito visceral”, elogia Khrystal. “A letra tem revolta, preocupação, desejo de coragem, essas coisas todas que estão por aí e dentro da gente”, define. 

Também com Baya e mais Zé Fontes, a cantora escreveu mais um xote “O trem”, onde compara, “a vida a dois é feito rapadura/ que é doce, mas não é mole, não”. Aberta num coco de roda palmeado, “Zona norte, zona sul”, só de Baya, rendeu um belo vídeoclip, coerente com as imagens agudas da letra, lubrificada pela guitarra rascante do autor: “De que lado mora o seu preconceito/ atravesse a ponte que eu vou lhe mostrar (...) não tape o sol com a peneira/ maquiando o cartão postal/ me olhe dentro do meu olho/ me trate de igual pra igual”. Também na veia é “Potiguaras Guaranis”, de Baya com Zé Fontes, defesa apaixonada das raízes (“meu negócio é a cultura popular/ é o reisado, é o pastoril/ é o boi calemba”) costurada por guitarras uivantes. O gênesis da mistura já está sacramentado em “Esse meu baião” (“me viciei nesse negócio de fusão/ (..) tem batidas que sugerem samba/ tem outras que sugerem limão”), da própria Khrystal. “A música fala do Brasil, dessa mistura que somos nós. De botar guitarra nos gêneros tradicionais como o coco e ‘salgar’ o negócio”, exemplifica. 

Os tais “Dois tempos” da eloqüente cantora/autora não passam ligeirinho. As escolhas do roteiro são densas e muito bem articuladas, como a matreira “Compositor”, de Joyce Moreno e Paulo César Pinheiro, o fecho do enredo. “Mas como é que vive o compositor/ sem ser showman, sem ser cantor/ será que ele paga o lugar que alugou?” Mais um manifesto da libertária Khrystal que iniciara seu disco já dizendo a que veio: “Esteja onde eu estiver/ deixa eu cantar o que eu quiser”. Querer, no seu caso, é poder.
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sexta-feira, 22 de março de 2013

Melhores da revista piauí - Textos (2007-2012)

Capas das revistas piauí 72 (2012), 45 (2010), 56 e 58 (2011), 75 (2012),
42 (2010), 70 e 69 (2012), 61 (2011) e 67 (2012).


Fiz uma seleção dos 10 melhores textos dos melhores da revista piauí que publiquei, por aqui, entre fevereiro e março de 2013. Em destaque, trabalhos excelentes, de David Foster Wallace, Reinaldo Moraes, Consuelo DieguezJulio Cortázar, Francisco Goldman, Jonathan Franzen, entre outros. Confira abaixo:


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quinta-feira, 21 de março de 2013

Vamos ouvir: Pra Ficar, da Orquestra Contemporânea de Olinda

Pra Ficar (2012) - Orquestra Contemporânea de Olinda




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Informação retirada da fanpage da Orquestra:

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'Pra Ficar' (2012) é o segundo trabalho, autoral por inteiro, da big band olindense. Ganha assinatura do conceituado produtor musical Arto Lindsay, considerado um dos principais responsáveis pelo amadurecimento da música brasileira na déc de 90, tendo trabalhado com Caetano Veloso, Marisa Monte, Carlinhos Brown e Gal Costa. O disco tem a participação de Isadora Melo (vocal), Lucas dos Prazeres (percussão) e Ademir Araújo (arranjo de metais para "Viver o que falta viver"). Baixe no www.orquestraolinda.com.br


• Indicada ao Grammy Latino 2009, na categoria de 'Melhor Álbum de Música Regional Brasileira 

• Finalista da categoria regional do Prêmio da Música Brasileira 2009 

• O Show e CD da Orquestra foram indicados pela critica musical do New York Times em novembro de 2008 e abril de 2010.

• Indicada pela crítica do New York Times 

• Show considerado um dos melhores de 2008, pelo jornal O Globo.
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terça-feira, 19 de março de 2013

Vamos ouvir: A/B, de Vitor Araújo

A/B (2012) - Vitor Araújo




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Release do CD por Tibério Azul, disponível no site de Vitor Araújo:

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Quando Vitor Araújo surgiu pisando no piano muitos estranharam, teceram críticas, outros elogiaram, e tantos acreditaram se tratar apenas de um arroubo juvenil. Não era. Porque Vítor não pisava simplesmente no piano, ele mergulhava no instrumento como um casal adolescente descobre pela primeira vez a vontade de se perder no outro. Naquele ato o artista apresentava tudo o que propunha: imergir sem pudor ou freio. Raiz de toda concepção artística, ele dizia muito mesmo sem saber ao certo.

Agora em novo trabalho o garoto atrevido mantêm o movimento e volta a pisar, só que não mais no piano e sim em um coração ferido. Ele pisa, mergulha e se funde com ele, rasga, acaricia, revira, solta e nos apresenta um disco de puro sentimento, cru, tão sem interferência que decidiu por não cerceá-lo com nomes. O disco é chamado apenas de "A/B", um título que se limita a forma como ele está organizado, com Lado A e Lado B, e deixa livre o ouvinte para suas próprias imersões. Uma obra tão intensa que deve ser ouvida de uma vez só e com longa pausa para a segunda audição.

Logo de partida, A/B nos carrega para um lugar desconhecido e abre a porta do porão onde guardamos (escondemos?) inúmeras sensações. É um convite e caso o ouvinte se apodere do medo é prudente parar por aí, porque Vitor vai mais fundo e já avisa nos títulos das quatro faixas do lado A: Solidão n.1, Solidão n.2, Solidão n.3 e Solidão n.4.

Nas músicas seguintes o sentimento é revirado de um lado para o outro e para o outro para que se expresse e desentranhe de tantos sustos. Araújo solta as amarras do coração que pisa e gradativamente o liberta. Sem julgamentos e de mãos dadas sobe as escadas do porão com uma técnica precisa, vai até a porta já aberta e o apresenta ao mundo como é: debilitado, raivoso, pulsante, vivo… e então inicia o Lado B.

No Lado B ouvimos o sentimento liberto, que oscila, transcende, grita, se expressa como um grito engasgado por décadas ou um sussurro proibido por séculos. Nesse parte Vitor agrega grandiosos convidados como Naná Vasconcelos, na releitura da música Jongo, de Lorenzo Fernandez, e na música Veloce de Claude Bolling com o grupo Rivotril. Aliás, as duas únicas faixas que não são de autoria do próprio artista.

A/B conta ainda com uma poema sonoro do multi instrumentista Yuri Queiroga no final da música Baião e termina de forma inesperada com o grupo de rock instrumental Macaco Bong com a composição Pulp. Além da doutoura em piano erudito pela UFRGS Stefanie Freitas que interpreta a Solidão n.4 e de Guizado, que participa da Solidão n.3 com seu trompete.

Como não podia deixar de ser, o álbum sai de forma independente. Gravado entre Recife, Rio de Janeiro e São Paulo foi mixado por Buguinha Dub e teve a arte gráfica feita pelo artista plástico Raul Luna.

Vitor Araújo já foi considerado um menino prodígio no início da carreira por conta da extrema habilidade no piano. Cresceu em idade e desenvoltura, circulou, lançou o DVD Toc, conquistou público, novos amigos, ganhou prêmios, passeou pela imprensa e televisão nacional, construiu um admirável currículo. Currículo que sem pestanejar larga no canto para jogar-se em uma aventura artística, para fundir-se em um coração cheio de feridas e delas produzir arte.

O destemor dos artistas que marcam um tempo.
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segunda-feira, 18 de março de 2013

Melhores da revista piauí - HQ (2007-2012)

Capas das revistas piauí 05, 08, 11 e 13 de 2007, 19 de 2008, 
30 e 38 de 2009, 41 e 51 de 2010, e 70 de 2012.


Fiz uma seleção das 10 melhores HQs dos melhores da revista piauí que publiquei, por aqui, entre fevereiro e março de 2013. Em destaque, trabalhos excelentes, como Esfinge, de Laerte, Insônia, de Caco Galhardo, Zacarias Daboina, de Joe Sacco, e Eduardo tem que salvar a humanidade, de Allan Sieber. Confira abaixo, já na ordem da minha preferência:


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domingo, 17 de março de 2013

Vamos ouvir: Abaporu, de Laura Lopes

Abaporu (2012) - Laura Lopes




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Release disponível no site de Laura Lopes:

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Cantora e compositora brasileira, Laura Lopes sempre teve o contato com as artes dentro de casa, fruto da musicalidade da mãe que além de se dedicar ao piano, fez questão de que todos seus 4 filhos fossem musicalizados e introduzidos ao universo da arte ainda quando crianças. A mãe, com razão, queria que seus filhos desenvolvessem a criatividade e a proximidade com a arte. Foi bem sucedida na sua intenção e, em especial, com a sua segunda filha que viraria cantora mais tarde. Laura começou a tocar violão quando adolescente e ali mesmo descobriu que seu maior prazer dentro da música era o canto.

Nascida em Belo Horizonte em 1985, Laura Lopes ainda tem na capital mineira o seu lar. A admiração não só pela cidade, sua história e cultura, mas principalmente pelas relações que estabeleceu com o espaço urbano e com as pessoas que ele ocupam são marcantes em seu caminho. Bons amigos, colegas da graduação em Música da UFMG, familiares e um amplo grupo de parceiros belo horizontinos compõem o retrato mais notável da trajetória da cantora.

Antes de assumir suas próprias canções, transitou por diversas vertentes da música popular, interpretando artistas de origens variadas. Quando atingiu seus 20 anos passou a compor material que de fato apreciava e assumia para sua produção musical.

O tempo vivido no Rio de Janeiro (entre 2009 e 2010)  foi profundamente importante para a sua formação como artista. Lá, Laura estudou na UNIRIO e conheceu diversos músicos e arranjadores, além de ter mergulhado no universo do samba.

Seu álbum de estréia é intitulado Abaporu. Representa o olhar para o estrangeiro com a mistura das particularidades da nossa cultura tradicional marcada pela força das cores, ritmos e apuro das poesias e melodias. É a viagem da cantora no universo artístico e sua relação com o homem. Laura bebeu de várias fontes para criar suas músicas, assim como fez Tarsila com o quadro que foi marco inspirador do movimento antropofágico e do próprio modernismo brasileiro.

A artista construiu um repertório de 11 canções compostas, em sua maioria, por ela mesma. Quando não, selecionou cuidadosamente músicas inéditas de parceiros que tem trabalhos alinhados ao conceito do disco.

Ao lado de artistas talentosos, Laura Lopes faz estréia sólida e criativa. Um deleite para os fãs da boa música brasileira.
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sexta-feira, 15 de março de 2013

Vamos ouvir: Agora eu sou o silêncio, do TRATAK

Agora eu sou o silêncio (2012) - TRATAK




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Release do CD, por Elson Barbosa, disponível no site do TRATAK:

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Segundo a Wikipedia, "tratak" é um termo em sânscrito, que significa lágrima. Difundido também como técnica de meditação, compreende em "fixar o olhar em algum objeto sem piscar, favorecendo a meditação".

Já na música, Tratak é um "projeto coletivo de um homem só". Idealizado em 2010 pelo músico catarinense Matheus Barsotti, Tratak é um projeto sem formação fixa. Baterista por formação, Matheus passou por bandas como Margot, Alfajor, Labirinto e Stella-Viva, até encontrar no violão e voz novos instrumentos de expressão. Das dezenas de ideias esparsas gravadas no celular, onze tomaram forma com o envolvimento do arranjador baiano Heitor Dantas (Dorothy) e do músico curitibano Fernando Rischbieter (Stella-Viva).

Com produção e arranjos do próprio trio Tratak, gravado por Yury Kalil no estúdio Totem (Cidadão Instigado, Siba, Thiago Pethit), mixado por Sergio Soffiatti (estúdio O Grito) e masterizado por Gustavo Lenza (YB Estúdios), Agora Eu Sou O Silêncio tem como melhor definição uma brincadeira do próprio autor – é um disco de "axé fúnebre". 

Com base na MPB mas com cores experimentais, tem referências que vão desde o samba de Cartola e a poesia de Fernando Pessoa até as dissonâncias do Radiohead e o experimentalismo ácido do Mars Volta – referências que muitas vezes aparecem em uma mesma música. 

À primeira vista o clima é de festa, mas a mensagem é sombria. A leitura mais atenta entrega – Agora Eu Sou O Silêncio é um trabalho conceitual sobre morte. Da desilusão de "Irrealidades Vãs" e "Querida", passando pelo ápice fundo-de-poço com pitadas de insanidade de "Orquídeas" e "Apenas Rotina", até a faixa-título – não por acaso a última do disco –, Agora Eu Sou O Silêncio é uma espiral descendente, finalizando uma sincera despedida. A história parece pesada, mas basta um replay para afastar o tom sombrio. E começar a descida novamente.
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quarta-feira, 13 de março de 2013

Pílulas: Talvez Não Tenha Criança no Céu, de Davi Boaventura

Davi Boaventura por Mirdad (foto de Fabíola Freire)


Algumas passagens de Davi Boaventura e seu alter-ego adolescente no livro de estreia "Talvez Não Tenha Criança no Céu":

“Uma foda como qualquer outra... ela com tantas e eu com tão poucas”.

“Para pessoas iguais a mim não adianta fugir, não adianta tentar caminhos diferentes, independente de ser jovem ou velho, homem ou mulher, sempre vamos estragar a empreitada no fim. É simples: ser medíocre é parte intrínseca do nosso organismo, é nosso único talento, somos zeros absolutos, servimos apenas para serviços coadjuvantes, autenticar contrato, atender telefone, vigiar galpão – gostemos ou não – é a mais pura verdade”.

“Estoquei novamente e queria de alguma forma atravessar seus ossos, não bastava simplesmente gozar e deixá-la feliz e relaxada, eu precisava estraçalhar seu corpo, humilhar, mesmo ela sendo mais mulher do que eu homem. Era uma necessidade profunda vê-la me olhar como se eu fosse seu dono, alguém que ela devesse ter medo, como se eu fosse alguém capaz até de matá-la”.

“Não demorou e eu me sentia o próprio guri do Campo de Centeio, filho único do mundo ... uma comparação inútil porque, no fundo, dois terços dos fracassados de minha idade um dia se acharam idênticos ao guri do Campo de Centeio”.

“Basta admitir a reencarnação e que o sofrimento é necessário para a purificação que o paraíso se torna um depósito luminoso abarrotado de almas velhas e cansadas, cheias de cicatrizes escarradas, pois as almas novas, se lá chegassem, o que por si só seria improvável, precisariam reencarnar para envelhecer. Precisariam errar, sofrer, morrer e completar seu ciclo de misérias”.

“Minha função na trama, se houve alguma, foi apenas ser um pau no momento que ela precisou de um”. 

“Ninguém quer lembrar da imagem de seu pai com sangue venoso na boca diante da pia do banheiro – ainda que suas cinzas, lançadas no quintal a pedido dele, já fizessem este trabalho bastante bem. O espaço foi remodelado pelo pai justamente para esse fim, para não ser esquecido. Ele escolheu a pintura, o pórtico, os bancos de pedra, a posição da churrasqueira e da horta, desenhou até a composição das flores no jardim, cada tufo de grama no quintal exalava seu hálito de Marlboro. Lá, no entanto, como passávamos tempo demais, conversando ou bebendo, acostumamos”.

“De repente veio o calor, os arrepios, o suor e o choque de tensão que derreteu meus poros. Minhas pupilas dilataram, olhei para longe e enxerguei distante a luz do poste igual a um escorpião em chamas, uma silhueta disforme com vários tons de amarelo, a água também com uma coloração diferente, um brilho transparente de substância viva, e entrei em parafuso. Flutuei por uma atmosfera fervilhante onde minha pele se descolou dos músculos e onde o tempo traduzido em um objeto real se estendia por inteiro ao meu alcance, simultâneo a isso, eu podia na mesma hora ser, me ver, me tocar e principalmente me sentir como bebê e idoso, grande e pequeno, rígido e maleável”.

sábado, 9 de março de 2013

Vamos ouvir: A Eletrônica e Musical Figuração das Coisas, da Isadora

A Eletrônica e Musical Figuração das Coisas (2011) - Isadora



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Release do CD, disponível no site da banda Isadora:

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Em um tempo em que as fronteiras artísticas, diferenças de estilo, vertentes e tendências cada vez mais se confundem, misturam-se e se rearranjam, A eletrônica e musical figuração das coisas é o resultado de misturas improváveis. Versos do Alcorão entoados ao lado de um cello; sax sobre a marcação de tambores de candomblé; coro de crianças em uma canção que fala sobre morte ao som de um kazoo; um brega estilizado junto com um instrumental computadorizado e um dub para dançar devagar; português, espanhol, inglês; samples, texturas, ruídos urbanos não são todos esses elementos de diversos discos de diferentes culturas, mas de apenas um, o primeiro álbum da banda carioca Isadora.

O que pode parecer à primeira vista um amplo experimento, testes, projeto piloto, é na verdade o resultado de um trabalho de lapidação que mais lembra o acabamento de esculturas barrocas, repleto de nuances, detalhes quase invisíveis, inaudíveis, um disco para ser visto atentamente com lupa nos ouvidos. Em muito, esse detalhamento se deve aos arranjos quase sempre complexos, com muitas camadas de sons e elementos sonoros sobrepostos para formarem uma coesão harmônica e melódica que dão vida às canções do disco.

Outra característica marcante do trabalho é que, sem uma feição que permita identificá-lo em apenas um estilo musical, as aproximações com estilos definidos são sempre ambíguas. A melancolia e certa angústia de muitas faixas ganham contraposição à vida e luminosidade. Letras autorais e empréstimos de poetas com os quais a banda se identifica, além de inserções de ruídos urbanos e texturas eletrônicas fecham as principais características do álbum. 

Apesar de tantas características que poderiam dar ao disco um ar de inovação, Isadora prefere identificá-lo como o resultado da capacidade inventiva de seus integrantes na busca por algo novo em estilo, mas repleto de referências ao que já é conhecido ou popular. A eletrônica e musical figuração das coisas é uma espécie de quebra-cabeças em construção, composto por peças de muitas imagens diferentes.

O nome Isadora é tanto inspiração como homenagem à bailarina norte-americana Isadora Duncan, precursora do que hoje se conhece como dança moderna. Em seu primeiro álbum, Isadora buscou os elementos da experiência vanguardista da bailarina para produzir uma música de movimentos improváveis, mas harmonicamente belos. Sua formação compreende hoje o carioca Bruno Cosentino [voz, violão e guitarra]; o colombiano/costa-riquenho/brasileiro Andrés Patiño [violão e guitarra]; Bernardo Prata [baixo]; Gabriel Carneiro [bateria]; e Pedro Tié [texturas eletroacústicas e piano]. Entre as principais influências da banda estão Radiohead, Caetano Veloso, Tom Jobim, Dorival Caymmi, Bach, John Coltrane, Erik Satie, Funk Carioca, Piazzola, Avishai Cohen etc etc etc.

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sexta-feira, 8 de março de 2013

Melhores da revista piauí em 2007

Capas das revistas piauí 8, 5, 15, 10, 12, 13, 04, 07, 06, 14, 09 e 11 de 2007.


Os 63 melhores textos/HQs que foram publicados na revista piauí em 2007 você confere nos links abaixo, selecionados por mim, assinante (primeiro das bancas e depois na forma padrão) desde a piauí_5, num levantamento que fiz em 2013 e 2015.

A melhor piauí de 2007 foi a de número 8, de maio, com destaque para o dossiê tortura, com textos de Marian Blasberg & Anita Blasberg, Dorrit Harazim, Jane Mayer e Luiz Maklouf Carvalho, poemas de Wislawa Szymborska, lembranças de Tony Judt sobre o maio de 1968 e reflexões sobre Aracy de Almeida, entre outros.

Completando o top five, a #05 (fevereiro), com a melhor HQ publicada pela revista até hoje, Esfinge, de Laerte, o dossiê urbano, com texto de Mario Vargas Llosa, e o diário do ascensorista Nilton da Silva; a #15 (maio), com a reportagem sobre o palhaço Bozo e como o futebol se tornou um ramo privilegiado da indústria do entretenimento; a #10 (julho), com o artigo de Woody Allen e o diário de Nando Reis; e a #12 (setembro), com o melhor texto publicado na revista no ano, a reportagem de Douglas Duarte sobre o homem que matou Che Guevara. A pior piauí do ano, foi a #11, de agosto.

PS: Os links foram retirados do post porque a revista trocou de servidor duas vezes, e não há como definir se o conteúdo continuará disponível na internet. Recomenda-se procurar o site da revista no Google, e pesquisar pelo título da matéria para verificar se está disponível para leitura ou não.


Melhores 2007 - Parte I


O morto e o vivo
"Sim, filho, efetivamente sou eu. Eu sou Mario Terán e eu matei Che Guevara".
Douglas Duarte
piauí #12


O cheiro da pobreza
O objeto que representa a civilização e o progresso não é o livro, o telefone, a Internet ou a bomba atômica. É a privada.
Mario Vargas Llosa
piauí #05


Coração aos pedaços
As ruínas rascantes da voz de Tom Waits nos levam aos recantos mais escondidos da psique americana.
Simon Schama
piauí #05


53 anos de sobe-e-desce num prédio na Cinelândia carioca
Nilton da Silva é ascensorista do edifício Odeon, na Cinelândia carioca, há mais de meio século. Tudo somado, já realizou mais de 900 mil viagens pelos 13 andares do prédio.
Nilton da Silva
piauí #05


O poeta e o mundo
Poemas
Wislawa Szymborska
piauí #08


Escrever é fácil!
Desde que você more na rica e ensolarada Califórnia, e não na América Latina.
Steve Martin
piauí #07


Fora de órbita
Há coisas que têm um milionésimo de um bilionésimo de um bilionésimo de um bilionésimo de um centímetro? Imagine como serão difíceis de encontrar, se você as deixar cair num cinema escuro.
Woody Allen
piauí #10


O palhaço de Deus
O filho de Márcia de Windsor e ex-marido de Gretchen se viciou em cocaína, foi diretor de cinema, ator de filmes pornográficos e palhaço Bozo antes de ganhar a vida como pastor evangélico.
Raquel Freire Zangrandi
piauí #15


Malas bem feitas são fundamentais
A correria hotel-palco-rádio-ônibus-van de uma turnê
Nando Reis
piauí #10


A insensata peregrinação da carne
E assim vamos em frente, as nádegas vergastadas, levados incessantemente de volta ao passado.
Diário de Kenneth Tynan - Parte 01
piauí #13


Leve, alegre e triste
Os últimos anos de um crítico inglês.
Diário de Kenneth Tynan - Parte 02
piauí #14


Os outros e o morto
Lembranças de encontros e conversas com Norman Mailer, que morreu em novembro, aos 84 anos.
Por vários
piauí #15


Como fazer uma canção
Para compor canções, há uns cinco assuntos: eu deixei você; você me deixou; eu quero você; você não me quer; acredito em alguma coisa. Cinco temas e doze notas.
Elvis Costello
piauí #10


Melhores 2007 - Parte II


[Dossiê Tortura] Encontro na masmorra
As vidas paralelas de um torturador americano e um torturado iraquiano em Abu Ghraib.
Marian Blasberg e Anita Blasberg
piauí #08


[Dossiê Tortura] A peste
Um célebre experimento científico de 35 anos atrás mostra sua face atual na América em guerra: a tortura está de volta.
Dorrit Harazim
piauí #08


[Dossiê Tortura] 
A América de Jack Bauer bate sem dó nem piedade
No seriado 24 Horas a tortura dá mais resultado do que no Iraque.
Jane Mayer
piauí #08


[Dossiê Tortura] Blitz!
Na trivial interpelação de tipos "suspeitos", um espelho do estado de direito no Brasil.
Luiz Maklouf Carvalho
piauí #08


De maiô, rumo à Antártida
A temperatura da água era zero grau, e a praia ficava a quase dois quilômetros de distância
Lynne Cox
piauí #04


A passagem do professor aloprado
Eu ensaiava com um cabo de vassoura, numa lavanderia no Morumbi, quando o sujeito apareceu, com seu jeito de CDF. Ninguém sabia, mas ele já era Renato Russo.
Cadão Volpato
piauí #10


Onze da noite é hora dos solitários
O cotidiano do balconista da seção de frios num supermercado de bacana
Francisco A. Barbosa
piauí #12


Em família tudo se sabe
Com uma fortuna ilícita de quase 20 milhões de dólares, era um reles ladravaz.
Dorrit Harazim
piauí #04


O espectro da revolução
Em maio do ano fatídico, as universidades estavam lotadas, a extrema-esquerda lia o jovem Marx, surgiam as butiques.
Tony Judt
piauí #08


Gatinha, você está editada!
A difícil conciliação dos testes para comerciais com a atuação no musical da combalida Broadway paulistana
Anna Toledo
piauí #04


Meio ambiente é o caralho
Se não fosse eu, ia ter até onça no município. Ia ter trombadinha, que eu boto no ônibus e mando pra longe. Se não fosse eu, a ecologia já tinha tomado conta de tudo.
André Sant'anna
piauí #11


Última ceia 
Philip Workman pediu uma pizza vegetariana na hora de morrer.
Dorrit Harazim
piauí #09


Três encontros com Borges
A coincidência deflagrada por uma carta do avô do escritor argentino, um coronel que ordenara o fuzilamento de um desertor no Paraná.
Pedro Corrêa do Lago
piauí #14


Tanta beleza, e quanta coisa destruída 
Um mês de viagem, de bicicleta, da Baixada Fluminense a Porto Seguro.
Ronaldo Pena
piauí #06


A realidade corre risco
Nosso senso de realidade está gravemente ameaçado. Pela Internet, pelo Photoshop, pelos efeitos digitais no cinema, videogames.
Werner Herzog
piauí #11


Melhores 2007 - Parte III


O esporte que vendeu a sua alma
Como o rude desporto bretão se tornou um ramo privilegiado da indústria do entretenimento.
Marcos Alvito
piauí #15


Baixa fidelidade
Com o MP3 e o iPod, nunca foi tão fácil escutar música. E nunca a qualidade do som foi tão baixa e ameaçou tanto a saúde dos ouvintes.
Cassiano Elek Machado
piauí #06


Deus existe?
As ponderações de Toby, o cavalo falante, a respeito da momentosa questão.
Steve Martin
piauí #06


Cotidiano de silêncio forçado
Como é viver sem ruídos desagradáveis e sem a beleza da música.
João Carlos Carreira Alves
piauí #15


A megacidade
Retrato do futuro urbano, Lagos, na Nigéria, é um aglomerado de 15 milhões de pessoas onde o lixo é a mercadoria que mais circula.
George Packer
piauí #05


Para deixar de apanhar
Minhas aulas com sapatos, espingardas e velocípede.
Tom Zé
piauí #09


A gente morre e esquece tudo
De um homem temido, passei a ser objeto de pena. Perdi em dez segundos tudo que achava importante na vida.
George Foreman
piauí #13


Xilindró alla Volterrana
A vida e a obra de um condenado à prisão perpétua numa cidade medieval do século XXI.
Marcos Sá Corrêa
piauí #14


Voluntário número 13
Bodes e baratos de um voluntário brasileiro que se entupiu de ayahuasca num hospital em Barcelona.
Marcos D´Ávila
piauí #07


Dormir, nunca mais
A misteriosa moléstia que há séculos mata de insônia membros de uma família veneziana, quando eles chegam aos 50 anos.
D.T. Max
piauí #06


À sombra dos ectoplasmas em flor 
Luigi Pirandello morreu em 1936, mas continua escrevendo, e em português, numa saleta na periferia paulistana.
Chico Mattoso
piauí #09


Acarajé, suor e champanhe
Lícia Fábio organiza em Salvador um supercamarote com massagista, jazz e acesso a e-mails que faz a delícia de celebridades e aspirantes a celebridades.
Daniela Pinheiro
piauí #05


Aracy de Almeida, mulher do futuro
Dois dos namorados da intérprete de Noel contam histórias da primeira cantora da dor feminina.
Alexandre B. de Souza e Leonardo S. Prado
piauí #08


Como se jogar na balada
O que rola nas bombadas e micadas nas boates da jeunesse dorée da burguesia paulistana.
Daniela Pinheiro
piauí #07


Ruínas eletrônicas
Exportados para a China ou reutilizados na fabricação de novos computadores, o que acontece com os resíduos de informática.
Cristina Tardáguila
piauí #15


Melhores 2007 - Parte IV


Por que adoro nadar
Como meu pai, quero dar braçadas até os 94 anos e então morrer.
Oliver Sacks
piauí #04


Bráulio é Pau Brasil
Quem é o carijó que, formado nas tabas do ABC, escreveu o roteiro de Cidade de Deus.
Fernanda Torres
piauí #07


O agente globalizado
Como Wagner Ribeiro ganhou muito dinheiro cuidando da vida e vendendo passes de jogadores brasileiros para o exterior.
Daniela Pinheiro
piauí #13


Nove tiros no siri na lata
Depois de escapar de um atentado, Alexandre Neto promete que continuará a atacar as mazelas da polícia fluminense.
Breno Costa
piauí #13


Oligarquia irritada
Enquanto espera que o chefe, Ciro, seja o próximo presidente, o clã dos Gomes, de Sobral, ocupa postos no Ceará e em Brasília
Daniela Pinheiro.
piauí #06


No Paraíso não havia pequi
Cruel e sensual, o fruto do cerrado é um manjar para entendidos.
Sérgio de Sá
piauí #06


Itaipulândia 
A boa vida da cidade paranaense de 9 mil habitantes e 800 mil dólares de royalties, que quase sumiu do mapa quando a hidrelétrica fechou as comportas.
Marcos Sá Corrêa
piauí #09


Big brother ludopédico
Banco de dados americano ataca no futebol.
Daniel Setti
piauí #14


Só para fumantes
Quantas palavras podem ser formadas com as oito letras de Marlboro? Mar, lobo, mal, lambo, bar, amor, bolor, rombo...
Julio Ramón Ribeyzo
piauí #08


O mutilado
Atleta na adolescência, o fuzileiro Travis Greene embarcou para o Iraque seis dias depois de formado. No vôo de ida havia balões coloridos e faixas com votos de boa sorte. Da volta, ele não se lembra.
Dorrit Harazim
piauí #15


Peixinhos, peixões
A senhorita gorda nadava mal e chorava sem parar.
Ítalo Calvino
piauí #04


Copia+imita+plagia=roupa nova
A equação de alguns estilistas brasileiros para criar o que se vê nas passarelas.
Daniela Pinheiro
piauí #09


Côncavo e convexo
Um problema lendário da matemática e a batalha sobre quem o solucionou.
Sylvia Nasar e David Gruber
piauí #12


Detrás das dunas do Estadão
A luta interna para modernizar um jornal imerso em tradição centenária, dívidas milionárias.
Sandro Vaia
piauí #12


Estado inexistente
Piauienses, vamos curar essa crise de auto-estima!
Consuelo Dieguez
piauí #10


Melhores 2007 - HQs


Esfinge
Quadrinhos
Laerte
piauí #05


Os Normais do Angeli
Quadrinhos
Angeli
piauí #13


Zacarias Daboina
O homem que queria mudar o mundo (com seu gato).
Joe Sacco
piauí #11


A volta dos que não foram
Quadrinhos
Eduardo Filipe
piauí #08


Retrato do artista quando jovem
Quadrinhos
Art Spiegelman
piauí #06

quinta-feira, 7 de março de 2013

1ª entrevista da Mirdad - Gestão em Cultura



Fui estudante da Facom/Ufba da turma 2001.2 e me formei em 2006.2, diplomado em Comunicação/Jornalismo em fevereiro de 2007, mesmo ano em que comecei a atuar profissionalmente como produtor cultural (até então tinha trabalhado como agente de shows e programador de shows em barzinhos). Vivi aquela experiência tão clichê; vários nãos, desprezo e etc., até ser endossado pelo produtor Uzêda (Plataforma de Lançamento), que me deu um trabalho, me qualificou no sistema de lei de incentivo, me incentivou pra inscrever o meu 1º projeto solo num edital nacional, até me lançar no mercado ao dizer: "O prêmio é seu, você deve fazer sozinho". Hoje em dia encontro colegas profissionais que lá atrás mal olharam pra minha cara, e hoje me dão (mais um clichê) "tapinhas nas minhas costas" e nem sabem que eu sei o quão hipócritas são.

Pois bem, quando chegou a minha vez, atendi no Facebook um estudante da Facom, de Produção Cultural, chamado Luciano Marins, que queria fazer uma entrevista pra uma matéria que cursava (disponível acima, clique no expand e leia na íntegra). Correria mil, arrumei uma vaguinha de tempo, e convidei Edmilia Barros, minha sócia, a participar também. Pois bem, acompanhado do seu colega Renato Neto, os "meninos" faconianos realizaram um bom trabalho, e é este segue acima, para apreciação de quem quiser, a 1ª entrevista da empresa Mirdad - Gestão em Cultura. Obrigado, meus caros!


Edmilia Barros e Emmanuel Mirdad em foto de Luciano Marins


Aproveitei para fazer uma seleção de trechos meus da entrevista. Confere abaixo:


  • A pior praga dessa terra é o “de boa”. Não é “de boa”, tem que resolver e fim. Não tem meio termo, dizer que vai fazer amanhã. Isso que não só trava o trabalho na nossa área como nas diversas outras áreas.


  • É preciso saber escrever. Não adianta você ter uma ideia fantástica, se não consegue colocar isso no papel ou não é bem escrita. Então para você saber escrever terá que ler muito e estar informado, não tem jeito. Isso vai lhe dar capacidade argumentativa para convencer o mercado de que o seu produto é interessante.


  • A maior dificuldade é estrear o portfólio de produtos. Existem dois caminhos mais óbvios de trabalho para o produtor cultural: ser produtor executivo ou ser empresário (montando o próprio negócio, os produtos e batalhar por eles). Por eu ser autor (compositor e escritor), sempre tive um apelo de criar algo próprio e esse viés empreendedor forte. Então, trabalhei como produtor executivo e ganhei experiência com isso, tanto que, por exemplo, trabalhei no Troféu Caymmi e no ano seguinte eu fiz o Prêmio Bahia de Todos os Rocks. Eu peguei a experiência como produtor executivo em produzir um prêmio de música e levei como patrão para o meu próprio prêmio.




  • Geralmente, o primeiro interesse pela produção cultural se dá em um nível artístico. É como ter vontade de aprender a tocar violão, a pintar, fazer teatro e o desejo de fazer com que essas coisas aconteçam.


  • Quem na verdade deve dar valor (ao produtor cultural) é o próprio profissional, pois é uma profissão que não é regulamentada, é meio solta e a sua família não vai entender nunca o que você faz. Infelizmente ainda tem um longo caminho pela frente até que a profissão seja de fato reconhecida. Estamos ainda na fase embrionária dessa profissão, por isso eu acho que é importante que o primeiro reconhecimento de valor que essa profissão tenha, seja dos próprios profissionais.


  • Mesmo que você opte pelo próprio negócio e tenha esse lado empreendedor, é importante que você passe por uma fase como produtor executivo, até para aprender a tratar bem quem você vai contratar para trabalhar. Mas se quiser passar a vida inteira na produção executiva também não tem problema. Eu optei por ser empresário.




  • A experiência de estúdio me trouxe uma amplidão maior para poder entender o universo da música. Da mesma maneira em que um jornalista precisa saber de muita coisa para poder escrever (pelo menos deveria), você tem que também entender mais profundamente das artes com que você vai produzir. É interessante que você não fique só nesse campo do acerto com o espaço de show, de captação e divulgação. Ouça mais, tente entender mais um pouco da técnica musical também. Isso é importante na carreira de um produtor. 


  • Eu me sinto muito feliz e realizado. Esses projetos, exceto o Prêmio Bahia de Todos os Rocks, foram criados e realizados em parceria. Essa foi a primeira marca da minha atuação como profissional, junto com a Putzgrillo e o meu ex-sócio Marcus Ferreira, de estabelecer parcerias para criação de projetos. Eu avalio que esse ponto de parcerias funcionou bastante na construção desse portfólio. 


  • Em relação à cidade, sim, a FLICA foi revolucionária para Cachoeira. Inclusive, a grande dica que eu dou é essa: pense em um projeto para interferir na cidade, porque é aí que fica a sua marca. No caso da FLICA, vários projetos podem ser feitos a partir dela, que é simples, um encontro com autores do Brasil e do mundo. Só que para esse encontro de autores acontecer a gente precisa qualificar a cidade, o serviço e fazer a qualificação de conteúdo literário para as crianças, os adolescentes, os moradores e os estudantes de Cachoeira. É um projeto que de fato interfere na vida da cidade.




  • Eu acredito que essa parceria vai dar muito o que falar porque Edmilia gosta de trabalhar, eu adoro também e esse é um grande diferencial. Eu tenho o maior orgulho do mundo pelo trabalho. Não faço isso pelo dinheiro, pelo status, porque eu acho legal estar no meio de artistas e nem para aparecer na capa da revista ou no outdoor, eu faço isso porque gosto de trabalhar. Então eu acho que me associei à pessoa certa. Essa história de vaidade tem que ser zero, se não você não desenvolve um bom trabalho.


  • Edmilia foi minha funcionária em dois projetos. Ela desempenhou um excelente trabalho no Santo Antônio Jazz Festival e mais ainda na FLICA (2012). Ela administrou a pousada, os autores e fez um trabalho brilhante. Foi a melhor produtora do ano passado, sem contar os comentários positivos das pessoas. Ela é uma profissional muito boa simplesmente pelo fato de ser ágil e organizada. Por incrível que pareça, é difícil encontrar pessoas organizadas aqui (risos). Então ela brilha muito por isso, pela agilidade e rapidez na resolução das coisas. Não deixa para depois, não tem preguiça, não tem essa história de “de boa”. 


  • Edmilia é uma pessoa que resolve rápido e é competente. Percebi que ao invés de me associar com outro empresário da área ou com outras pessoas que estavam disponíveis, eu poderia convidar o melhor profissional que já trabalhou comigo. Edmilia está qualificadíssima para exercer essa nova fase e tenho muito orgulho de ter essa oportunidade porque ela é a melhor profissional que eu poderia investir hoje nessa área e tenho certeza que ela será uma grande empresária.




terça-feira, 5 de março de 2013

Vamos ouvir: Lembra?, de Rafael Castro

Lembra? (2012) - Rafael Castro



Não consegue visualizar o player? Ouça aqui

Release de Nina Lemos, repórter especial da TPM, disponível no site de Rafael Castro:

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“LEMBRA?” Lembro. Foi há um ano, No Studio SP. Rafael Castro fazia uma pequena participação em um show. Ao meu lado, o compositor Péricles Cavalcanti começou a ter um ataque: “Olha o Rafael, olha o Rafael, isso é rock and roll!”. Não sabia ainda o quanto rock and roll aquele cara com pose setentista podia ser. Mas é. Rafael Castro, o menino de 26 anos que lança seu oitavo (atenção, eu disse oitavo!) disco é um punk caipira.

Prova: esse é seu primeiro disco que você vai poder segurar na mão. Os outros foram lançados na Internet. Esse é o seu primeiro álbum, huum, físico. Rafael reúne em “Lembra” 14 canções de rock com letras de um cronista melancólico, que olha para o mundo e suas desgraças e ri com o canto da boca.

O cronista de Lençóis Paulista é um personagem contador de histórias. Ele vê, em seu passeio “A Menina Careca”. “A menina careca/na quimioterapia/ Desconfia da cura/ com quimioterapia”, um “Surdo Mudo”, “Eu fico olhando aquele surdo mudo/tentando descobrir o que se passa/em sua cabeça sem barulho”. O mesmo trovador punk passeia em um mundo cheio de informação, gente “descolada’, hype (don´t believe, porque Rafael não acredita) e continua sorrindo desconfiado. “Até ouvi um papo de moda/De algo que cê viu na televisão/Não sei se é roupa ou remédio/Devia ser importante pra dedéu./Eu só conseguia dizer: ah, é? Ah, tá...”.

Agora, deixe as letras de lado e LEMBRA, Rafael Castro gravou todos os instrumentos desse disco, que também foi produzido por ele, em um estúdio que mantém na casa dos pais em Lençóis Paulista. Sim, ele fez tudo, tudo, tudo. Cantou, escreveu, tocou, gravou. E também quebrou palcos e guitarras. “Eu agora tenho uma banda para fazer shows, não adianta, sempre quebro uma guitarra, e já quebrei palco também”, ele conta, com o jeito calmo do punk caipira. E quem arruma as guitarras? Quem? Ele mesmo.

Rafael faz tudo, como bom adepto da filosofia do “faça você mesmo”. Mas também sabe que os amigos são importantes. O disco tem participação de alguns dos principais nomes da cena paulista, como Tulipa Ruiz, Leo Cavalcanti, Pélico, Christian Camilo e Mauricio Pereira.

Mas não, Rafael não faz parte de nenhuma cena. Ele é o trovador punk caipira de Lençóis Paulista que compõe uma musica atrás da outra, para depois cantar com ironia fina. Rafael Castro é rock and roll.
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