terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Especial: Rodrigo Damati


Conheci o gaúcho deserdado Rodrigo Damati, vulgo Metade, na produção bamba de um show do seu extinto power trio enquanto isso... (os outros músicos, brothers Léo e Dinha, vieram a formar depois 50% da banda Matiz). Anos depois, reencontrei-o numa festa muito louca e fiquei puto ao saber que estava parado, sem fazer som, desde o fim do trio. Gosto do trabalho composicional de Metade, e da postura visceral que encarna a voz de suas canções. Tal talento não poderia ficar legado ao limbo do comodismo Caymmi dos artistas de fato. Respaldado pelo grande amigo Txhelo Castilho, firmei que montaria uma banda pra ele. Assim nasceu Clarice, comigo inclusive na guitarra horrível, que não durou mais que três ensaios.

Desse embrião, só restou Txhelo, que depois da chegada do baterista mais sutil da Bahia, o também gaúcho Felipe Dieder, rendeu mais um power trio para Metade; desta vez, consistente e um pouco duradouro: Cerveja Café. Mas o assunto aqui não é música, e sim artes gráficas.

Metade, desempregado crônico, é um competente design, dotado de uma auto-sarcasmo deveras interessante. Pois lhe apresento agora uma seleção de tirinhas que o loser pinguço está publicando no ótimo fotolog 29 Tiras. Confiram e façam um artista moribundo um pouco menos infeliz:




























Íntegra das tirinhas Espelho, Espelho Meu; Tempos de Outrora; Vem Fácil, Vai (Embora de Uma Vez) Fácil; To Be or Not to Be; A Cigana Leu o Meu Destino; HALLOWEEN do METADE - Yo no Creo en las Brujas; A Saga do Herói; Encontros Inusitados; RODRÊGO LONA em Eu Tenho um Sonho; Aventuras no Mundo Audiovisual II; A Volta dos que Não Foram; No Boteco, com Leo Chapéu; e Sonhar não Custa Nada, de Rodrigo Damati, publicadas no fotolog 29 Tiras (2009-2010). www.fotolog.com.br/29tiras

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sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Pílulas: Raiça Bomfim


Como o blog é ditatorial, e taí a grande vantagem de fazê-lo, aceito tranqüilamente ser criticado por estar me repetindo. Pois continuarei agora a repetir. Mais uma vez a atração desta seção Pílulas foi me apresentada nos negros anos da Faculdade de Comunicação da UFBA, a famigerada FACOM. Só que desta vez, ao invés das feras anteriores, é uma dama de um incrível e expansivo gargalhar que os apresento: a pulsante atriz e poetisa Raiça Bomfim.

Ela ficou pouco no curso de produção cultural, e foi logo se encontrar na Faculdade de Teatro, onde se formou, e é hoje uma atriz profissional, de intensa atividade. Eu desconhecia sua face literária, que me foi alertada pela Bienal do ano passado, onde se apresentou na mesma praça que este espinho aqui. Mesmo assim, foi graças ao motor da poesia baiana, o amigo José Inácio, que pude conhecer um pouco dos versos de Raiça; JIVM a entrevistou para a seção Sangue Novo (leia aqui). Desde então, sigo seu celebrado e recomendado blog Mainha me Deu Lápis, cujo trabalho, em uma pequena amostra, figura pilulado logo abaixo (os três primeiros estão na íntegra).

Parodiando o que diz Roberto Mendes, o “bom começo de tudo é a Bomfim”. Se jogue, querida, sempre!

"...

Sentada
com as pernas em cruz
largou-se a sorrir feito louca
jurando que era santa
e provava o milagre
a quem lhe pagasse pra ver:
tirava leite de pedra,
água de pau, melaço de carne
e prometia o paraíso
a quem lhe alcançasse
o céu
da boca

------

é maré tonta
e o mar é tanto
que por bem
que eu chore
e sal e seque
e vá e volte
meu naufrágio
é sempre mais
distante e fundo

------

por temor de me ferir
dispense a prudência, corazón
não será o primeiro nem o último
recebo a diferença e o embate
sem escudo ou veredicto, venha
o que peço não é muito:
alguma inspiração, alívio
uma maravilha errante
e a modesta eternidade
dos orgasmos múltiplos

------

Eu queria ser uma
que em tua mão coubesse
acalmada e acolhida

Antes sou esta, que escapa
e grita, e te vê fugir
de espanto e asco
e segues, covarde
entre princesas
e ilusões

Eu sou o que não queres
e avessamente
desejas e te olvidas
de conquistar

------

ninguém
em meu peito há

por ti, ninguém
eu chamo

só tu, ninguém
respondes

ninguém que bem
me ama

ninguém em minha
cama

------

O que nasce da terra
sou Eu
O que a terra seca
aterra e desterra

Pelo vinco sagrado
desenterro-me
sob o palácio estrelado
aterrorizado

Nasci do mistério
e estranho tudo
Mas floresço
e sei

(para Daniel Guerra)

------

Eu sei a cor dos infernos

É nítida pra mim a boca enorme do universo
pronta pra me devorar

Que venha, então, meu inquisidor
e ardamos

------

Em meu altar invisível
santa, puta, louca
e qualquer outra
olham por mim

Ainda que te odeiem, ama
ainda que te prendam, ama
ainda que te deixem

Que esta é a herança
das estrelas
e nossa rebeldia

------

nem leve nem pluma
eu quero amor osso que
se roa pedra que se
parta reta que se
espante realeza parda
sonho de padaria

quero bigorna que incida
desfaça quebre o chão
a casca a via
a rotina quebre a
corrente e o quebranto

------

Vendo o homem que aportou naquela tarde
Que me olhava como quem me conhecesse
Cri-me dona de meu curso, de meu seio
E ao eleito, dispus todo meu engenho
Com um só fio a liberdade eu concedia
E amarras firmes, armadilhas, eu tecia
Projeção de quebradiça tessitura
Flor e ferro de abandono confrontada
E à minha própria força, então, disponho crivo
Pra inconsútil e forra, enfim, libar o gozo
Absolvido

------

O que tomaram não era seu, José
que de ninguém nada se tira.

------



pensei que fosse a morte
ou que fosse a loucura
mas não
foi tema mais terrível
sentido ainda mais forte

meu deus, era o amor
sem norte


------

abismo, amor, poço fundo é risco
não é sina, é sangue, coisa viva à vista
derrame o que seja, veja o que veja
me alcance a vertigem, o medo, e inflame
que o nosso destino, amor, é ponte
e estamos no meio, no veio, ao meio.

(a Seu Pitico)

------

Quis beijá-los com ternura e fúria
o amor frágil de sequência inevitável
amanhã poderia perdoar-nos...

Que meninos foram esses, em que gesto se perderam
ninguém saberá, é selva imensa, é noite longa
compreenda os monstros, mas revele-os.

Os homens não são cães, Caimã,
eles são é carentes.

------

Bela musa ácida
molha a saliva
de tua filha cálida

------

cansados de tanto lamento
caíram na noite, sacudiram o corpo
trocando as pernas, pediram mais uma

..."

Íntegra dos poemas Esquina, Coração Lodo e Repeteco, e trechos dos poemas Por Jorge, Gruta, Lunário, Flama, Matiz, Quedo, Ariadne, An-Dar, Terrível, Ponte, Lobo Lobo Bobo, Sela e Balança Mas No Cry, de Raiça Bomfim, publicados no blog Maínha me Deu Lápis (2009). www.raibomfim.blogspot.com

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sábado, 16 de janeiro de 2010

Pílulas: Thiago Kalu


Assim como o autor anterior desta série (Lobão, aqui), conheci Thiago Kalu nos negros anos da Faculdade de Comunicação da UFBA. Aluno do curso de jornalismo, desde sempre sua manifestação foi extremamente musical, uma simbiose perfeita entre o suingue preto de um violão de nylon, a melodia faminta de suas canções e a malandragem rouca de uma voz que sintetiza a essência do groove e a melancolia de um ser em Lost.

Kalu é um artista, de fato, que transita entre a música e a poesia como manifestação encrustrada e escancarada de sua andarilha existência, e como tal, um errôneo transitante de sua confusa montanha-russa. É um homem fera ferida, band leader do eterno promissor Clube da Malandragem, que tive a honra de lhe cunhar o apelido que o veste desde os vindouros faconianos.

Kala-Kalu, voscifere muito, que ainda há muita angústia a ser torrada na fogueira da vibração!

"...

Na fineza do riso estampado
O estado de sã lisergia
Na folia de cão indeciso
O desejo de ser reparado

Marcas falhas do homem-fera
Rosno em funda timidez

------

Estou farto dos meus excessos
dos rastros que eu deixo
Enjoei das mulheres que deito
cansado de ouvir que não presto

Já que o alcance da verdade
tem andado tão distante
de amanhã em diante, serei vivo

Chega de olhares sérios
De mistérios permanentes

------

Que venham os males
Tornar-se-ão amuletos
Na minha doce tortura dos últimos dias

Ando pouco faminto e sem sonhos noturnos
Meu filho morreu sem que eu me tornasse pai
Minhas canções mais belas terão de ser traduzidas

O Português é cruel porque penso em Português

Talvez eu ande pelas praças, recitando poemas amargos
E receba pedradas dos estudantes

Talvez uma moça cega me ame

O coração não é inflável
Todo poeta sabe disso,
E todos podem ser poetas,
Por mais que o sejam calados

------

Cartas de amor têm de ser escritas à mão
Cada ponto, cada vírgula, a erupção de uma glória
Mesmo quando rasgadas, queimadas ou jogadas fora

------

Antes que eu repita as mesmas emoções passadas
Atirem-me razões
Gritem aos meus ouvidos qualquer palavra cheirosa
Que eu mudo as velas
E deixo a lua por lá mesmo

Antes que eu envelheça,
Retirem-me do sobrado

Os sentimentais evitam as estantes
Eles conhecem o pináculo do campo, o medo
A retidão, a censura e um pouquinho da mentira

------

O sino acaba o sono
A cena remete à sina
O toque precede o choque
A prece nos cede o transe

Juruna e Jurema:
O santo sotaque

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A cada sorriso: mais dores
As mãos ocupadas

Tanto faz, tudo é igual
Os segredos que são seus, mas que nem você sabe
Tudo aquilo que cabe, mas que não está em suas mãos

------

Hoje, vou transformar um poema num quadro
Com olhos, pele e boca
Talvez as cores não combinem
Os versos não rimem, a tinta acabe
Eu me canse, volte ao chuveiro
E o líquido desabe

------

Pinte-me com sede
Ou ceda-me seus mares
Passe-me suas dores

Pinte-me contigo
Em risco tão concreto

Invente uma assinatura
E junte nossas redes
Numa mesma tela

------

Mil cento e setenta,
Meio e menos um.

Quatro quintos, cinco terços,
Onze, quinze avos.

..."

Trechos dos poemas Sopro Contido, Lembrete de Geladeira, O Canudo, Soluço, Volta e Meia, O Próprio Improviso, A Moeda, Poesia Invejosa, Trabalho de Desenho e O Contador de Histórias, de Thiago Kalu, publicados no blog Kaluniando (2006-2009). www.kaluniando.blogspot.com

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quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Q.I.: Tiganá & Luiz Brasil // Irmãos da Bailarina // Cascadura


Quarta 13/01

Luiz Brasil e Tiganá

Firmando a grande parceria iniciada com o álbum de estreia de Tiganá, o Maçalê, que será lançado em breve, Luiz Brasil convida o amigo para um show imperdível, acompanhados apenas por violão e voz, e a percussão seletiva e sensível de Antenor Cardoso, em composições próprias e uma pitada boa do mestre Dorival Caymmi.

Onde: Tom do Sabor (Pirâmide do Rio Vermelho)
Horário: 22h
Quanto: $ 15
Links: Luiz Brasil e Tiganá



Sexta 15/01

Os Irmãos da Bailarina
Participação da Theatro de Sèraphin e DJ Nancy Viégas

Seis meses após o lançamento virtual de seu disco de estreia, Ponta, a banda Os Irmãos da Bailarina se prepara para a festa de concretização desse trabalho. Na ocasião, a banda apresenta um show sob direção artística do cantor e compositor Ronei Jorge, com as participações especiais dos músicos Nancy Viégas, andré t e Saulo Gama. O show de abertura da noite fica por conta da banda Theatro de Séraphin.

Onde: Boomerangue (Pirâmide do Rio Vermelho)
Horário: 23h
Quanto: $ 5
Link: Os Irmãos da Bailarina



Sábado 16/01

Cascadura


Após o furioso show de lançamento do DVD Efeito Bogary, que lotou a Praça Tereza Batista, o Cascadura inicia muito bem o ano de 2010 com um show de aquecimento para o Festival de Verão (toca sábado que vem por lá). Muito rock na veia e novidades.

Onde: Groove Bar (Barra)
Horário: 23h
Quanto: $ 20 / $ 15 (lista no Orkut)
Link: Cascadura

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quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Bloguijabá: Entrevista Soterópolis

Pra começar muito bem o ano de 2010, a matéria bacana do programa Soterópolis, da TVE, sobre os blogs culturais de uma galera massa daqui da Bahia. Confiram, o Farpas e Psicodelia foi ouvido:

Entrevista Soterópolis






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