quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Canções de Minha Vida: Comfortably Numb

02/07/2005: Pink Floyd no Live 8, 24 anos depois, pela última vez.


“Você tem que ouvir é rock, seu porra!”. Sábio amigo Alan Freitas. Indignado com minha obsessão pelo reggae, foi praticamente um missionário fundamentalista; insistiu tanto que conseguiu reverter a minha ‘hippiezação’ (nada contra, é claro!). Era 1997, e só um pouco de suas ofertas foram bem aceitas. Recordo que uma das mais rechaçadas foi o tal do Pink Floyd. Absorvido pelo pop punk dos Ramones, eu estava há anos luz da psicodelia.

Mas Alan foi persistente, e percebendo qu’eu tinha um fascínio por solos de guitarra, não tardaria por abismar-me pelo genial David Gilmour. E com a ‘descoberta do mundo’ provocada pelo Led Zeppelin, principalmente por Jimmy Page, a semente do caos estava germinando. Tanto que, no ano seguinte, 1998, já obcecado por ter uma banda, ganhei de presente de meu pai uma Les Paul genérica, da Epiphone, que batizei de ‘Lílian’. Coitada. Sempre foi o entulho de cima de meu armário; nunca tive dedo suficiente para manuseá-la.

Analisando hoje o ponto de partida ‘floydiano’ em minha formação musical, encontro a importância desbravadora do álbum OK Computer, do Radiohead, que junto ao Bringing Down the Horse, do The Wallflowers, foram os dois primeiros discos ‘de rock’ que comprei em minha vida, em 97. O OK, resguardadas as devidas proporções para a ingenuidade da época, me apresentou um pouco do que poderia ser o experimentalismo e as viagens lombrantes das ambiências sonoras etéreas, coisas que o reggae não tinha (a viagem deste é na vibração do corpo, no pulso, não na lisergia da mente), além da melancolia e a sensação de claustro. Ou seja, todos os ingredientes que preciso pra não desistir de respirar.

Então, juntando solos de guitarra + pacote lisérgico melancólico + insistência homeopática de Alan, progressivamente fui compreendendo as nuances complexas do fluido sonoro inglês; de quebra, da nossa existência. E assim curti o Pink Floyd, confortavelmente chapado de som, apenas. Canonizei-os ao lado de Bob Marley, e fundei a banda The Orange Poem sonhando em soar como eles, em 2001, aos 20 anos.

Enquanto quase todos são The Beatles, outros são The Rolling Stones, eu sou da turma dos progressivos quase unicamente floydianos (outra banda no estilo? - difícil ouvir!), parido pelo Led Zeppelin, imerso na psicodelia pra sempre. Tenho quase todos os discos, e os guardo nos plásticos ainda, dentro de uma caixa, no armário. Para ouvi-los, é uma solenidade.

Comfortably Numb foi lançada no insuperável álbum/espetáculo/filme The Wall, quase 30 anos atrás, em 1979 (nov/dez). Na humilde opinião deste blogueiro aqui, é a mais bela e maior canção do Pink Floyd (com Echos em 2º lugar, beirando), e foi a que a The Orange Poem tocou sempre que pode, com Fábio e Jesus dialogando fielmente ao reproduzirem os belíssimos solos de Gilmour (por sinal, deveriam ser considerados patrimônio cultural da humanidade). Por sinal, o solo da gravação original também está arquivado em minha memória afetiva (nem venham dar nota errada qu’eu irei apontar!). A curiosidade é que sempre foi a música mais aplaudida dos nossos shows. Não dá pra reproduzir aqui o enorme prazer em cantar: “O.K. Just a little pin prick, there'll be no more” e depois sacar um agudaço grito espeto “aaaaaaaah!”. Foda! Saudades...

Segue abaixo a versão do Live 8, o último (mesmo) momento do Pink Floyd em ação, em 2005, três anos antes do imortal Richard Wright morrer (foto). Emoção insolúvel. Muito obrigado, seus sacanas!




Comfortably Numb
(Roger Waters / David Gilmour)

Hello,
Is there anybody in there?
Just nod if you can hear me
Is there anyone at home?
Come on now
I hear you're feeling down
I can ease your pain
And get you on your feet again
Relax
I'll need some information first
Just the basic facts
Can you show me where it hurts

There is no pain, you are receding
A distant ship smoke on the horizon
You are only coming through in waves
Your lips move but I can't hear what you're saying
When I was a child I had a fever
My hands felt just like two balloons
Now I've got that feeling once again
I can't explain, you would not understand
This is not how I am
I have become comfortably numb

O.K.
Just a little pin prick
There'll be no more...aaaaaaaah!
But you may feel a little sick
Can you stand up?
I do belive it's working, good
That'll keep you going through the show
Come on it's time to go.

There is no pain you are receding
A distant ships smoke on the horizon
You are only coming through in waves
Your lips move but I can't hear what you're saying
When I was a child
I caught a fleeting glimpse
Out of the corner of my eye
I turned to look but it was gone
I cannot put my finger on it now
The child is grown
The dream is gone
And I have become
Comfortably numb.

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terça-feira, 29 de setembro de 2009

Canções de Minha Vida: Since I’ve Been Loving You

Led Zeppelin (1973)

Comecei a ouvir rock em 1997. Até então, em casa, por conta de minha mãe professora de música, o que eu ouvia era essencialmente bossa nova e MPB, além de forró gonzaguiano nas épocas juninas e músicas antigas (meus pais foram jovens dos anos 50). De resto, muita pop music vinda das rádios Transamérica e Globo FM. E o surto pelo reggae em 1996.

Mas aí, um amigo do meu prédio, que também estudava no mesmo Colégio PhD, chamado Alan Freitas, ficou indignado com minha obsessão pelo ritmo jamaicano e pôs-se em uma cruzada pela via sacra do rock’n’roll. Além de ter me ensinado a tocar violão, foi me empurrando uma porrada de banda de metal (principalmente Metallica), punk hardcore e Pink Floyd, que odiei profundamente quando ouvi pela 1ª vez - quem diria, né? Dessa leva, o que impactou mesmo foi o Ramones. Aos 16 anos, foi identificação imediata. Gravei altas fitas K7, e curti, com a galera do Alan na Albani (ao lado do colégio), em muitos intervalos, o louco do loiro Álvaro Valle tocar vários clássicos da maior banda ‘pop’ de todos os tempos.

Ramones foi a primeira banda de rock que curti, de fato (hj considero Legião Urbana fora dessa categoria). Mas ainda em 1997, foram os ingleses do Led Zeppelin que me chamaram atenção para o que era um riff de guitarra, uma bateria de peso, e um vocal agudo de intensidade caricata, afiado. Com o Led, caí na real o que era ‘o tal do rock’n’roll’. Começou daí a minha preferência pelas timbragens e riffs setentistas, o que perdura até hoje.

Naquele mesmo ano, comprei dois CDs duplos: o BBC Sessions e o Remasters. E desde lá, celebro a canção Since I’ve Been Loving You (originalmente lançada no álbum Led Zeppelin III, de 1970) que, na humilde opinião deste blogueiro aqui, é o mais lindo blues de todos os tempos. Ganha pra Steve Ray Vaughan. Ganha pra BB King. Ganha pra Eric Clapton, Muddy Waters, etc. Pois foi uma banda de rock inglesa que criou o blues supremo. E se for considerar rock, é a mais linda canção de todos os tempos.

Jimmy Page, esse monstro da Gibson Les Paul (viva!), criou um solo absurdo, que eu sei de ‘cór e salteado’, todas as notas na mente (vá tocar errado o solo original e eu digo: “faltou essa aqui, que eu não sei o nome”). E nunca mais conseguiu repeti-lo. Aliás, isso é uma marca dele, nunca repertir o solo. Não sei se é de propósito ou é seqüela. Mas segue abaixo duas versões, de 1973 (do CD/DVD The Song Remains the Same - 1976) e 2007 (da reunião do grupo com o filho do furioso baterista John Bonham, morto em 1980). Notem como o maluco beleza do Jimmy executa solos extremamente distintos. E para além disso, confiram o que eu e o amigo Zanomia celebram há muito: ninguém faz um “tum_tum-pá_tumtum”, que caracteriza o blues, com tanta categoria, peso e emoção que o cavalo do Bonham pai.



Since I've Been Loving You
(Jimmy Page / John Paul Jones / Robert Plant)

Working from seven to eleven every night,
It really makes life a drag, I don't think that's right.
I've really, really been the best of fools, I did what I could.
'Cause I love you, baby, How I love you, darling, How I love you, baby,
How I love you, girl, little girl.
But baby, Since I've Been Loving You. I'm about to lose my worried mind, oh, yeah.

Everybody trying to tell me that you didn't mean me no good.
I've been trying, Lord, let me tell you, Let me tell you I really did the best I could.
I've been working from seven to eleven every night, I said It kinda makes my life a drag.
Lord, that ain't right...
Since I've Been Loving You, I'm about to lose my worried mind.

Said I've been crying, my tears they fell like rain,
Don't you hear, Don't you hear them falling,
Don't you hear, Don't you hear them falling.

Do you remember mama, when I knocked upon your door?
I said you had the nerve to tell me you didn't want me no more, yeah
I open my front door, hear my back door slam,
You must have one of them new fangled back door man.

I've been working from seven, seven, seven, to eleven every night, It kinda makes my life a drag...
Baby, Since I've Been Loving You, I'm about to lose, I'm about lose to my worried mind.



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segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Álbuns de Minha Vida: Tidal, de Fiona Apple

Tidal - Fiona Apple (1996)

Em 1997, a MTV me apresentou a cantora, compositora e pianista norte-americana Fiona Apple, através do videoclipe da música Criminal. Recordo-me que achei muito interessante o timbre de voz da esquisita talentosa esquálida linda, e fui pesquisar o som dela naquela cultuada loja de CD (que tinha ‘tudo’, antes da Flashpoint – esqueci o nome!). PS - Leia aqui o verbete wikipedia dela.

Descobri então um discaço chamado Tidal, lançado em 1996, considerado pela revista Rolling Stone um dos álbuns essenciais dos anos 90. Sombrio, profundo, climático, com pegada jazz, ‘pianado’, muito bem produzido, de fato trata-se de uma pérola, atemporal, uma obra prima que pariu uma cantora escrota, de timbragem ácida e muito teatral. Bem do jeito qu’eu gosto!

São dez faixas, dentre as quais destaco a linda Never is a Promise. Na boa, cada um tem a balada que merece, e essa é a minha predileta. Fica a dica para comprar ou baixar o Tidal, colocá-lo à noite, a dois, na ambiência cool de um jantar levemente noir, típica sala de espera de foda.

Fiona Apple - Never is a Promise




Além de Never is a Promise, destaco Shadowboxer e Sleep to Dream (esta não teve opção de incorporar, tem que clicar no link e ver no YouTube mesmo). Pra quem tiver o Tidal, ouvir as belíssimas Slow Like Honey e The Child is Gone. E pra completar os vídeos deste post, segue a versão ao vivo pra Criminal, que abriu, pra sempre, as portas de minha prateleira de CDs ao fuderoso Tidal de Fiona Apple.

Fiona Apple - Shadowboxer






Fiona Apple - Sleep to Dream (veja só neste link no YouTube)



Fiona Apple - Criminal




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Canções de Minha Vida: Natural Mystic

Bob Marley & The Wailers

Bob Marley & The Wailers foi o primeiro grupo que de fato fui fã. Costumava colocar o rádio no banheiro pra tomar banho curtindo um som. Era 1995, tinha 14 anos, e a promo da coletânea Legend 2 pôs Iron Lion Zion pra tocar na Transamérica FM, eu acho. Bastou alguns segundos da canção pra que eu pirasse no banho; dancei freneticamente, quase em transe mamulengo. Experiência esquisita, coisa de doido. Quando o locutor anunciou Bob Marley, iniciei uma obsessiva compulsão; passei a pesquisar, na medida do possível (o PC só chegou seis anos depois em minha casa), tudo que estivesse relacionado ao imortal rei do reggae. E o caro amigo Jackson Rogério gravou uma fita K7 com algumas músicas da coletânea Legend.

Essa fita resistiu bravamente. Tocava o dia inteiro, seja no rádio ou no walkman, e o ano de 1996 foi o mais autista de todos. Com 15 anos, batizei-me de Besouro Marley, e só ouvia Bob Marley & The Wailers o tempo inteiro, às vezes outros ícones do reggae também, além de ser ouvinte fiel do programa Cidade Reggae, com o hoje camarada Ataíde no comando. E todo mês gastava 50% da minha mesada comprando dois discos importados do rei na extinta Wine Music do Itaigara, a caríssimos R$ 25,00 (pra época, que um nacional custava no máximo $ 10/15) cada.

Quando finalmente ganhei um som que tocava CD (comprei quase toda a coleção de BMW e a guardava como jóias no armário, pois não tinha como ouvir), descobri, através do Legend 2, a canção Natural Mystic (originalmente lançada em 1977, no álbum Exodus).

Pra mim, é a canção maior do grupo Bob Marley & The Wailers, que possui a essência bruta do que é o roots reggae (o estilo do gênero que mais curto, o mais hipnotizante, meditativo e lombrador), em três fundamentos basilares:

a) o baixo gravão, com poucas notas, respirando nos espaços, que faz o ‘tum/duum_dum-dum’ pulsante que nos conduz a Jah;

b) a bateria ‘one drop rhythm’, marca do mestre Wailer Carlton Barrett, simples e genial, cymbal e caixa, pegada da paz ‘tss-tss/tá_tss-tss’;

c) teclado e/ou guitarra fazendo um ‘tchek’ singular, sem dobrar (que é bom, mas é mais elaborado), temperinho cuja função é ressaltar o pulso do baixo.

Além disso, tem os solos ‘bluesy’ de guitarra, lá no fundinho, em resposta aos versos cantados, e os metais sarcásticos, bem temperados, anunciando que a mística já está fluindo no ar.

Na letra, destaco esta passagem: “Quanto mais eu me pergunto, há mais questões a responder”.





Natural Mystic
(Bob Marley)

There's a natural mystic blowing through the air;
If you listen carefully now you will hear.
This could be the first trumpet, might as well be the last:
Many more will have to suffer,
Many more will have to die - don't ask me why.

Things are not the way they used to be,
I won't tell no lie;
One and all have to face reality now.
'Though I've tried to find the answer to all the questions they ask.
'Though I know it's impossible to go livin' through the past -
Don't tell no lie.

There's a natural mystic blowing through the air -
Can't keep them down -
If you listen carefully now you will hear.

There's a natural mystic blowing through the air.

This could be the first trumpet, might as well be the last:
Many more will have to suffer,
Many more will have to die - don't ask me why.

There's a natural mystic blowing through the air -
I won't tell no lie;
If you listen carefully now you will hear:
There's a natural mystic blowing through the air.
Such a natural mystic blowing through the air;
There's a natural mystic blowing through the air;
Such a natural mystic blowing through the air;
Such a natural mystic blowing through the air;
Such a natural mystic blowing through the air.

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segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Destaque: Ellen Oléria

foto: Savia Gabi

Quem me apresentou o som da Ellen Oléria foi o Mário Sartorello, meu chefe na Educadora FM. Pirei no som, vozeirão firme, groove redondinho, dançante, em boas canções. Produzi então um Especial das Seis com o álbum Peça, primeiro da cantora, compositora e instrumentista brasiliense, que irá ao ar pela rádio nesta quinta 24, 18h. Mas antes, você curte por aqui alguns vídeos dessa promissora artista da black music, grata revelação lá do Distrito Federal, desde já na minha lista dos melhores do ano. Confira aqui o Myspace dela.

Ellen Oléria - Testando



Ellen Oléria - Brado



Ellen Oléria é de Brasília e começou profissionalmente em 2000, na banda N’Razões, focada na black music. Dois anos depois, deu início à carreira solo, somando à sonoridade Black, outros elementos da MPB, sempre com muito swing e um carisma contagiante. Dona de uma voz poderosa, que transita bem entre o canto melódico e o discurso do hiphop, Ellen Oléria lançou, em junho de 2009, Peça, seu primeiro CD, quase todo autoral, com treze faixas.

A banda que acompanha a artista há quatro anos é enxuta, mas muito competente, groove redondo, formada pelos monstrinhos Rodrigo Bezerra (guitarrista e produtor musical), Paula Zimbres (baixo) e Célio Maciel (bateria). Curta mais dois vídeos:

Ellen Oléria - Pedro Falando com o Reflexo



Ellen Oléria - Senzala (A Feira da Ceilândia)



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sábado, 19 de setembro de 2009

Pílulas: Recordações de andar exausto, de Mayrant Gallo

 
Mayrant Gallo (foto: Ricardo Prado - interferida por Mirdad)


Mayrant Gallo é um dos escritores que mais admiro. Mais que isso, é um crânio soberbo, pensador e pesquisador das artes, um tera-HD repleto de cultura e memória. E a cada instante que a roda da vida permite um encontro, usufruo ao máximo, um confesso e declarado humilde discípulo. Sou grato à sorte por ter acesso a esses gênios de fato. E não são poucos. Queria poder uni-los, a pensar e gargalhar sobre essa existência tão escorregadia.

Abaixo, seguem as pílulas do livro de poemas Recordações de Andar Exausto (Aboio Livre/2005), de Mayrant Gallo.


"O lado vazio da cama
É a presença humana
Que mais atemoriza"

(pg. 78)

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"queremos certeza
e o que temos são estrelas
por sobre a cabeça"

(pg. 71)

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"Todos meus poemas
Não mais me pertencem.
São de quem os sente"

(pg. 37)

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"A memória falta. E que falte.
É uma sorte. Minha, sua,
De todos. E que um dia
Cheguemos a desconhecer
Uns aos outros"

(pg. 91)

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"Que pus eu nesta vida,
Senão livros que um dia,
Outro dia,
Ninguém lerá?"

(pg. 61)

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"A vida nos frustra,
E não há fuga.

Nenhuma"

(pg. 11)

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"Sua calça jeans estalava
Quando ela se sentava.

(...)

Um dia dois caras brigaram
Por causa de suas axilas...

Eles estão mortos.
Ela viva"

(pg. 95)

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"Um minuto de poesia
Não bastaria
Para o mundo.

Mas se o mundo parasse
Um minuto
Bastaria um segundo"

(pg. 33)


Recordações de andar exausto
Mayrant Gallo
(Aboio Livre/2005)

"Uma menina disse, mais tarde:
- Salvem-me...
Mas ninguém entre os homens
Quis salvá-la...

A menina enforcou-se.

Ao saberem, os homens
Foram vê-la pendurada"

(pg. 24)

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"Um poeta e crítico me disse
Que não gosta de minha poesia.
Sim, e daí?

(...)

Não me digam o que já sei
Ou então aquilo que nada muda"

(pg. 93)

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"Ninguém é livre.

(...)

Há prisão na própria espécie.

(...)

Na intenção diante das palavras.

Livres são as horas"

(pg. 14)

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"Não, a vida não pode ser isso.
Se olho para a frente - enigma.
Se olho para trás - vidro"

(pg. 92)

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"Aos dezesseis, descobriu fotografias
De uma mulher que não sua mãe
E jurou ferrar o pai...

Aos dezoito,
Era ela quem estava na cama,
No lugar da mãe"

(pg. 96)

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"O tempo nos mata
Tal faca que nos corta
(...)
E não posso voltar atrás,
Não posso tornar a nada:
Mais cedo serei pó,
Mais tarde, água"

(pg. 90)

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"A cada alto relâmpago
Vive-se novo sonho.

Mas o trovão avisa
De seu peso homicida"

(pg. 68)

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"Só sempre, recortado,
Vi muitas vezes
A noite escoar-se.

(...)

Ainda estou aqui
E ainda aqui sonho-me"

(pg. 43)

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"Os mendigos fedem.
A vida fede.
Só o universo,
Para além das nuvens,
Perece
De uma limpeza inerme"

(pg. 83)

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Perambulando #09 - Mou Brasil

Mou Brasil - Farol



Perambulando é uma seção deste blog destinada a expôr os vídeos que irei registrar nas andarilhadas por aí.

Nesta edição, destaco o show Farol, do genial guitarrista e compositor baiano Mou Brasil, que rolou ontem, 15.09.09, no Teatro SESI, Rio Vermelho, em Salvador-BA. Quero, de antemão, agradecer à Cláudia Cunha pela dica preciosa deste show, que pra mim foi uma surpresa, não estava sabendo. É claro que, como apreciador de boa música que sou, desmarquei tudo pra ir a essa reunião de gênios da música instrumental baiana. E por inacreditáveis $ 10 e $ 5!!! E ainda tem gente que reclama que aqui não acontece nada. Rebando de imbecis!

Pois o dream team de músicos que eternizou cada nota daquele palco de ontem foi formado nada menos por: na cozinha, Ldson Galter (baixo), Orlandinho (percussão) e Vitor Brasil (bateria); na harmonia, Marcelo Galter (piano) e Rowney Scott (sax); convidados, Letieres Leite (sax), Jélber Oliveira (sanfona) e Manuela Rodrigues (voz instrumento); maestro monstro gênio, Mou Brasil (guitarra e violão). Na boa, quem perdeu, se FUDEU!

Assistir a um show tão intimista e belo como esse (em mais uma exibição competente de luz e som da equipe do SESI) pelo módico preço cobrado e em uma terça-feira à noite é SURREAL! Essa escalação acima entope qualquer templo sagrado de jazz DO MUNDO. Na boa, um ingresso desse aí vale no mínimo uns 300 euros.

Pois, pra quem não foi (a platéia teve um charme a mais com a naturalidade da pequena Luz, filha de Mou), a Perambulando mostra. Logo abaixo, o inenarrável tema Teo (o que eu mais gosto), com participação de Jélber Oliveira, e Atraído (concorrente no VII Festival da Educadora FM), com participação de Manuela Rodrigues.

Mou Brasil - Teo




Mou Brasil - Atraído



Agora, vamos conferir a bela composição de Mou Brasil e Tiganá Santana, Vencerá o Amor. Se você achar lindo, não terá idéia de como é com a voz do Tiga. Preparem-se; em algum tempo, saberão. Logo depois, Imaculado, com Mou entupindo tudo na guitarra (o tema ultrapassou os 10 minutos permitidos pelo Youtube e por isso tive que cortar).

Mou Brasil - Vencerá o Amor




Mou Brasil - Imaculado



Por fim, um momento emocionante do show, em que Mou Brasil, em nome do dream team de músicos, dedica o tema De Volta ao Centro ao inesquecível Ramiro Musotto, que veio a falecer sexta passada, de câncer. Visivelmente emocionado, Letieres Leite desceu a mão em seu solo, assim como Orlandinho, uma singela e vital homenagem ao mais baiano dos argentinos. Uma pena que o tema não coube no tempo do Youtube. Parabéns a todos e ao genial maestro Mou Brasil! Só posso agradecer, e muito!

Mou Brasil - De Volta ao Centro



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segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Semanaça: Mou, BNegão, Roberto & Tiganá e Cascadura

Aí, moçada, essa semana promete, ein? E já começa amanhã: show imperdível de Mou Brasil no Teatro SESI, 20h. Confiram abaixo as demais atrações:

Terça (15/09) - Mou Brasil


O quê: Mou Brasil no show Farol
Horário: 20h
Onde: Teatro do Sesi - Rio Vermelho
Quanto: R$ 10 e R$ 5
Participações Especiais: Jélber Oliveira e Manuela Rodrigues
Info: 3535-3020


Quinta (17/09) - BNegão & MiniStereo Público


O quê: BNegão Sound System & ministereopublico – sistema de som
Horário: 21h
Onde: Zauber Multicultura (Ladeira da Misericórdia, 11, Praça da Sé)
Quanto: R$ 15 (masculino) e R$ 10 (feminino)
Promoção: Skol e Roska dobrada até 23h
Info: 3326-2964 / 8894-1381


Sexta (18/09) - Roberto Mendes & Tiganá


O quê: Roberto Mendes & Tiganá Santana no show Vozes no Espelho
Horário: 20h
Ingresso: R$ 10 e R$ 5
Local: Teatro do Sesi - Rio Vermelho
Info: 3535-3020


Sábado (19/09) - Cascadura


O quê: Cascadura no show Aquecimento Efeito Bogary
Horário: 23h
Onde: Groove Bar (Rua Marques de Leão, 351A – Barra)
Quanto: R$ 25 (masculino) | R$ 20 (feminino)
Valor promocional Lista Groove (através do site ou Orkut): R$ 20 (masculino) | R$ 15 (feminino)
Info: 3267-5124

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sábado, 12 de setembro de 2009

Vício: Dery - Salif Keita

Salif Keita

Quando estava produzindo o Especial de Sábado – Nouvelles Musiques de France, alguns meses atrás, conheci uma música do genial Salif Keita, chamada Dery, faixa 04 do álbum M'Bemba (2005). Desde então, faz parte do meu playlist e é o meu coringa quando estou abafado no trabalho. Esquentei a cabeça, vou no arquivo e busco Dery. Que toca no mínimo três vezes, desanuviando tudo, me imergindo de um deserto áfrico que desconheço, só sugiro. E essa sugestão me acalma e estimula a criatividade. É quando me sinto mais Elmir. Dery é a minha meota sonora.

Segundo a Wikipedia, “Salif Keita, nascido a 25 de Agosto de 1949, é um músico e cantor de Mali. Ele é único, não só devido a sua reputação de ‘A Voz Dourada de África’, como também pelo fato de ser albino e um descendente direto do fundador do Império Mali, Sundiata Keita. Esta herança significa que Salif Keita nunca deveria ser um cantor, que é uma função desempenhada por Griots. A sua música é uma mistura de estilos de música tradicional da África Ocidental, Europa e América e, no entanto, mantendo estilo de música Islâmica. Entre os instrumentos musicais mais utilizados por Salif Keita incluem-se balafons, djembês, guitarras, koras, órgãos, saxofones e sintetizadores”.

Salif Keita - Dery



Niye N'diyagne finye
Ni ye ne diye finye
Ni ye N'diyagne Koye
Ni bole N'diyafinna
Cherie Bo o bo a nala
Aye n'diye finye
Cherie bo o bo anala
Ale yarabini n'fana yarabila
An lone nara lone le bara na fa
N'diya namo barra na
Aba voyager abawa voyage la
Kelena kouma nale n'ma
Aba voyage nadon wara voyage djan na
Kelena tamaa nela maloyala
Aba voyage ondoni bara bouger
Na bougera na tara voyage la
Na an ma gnoniena ote ben
Je veux te cherche
N'Ma kono sa
N'Ma kono
je veux te trouve
An n'ma kono, n'ma kono, n'ma kono,
N'ma kono N'tena mena feou
Demoussou tigui lou Djonnin ye kounefe fa
N'ko Dembatigui lou N'kon djon koune fe N'fa
Demoussonin bebolo amalo ke min bata
Adibe mokolon ma adibe mossobe ma tegnaye
Fiba dounia yoro tegue donninke djonin yi kounnefe
N'diyanamo benin herelelo
Je veux te chercher
N'ma kono sa
N'ma kon An n'ma kono, n'ma kono, n'ma kono,
N'ma kono netena mena fewou
Ou va se marie
Je veux te chercher, je te trouver
On va se marie
Je veux te chercher
Niye N'diyagne finye
Ni tene diyagne kola
Ni ye ne diye finye
ni bolen N'diyagne finla
Cherie bo o bo aye
Aye n'diya nafin ye
Cherie bo o bo a bara na
n'diyanamo benin yerelelo
I bawa Bamako,
N'doni bawa Segou,
Ibawa Mopti, he bawa Kayes N'fa
N'diya namo fonga soro wodo
Ibawa karifa bougouya Ne diwa Karafibougouya
Ibawa kankan djelmandi ibawa kankan tala ndiwa
Ndiwa kankan kamasoro woto
N'na le sara kan to Kankan N'mala wili oma
Je veux te cherche
N'no no no no (repeat)
No no no N'teme
No N'teme voyage la
N'tenamena kile ton koyan
On va se marie
Je veux te chercher
N'Makono sa allah diyanamo N'kono
An makono makono Makono Makono N'tenamena fewou
N'ma kono Allah Diyanamo N'ma kono
yan Ma n'makono, n'makono, n'makono n'makono, n'makono
Je veux te chercher
je veux te trouver
No no no (Repeat)
On va se marie
An newato voyage las
Cherie nekembie tognola

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sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Perda: Ramiro Musotto

Ramiro Musotto

Silenciados os berimbaus da Bahia. Na madrugada de hoje, a tão mundialmente cultuada percussão baiana calou-se. O corpo findou o mestre Ramiro Musotto. E que se faça uma sonora reverência silenciosa ao hermano baiano. É mais um bom que vai embora cedo demais. Aos 45 desse tempo medíocre, a cultura perde um célebre cérebro coração essencialmente musical. Condolências à família e amigos. Que se faça o silêncio, em respeito.

Leia aqui, por Luciano Matos, e aqui, matéria por A Tarde Online.

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quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Vício: Wilson Dias

Wilson Dias

Neste dia 'novado', destaco o trabalho do cantor, compositor e violeiro Wilson Dias, mineiro de Olhos D’Água (Vale do Jequitinhonha), e o meu vício na música Canção de Siruiz, faixa 07 do álbum Picuá, de 2008. Segundo consta no encarte do CD, o Wilson explica sua composição em cima de obra de domínio público, registrada pelo genial João Guimarães Rosa: “Lendo Grande Sertão: Veredas, lembrei-me de uma melodia que surgiu quando fazia minhas caminhadas. Deparei-me com o texto, peguei a viola e cantei a canção do início ao fim”.

Wilson Dias - Canção de Siruiz



Canção de Siruiz
(Domínio Público-João Guimarães Rosa / Wilson Dias)

Urubu é vila alta
Mais idosa do sertão

Padroeira minha vida
Vim de lá, volto mais não

Corro os dias nesses verdes
Meu boi mocho baetão

Buriti, água azulada
Carnaúba, sal do chão

Remanso de rio largo
Viola da solidão

Quando vou pra dar batalha
Convido meu coração


Além de Canção de Suruiz, que tem um solo ‘entupiu tudo’ (expressão cunhada pelo percussionista figuraça Antenor Cardoso) de guitarra acústica do brilhante músico André Siqueira (lembrou-me a sensibilidade do genial Mou Brasil), destaco também duas canções viciantes: Martim Pescador e Jequitinhonha (faixas 03 e 14 do Picuá). A primeira tem um refrão singelo, adesivo por demais, qu’eu cheguei ao absurdo de cantá-lo sem parar por 15 minutos seguidos, sozinho ao volante em uma tarde de engarrafa'pensamentos. E a outra não tem vídeo, mas segue a letra e a deixa pra ouvi-la no Myspace do Wilson Dias.


Wilson Dias - Martim Pescador


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Jequitinhonha
(Wilson Dias / Gervásio Horta)

Jequitinhonha a morena sonha
Com o canoeiro
Jequitinhonha tá tão tristonha
No cativeiro

A noite chora
A noite emplora ao padroeiro
Que traga o cesto cheio de peixe
O ano inteiro

Rio vai pro mar
Rio vai levar
Leva minha mágoa
Em sua água
Quem te espera de braços abertos
É iemanja
Quem te espera de braços abertos
É a rainha do mar

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terça-feira, 8 de setembro de 2009

Vício: Nada Disso é Pra Você Querer



Conheci essa canção por conta da produção do Especial das Seis com o novo CD da Mariana Aydar, Peixes Pássaros Pessoas. Ela gravou a canção de Romulo Fróes e Clima, em um arranjo meio indie climático mudernoso. Confesso que não me impressionou muito, mas quando o Romulo veio aqui em Salvador e tocou-a voz e violão lá na Midialouca, percebi a força dessa grande canção, tanto que a gravei e postei aqui no Perambulando #06.

E, percorrendo a rede, descobri essa gravação acima do projeto massa Música de Bolso. Nada Disso é Pra Você Querer é um grande samba, melodia de primeira, que merece uma versão pomposa, com metais e divas, pra ser trilha de abertura de novela e firmar no povo essa nova safra de compositores de mãos cheias da nossa música.

Nada Disso é Pra Você Querer
(Romulo Froés / Clima)

Pra começar,
Vai acabar, eu vou dizer
Vai acabar, vai machucar
Vai clarear a cabeça

Você
Não vê que eu
Nasci aqui da minha voz?
De todos nós, e todos nós
Do mesmo pó das estrelas
Você não vê, não quer, não crê?
Nada disso é pra você querer
Não dá notícia paga, vai feito praga

Pra quê não vê
Não quer
Nada disso é pra você querer
Não tem, não vai nem vem

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segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Vício: Carolina Diz

Carolina Diz

Vou continuar expondo meus vícios musicais por aqui. Descobri a banda Carolina Diz, de Minas Gerais, em abril desse ano, quando estava produzindo o programa Panorama Brasil - MG. Fiquei viciado na canção hit-grude-hard Mariana, que você pode conferir no vídeo logo abaixo ou aqui. Daí, fui fuçar e encontrei aqui os dois CDs deles disponíveis para download (ouvir tb), Se Perder (2003) e Crônicas do Amanhecer (2008). Baixei ambos e particularmente não curti muito o primeiro, mas o segundo é bem legal, e tem duas músicas muito fodas. O vocalista canta bem, dosado na medida do som da banda, sem os excessos insuportáveis das vozes masculinas do rock de hoje.

A cópia que fiz, estragou, não toca mais. Desde abril que está no meu playlist, e foi a trilha perfeita pra impulsionar as lágrimas da fossa que passei. Os tempos ruins passaram, mas as duas músicas não. É uma prova da excelência das canções de César Gilcevi, poeta facão e batera/letrista da banda. Elas estão aí, fodas, ultrapassando qualquer motivo que leve alguém a ouvi-las; irão perdurar pra sempre.

Do CD Crônicas do Amanhecer, as duas são as faixas 05 e 13: Bh Blues e A Balada de Mateus & Renata. Esta última não vou postar a letra aqui, mas vou destacar o seu final: "Hoje seremos eternos". No início de maio, dediquei esse petardo a uma pessoa querida. Ela respondeu: "Muito triste, não é?". Sim. Dedicar a eternidade à finitude do hoje é terrível! Não estamos prontos ainda pra suportar que não há nada além de hoje. Mas, por outra interpretação, naquela noite, nós fomos eternos. Pra mim, ao menos.

Bh Blues
(César Gilcevi)

Hoje a lua desceu à sarjeta
Entre camisas de vênus e andróides
E serviram na profana ceia
A orelha de Van Gogh

Em escadarias de spray e mijo
Uma criança agora nasce
E o aço frio dos assassinos
É só mais uma possibilidade

Uma noite qualquer

Pederastas fedendo a ouro
Despertam saqueados
Em cada rosto um sumidouro
De afagos e de escarros

Alguém joga uma moeda
Na escuridão do cego desdentado
O asfalto engole sem trégua
O sangue dos atropelados

No Maletta, um bar final
Papelotes passam rentes
Generosas doses de caos
Amparam pálidos sobreviventes

Refrigerados junto ao pesadelo
Réus confessos e vítimas
Entalhando em segredo
A busca que não cicatriza

Uma noite qualquer
Uma noite qualquer

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Carolina Diz - Mariana



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domingo, 6 de setembro de 2009

Vício: Tardes Noites & Dias

Esso

Estou viciado em uma canção do compositor e cantor Esso, natural do RN, que se chama Tardes Noites & Dias, que faz parte do álbum Bossta Nova (2007). Ouço no mínimo quatro vezes quando ela passa no meu playlist. Se quiser, ouça aqui. A letra segue abaixo. Destaco: "me vens tão cansado com a mão enrugada de viagens tão distantes por sobre o vazio".

tardes noites & dias
(esso)

saímos soturnos no escuro da noite
caindo poeira, vertendo histórias
mas é tão tarde, tão tarde da noite
no mesmo lugar dess’euforia lenta
canções dispersas, tantos dispersos
que eu possa cantar, trazer-nos aqui
vem, se distraia com algo estranho
lhe beba a leveza, lhe dança a tristeza

vem a madrugada densa, leve e fria
iluminando o corpo de sombras e sonhos
horas lancinantes em becos, ruas, cidades
monstros que devoram a vontade de ficar
mas sozinho vai andar de hoje em diante
procurando curar seus ferimentos de batalhas
e outros sem lugar

mas é tão cedo, tão cedo e cortante
retirando as cordas do violão noturno
me vens tão cansado com a mão enrugada
de viagens tão distantes por sobre o vazio
a vida e os desejos
desenhos em ti mesmo
borrados no teu rosto
por que tanto choras?
se mostra em teu corpo no escuro da tua boca
a pele na leveza, os tons da tristeza

dorme o prisioneiro no canto de uma cela
lhe jogam o que comer e ele grita de fome assim mesmo
somos tão menores acordados nos braços de sonhos
isso é tão gigante, ninguém poderia nos contar
é tão tarde
é tão cedo
as noites e os dias vão embora
e voltam amanhã

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sábado, 5 de setembro de 2009

Beirut é pão farofa


Invasão do palco do TCA no show do Beirut


Ontem eu fui pro show sobrenatural de Tiganá Santana e Roberto Mendes. Um pouco antes de começar, uma pessoa querida enviou uma SMS: "Pq vc n veio p o show de Beirut mesmo?". Menti: "Quando fui comprar, acabou". Confesso que fiquei um pouco intimidado com o mesmo, já que por conta de minha profissão de produtor e articulador, preciso estar presente em "eventos", praticando o 'miszãceni'. Mas não fui comprar e não me mobilizei em momento algum pra isso. Não conheço o trabalho do Beirut, só superficialmente, porque a parceira de trampo Bárbara Lisiak produziu um Especial das Seis com eles, e eu ouvi ao longe algumas músicas. Talvez se tivesse sido um fiasco a venda dos ingressos, eu comprasse só pra ajudar o evento.

Mas voltando ao que interessa, essa mesma pessoa querida me ligou um pouco depois das 23h, pra relatar que tinha sido um vexame o show, principalmente por conta do que vocês podem ver acima no vídeo. Fucei na rede e encontrei as resenhas aqui e aqui e aqui (up) e aqui (up). Leiam. Eu só vou me ater a: será que alguém conhece algum desses sacanas que subiram ao palco? Vamos dar a voz a um só deles: por que diabos fez isso? No vídeo dá pra ver o constrangimento de vários que sobem: não sabem o que fazer, ajeitam a calça folgada, ficam meio bambo, correm pra tirar fotos '3x4' dos gringos (só pra mostrar depois, talvez - eu subi no palco do TCA, mãe). Exceto um cabra de camisa rosa; está pleno no picadeiro de sua picardia aflorada ("depois, depois...").

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