Pular para o conteúdo principal

Canções de Minha Vida: Since I’ve Been Loving You

Led Zeppelin (1973)

Comecei a ouvir rock em 1997. Até então, em casa, por conta de minha mãe professora de música, o que eu ouvia era essencialmente bossa nova e MPB, além de forró gonzaguiano nas épocas juninas e músicas antigas (meus pais foram jovens dos anos 50). De resto, muita pop music vinda das rádios Transamérica e Globo FM. E o surto pelo reggae em 1996.

Mas aí, um amigo do meu prédio, que também estudava no mesmo Colégio PhD, chamado Alan Freitas, ficou indignado com minha obsessão pelo ritmo jamaicano e pôs-se em uma cruzada pela via sacra do rock’n’roll. Além de ter me ensinado a tocar violão, foi me empurrando uma porrada de banda de metal (principalmente Metallica), punk hardcore e Pink Floyd, que odiei profundamente quando ouvi pela 1ª vez - quem diria, né? Dessa leva, o que impactou mesmo foi o Ramones. Aos 16 anos, foi identificação imediata. Gravei altas fitas K7, e curti, com a galera do Alan na Albani (ao lado do colégio), em muitos intervalos, o louco do loiro Álvaro Valle tocar vários clássicos da maior banda ‘pop’ de todos os tempos.

Ramones foi a primeira banda de rock que curti, de fato (hj considero Legião Urbana fora dessa categoria). Mas ainda em 1997, foram os ingleses do Led Zeppelin que me chamaram atenção para o que era um riff de guitarra, uma bateria de peso, e um vocal agudo de intensidade caricata, afiado. Com o Led, caí na real o que era ‘o tal do rock’n’roll’. Começou daí a minha preferência pelas timbragens e riffs setentistas, o que perdura até hoje.

Naquele mesmo ano, comprei dois CDs duplos: o BBC Sessions e o Remasters. E desde lá, celebro a canção Since I’ve Been Loving You (originalmente lançada no álbum Led Zeppelin III, de 1970) que, na humilde opinião deste blogueiro aqui, é o mais lindo blues de todos os tempos. Ganha pra Steve Ray Vaughan. Ganha pra BB King. Ganha pra Eric Clapton, Muddy Waters, etc. Pois foi uma banda de rock inglesa que criou o blues supremo. E se for considerar rock, é a mais linda canção de todos os tempos.

Jimmy Page, esse monstro da Gibson Les Paul (viva!), criou um solo absurdo, que eu sei de ‘cór e salteado’, todas as notas na mente (vá tocar errado o solo original e eu digo: “faltou essa aqui, que eu não sei o nome”). E nunca mais conseguiu repeti-lo. Aliás, isso é uma marca dele, nunca repertir o solo. Não sei se é de propósito ou é seqüela. Mas segue abaixo duas versões, de 1973 (do CD/DVD The Song Remains the Same - 1976) e 2007 (da reunião do grupo com o filho do furioso baterista John Bonham, morto em 1980). Notem como o maluco beleza do Jimmy executa solos extremamente distintos. E para além disso, confiram o que eu e o amigo Zanomia celebram há muito: ninguém faz um “tum_tum-pá_tumtum”, que caracteriza o blues, com tanta categoria, peso e emoção que o cavalo do Bonham pai.



Since I've Been Loving You
(Jimmy Page / John Paul Jones / Robert Plant)

Working from seven to eleven every night,
It really makes life a drag, I don't think that's right.
I've really, really been the best of fools, I did what I could.
'Cause I love you, baby, How I love you, darling, How I love you, baby,
How I love you, girl, little girl.
But baby, Since I've Been Loving You. I'm about to lose my worried mind, oh, yeah.

Everybody trying to tell me that you didn't mean me no good.
I've been trying, Lord, let me tell you, Let me tell you I really did the best I could.
I've been working from seven to eleven every night, I said It kinda makes my life a drag.
Lord, that ain't right...
Since I've Been Loving You, I'm about to lose my worried mind.

Said I've been crying, my tears they fell like rain,
Don't you hear, Don't you hear them falling,
Don't you hear, Don't you hear them falling.

Do you remember mama, when I knocked upon your door?
I said you had the nerve to tell me you didn't want me no more, yeah
I open my front door, hear my back door slam,
You must have one of them new fangled back door man.

I've been working from seven, seven, seven, to eleven every night, It kinda makes my life a drag...
Baby, Since I've Been Loving You, I'm about to lose, I'm about lose to my worried mind.



.

Comentários

Cebola disse…
Curioso que é uma canção de mais de oito minutos, mas que conduz o ouvinte de uma maneira muito sutil, sem cansar o ouvinte em meio as tantas nuances auditivas. Essa música é foda!
On The Rocks disse…
man,

sons que encantam e marcam eternamente.

gostei da ellen oléria, massa!

abs
Z, disse…
O Jimmy Page bebe pra cacete e depois erra pra cacete também ! Mas no caso dele, erro é acerto.

Nunca decobriram, mas o segredo do Led Zeppelin era o John Paul Jones - Que harmonizava três figuras endiabradas!

Continuo sonhando com a voz de Plant e com a bateria de Bonham.
Ted Simões disse…
essa é sem dúvidas a melhor música deles. é de chorar, de explodir, de vibrar, de tudo... consegue reunir explosão e suavidade um segundos. ultra foda. jimmy page ainda é pra mim o deus do rock.
Eder Galindo disse…
emanoel,

tenho meus créditos nessa sua iniciação no rock n' roll também! hehe lia e comentava todas as suas poesias e músicas ainda pouco lapidadas. hehehe
velho, para mim led é a maior banda de rock de todos os tempos e esta música é sem explicação. também acho o blues mais foda do mundo! vixe, quanto exagero. estou parecendo faustão, mas é isso mesmo.
passe no meu blog: http://www.ocerebroeletronico.blogspot.com/
falo de som, futebol e momentos bons da vida.

aquele abraço
Mirdad disse…
Porra, grande Éder!!! Putz, é verdade, me perdoe!

Sua contribuição foi fundamental tb, é pq Alan é meu amigo vizinho, mora no mesmo prédio até hj, e a perseguição "ouça rock, meu filho" rolava o tempo todo, ehehehe, por isso a lembrança mais forte.

Mas é claro que eu lembro da sua pressão, e muito puxando pro rock baiano, já que vc participava da cena e tal.

Obrigado pela visita e eu vou linkar seu blog aqui tb!

Rock!!!!!!!

Postagens mais visitadas deste blog

O grito do mar na noite no site do jornal Rascunho

Resenha do livro O grito do mar na noite (Via Litterarum, 2015), publicada no Rascunho #192, de abril de 2016, por Clayton de Souza, disponível para leitura no site do jornal.

Leia aqui

A mesma resenha na versão impressa do jornal aqui

Foto do autor: Sarah Fernandes

Cinco poemas e três passagens de Ana Martins Marques no livro Da arte das armadilhas

Ana Martins Marques (foto daqui)

Espelho
Ana Martins Marques

                                     d’après e. e. cummings

Nos cacos
do espelho
quebrado
você se
multiplica
há um de
você
em cada
canto
repetido
em cada
caco

Por que
quebrá-
-lo
seria
azar?


--------


Teatro
Ana Martins Marques

Certa noite
você me disse
que eu não tinha
coração

Nessa noite
aberta
como uma estranha flor
expus a todos
meu coração
que não tenho


--------


Penélope
Ana Martins Marques

Teu nome
espaço

meu nome
espera

teu nome
astúcias

meu nome
agulhas

teu nome
nau

meu nome
noite

teu nome
ninguém

meu nome
também


--------


Caçada
Ana Martins Marques

E o que é o amor
senão a pressa
da presa
em prender-se?

A pressa
da presa
em
perder-se


--------


A festa
Ana Martins Marques

Procuramos um lugar
à parte.
Como se estivéssemos
em uma festa
e buscássemos um lugar
afastado
onde pudéssemos
secretamente
nos beijar.
Procuramos um lugar
a salvo
das palavras.

Mas esse
lugar
não há.


--------


"Um dia vou aprender a partir
vou partir
como qu…

Cinco poemas e três passagens de Ana Martins Marques em O livro das semelhanças

Ana Martins Marques (foto: Rodrigo Valente)

Coleção
Ana Martins Marques

                                        Para Maria Esther Maciel

Colecionamos objetos
mas não o espaço
entre os objetos

fotos
mas não o tempo
entre as fotos

selos
mas não
viagens

lepidópteros
mas não
seu voo

garrafas
mas não
a memória da sede

discos
mas nunca
o pequeno intervalo de silêncio
entre duas canções


--------


Ana Martins Marques

Combinamos por fim de nos encontrar
na esquina das nossas ruas
que não se cruzam


--------


Mar
Ana Martins Marques

Ela disse
mar
disse
às vezes vêm coisas improváveis
não apenas sacolas plásticas papelão madeira
garrafas vazias camisinhas latas de cerveja
também sombrinhas sapatos ventiladores
e um sofá
ela disse
é possível olhar
por muito tempo
é aqui que venho
limpar os olhos
ela disse
aqueles que nasceram longe
do mar
aqueles que nunca viram
o mar
que ideia farão
do ilimitado?
que ideia farão
do perigo?
que ideia farão
de partir?
pensarão em tomar uma estrada longa
e não olhar para tr…