Pular para o conteúdo principal

Perambulando #09 - Mou Brasil

Mou Brasil - Farol



Perambulando é uma seção deste blog destinada a expôr os vídeos que irei registrar nas andarilhadas por aí.

Nesta edição, destaco o show Farol, do genial guitarrista e compositor baiano Mou Brasil, que rolou ontem, 15.09.09, no Teatro SESI, Rio Vermelho, em Salvador-BA. Quero, de antemão, agradecer à Cláudia Cunha pela dica preciosa deste show, que pra mim foi uma surpresa, não estava sabendo. É claro que, como apreciador de boa música que sou, desmarquei tudo pra ir a essa reunião de gênios da música instrumental baiana. E por inacreditáveis $ 10 e $ 5!!! E ainda tem gente que reclama que aqui não acontece nada. Rebando de imbecis!

Pois o dream team de músicos que eternizou cada nota daquele palco de ontem foi formado nada menos por: na cozinha, Ldson Galter (baixo), Orlandinho (percussão) e Vitor Brasil (bateria); na harmonia, Marcelo Galter (piano) e Rowney Scott (sax); convidados, Letieres Leite (sax), Jélber Oliveira (sanfona) e Manuela Rodrigues (voz instrumento); maestro monstro gênio, Mou Brasil (guitarra e violão). Na boa, quem perdeu, se FUDEU!

Assistir a um show tão intimista e belo como esse (em mais uma exibição competente de luz e som da equipe do SESI) pelo módico preço cobrado e em uma terça-feira à noite é SURREAL! Essa escalação acima entope qualquer templo sagrado de jazz DO MUNDO. Na boa, um ingresso desse aí vale no mínimo uns 300 euros.

Pois, pra quem não foi (a platéia teve um charme a mais com a naturalidade da pequena Luz, filha de Mou), a Perambulando mostra. Logo abaixo, o inenarrável tema Teo (o que eu mais gosto), com participação de Jélber Oliveira, e Atraído (concorrente no VII Festival da Educadora FM), com participação de Manuela Rodrigues.

Mou Brasil - Teo




Mou Brasil - Atraído



Agora, vamos conferir a bela composição de Mou Brasil e Tiganá Santana, Vencerá o Amor. Se você achar lindo, não terá idéia de como é com a voz do Tiga. Preparem-se; em algum tempo, saberão. Logo depois, Imaculado, com Mou entupindo tudo na guitarra (o tema ultrapassou os 10 minutos permitidos pelo Youtube e por isso tive que cortar).

Mou Brasil - Vencerá o Amor




Mou Brasil - Imaculado



Por fim, um momento emocionante do show, em que Mou Brasil, em nome do dream team de músicos, dedica o tema De Volta ao Centro ao inesquecível Ramiro Musotto, que veio a falecer sexta passada, de câncer. Visivelmente emocionado, Letieres Leite desceu a mão em seu solo, assim como Orlandinho, uma singela e vital homenagem ao mais baiano dos argentinos. Uma pena que o tema não coube no tempo do Youtube. Parabéns a todos e ao genial maestro Mou Brasil! Só posso agradecer, e muito!

Mou Brasil - De Volta ao Centro



.

Comentários

Cebola disse…
Foi mesmo uma noite muito emotiva... com trocas mágicas de energia entre o público e a platéia. Curti muito também o tema em homenagem a Dorival! Viva a música e a iniciativas como essa que trazem-na inteira a preços acessíveis...
Gustavo Nunes disse…
Que bom que tem alguém divulgando o que realmente importa. Parabéns!
Anônimo disse…
Te linkei no meu blog, Mirdad.
Mirdad, estou morando em Juazeiro, mas já vi q pela qualidade do q vc gosta de gravar vou virar espectador assíduo!
Emmanuel Mirdad disse…
Obrigado, meus caros! E como Cebola diz, viva a música!
Zanom. disse…
Muito bom !

(fui ver a Orquestra Itiberê ! Vc não faz idéia!)

Postagens mais visitadas deste blog

Dez passagens de Jorge Amado no romance Capitães da Areia

Jorge Amado “[Sem-Pernas] queria alegria, uma mão que o acarinhasse, alguém que com muito amor o fizesse esquecer o defeito físico e os muitos anos (talvez tivessem sido apenas meses ou semanas, mas para ele seriam sempre longos anos) que vivera sozinho nas ruas da cidade, hostilizado pelos homens que passavam, empurrado pelos guardas, surrado pelos moleques maiores. Nunca tivera família. Vivera na casa de um padeiro a quem chamava ‘meu padrinho’ e que o surrava. Fugiu logo que pôde compreender que a fuga o libertaria. Sofreu fome, um dia levaram-no preso. Ele quer um carinho, u’a mão que passe sobre os seus olhos e faça com que ele possa se esquecer daquela noite na cadeia, quando os soldados bêbados o fizeram correr com sua perna coxa em volta de uma saleta. Em cada canto estava um com uma borracha comprida. As marcas que ficaram nas suas costas desapareceram. Mas de dentro dele nunca desapareceu a dor daquela hora. Corria na saleta como um animal perseguido por outros mais fortes. A...

Dez passagens de Clarice Lispector nas cartas dos anos 1950 (parte 1)

Clarice Lispector (foto daqui ) “O outono aqui está muito bonito e o frio já está chegando. Parei uns tempos de trabalhar no livro [‘A maçã no escuro’] mas um dia desses recomeçarei. Tenho a impressão penosa de que me repito em cada livro com a obstinação de quem bate na mesma porta que não quer se abrir. Aliás minha impressão é mais geral ainda: tenho a impressão de que falo muito e que digo sempre as mesmas coisas, com o que eu devo chatear muito os ouvintes que por gentileza e carinho aguentam...” “Alô Fernando [Sabino], estou escrevendo pra você mas também não tenho nada o que dizer. Acho que é assim que pouco a pouco os velhos honestos terminam por não dizer nada. Mas o engraçado é que não tendo absolutamente nada o que dizer, dá uma vontade enorme de dizer. O quê? (...) E assim é que, por não ter absolutamente nada o que dizer, até livro já escrevi, e você também. Até que a dignidade do silêncio venha, o que é frase muito bonitinha e me emociona civicamente.”  “(...) O dinhei...

Oito poemas de Ana Martins Marques no livro Risque esta palavra

Ana Martins Marques (foto daqui ) História Ana Martins Marques Tenho 39 anos. Meus dentes têm cerca de 7 anos a menos. Meus seios têm cerca de 12 anos a menos. Bem mais recentes são meus cabelos e minhas unhas. Pela manhã como um pão. Ele tem uma história de 2 dias. Ao sair do meu apartamento, que tem cerca de 40 anos, vestindo uma calça jeans de 4 anos e uma camiseta de não mais do que 3, troco com meu vizinho palavras de cerca de 800 anos e piso sem querer numa poça com 2 horas de história desfazendo uma imagem que viveu alguns segundos. Belo Horizonte, 7 de novembro de 2016. -------- Parte alguma Ana Martins Marques Não te enganes: viajar é aborrecido. Num ponto, ao menos, todos os lugares  se parecem: neles já se passou  algo terrível.  As viagens cansam e são tristes.  Viajando apenas constatamos  a repetição tediosa do que existe. Pois para onde quer que compremos passagem levamos a nós mesmos na bagagem. Viajar é conduzir o corpo — esse comboio imundo — a...