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Vício: Carolina Diz

Carolina Diz

Vou continuar expondo meus vícios musicais por aqui. Descobri a banda Carolina Diz, de Minas Gerais, em abril desse ano, quando estava produzindo o programa Panorama Brasil - MG. Fiquei viciado na canção hit-grude-hard Mariana, que você pode conferir no vídeo logo abaixo ou aqui. Daí, fui fuçar e encontrei aqui os dois CDs deles disponíveis para download (ouvir tb), Se Perder (2003) e Crônicas do Amanhecer (2008). Baixei ambos e particularmente não curti muito o primeiro, mas o segundo é bem legal, e tem duas músicas muito fodas. O vocalista canta bem, dosado na medida do som da banda, sem os excessos insuportáveis das vozes masculinas do rock de hoje.

A cópia que fiz, estragou, não toca mais. Desde abril que está no meu playlist, e foi a trilha perfeita pra impulsionar as lágrimas da fossa que passei. Os tempos ruins passaram, mas as duas músicas não. É uma prova da excelência das canções de César Gilcevi, poeta facão e batera/letrista da banda. Elas estão aí, fodas, ultrapassando qualquer motivo que leve alguém a ouvi-las; irão perdurar pra sempre.

Do CD Crônicas do Amanhecer, as duas são as faixas 05 e 13: Bh Blues e A Balada de Mateus & Renata. Esta última não vou postar a letra aqui, mas vou destacar o seu final: "Hoje seremos eternos". No início de maio, dediquei esse petardo a uma pessoa querida. Ela respondeu: "Muito triste, não é?". Sim. Dedicar a eternidade à finitude do hoje é terrível! Não estamos prontos ainda pra suportar que não há nada além de hoje. Mas, por outra interpretação, naquela noite, nós fomos eternos. Pra mim, ao menos.

Bh Blues
(César Gilcevi)

Hoje a lua desceu à sarjeta
Entre camisas de vênus e andróides
E serviram na profana ceia
A orelha de Van Gogh

Em escadarias de spray e mijo
Uma criança agora nasce
E o aço frio dos assassinos
É só mais uma possibilidade

Uma noite qualquer

Pederastas fedendo a ouro
Despertam saqueados
Em cada rosto um sumidouro
De afagos e de escarros

Alguém joga uma moeda
Na escuridão do cego desdentado
O asfalto engole sem trégua
O sangue dos atropelados

No Maletta, um bar final
Papelotes passam rentes
Generosas doses de caos
Amparam pálidos sobreviventes

Refrigerados junto ao pesadelo
Réus confessos e vítimas
Entalhando em segredo
A busca que não cicatriza

Uma noite qualquer
Uma noite qualquer

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Carolina Diz - Mariana



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