sábado, 30 de agosto de 2014

Pílulas: Parte 05 - A Descoberta do Mundo, de Clarice Lispector

Clarice Lispector (foto: Divulgação - interferida por Mirdad)


"Eu fazia do amor um cálculo matemático errado: pensava que, somando as compreensões, eu amava. Não sabia que, somando as incompreensões, é que se ama verdadeiramente"


"Nós estamos tão longe de compreender o mundo que nossa cabeça não consegue raciocinar senão à base de finitos ... O pouco que sei não dá para compreender a vida, então a explicação está no que desconheço e que tenha a esperança de poder vir a conhecer um pouco mais"


"O sentimento mais rápido, que chega a ser apenas um fulgor, é o instante em que um homem e uma mulher sentem um no outro a promessa de um grande amor"


"O desespero da existência eterna do tempo, assim como o universo, sempre existiu ... O tempo não é a duração de uma vida. O tempo antes de nós é tão eterno quanto o tempo à nossa frente. No ano 8000, se houver gente, haverá uma religião nova - uma que admita que o imaterial se materialize, uma que não tenha medo da morte, pois este é um problema apenas pessoal"


"Uma vez eu irei. Uma vez irei sozinha, sem minha alma dessa vez. O espírito, eu o terei entregue à família e aos amigos com recomendações. Não será difícil cuidar dele, exige pouco, às vezes se alimenta com jornais mesmo. Não será difícil levá-lo ao cinema, quando se vai. Minha alma eu a deixarei, qualquer animal a abrigará: serão férias em outra paisagem, olhando através de qualquer janela dita da alma, qualquer janela de olhos de gato ou de cão. De tigre, eu preferiria. Meu corpo, esse serei obrigada a levar. Mas dir-lhe-ei antes: vem comigo, como única valise, segue-me como um cão. E irei à frente, sozinha, finalmente cega para os erros do mundo, até que talvez encontre no ar algum bólide que me rebente"


Clarice Lispector
(Rocco - 2008)


"O esperto vence com úlcera no estômago. O bobo nem nota que venceu"


"Bem sei o que é o chamado verdadeiro romance. No entanto, ao lê-lo, com suas tramas de fatos e descrições, sinto-me apenas aborrecida. E quando escrevo não é o clássico romance. No entanto é romance mesmo ... O que eu fiz, apenas, foi ir me obedecendo ... - é na verdade o que eu faço quando escrevo, e agora mesmo está sendo assim. Vou me seguindo, mesmo sem saber ao que me levará. Às vezes ir me seguindo é tão difícil - por estar seguindo em mim o que ainda não passa de uma nebulosa - que termino desistindo"


"Às vezes, quando vejo uma pessoa que nunca vi, e tenho algum tempo para observá-la, eu me encarno nela e assim dou um grande passo para conhecê-la. E essa intrusão numa pessoa, qualquer que seja ela, nunca termina pela sua própria autoacusação: ao nela me encarnar, compreendo-lhe os motivos e perdoo. Preciso é prestar atenção para não me encarnar numa vida perigosa e atraente, e que por isso mesmo eu não queira o retorno a mim mesmo"


"Brasília é mal-assombrada. É o perfil imóvel de uma coisa. - De minha insônia olho pela janela do hotel às três horas da madrugada. Brasília é paisagem da insônia. Nunca adormece. - Aqui o ser orgânico não se deteriora. Petrifica-se"


"Era preciso tentar escrever sempre, não esperar por um momento melhor porque este simplesmente não vinha. Escrever sempre me foi difícil, embora tivesse partido do que se chama vocação. Vocação é diferente de talento. Pode-se ter vocação e não ter talento, isto é, pode-se ser chamado e não saber como ir"

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Composições de Mirdad: Curtas e Poemas (instrumental)





Não consegue visualizar o player? Ouça aqui

Faixa 01 - EP Harmonogonia (2009) | Composta e Produzida por Emmanuel Mirdad | Mirdad - Piano MIDI | Encarte: Emmanuel Mirdad





















Composição de Emmanuel Mirdad arranjada para piano por ele em 2008.

Versão para a canção "What Was It That Happened That Was So Awful?", de Emmanuel Mirdad, composta em 2004.

Composições de Mirdad: Pílula Azul (instrumental)





Não consegue visualizar o player? Ouça aqui

Faixa 02 - EP Harmonogonia (2009) | Composta e Produzida por Emmanuel Mirdad | Mirdad - Piano MIDI | Encarte: Emmanuel Mirdad











Composição de Emmanuel Mirdad arranjada para piano por ele em 2008.

Versão para a canção "Someday I'll Escape", de Emmanuel Mirdad, composta em 2001.

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Composições de Mirdad: Homeopata (instrumental)





Não consegue visualizar o player? Ouça aqui

Faixa 03 - EP Harmonogonia (2009) | Composta e Produzida por Emmanuel Mirdad | Mirdad - Piano MIDI | Encarte: Emmanuel Mirdad















Composição de Emmanuel Mirdad arranjada para piano por ele em 2008.

Versão para a canção "Flowers to the Sun", de Emmanuel Mirdad, composta em 2002.

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Composições de Mirdad: Noturno (instrumental)





Não consegue visualizar o player? Ouça aqui

Faixa 04 - EP Harmonogonia (2009) | Composta e Produzida por Emmanuel Mirdad | Mirdad - Piano MIDI | Encarte: Emmanuel Mirdad





Composição de Emmanuel Mirdad arranjada para piano por ele em 2008.

Versão para a canção "Noturno", de Ildegardo Rosa (letra) e Emmanuel Mirdad (melodia) de 26/04/2007.

Composições de Mirdad: Reflexo Pesadelo (instrumental)





Não consegue visualizar o player? Ouça aqui

Faixa 05 - EP Harmonogonia (2009) | Composta e Produzida por Emmanuel Mirdad | Mirdad - Piano MIDI | Encarte: Emmanuel Mirdad











Composição de Emmanuel Mirdad arranjada para piano por ele em 2008.

Versão para a canção "Reflexo Pesadelo", de Emmanuel Mirdad, composta em 2007, uma versão em português da canção "A Reflex, A Nightmare", de Emmanuel Mirdad, composta em 2002.

Composições de Mirdad: A Esposa Impossível (instrumental)





Não consegue visualizar o player? Ouça aqui

Faixa 06 - EP Harmonogonia (2009) | Composta e Produzida por Emmanuel Mirdad | Mirdad - Piano MIDI | Encarte: Emmanuel Mirdad













Composição de Emmanuel Mirdad arranjada para piano por ele em 2008.

Versão para a canção "A Esposa Impossível", de Emmanuel Mirdad, composta em 2007, uma versão em português da canção "My Impossible Wife", de Emmanuel Mirdad, composta em 2004.

terça-feira, 26 de agosto de 2014

Orange Poem lança último EP com Teago da Maglore no vocal



Crowd é o último EP da Orange Poem em 2014 e traz a voz de Teago Oliveira


A série de lançamentos da Orange Poem chega ao fim com Crowd (multidão em inglês), o sexto EP da banda que, nos últimos meses, fundiu ao seu som psicodélico e progressivo algumas vozes referenciais do rock baiano, como Nancy Viégas e Mauro Pithon, e até mesmo uma inusitada experiência musical com Mateus Aleluia (ex-Os Tincoãs). A voz escolhida para encerrar os lançamentos de 2014 foi um representante da nova geração, o cantor e compositor Teago Oliveira, da banda Maglore, atualmente radicada em São Paulo e um dos principais nomes em atividade no país.

"Sempre gostei muito do timbre de Teago, acho que ele possui aquele tempero especial, fora do padrão, que enobrece e diferencia vozes como as de Glauber, Nancy e Rodrigo, que também gravaram na Orange. Além de que ele é muito versátil, tem excelente interpretação e sabe cantar muito bem em inglês. Acho que ele topou a proposta para gravar algo inusitado, diferente do que vem fazendo na Maglore, mais pesado, doido e desafiador. No fim, todos curtimos muito o resultado", explica Emmanuel Mirdad, o produtor e compositor do EP. A gravação, feita por Tadeu Mascarenhas, ocorreu em agosto no estúdio Casa das Máquinas, em Salvador/BA.


Teago Oliveira grava a voz no EP Crowd em agosto de 2014 - Foto: Mirdad


O EP Crowd, que tem o belo encarte feito por Glauber Guimarães, apresenta três composições de Emmanuel Mirdad, a piano progressiva "8/8/88", a psicodélica épica "Melissa" e a experimental progressiva-psicodélica nervosa "Dubious Question". Crowd é um trabalho que destaca a força interpretativa e versátil do cantor Teago Oliveira, o solo de bateria de Hosano Lima Jr. na faixa experimental, o sensível piano de Tadeu Mascarenhas e os efeitos psicodélicos dos guitarristas Zanom e Saint.

"Depois de gravar com três cânones do rock baiano como Glauber, Nancy e Maurão, de ter o presente incrível da experiência "ancestrodélica" com Seu Mateus e de apresentar a doçura da voz de Rodrigo Pinheiro, fechar a série de EPs laranjas com a voz do querido amigo Teago é um luxo! O velho e os moços. Duas gerações do rock da Bahia num mesmo projeto. Como produtor, estou realizado!", celebra Mirdad, que antecipa os próximos passos: "Tínhamos projetado compilar os EPs num CD duplo e fazer um show de lançamento no final do ano, mas analisei melhor a proposta e decidi que, ao invés de ter uma carreira normal de banda com uma banda que não é normal seria desperdiçar dinheiro. Melhor é transformar os EPs em um filme musical, muito mais a ver com o som laranja, que é totalmente cinematográfico". Ou seja, para ver ao vivo o Orange Poem, só na telona. Mas quando será isso? "Mais à frente, pois todos nós sabemos que fazer cinema de arte no Brasil é trabalhar com o prazo bem longo".

O EP Crowd estará disponível para audição e download a partir da segunda 1º/09 no Soundcloud da banda (www.soundcloud.com/theorangepoem) e também no Youtube aqui.


Emmanuel Mirdad, Teago Oliveira e Tadeu Mascarenhas 
na gravação do EP Crowd em agosto de 2014


A BANDA

De 2001 a 2007, a Orange Poem apresentou sua singular sonoridade baseada no psicodélico rock progressivo em inglês, com pitadas de blues, folk, groove e hard rock setentista. Formada por desconhecidos do cenário do rock baiano (e até entre si mesmos), conduzida pelo multifacetado Emmanuel Mirdad (escritor, compositor e produtor da Flica), foi uma banda guitarreira de canções autorais do seu produtor e então cantor. Marcus Zanom e Saint, guitarristas tão antagônicos de estilo, combinaram como yin-yang seus timbres em solos de puro feeling ou velocidade intensa. Na gruvada cozinha laranja, a segurança e técnica dos músicos Hosano Lima Jr. (baterista) e Artur Paranhos (baixista).

Pertencente à geração 00 do rock baiano, de bandas cantando em inglês como The Honkers e Plane of Mine, a Orange Poem gravou dois discos no estúdio Casa das Máquinas, de Tadeu Mascarenhas. “Shining Life, Confuse World”, o primeiro, chegou a ser prensado e lançado no extinto World Bar em 2005, de forma totalmente independente, sem gravadora nem selo. A banda optou por não trabalhar a divulgação dele e partiram pra gravar o seguinte, “Sleep in Snow Shape”, que foi concluído no final de 2006, poucos meses antes da banda acabar em março de 2007. Não chegou a ser lançado, e os membros se mudaram pra estados distintos.

|||||

A NOVA FASE

Depois de sete anos cabalísticos, Mirdad retomou o som laranja com a inusitada proposta de várias vozes distintas. “Pra que ter um vocalista fixo? O original, por exemplo, comprometeu as músicas e merecia ter sido demitido”, comenta ironicamente, pois era ele mesmo o tal vocalista ruim. Devido à velocidade da contemplação moderna, que não tem mais o tempo para apreciar os álbuns com dez, doze músicas, o produtor decidiu investir no lançamento de EPs com três músicas cada, com a novidade de uma nova voz a cada lançamento.

As músicas foram gravadas entre 2005 e 2006 e estavam engavetadas desde o fim da banda. Com a volta da Orange Poem, as músicas ganharam uma nova mixagem e a presença do novo membro da banda: o tecladista Tadeu Mascarenhas, responsável pelas teclas que estão temperando mais ainda a psicodelia do som laranja. Engenheiro de som das gravações e co-produtor das músicas, Tadeu sempre orbitou pela banda e topou fazer parte do grupo. “Somos amigos há 10 anos, curtimos as sequelas criativas proporcionadas pelo poema, e como a Orange é uma banda de estúdio, não interfere em sua agenda concorrida”, informa Mirdad.

EP Ground com Glauber Guimarães (janeiro/2014) – ouça aqui

EP Unquiet com Rodrigo Pinheiro (abril/2014) – ouça aqui

EP Wide com Nancy Viégas (junho/2014) – ouça aqui

EP Balance com Mauro Pithon (julho/2014) – ouça aqui

EP Ancient com Mateus Aleluia (agosto/2014) – ouça aqui

|||||

AS CANÇÕES

8/8/88
(Emmanuel Mirdad)

Primeira faixa que destaca o piano na Orange Poem, representa bem sua face progressiva, em três atos: revelação (psicodelia com piano, guitarras e baixo), introspecção (piano e voz em tom menor) e elevação (piano, voz, sanfona e guitarra portuguesa em tom maior, alegre). Destaque para o sentimento do piano de Tadeu Mascarenhas e a bela interpretação do cantor Teago Oliveira. Os versos trazem a urgência da juventude em viver o máximo que puder, enquanto o tempo não traz o envelhecimento inevitável.


Melissa
(Emmanuel Mirdad)

Representante fiel da psicodelia progressiva laranja, é minimalista nos detalhes e efeitos de guitarra de Zanom e Saint e nas interpretações vocais a la Seattle de Teago Oliveira. É um blues avançado, com refrão clássico e posfácio pesado, considerada uma das cinco melhores músicas da Orange Poem. O poema é uma homenagem à Clarice Lispector; Melissa é uma Macabéa alaranjada.


Dubious Question
(Emmanuel Mirdad)

A função da canção era permitir que a improvisação e a experimentação da Orange Poem corressem soltas; a banda nunca a tocou de uma mesma forma. Destaque para o solo de bateria de Hosano Lima Jr., a cama múltipla de efeitos dos guitarristas Saint e Zanom, o solo de violão reverso do convidado Rajasí Vasconcelos, primeiro baixista laranja, e a interpretação nervosa a la Motörhead de Teago Oliveira. O poema é uma homenagem a dezessete músicas do Pink Floyd; a cada verso, uma lembrança de canções como "Dogs" e "Brain Damage", "Grantchester Meadows" e "Cymbaline", entre outras.

|||||

O EP CROWD

01. 8/8/88
02. Melissa
03. Dubious Question

Composto e produzido por Emmanuel Mirdad

Teago Oliveira (voz, backing vocal e grito)
Mirdad (violão 12 cordas e grito)
Tadeu Mascarenhas (piano, guitarra portuguesa, safona e sintetizador)
Marcus Zanom (guitarra)
Saint (guitarra)
Artur Paranhos (baixo)
Hosano Lima Jr. (bateria)

Convidado especial:
Rajasí Vasconcelos (backing vocal e solo de violão reverso)

Gravação, mixagem e masterização: Tadeu Mascarenhas (Estúdio Casa das Máquinas)

Arte do EP: Glauber Guimarães

Vamos ouvir: Bombay Groovy

Bombay Groovy (2014) - Bombay Groovy




Não consegue visualizar o player? Ouça aqui

Release disponível no site da banda:

"
No verão de 2012, Daniel Costa, músico que fez participações como sitarista para diversos músicos importantes da cena psicodélica nacional, resolveu rumar para o contrabaixo. Nesse ínterim, conheceu Rodrigo Bourganos, jovem multi-instrumentista que havia tomado aulas de sitar indiano, aqui no Brasil, com seu mesmo mestre. Após uma tarde repleta de música na casa de Daniel, nasceu a ideia da banda Bombay Groovy, que começou a se concretizar pouco tempo depois com a chegada do baterista Leo Costa, experiente no rock progressivo e psicodélico. A afinidade do baterista com as percussões étnicas também incrementaram muito o estilo peculiar e visceral do grupo. A presença constante do sitar é um elemento decisivo para o som da banda, e revela a presença resoluta da música oriental. Rodrigo Bourganos, que também teve aulas no Oriente com o Guru Chandranath Battacharya, toca o instrumento em pé, como se fosse uma guitarra elétrica, transgredindo dogmas da cultura indiana ao abandonar a postura de lótus que aprendeu no Oriente com seu guru.

No entanto, ainda sentiam falta de um instrumento harmônico que pudesse tanto propiciar diversos climas e sinestesias quanto soar como um guitarrista enquanto o sitar se encarregava das “vozes”. A resposta era clara – um órgão Hammond. Foi assim que Daniel Costa resolveu convidar Jimmy Pappon, pianista prodígio que havia tocado no consagrado tributo ao Frank Zappa, “Central Scrutinizer”, para assumir o posto do hammond, seu instrumento principal.

A Bombay Groovy desrespeita fronteiras e reelabora, com vigor, rigor e personalidade um novo conceito de rock com base em uma renovada aliança entre Oriente e Ocidente. A formação instrumental inusitada do grupo, com o som metálico do sitar indiano; o timbre encorpado e versátil do órgão Hammond; e a nervosa “cozinha”, revela uma banda repleta de psicodelia, exotismo - e muito groove.

Com o time formado, um EP e um clipe já gravados, a banda se prepara para lançar seu primeiro disco homônimo contendo dez faixas que passam por diversos gêneros musicais, fortemente inspiradas no fusion de Ananda Shankar e bandas como Led Zeppelin. O disco “Bombay Groovy” é uma experimentação sonora que dispensa os elementos vocais e verbais, substituídos por linhas consistentes de baixo, vôos inventivos e virtuosos de órgão, melodias transcendentais de sitar e percussão pesada como uma locomotiva, flertando com diversos gêneros de música étnica e popular, em uma mistura singular.
"

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Composições de Mirdad: A Mendiga e Eu - Quarteto de Cinco


Gravada pela banda baiana Quarteto de Cinco, com produção de Emmanuel Mirdad, compositor da música, no estúdio Caverna do Som por Irmão Carlos em Salvador/BA, traz a sonoridade do rock progressivo com a crônica de um flerte inusitado que expôs a miséria implícita de quem de fato mendiga. Para ouvir, basta clicar no botão laranja de "play" abaixo. 




Não consegue visualizar o player? Ouça aqui


A Mendiga e Eu
(Emmanuel Mirdad)
BR-N1I-14-00001

Vestia uma regata esfarrapada
Um short furado, sandálias de dedo e meias
Dois dentes na boca, cáries e brocas negras
E a baba seca de quem só bebe cachaça
Da manhã à noite, cigarros e cola
A mendiga e eu...  A mendiga e eu.

Uma mulher, cicatrizes
Pediu-me dinheiro e me paquerou, sedutora
Seus olhos subitamente postos a prumo
Copiaram minha biologia e me creditaram apto
A mendiga e eu...  A mendiga e eu.

Mesmo com os dois muros, Berlim e Palestina,
Além dos cães e grades e balas de Guantánamo
A nos distanciar em galáxias longínquas
Ela rompeu a neurose profunda que a define

E me quis apenas como um homem viril e lasso
Que poderia fecundar-lhe e gerar mais um miserável

Quem mendiga sou eu...  Quem mendiga sou eu.


Quarteto de Cinco - Single A Mendiga e Eu (2014) | Composto e produzido por Emmanuel Mirdad | João Victor - Voz | Silvio de Carvalho - Guitarra | Beto Calasans - Guitarra | Thiago Brandão - Bateria | Danilo Figueiredo - Baixo | Gravado, mixado e masterizado por Irmão Carlos no estúdio Caverna do Som em julho de 2014


Cifra digitalizada da canção "A Mendiga e Eu"


Composta por Emmanuel Mirdad em 13/03/2011 e finalizada em 22/07/2014.

sábado, 23 de agosto de 2014

Composições de Mirdad: Cuts - The Orange Poem


Blues épico de mais de 10 minutos que traz no poema a constatação dos cortes que a humanidade faz em sua própria carne frágil. O nobre Mateus Aleluia interpreta a canção com o pesar grave do blues, filho do banzo e da diáspora forçada dos africanos durante a abominável escravidão. Na maior parte da canção, interpretada pela banda Orange Poem, os ricos arranjos do baixista Artur Paranhos, a segurança do baterista Hosano Lima Jr. e a linda performance sentimental dos solos do guitarrista Zanom (acrescidos da cama harmônica do piano de Tadeu Mascarenhas na 2ª parte). No refrão psicodélico e mântrico, o clímax do coro de sete vozes e o slide etéreo do guitarrista Fábio Vilas-Boas. Para ouvir, basta clicar no botão laranja de "play" abaixo. Acompanhe The Orange Poem aqui.




Não consegue visualizar o player? Ouça aqui


Cuts
(Emmanuel Mirdad)
BR-N1I-14-00014

We need so much caress
As important as oxygen
So rare like a sincere hug
So dear in these days of selfishness

We remove people ignoring friendship
We attract just for business
We create absurd conditions for wishes
While we try happiness with plastic things

The home became shelter, cell
And the privacy is exposed as award
Day by day we restrict ourselves to creating idols
The destiny that were slowly confused

Cornered, distressed, insecure, insecure
Lost human being, suicide is so easy
But the fear still survives
And brings life in finding the cut


Faixa 01 - EP Ancient (2014) | Composta e Produzida por Emmanuel Mirdad | Mateus Aleluia - voz e backing vocal | Zanom - guitarra | Artur Paranhos - baixo | Tadeu Mascarenhas - piano | Hosano Lima Jr. - bateria | Mirdad - violão 12 cordas e backing vocal | Fábio Vilas-Boas - guitarra | Gravado, mixado e masterizado por Tadeu Mascarenhas no Casa das Máquinas, Salvador-BA | Encarte: Glauber Guimarães


Cifra digitalizada da canção "Cuts"


Composta por Emmanuel Mirdad em 23 e 25/11/2001.

A harmonia em Eb é original da canção "Voto", de Emmanuel Mirdad, composta em maio de 1998.