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Mostrando postagens de Junho, 2018

Música para Escrever #18 — 1099, Crows in the Rain, Collapse Under The Empire, Rocket Miner e Il Giardino degli Specchi

Os jovens pinheiros de 1099 iludem o passageiro cego em qualquer dia, agora. Máquina! Fogo! Fantasma! As cinzas do passado, a menina e a floração perdida, e você está morrendo nos meus braços, os últimos suspiros congelados. Ombros e gigantes, sacrifício e isolamento, eles são os caídos, a elegia do longo adeus no exterior. Confira o post #18 da série Música para Escrever, com os melhores sons de post-rock, a alumiar a mente e transcender em palavras.

1099 Noruega | Desde 2003 Bandcamp aqui Facebook aqui Foto daqui
Melhor disco para escrever
"Young Pines" (2015) Ouça aqui
Para continuar escrevendo
"1099" (2013) Ouça aqui
"Blindpassasjer" (2018) Ouça aqui
"Any Day Now" (EP) (2009) Ouça aqui
"Machine! Fire! Ghost!" (EP) (2008) Ouça aqui
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Crows in the Rain Irã | Desde 2014 Bandcamp aqui Facebook aqui Foto daqui
Melhor disco para escrever
"Ashes of the Past" (2018) Ouça aqui
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"You are Dying in …

Dez passagens de Conceição Evaristo no romance Ponciá Vicêncio

Conceição Evaristo - foto daqui

“(...) Biliza, como ele e a irmã, viera da roça para a cidade. (...) Trabalhou muito, juntou algum dinheiro com o propósito de voltar em casa para buscar o pai, a mãe e os irmãos. Um dia, não se sabe como, a caixinha de dinheiro que ela guardava no fundo do armário sumiu. Sumiram as economias, o sacrifício de anos e anos. Biliza se desesperou. Ninguém entrava em seu quarto a não ser, de vez em quando, o filho da patroa. Sim, ele era o único que entrava lá, às vezes, quando dormia com ela. Só podia ter sido ele a tirar o dinheiro por brincadeira, para assustá-la talvez. A patroa não gostou da suspeita que caiu sobre o seu filho. Quanto a dormir com a empregada, tudo bem. Ela mesma havia pedido ao marido que estimulasse a brincadeira, que incentivasse o filho à investida. O moço namorava firme uma colega de infância, ia casar em breve e a empregada Biliza era tão limpa e parecia tão ardente. Biliza não encontrou o dinheiro e nunca mais viu o filho da patr…

Fotografias de Lasse Hoile

Cinco poemas e três passagens de Érica Azevedo no livro Outros eus

Érica Azevedo - Foto daqui

Previsão
Érica Azevedo

Caminho em direção
ao encontro do improvável
sempre
com a mesma certeza

Nada é preciso.

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Ausência
Érica Azevedo

Um vazio transborda
meu corpo
e deixa marcas
sutis
da falta profunda
que se configurou
como presença que desconheço em mim.

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Sentença
Érica Azevedo

Somos mais um
à sombra da Grande Árvore
sem lugar
nem resposta
num imenso e disperso
caminho a vagar

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Diáspora
Érica Azevedo

E continuo
vagando ao encontro
do Deus
que habita em mim.

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Representação
Érica Azevedo

Minha alegria e minha tristeza
não cabem no papel
Minha fome não cabe no cardápio
Meu silêncio não cabe no abismo
Meu desejo não cabe no grito
Minhas dúvidas não cabem no tempo.

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"grito e silencio
sempre,
até que a última palavra do verso
cubra-me de nudez."

"Só em pensamentos consigo saltar
e somente por instantes a sensação de voar
livra-me da condição
de ser
e do peso de estar."

"Todos os eus saíram
em busca de mim

Dez passagens de Haruki Murakami no romance Crônica do Pássaro de Corda

Haruki Murakami - foto daqui
“(...) ao ouvir os detalhes da batalha da boca de um velhinho de roupas sujas e à beira da morte, essas histórias perdiam o senso de realidade e passavam a ser como contos de fada. Quase meio século atrás, os soldados japoneses travaram uma sangrenta batalha na fronteira entre a Manchúria e a Mongólia Exterior, disputando um pedaço de terra deserta onde nem grama crescia direito. Até ouvir as histórias do sr. Honda, eu não sabia quase nada sobre a Batalha de Nomonhan, uma batalha tão cruel que ia muito além do que eu sonhava. Os soldados japoneses enfrentaram as preparadas tropas blindadas soviéticas praticamente de mãos vazias e foram esmagados. Várias tropas foram completamente devastadas. Os comandantes que decidiram recuar para evitar a aniquilação total foram obrigados a se suicidar pelos superiores, perdendo a vida em vão. Muitos soldados capturados pelo exército soviético se recusaram a participar da troca de prisioneiros no pós-guerra, com medo de …