terça-feira, 29 de dezembro de 2015

Os 10 posts mais acessados do blog em 2015

Os dez posts do blog mais acessados em 2015


Abaixo, você confere os dez posts mais acessados neste blog em 2015. A apuração foi feita no dia 28 de dezembro.



1º Lugar: Seleta: Dub Burning Spear
17/04/2015
266 acessos
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2º) Seleta: Burning Spear
11/04/2015
227 acessos
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3º) Lançamento de O grito do mar na noite, o novo livro de Emmanuel Mirdad
17/06/2015
167 acessos
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4º) Mesas literárias na Pré-Flica 2015
10/09/2015
127 acessos
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5º) Livro O grito do mar na noite (2015), de Emmanuel Mirdad
01/07/2015
125 acessos
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6º) Lançamento de Olhos abertos no escuro, o novo livro de Emmanuel Mirdad
01/12/2015
124 acessos
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7º) Trinta e nove passagens de Emmanuel Mirdad no livro de contos O grito do mar na noite
04/11/2015
102 acessos
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8º) Seleta Mirdad do Embrulhador 2014
21/05/2015
101 acessos
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9º) Tiganá Santana pelo olhar de Vincent Moon
28/01/2015
100 acessos
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10º) O grito do mar na noite - Trechos dos contos
29/06/2015
99 acessos
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segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

Leituras 2015

Os 63 livros lidos e relidos em 2015


Dentre os 63 livros lidos e relidos em 2015, selecionei passagens em 52 livros, com destaque para os contos de Anton Tchekhov, Dino Buzzati, Guy de Maupassant, Sérgio Sant'Anna e Clarice Lispector, e os romances de Gonçalo M. Tavares, Cristovão Tezza, Ondjaki e Dino Buzzati. Além disso, divulguei os lançamentos de escritores baianos como Lívia Natália, Mayrant Gallo, Carlos Barbosa, Tom Correia e Victor Mascarenhas, entre outros. Abaixo, você pode conferir, quais foram os livros lidos e relidos, além dos que tiveram passagens selecionadas. Boa leitura!




"(...) Por mais esplêndida que seja a aurora que ilumine a sua vida, apesar de tudo no final será encerrado num caixão e atirado numa fossa."

O beijo e outras histórias
A dama do cachorrinho e outros contos
Um homem extraordinário [e outras histórias]
A dama do cachorrinho [e outras histórias]
As três irmãs + O beijo e outras histórias

Anton Pavlovitch Tchekhov
Leia trechos aqui




"É paradisíaca a escadaria de onde se assiste ao triunfo do Eterno."
O deserto dos tártaros
As noites difíceis
Naquele exato momento
Dino Buzzati | Leia trechos aqui






Os cem melhores contos brasileiros do século 
(Objetiva, 2000)
Vários, organizado por Ítalo Moriconi
Seleção dos 50 melhores contos aqui






"'Eu te odeio', disse ela para um homem cujo crime único era o de não amá-la. 'Eu te odeio', disse muito apressada. Mas não sabia sequer como se fazia. Como cavar na terra até encontrar a água negra, como abrir passagem na terra dura e chegar jamais a si mesma?"

Laços de família (releitura)
Clarice Lispector | Leia trechos aqui




"(...) O Robert tem uma teoria que ele considera absolutamente comprovada pela História, de que os religiosos são muito mais cruéis e prejudiciais à humanidade que os ateus, que só querem aproveitar a vida. E quem aproveita a vida não quer ver a caveira de ninguém. (...)"

O voo da madrugada
Sérgio Sant'Anna | Leia trechos aqui




"Enquanto espero, tudo é horizonte
e adivinho seu rosto antigo
na anatomia das pedras."

Correntezas e outros estudos marinhos
Lívia Natália
Leia trechos aqui





"(...) Em seus quartos escurecidos, os habitantes sentiam o desespero dos grandes cataclismos, as grandes convulsões terrestres, contra os quais eram inúteis a sabedoria e a força. (...)"

As grandes paixões
Guy de Maupassant
Leia trechos aqui




"Será possível que este homem, que agora se cruza comigo na rua, será possível que este rosto perfeitamente informe, que não conheço, que não evidencia nenhum traço mágico ou de força invulgar, será possível, enfim, que este rosto que é como que a repetição de milhares de outros rostos, este rosto interminável, porque grotescamente comum, será possível que por detrás deste rosto esteja um homem que deseja ser grande, e que acredita que isso ainda é possível?"

Aprender a rezar na era da técnica
A máquina de Joseph Walser
Um homem: Klaus Klump

Gonçalo M. Tavares | Leia trechos aqui




"(...) A idade talvez promova a conciliação universal – a velhice, esta tranquila proximidade da morte (e ele sorriu, misteriosamente vingativo, como se fosse ele a figura da foice, e não sua vítima), nos põe todos às portas da utopia. (...)"

O professor
Cristovão Tezza
Leia trechos aqui




"(...) Quem diz que tudo o que vai acontecendo na vida das pessoas não já aconteceu para elas muito tempo antes, e elas só têm que ir cumprindo as passagens marcadas, sem poderem desobedecer? (...)"

Melhores contos
J. J. Veiga
Leia trechos aqui





"(...) Vocês pensam que trabalho é castigo. É por isso que o Brasil não vai adiante."

Melhores contos
Orígenes Lessa
Leia trechos aqui




"(...) De repente fere-me a ideia de que o intruso talvez seja eu, que ele tenha mais direito de hostilizar-me do que eu a ele, que vive nesta casa há dezessete anos, sem a ter pedido ele a aceitou e fez dela o seu lar, estabeleceu intimidade com o espaço e com os objetos, amansou o ambiente a seu modo, criou as suas preferências e as suas antipatias, e agora eu caio aí de repente desarticulando tudo com minhas vibrações de onda diferente. O intruso sou eu, não ele."
Os cavalinhos de Platiplanto | J. J. Veiga | Leia aqui




"(...) todos os angolanos tinham alguma paranoia com armas ou armamentos, todos tinham um estória para contar que envolvia uma arma, uma pistola, uma granada ou pelo menos uma boa estória que envolvesse um tiro (...)"

Os transparentes
Ondjaki
Leia um trecho aqui





"Todos nós, animais de sangue quente, sabemos que tudo vai acabar."

Feliz ano novo (releitura)
Rubem Fonseca
Leia trechos aqui






"(...) seu destino mudara, embora continuasse o mesmo"

Brancos reflexos ao longe (releitura)
Mayrant Gallo
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"A certa altura, a moça reivindicou penetrá-lo."

Obscenas
Carlos Barbosa
Leia aqui






"Embevecido, passando e repassando os olhos ávidos nas minhas vestes em desalinho e nos cabelos em graciosos caracóis que se espalhavam sobre a testa pálida, sua excelência buscava sub-repticiamente devassar as minhas belezas escondidas. (...)"

Cemitério de elefantes
Dalton Trevisan | Leia trechos aqui






O cheirinho do amor — Crônicas safadas
(Cia das Letras, 2014)
Reinaldo Moraes









O prazer do poema – Uma antologia pessoal
(Edições de Janeiro, 2014)
Vários, organizado por Ferreira Gullar







"- Tá me paquerando?
- Não, por quê?
- Você piscou pra mim.
- É sono."

18 de maio, quanto tens por dizer...
Tarcísio Buenas
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"Por mais alegre que eu me sentisse por causa de nossa decisão, me entristecia o fato de que eu nunca saberia o que poderia resultar da mistura de meus genes com os de John. Eu estava feliz por podermos conseguir um óvulo, mas triste por nenhum de nós ser capaz de produzi-lo; feliz por podermos afinal ter um filho, mas triste por causa da aura de produção industrial que permeava todo o processo. (...)"
Longe da árvoreAndrew Solomon | Leia trechos aqui





"(...) meu mundo era o eco dos meus passos sobre caminhos novos"

Três infâncias (releitura)
Mayrant Gallo
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"O Gordo tinha uma teoria: mulheres se deitam à noite com possibilidades e despertam pela manhã com frustrações. (...)"

Cidade singular (releitura)
Mayrant Gallo
Leia trechos aqui






"Assombrava-me a afirmação de que o que acontece já aconteceu. De que o presente foi, o futuro é, e o passado será. De que o que se diz já foi dito. (...)"

O gol esquecido (releitura)
Mayrant Gallo
Leia trechos aqui




"(...) Lá fora, ao vencer o corredor ensolarado e de cuja superfície, de cimento áspero, subia um indefectível odor de aridez, amuou-se, certo de que ia morrer, em breve. Talvez. Esta é uma possibilidade sempre presente, o forro da própria existência, o pouco de sentido que diariamente a envolve, sob os clarões do nada."

O enigma dos livros
Mayrant Gallo | Leia trechos aqui




"(...)  O amor familial, às vezes, veste trajes funéreos, escava fossos tremendos e dispara galope em direções opostas, quando tudo que ambiciona é estender braços e olhares sobre uma mesa de jantar e deixar escapar a verdade que o encorpa, pois todo o resto desimporta à sua existência incondicional. (...)"

Beira de rio, correnteza
Carlos Barbosa | Leia trechos aqui




"(...) o homem da espingarda refazia as armadilhas; senhor do dia e da noite, violava solidões, imprimia no barro liso das encostas, na lama fina das margens dos ribeirões, a marca do seu pé de dedos espalhados. (...) – Tem cara de assassino – diziam as mulheres."

A mulher na janela
Hélio Pólvora | Leia trechos aqui





"Eu sempre soube que, cedo ou tarde, o mar onde nasci me arrastaria para um inevitável mergulho no abismo."

Ladeiras, vielas & farrapos
Tom Correia
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"(...) Naquele momento, Geraldo percebeu que nem ele, nem sua ex-namorada ou qualquer um dos seus amigos de juventude, mesmo os mais brilhantes, bonitos ou talentosos, escaparam da vida real e da sua mediocridade opressiva. (...)"

Um certo mal-estar
Victor Mascarenhas
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Cegueira moral 
– A perda da sensibilidade na modernidade líquida
(Zahar, 2014)
Zygmunt Bauman e Leonidas Donskis






"Um domingo vazio, sem movimento. O sol, por entre os edifícios, projeta sombras contra ruas e becos. Não há sentido no espaço, nem no tempo, pois não há pessoas à vista; só artérias de sombras e luz, reflexos que, partindo das janelas, cortam o vazio, cruzam o ar e repousam no vácuo daquela tarde sem propósito"
As aventuras de Nicolau & Ricardo (releitura)
Mayrant Gallo | Leia trechos aqui




"(...) Para quem quer escrever algo que não seja lixo é fundamental ter a consciência de que tudo, absolutamente tudo, já foi escrito. (...)"

Memorial dos medíocres
Tom Correia
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“Imediatamente, sentiu-se feliz por não ser o único ser vivo no mundo. Mesmo um gato era bem-vindo, e ainda que lá na fazenda, antes, ele vivesse se escondendo do bichano, com medo de ser devorado, e embora fosse este o único destino dos patos, mais cedo ou mais tarde — um estômago.”
Pato, Cachorro, Garoto e Minhoca
Mayrant Gallo | Leia trechos aqui





"(...) A afinidade entre a literatura de Jorge Amado e a música de Dorival Caymmi é anterior ao romance."

Caymmianos - personagens das canções de Dorival Caymmi
Marielson Carvalho
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"Escondeu as moedas num furo do bloco, cobriu-as com papel e saiu como se não tivesse roubado a mãe."

Ficções ao mar
Georgio Rios
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Sob um céu de gris profundo
Tom Correia
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Muito antes da meia-noite
Cristiano Ramos
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Gennesius – Histriônica epopeia de um martírio em flor
(Uesb, 2012)
Roberto de Abreu

Estante viva
(Via Litterarum, 2013)
Cleberton Santos

Arquivos de um corpo em viagem
Marcus Vinícius Rodrigues
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Desordem
(Bookstorming, 2014)
Vários autores

O contrário de B.
Bruno Liberal
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Olho morto amarelo
Bruno Liberal
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Ao longo da linha amarela
João Filho
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Outro livro na estante
Vários, organizado por Herculano Neto e Gustavo Felicíssimo
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Encarniçado
João Filho
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Um dia na cidade – Contos colaborativos
(All Print, 2015)
Vários, organizado por Nalini Vasconcelos

É pegar ou largar
Joana Rizério
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Isadora, sua camisola La Perla e a Br
Catarina Guedes
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Cantares de roda
(Via Litterarum, 2011)
Cleberton Santos

Aromas de fêmea
(Editora Oxente, 2013)
Cleberton Santos

Ave Noturna
Márcio Matos
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sábado, 26 de dezembro de 2015

Melhores da revista piauí em 2015

Capas das revistas piauí 101, 107, 100, 105, 102, 106, 
108, 103, 104, 111, 109 e 110 de 2015.


Os 46 melhores textos/HQs que foram publicados na revista piauí em 2015 você confere nos links abaixo (acesso gratuito e para assinantes da revista), selecionados por mim, assinante (primeiro das bancas e depois na forma padrão) desde a piauí_5, num levantamento que fiz durante o ano.

A melhor piauí de 2015 foi a de número 101, de fevereiro, com destaque para o encontro de Reinaldo Moraes com Wolinski, o artigo do escritor holandês Ian Buruma sobre a sujeição das mulheres e a emancipação feminina no Japão e na Europa em ruínas, e as reportagens de Malu Delgado (sobre o trote na USP) e Consuelo Dieguez (investigando a ascensão da Friboi), entre outros.

Completando o top five, a #107 (agosto), com o melhor texto publicado na revista em 2015, do escritor Karl Ove Knausgård, sobre o assassino de aparência comum que matou a tiros 69 jovens na ilha de Utøya, em 2011, na Noruega; a #100 (janeiro), com a história do bar do McSorley, um clássico de Nova York, pelo escritor Joseph Mitchell; a #105 (junho), com o emocionante diário de uma adoção por um casal gay; e a #102 (julho), com o artigo de Jon Ronson sobre como uma frase infeliz pode destruir uma pessoa. A pior piauí do ano, foi a #110, de novembro (a #111 de dezembro também foi muito ruim e a #109, de outubro, foi a pior edição de aniversário dos últimos anos).

PS: Os links foram retirados do post porque a revista trocou de servidor duas vezes, e não há como definir se o conteúdo continuará disponível na internet. Recomenda-se procurar o site da revista no Google, e pesquisar pelo título da matéria para verificar se está disponível para leitura ou não.


Melhores 2015 - Parte I


Um de nós
Anders Breivik, que matou a tiros 69 jovens na ilha de Utøya, em 2011, tinha o nome e a aparência de um norueguês comum.
Karl Ove Knausgård
piauí #107


O bar do McSorley
A história de um clássico de Nova York.
Joseph Mitchell
piauí #100


Na cama com Wolinski
Um encontro entre o autor de Pornopopéia e o decano do Charlie Hebdo.
Reinaldo Moraes
piauí #101


Solidariedade fatal
Às vésperas do Réveillon, centenas de abelhas atacam um casal de idosos no interior de São Paulo.
Armando Antenore
piauí #107


Não controlamos o destino de nossos corpos
Um jovem escritor explica, numa carta ao filho, o que significa ser negro na América.
Ta-Nehisi Coates
piauí #108


Diário de uma adoção
Os processos de adoção podem ser morosos, às vezes exasperadamente lentos. E de repente um e-mail ou telefonema nos coloca no olho do furacão.
Gilberto Scofield Jr.
piauí #105


Sexo depois da guerra
A sujeição das mulheres e a emancipação feminina no Japão e na Europa em ruínas.
Ian Buruma
piauí #101


Juízo final
Uma paciente de Alzheimer decide pôr fim à própria vida.
Robin Marantz Henig
piauí #106


O coração do meu mundo 
ou o papagaio que gostava de bolo de arroz
Às vezes penso que o meu vício de deformar a realidade começou precisamente com a necessidade de ganhar lugar no passado dos meus pais e irmã.
Dulce Maria Cardoso
piauí #105


O sobrevivente
Sérgio Sant’Anna e a obsessão pela literatura.
Bernardo Esteves
piauí #103


A vida por um tuíte
Como uma frase infeliz pode destruir uma pessoa.
Jon Ronson
piauí #102


Melhores 2015 - Parte II


Venido a menos
Há mais de quatro décadas, o fotógrafo chileno Camilo Vergara captura as transformações e a degradação de paisagens urbanas nos Estados Unidos.
Graciela Mochkofsky
piauí #105


Massacre no canal Saint-Martin
O fundamentalismo do Estado Islâmico é uma forma de totalitarismo – semelhante, sob muitos aspectos, ao nazismo e ao stalinismo.
Ruy Fausto
piauí #111


Ainda estrangeiro
Kamel Daoud, o escritor que fez a versão árabe do romance de Camus.
Adam Shatz
piauí #106


O dilema de Salter
Um dos melhores escritores norte-americanos do século XX lidou até o fim com a frustração de não ser famoso.
Alejandro Chacoff
piauí #106


Os 43 que faltam
Como um grupo de estudantes desapareceu num estado dominado pelo tráfico.
Carol Pires
piauí #100


A sereia e o centauro
Poesia
Ana Martins Marques
piauí #100


Uma segunda oportunidade
A parábola de David Carr.
Graciela Mochkofsky
piauí #102


Varre que é macumba
Lixo, candomblé e media training.
Paula Scarpin
piauí #101


Cerimônia do adeus
A livraria Leonardo da Vinci sobreviveu à morte do fundador, a um pedido de concordata e a um incêndio criminoso. Mas não resistiu à Amazon.
Luiz Fernando Vianna
piauí #107


Revolução na Grécia
A estação de rádio local, na ilha de Mykonos, podia ser ocupada por uns poucos cozinheiros.
Alexander Clapp
piauí #107


O oráculo divergente
Minhas falsas memórias sobre o verdadeiro Renato Russo.
Michel Laub
piauí #108


O cérebro eterno
Após morrer de câncer, aos 23, Kim Suozzi teve o córtex preservado, na esperança de que a ciência possa, um dia, ressucitar sua mente.
Amy Harmon
piauí #110


Melhores 2015 - Parte III


Entre duas narrativas
Uma viagem a Israel e à Palestina.
Flavia Castro
piauí #103


O estouro da boiada
Como o BNDES ajudou a transformar a Friboi na maior empresa de carnes do mundo.
Consuelo Dieguez
piauí #101


Na mira do trote
Denúncias de violência entre estudantes põem na berlinda a Faculdade de Medicina da USP.
Malu Delgado
piauí #101


O diletante e os dinossauros
A combinação que tirou das ruas a lendária The New Republic.
Daniela Pinheiro
piauí #100


Pornofagia
O declínio da indústria nacional do sexo explícito.
Alejandro Chacoff
piauí #102


A última viagem
A chegada, a fuga e a prisão do brasileiro executado na Indonésia.
Ricardo Gallo
piauí #101


Macunaíma na tela
Os fracassos e o triunfo de Joaquim Pedro e Mário de Andrade.
Eduardo Escorel
piauí #106


Museu do futebol
O ostracismo do Pacaembu.
Fábio Fujita
piauí #105


O irmão brasileiro
A busca de Chico Buarque em Berlim.
Fernando de Barros e Silva
piauí #100


Doce remédio
Pesquisas com drogas psicodélicas, como o LSD, prometem aumentar a eficácia de tratamentos psíquicos e trazer alívio para doentes terminais.
Michael Pollan
piauí #105


A alemã tranquila
A ascensão de Angela Merkel, a mulher mais poderosa do mundo.
George Packer
piauí #102


O que se pode saber de um homem?
Até na voz, Mário de Andrade encarnava as ambivalências da sociedade brasileira.
José Miguel Wisnik
piauí #109


A grande sinuca celestial
Talvez eu tenha sido um grande surfista em alguma vida passada. Me contento hoje em ser um bom surfista de lençol.
Reinaldo Moraes
piauí #104


O segredo de Escobar
Bento Santiago tinha razões concretas para se sentir ameaçado por seu antigo amigo de seminário.
André Dutra Boucinhas
piauí #105


Melhores 2015 - HQs


Compreendendo a poesia
Quadrinhos
Grant Snider
piauí #104


Charlie Hebdo sob nova direção
Quadrinhos
Laerte
piauí #101


Notas de um fundamentalista da liberdade de expressão
Quadrinhos
Art Spiegelman
piauí #102


Vida digital
Cartuns
Jean Jullien
piauí #102


Meu pai nunca falou nada sobre essas coisas
Malandragens, modismos, trabalho, dificuldades do mundo moderno – e como lidar com tudo isso.
Allan Sieber
piauí #111


Back to work
Quadrinhos
Caco Galhardo
piauí #100


Doses diárias
Cartuns
Alberto Montt
piauí #101 e #109


Leonard Plume e a Falange dos Fiéis
Quadrinhos
Reinaldo Figueiredo
piauí #105


Alguns dos meus melhores amigos são os discos
Quadrinhos
Grant Snider
piauí #104


quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

Dez passagens de Cristovão Tezza no romance O professor

Cristovão Tezza (foto daqui)


"(...) eu já passei da fase das amizades, tudo agora é essência bruta (...)"


"(...) O Inspetor Maigret – ele imaginou alguém assim, um homem sutil, discreto, cachimbo à mão, capaz de compreender as finas camadas de realidade que, como chapas delicadas de gelo finíssimo, celuloides nervurados, repousam sob a aparência suja e descuidada das coisas, à espera de uma inteligência que as interprete – conversava com dona Diva diante da mesa da sala, enquanto um outro policial lhe estendia um copo d'água. (...)"


"(...) A idade talvez promova a conciliação universal – a velhice, esta tranquila proximidade da morte (e ele sorriu, misteriosamente vingativo, como se fosse ele a figura da foice, e não sua vítima), nos põe todos às portas da utopia. (...)"


"(...) Eu já disse que ela não era exatamente bela, assim, das transbordantes – era bonita de uma forma estrangeira, ou não conciliada, as linhas talvez retas demais; uma certa dureza de traços, o queixo fino de francesa e sempre ligeiramente arredio, a se livrar de um freio imaginário; o nariz afilado e misteriosamente vivo, como se ele ainda fosse para os humanos um elemento importante no reconhecimento dos valores do mundo, às vezes brevemente empinado, no esforço sutil de apreender o inapreensível. (...)"


"(...) as pessoas se impressionam com os sonhos. A grande vantagem deles é que não são responsabilidade nossa; eles sempre vêm de algum lugar ignoto para atormentar ou iluminar a nossa vida; e guardam um misterioso resíduo pré-histórico, como se alguém muito mais sábio e importante do que nós estivesse mandando uma mensagem cifrada que, corretamente interpretada, abrirá as portas do paraíso. Somos apenas o meio de realização de um projeto cósmico que não é de nossa responsabilidade, que está em outras mãos, por assim dizer (...)"


"(...) Naquele tempo não havia internet, uma invenção que foi solapando e corroendo incansavelmente a hierarquia mundial de todas as coisas, a ponto de esmagar, mal rompe a manhã, qualquer critério de valor. Era democracia que vocês queriam? Aí está. Eheh. Eis o que eu diria, se me perguntassem: é preciso manter o aluno no seu lugar, que aliás é um lugar respeitável e até bastante confortável: alguém que, pelas regras da civilização, é subsidiado para prestar atenção nos outros. Não é tão duro assim."


"(...) O século XX foi, com toda razão, o século das vítimas. Por onde quer que se andasse, montanhas de vítimas. Algumas terraplanadas nuas e secas em covas coletivas. Outras gordas e bem nutridas: vítimas. Vítimas armadas e vítimas desarmadas. Todos vítimas. A maior hipertrofia de vítimas da História da Humanidade. A vontade própria, essa birra adolescente, ou a escolha, esse anacronismo bíblico, ou o livre-arbítrio, essa excrescência filosófica, tudo se refugiou mais abaixo que os subterrâneos. (...)"


"(...) Toda família tem um piadista, alguém leve, sorridente e feliz movendo-se como uma borboleta no meio dos torturados. (...)"


"(...) felizmente nunca me tornei um pedófilo – isso posso garantir. Uma pessoa menos forte teria sucumbido às investidas que sofre um adolescente por um cônego fescenino. Às vezes passará o resto da vida tentando reproduzir a cena soturna (ela é sempre soturna, sussurrada) com os papéis invertidos – eu li alguma coisa assim. (...) Há quem, unicamente por esta breve sinapse interrompida, passe a colecionar pessoas em pedaços no porão das casas, cabeças no fundo de um freezer, mãos enterradas sob um pé de jabuticaba. (...)"


"(...) por que as pessoas não reconhecem a beleza no exato instante em que a veem na frente? Porque a beleza é uma conquista, ele explicou: ela precisa ser descoberta, amada e cultivada. Uma conquista. A beleza não cai da árvore. Professor, mas se a beleza é uma conquista, ela já está pronta, não? Basta encontrá-la. Não seria melhor dizer que a beleza é inventada? Isto é, as coisas estão indiferentes diante de nós, e nós inventamos a beleza. Fez-se outro silêncio no anfiteatro. Um garoto brilhante. Sentiu mais uma vez o travo da culpa, como se o professor deixasse passar um diamante, jogasse-o fora com indiferença. Lembro vagamente de ter dado uma resposta ríspida. (...)"





Presentes no romance O professor (Record, 2014), páginas 12, 43, 67, 102, 116, 62-63, 35, 68, 32 e 10, respectivamente.