terça-feira, 26 de maio de 2009

Podcast K7 #05 - JIVM


Bloco 01 (Poesia e Alumbramento)
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Bloco 02 (Credibilidade e Curador)
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Bloco 03 (Sertão e Família)
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Bloco 04 (Projetos e Indicações)
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Programa #05
José Inácio Vieira de Melo

Poeta e Jornalista.

Ariano, natural do povoado de Olho d’Água do Pai Mané, cidade de Dois Riachos (AL), de 1968, radicado na Bahia há mais de 20 anos. É formado em Jornalismo pela Universidade Federal da Bahia. Possui quatro livros publicados: Códigos do Silêncio (2000), Decifração de Abismos (2002), A Terceira Romaria (2005) e A Infância do Centauro (2007), este editado pela Escrituras Editora, de São Paulo. Publicou também o livrete Luzeiro (2003) e o CD de poemas A Casa dos Meus Quarenta Anos (2008). Além disso, organizou o Concerto lírico a quinze vozes – Uma coletânea de novos poetas da Bahia (2004), participou de antologias, e os seus poemas têm sido publicados em vários jornais, revistas e sites do Brasil e do exterior. Sua poesia tem sido destacada por nomes importantes da literatura brasileira contemporânea, como Gerardo Mello Mourão, Hélio Pólvora, Hildeberto Barbosa Filho, Lêdo Ivo, Ruy Espinheira Filho, Sânzio de Azevedo e Moacyr Scliar.

Também é co-editor da revista de arte, crítica e literatura Iararana e colunista da revista Cronópios. Atualmente reside em Jequié (desde 2006), e lá coordena o projeto Travessia das Palavras. Foi coordenador do projeto Poesia na Boca da Noite, em Salvador, que durou de 2004 a 2007, agitando as noites culturais da cidade com apresentações dos mais variados poetas. Recentemente fez a curadoria e coordenou a Praça de Cordel e Poesia na 9ª Bienal do Livro da Bahia (2009). Além disso, é curador do projeto Uma Prosa Sobre Versos, em Maracás.

JIVM indica para ouvir Hermeto Pascoal e Egberto Gismonti; ler o romance Galiléia, do autor cearense Ronaldo Correia de Brito; assistir o recém-lançado filme Divã; e contemplar as estrelas, a beleza feminina e do ser humano, ler poesia e contemplá-la dentro de si.

“Eu sou um pastor de nuvens e de versos, que faz poesia e contempla o universo de uma maneira diferenciada, a frequentar as esferas do delírio”.

“Almejo passar pela vida, viver a minha poesia e tentar levar esta força poética, que me movimenta na vida, para as pessoas”.

“Nós somos os únicos animais que temos a consciência da nossa finitude, e isso não é nada agradável. E ter a consciência de estar no mundo é mais doloroso ainda. E as coisas não têm sentido algum. Então, você tem que dar um sentido a tudo isso”.

“As pessoas estão com o olhar preso às vitrines”.

“A minha poesia pretende chegar às pessoas, mas é necessário que elas tenham um tempo para a poesia também, percebam a sua existência”.

“Até o serial killer é um poeta. Ele está codificando, quer passar para as pessoas uma codificação estética, uma loucura dessa natureza. E para você perceber isso, até nessa coisa terrível, é necessário que haja sensibilidade para isso”.

“O tempo todo vivo tentando dar sentido à existência. E só encontro este sustentáculo dentro da minha arte”.

“Quanto a esta questão de ser um ícone, nunca passou pela minha cabeça. Tenho consciência de que a minha poesia tem um alcance, mas se isso vai perpassar para as demais gerações, não cabe a mim; só o tempo - este sim, o julgador infalível”.

“Eu como o agenciador das políticas culturais, como o elemento aglutinador, como a pessoa que faz, que se coloca no lugar de fazer e levar a poesia ao outro, dentro do nosso Estado, sou uma pessoa que tem uma força muito grande. Ou seja, a minha presença faz com que a minha poesia circule. E eu sou uma pessoa que a exibe e a dos outros também. Agora, e quando eu não estiver mais aqui, a minha poesia vai continuar por si própria, sem esse elemento que a leva?”.

“As coisas surgem da escuridão, do caos. A clareza só pode vir do escuro”.

“A poesia é uma doença que cura”.

“Logo quando eu cheguei aqui (Salvador em 1998), não conhecia absolutamente nada, mas sabia que tinha uma missão. E via os poetas muito dispersos. Então, falei: “Não, eu tenho que fazer alguma coisa”. E eu sempre me coloquei no lugar de fazer, e fui fazendo, tendo domínio, um conhecimento muito grande da cena literária da Bahia. E hoje dialogo com poetas de todos os estados do Brasil, tenho uma credibilidade muito grande”.

“Muito dos autores que estiveram na Praça de Cordel e Poesia da Bienal (2009) disseram que estavam indo ali por conta de minha pessoa, porque questionavam o fato de não estarem sendo remunerados, o que nós também questionamos”.

“Nós precisamos de um parque editorial para publicar os autores baianos, mas para isso é necessário que também haja leitores, e pra que existam leitores, tem que haver um processo de formação na base, desde cedo”.

“O que está acontecendo agora, a gente não tem muito como afirmar se é bom ou não, porque muitos estão experimentando. E é deste experimento que efetivamente surgem as obras primas, mas também vem muita merda pelo meio. A maioria, né? Mas é um risco que se tem de correr, porque o sujeito que não arrisca, se mantém dentro de uma tradição. Embora que, dentro desta, o sujeito também possa criar uma obra de valor”.

“O que me deixa um pouco assustado é gente querer fazer poesia matuta tendo frequentado escola. Aquilo ali vai ficar muito artificial”.

“Se eu pudesse, traçaria um outro caminho pra mim. Devido à dificuldade que é ser um poeta e alcançar uma linguagem poética que tenha algum reconhecimento. É extremamente difícil”.

“Eu não acredito em um poeta que não lê poesia. Porque ele não vai ter referencial. Vai criar uma coisa achando que é genial, e aquilo já foi feito bem melhor por vários outros”.

“Ninguém no sertão quer viver à luz de candeeiro. Todo sertanejo quer ter luz elétrica e antena parabólica para ver televisão. E exigir que o que está acontecendo no mundo não chegue a essas pessoas porque vai descaracterizá-las, é uma loucura!”.

“Eu sou uma pessoa do agreste, mas dialogo com o mundo”.

“O que tem de mais extraordinário em minha existência é o amor pelos meus dois filhos”.

- Sobre a afirmação de Nancyta, no K7#04, que almeja chegar à Lua: “Eu já vivo na Lua... Eu preciso é de voltar pra terra de vez em quando. Vivo aí, viajando pelo universo, nas esferas do delírio”.

“Certamente mais adiante vai ter uma outra maneira de se pensar o livro. Mas eu não tenho como responder qual vai ser o momento, se vai acontecer ou não. Só sei dizer que a minha geração vai morrer com o livro na mão”.

“Na cidade de Maracás, os jovens estão lendo poesia. E isso por conta de uma política que foi implementada (por Edmar Vieira, Diretor de Cultura do município). Um projeto mensal, que reúne mais de 600 pessoas no auditório da cidade, para ouvir o poeta convidado e o grupo Concriz, e que está modificando a cabeça dos jovens e seus pais. Agora pense isso em uma escala maior? É disso que nós precisamos, de pessoas que tenham vontade de causar uma transformação e de reunir pessoas para que isso efetivamente possa acontecer”.

“Tenho medo de espinho não. Farpas, a gente vai tirando do caminho. E a psicodelia é indispensável, e ela acontece, efetivamente, na sobriedade”.

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Onde encontrar José Inácio Vieira de Melo:
www.jivmcavaleirodefogo.blogspot.com

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Escute José Inácio Vieira de Melo, com o poema Vampiro:

www.4shared.com/file/107509742/a4d1e649/Jos_Incio_Vieira_de_Melo_-_Vampiro.html

- download free autorizado, exclusivo -

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Ficha Técnica Podcast K7 #05
Gravado em 18.05.2009, Salvador-Ba.

Direção, produção, entrevista, gravação, edição, montagem, vinhetas e locução: Emmanuel Mirdad.
Trilha sonora: Curtas e Poemas, A Esposa Impossível, Pílula Azul, Homeopata e Noturno, Mirdad - Harmonogonia (2008).

Trilha das aberturas e vinhetas: Lost Mails, The Orange Poem - Psicodelia (2008).

Fotos: Ricardo Prado.

Ilustração Flyer: Mirdad, em foto de Ricardo Prado.

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terça-feira, 19 de maio de 2009

Podcast K7 #04 - Nancyta

ilustração por Zeca

Bloco 01 (Mercado e Lembranças do Cenário)
- Ouça e baixe aqui: www.4shared.com/file/106008432/a7d033b5/PodcastK704_Nancyta_Bloco01.html

Bloco 02 (Cenário Rock e Estilo)
- Ouça e baixe aqui: www.4shared.com/file/106010321/da594494/PodcastK704_Nancyta_Bloco02.html

Bloco 03 (Smetak e Evadidos)
- Ouça e baixe aqui: www.4shared.com/file/106012040/534ba556/PodcastK704_Nancyta_Bloco03.html

Bloco 04 (Indicações e Microtom)
- Ouça e baixe aqui: www.4shared.com/file/106018533/ec7540a4/PodcastK704_Nancyta_Bloco04.html

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Programa #04
Nancyta

Cantora e Compositora.

Capricorniana, natural de Piracicaba (SP), de 1971, radicada em Salvador desde a adolescência, é cantora, compositora, produtora musical e de eventos, diretora de técnica vocal e arte educadora, com 19 anos de carreira profissional. Foi vocalista e fundadora da banda Crac! (que durou do início dos anos 90 até 2001) e do grupo Nancyta e os Grazzers (que durou do final de 2001 até 2005). Além disso, participou de grupos de música microtonal, tendo se apresentado em concertos e programas de TV tocando instrumentos do gênio Walter Smetak, cuja obra mantém uma ligação especial. Em 2008, lançou na rede algumas faixas do álbum Mezzodelirante, produzido por andré t e o guitarrista Julio Moreno, ainda sem previsão de lançamento físico. Nancyta, ou Nancy Viégas, continua a fazer som com a sua nova banda Nancy e os Nunca Vistos, acabou de produzir o novo CD do Retrofoguetes, Cha Cha Cha, e em breve estará lançando um novo projeto acústico chamado Homeless Night, com o músico Jorge Solovera.

Nancyta indica para escutar o álbum A Love Supreme, do John Coltrane, e o álbum Love Tattoo, da cantora irlandesa Imelda May; ler as obras da literatura beatnik, como On the Road e The Dharma Bums do Jack Kerouac, além do oráculo milenar I Ching; assistir a trilogia do Poderoso Chefão e contemplar a participação no tempo.

“Nancyta é Nancy Viégas, um ser humano normal, do sexo feminino”.

“Almejo chegar à Lua (...) Ainda não sei, estou no caminho (...) Não vai estar (minguante)”.

“Eu acho que a produção musical dos últimos anos não ficou limitada ao suporte físico do CD. Depois da internet, você vê muito da produção artística sendo veiculada antes da produção física deste material. Ao mesmo tempo em que o produto físico é sensacional, a capa, o encarte, colocar para ouvir”.

“Acredito que hoje, você como artista, não tem limites para a sua arte, e como não tem mercado, você faz o que quiser, o que pra mim, particularmente, é melhor”.

“Como eu tenho uma personalidade, uma pesquisa e um modo de fazer música muito particular, acredito que por isso eu me sobressaio”.

“A questão da distribuição é antiga. Mas hoje, você podendo distribuir mais rapidamente pela internet, muda, mas não tanto, já que quem procura é o público segmentado; você não chega ao povão”.

“Cheguei aqui com 14 anos e desde aí, eu vou a shows de punk e metal”.

“Quando a minha geração começou, existia uma certa inocência no cenário que era muito positiva, porque ninguém tinha pretensões, era aquela coisa da paixão. E quem fazia música naquela época era muito corajoso. E colocava a cara a tapa”.

“Na década de 90, apesar de nossa inocência, inexperiência, os produtores chegavam mais, e existiam shows que iam 3 mil a 2 mil pessoas. Gostaria muito de saber onde foram parar aquelas pessoas”.

“Existe uma reciclagem até hoje. Sinto que a galera de minha geração é muito perseverante, porque ainda é movida pelos sonhos, e que não fica esperando um sucesso comercial, e sim uma satisfação pessoal, artística”.

“Quando eu comecei a ouvir rock, não queria participar de clubes. Como é que o rock cria um clube? Está totalmente se contradizendo. O rock veio pra quebrar as fronteiras, como é que ele impõe uma fronteira?”.

“Nos anos 90, quando comecei a pintar unha, as meninas falavam: ‘Que absurdo, você está pintando a unha!’, e aí um mês depois, estavam todas pintando”.

“Eu gosto esteticamente de algumas coisas e as incorporo; não tenho medo assumir isso. Talvez por isso eu seja uma referência. Não fico muito preocupada com o que as pessoas estão pensando. Quero eu me sentir bem”.

“Hoje eu não me sinto tão experimental. Não fico mais preocupada em usar algum recurso. Já passei dessa fase de acreditar tanto no experimentalismo”.

“Mesmo tendo referências e sonoridades ou riffs estranhos, o formato das músicas é pop; por isso que é Mezzo, e não Tuttidelirante”.

“Fui criada pelo meu pai e desde os nove anos que eu sempre andei com menino. Então, com a Crac!, foi muito natural. Eu sempre fui a menina no meio dos meninos”.

“A primeira vez que ouvi o disco do Smetak, na Escola de Música, eu chorei”.

“Fiz amizade com a família de Smetak. Hoje eu sou muito amiga de todos, participo das festas de família, estou muito ligada. Eu sou membro da Associação Walter Smetak, e depois de 17 anos de pesquisa, só comecei a entender o que ele estava dizendo dois anos atrás, quando fui estudar Eubiose”.

“Quando você vai pra uma Faculdade pensando que aquilo vai ser a salvação de seu planeta, realmente você vai com um conceito muito careta da vida”.

“A arte vem do conflito. Daí surgiram grandes movimentos e expressões musicais”.

- Sobre a afirmação de Mou Brasil, no K7#03, de que é incoerente a arte caminhar com o pau quebrando na sociedade: “Quanto mais agulhado você está, recebendo estímulos mesmo que negativos, é importante pra você reagir como artista e colocar suas cartas”.

“Pra mim, esse artista (rockstar) que tem uma vivência e um modo de se expressar totalmente independente do que está acontecendo lá fora é um alienígena dentro do processo, do tempo que você vive, do contexto em que o país está vivendo. É um alienado”.

“Tudo já feito? Quem foi que falou isso? Acho que nada foi feito ainda. Está só no começo. A gente não sabe onde vai parar”.

“As farpas vêm e vão, e a psicodelia, sempre”.

“A Nancy Viégas ela produz, dirige, e a Nancyta tá no palco”.

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Onde encontrar Nancyta:
www.myspace.com/nancyviegas

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Escute Nancyta, com a música Lo-Fi Takes (Nancy Viégas / Morotó Slim):

www.4shared.com/file/106019525/a4b1b3b5/Nancyta_Lo-fi_Takes.html

- download free autorizado, exclusivo -

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Ficha Técnica Podcast K7 #04
Gravado em 11.05.2009, Salvador-Ba.

Direção, produção, entrevista, gravação, edição, montagem, vinhetas e locução: Emmanuel Mirdad.
Trilha sonora: Curtas e Poemas, Homeopata, A Esposa Impossível, Noturno e Reflexo Pesadelo, Mirdad - Harmonogonia (2008).

Trilha das aberturas e vinhetas: Lost Mails, The Orange Poem - Psicodelia (2008).

Fotos: 01 e 02 - Divulgação; e 03 - Bia Franco.

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terça-feira, 12 de maio de 2009

Podcast K7 #03 - Mou Brasil

ilustração por Zeca

Bloco 01 (Incoerências do Cenário I)
- Ouça e baixe aqui: www.4shared.com/file/104939512/dba86654/PodcastK703_MouBrasil_Bloco01.html

Bloco 02 (Incoerências do Cenário II)
- Ouça e baixe aqui: www.4shared.com/file/104941901/25340b34/PodcastK703_MouBrasil_Bloco02.html

Bloco 03 (Família e Espiritualidade)
- Ouça e baixe aqui: www.4shared.com/file/104944158/1852e65f/PodcastK703_MouBrasil_Bloco03.html

Bloco 04 (Sapiência)
- Ouça e baixe aqui: www.4shared.com/file/104950881/69f3a5de/PodcastK703_MouBrasil_Bloco04.html

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Programa #03
Mou Brasil

Músico e Compositor.

Aquariano, soteropolitano de 1960, do bairro de Santo Antônio Além do Carmo, é guitarrista, violonista, compositor, arranjador e diretor musical com 32 anos de carreira profissional (começou em 1977). Tocou e gravou com grupos de música instrumental como o Raposa Velha, Jazz Carmo Quinteto, Cozinha Baiana, e participou do Grupo Garagem por cerca de cinco anos, gravando dois álbuns e vários shows por todo o Brasil e exterior. Já tocou com gente do naipe de Márcio Montarroyos, Heraldo do Monte, Luiz Melodia, Dominguinhos, Jaques Morelebaum, Lula Nascimento, Caetano Veloso, Virgínia Rodrigues, Gal Costa, Sadao Watanabe, entre vários outros. Falando em turnê, já passou por diversos países da Europa, diversos estados do Brasil, Argentina, Uruguai, EUA, Japão, Malásia, Israel, Austrália, entre outros. Gravou com muita gente, de João Donato a Arthur Maia, de Virgínia Rodrigues a Tiganá Santana.

Mou Brasil indica para escutar o álbum Bitches Brew, de Miles Davis, além de John Coltrane, Milton Nascimento, Hermeto Pascoal e Villa-Lobos; ler os poetas Rainer Maria Rilke e Manuel Bandeira, e os mestres Yogananda e Osho; assistir Charles Chaplin e contemplar a própria natureza, as crianças e os animais.

“Na maior parte do dia, eu estou tentando musicalizar o que eu vejo, penso, sinto, as experiências que a gente tem. Tentando trazer para o mundo objetivo, que este é o desafio”.

“Almejo realizar a música que eu faço. Pode ser uma bobagem, porque você pode ser feliz sem nada, mas como veio esse ofício...”.

“A arte traz realizações, mas talvez a felicidade não esteja conectada à realização profissional, a essas conquistas que a gente fica obcecado, todo mundo”.

“Deixaram acabar com Salvador. As pessoas vivem com receio, medo, uma violência estúpida. E não acontece nada em Salvador. As pessoas desaprenderam a curtir música. É um lugar muito louco, a musicalidade aqui é um negócio brutal, mas ainda é subutilizado”.

“A música que faz sucesso na Bahia, que as pessoas veneram tanto, é a música pop comercial. Será que só tem isto mesmo, com tanta coisa aí pra ser explorada?”.

“Em Salvador, não tem formador de opinião, não tem crítica, ninguém entende mais nada. As pessoas confundem todo mundo. Quem tem mais bossalidade é às vezes quem tem mais respeito. Você não pode ser um cara calado, e fazer uma boa música, que você dança. Cadê os curadores de verdade? Ninguém discerne mais nada?”

“Eu espero que a arte seja um meio de transformação das pessoas. Se não tiver este objetivo, pra mim, não tem sentido. Fazer as pessoas ficarem pulando, e irem pra casa mais bestas, não me interessa”.

“Não adianta fazer música para 10, 20 pessoas. O que precisamos fazer é uma transformação na sociedade, senão vai ficar insuportável de se viver, todo mundo escondido, nos seus carros, difícil de andar pela cidade. Desse jeito, a cidade vai ficar marginalizada”.

“É incoerente fazer a arte andar com o pau quebrando na sociedade”.

“Não tem um programa de música da pesada na TV, feito por uma pessoa que entende o que é música, para oferecer uma coisa de verdade. Então, como é que podemos esperar que as pessoas compreendam, assimilem (a música instrumental)? Não tem jeito”.

“As pessoas, por mais que elas estejam sendo bombardeadas, elas têm a capacidade de ouvir e de começar a gostar (da música instrumental), mas os produtores só pensam em dinheiro, não estão preocupados com o que é que vai fazer bem, tornar uma pessoa melhor pra viver na cidade”.

“Quando nos colocam em algum evento, o tratamento é 90% péssimo. E a gente tem que tocar, porque se não nem aí você toca. Pagam mal e demoram demais pra pagar. É muito complicado fazer música aqui”.

“A música instrumental precisa adquirir um espaço onde as pessoas (o público) entendam que ela está existindo. Ela parece que é um bicho-papão”.

“O pessoal da Secretaria (de Cultura) não estão fechados para a música instrumental. O problema é que faz muito tempo que fomos jogados às traças. Não só nós que fazemos, mas como também as pessoas que escutam. Então, é um trabalho que vai precisar de tempo”.

“É uma concepção equivocada de progresso, criando milhões de prédios, depreciando a cidade, o meio ambiente. Quem progride é o homem, não o lugar. As pessoas, a alma é quem progride. O resto não progride nada”.

“Engraçado é que cada um tem uma direção própria (na família Brasil). Ninguém teve formação (acadêmica). Em casa, estuda-se”.

“Dos bateristas da família, o mais negro que eu acho é o Victor (Brasil)”.

“Faz música? Então você está inserido na música do mundo. Eu não quero (esse) papo: é daqui, tudo bem, a coisa regional, considerações extra-música. Pra mim, não tem esse negócio”.

“Eu sou um iogue caótico”.

“Tem caras incríveis na música, como o Coltrane. Este tem uma espiritualidade profunda, o cara se desligou mesmo, não tinha muito contato, preocupação com o sucesso, não existe vaidade quando você assiste aos vídeos. E eu me espelho nessas pessoas, quero levar minha música para esse lado”.

- Sobre a afirmação de Minêu, no K7#02, de que nós temos a obrigação de sermos felizes: “Rapaz, eu acho que ele está certo. A gente passou a existir do nada. Você convidado a existir. Quer mais? A gente está aqui, sentindo, experimentando, e tem possibilidades fantásticas de sentir amor. Eu acho que sim”.

“Eu tenho as minhas insatisfações profissionais, sabe, mas quando deito todo dia, eu agradeço de estar vivo, de poder curtir tanta coisa, amar, conhecer pessoas lindas que abrem os seus olhos, te dizem coisas maravilhosa, se você estiver aberto”.

“Você tem que aprender quase tudo, ou pelo menos o básico, do que já foi feito, pra depois colocar a sua linguagem. É muito trabalho”.

“Milton (Nascimento) fez coisas que todo mundo está aprendendo ainda”.

“Eu já vivi bastante a psicodelia, hoje estou mais cool”.

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Onde encontrar Mou Brasil:
www.myspace.com/paulobrasil e www.myspace.com/moubrasil

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Escute Mou Brasil, com a sua composição Teo:

www.4shared.com/file/104952805/c4e2344/Mou_Brasil_-_Teo.html

- download free autorizado, exclusivo -

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Ficha Técnica Podcast K7 #03

Gravado em 09.05.2009, Salvador-Ba.

Direção, produção, entrevista, gravação, edição, montagem, vinhetas e locução: Emmanuel Mirdad.
Trilha sonora: Samsara, Sátiro, Imaculado, Procissão e um trecho de Credo, de Mou Brasil.

Trilha das aberturas e vinhetas: Lost Mails, The Orange Poem - Psicodelia (2008).

Fotos: Divulgação.

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quinta-feira, 7 de maio de 2009

Hard Times




Rorscharch - Watchmen

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A fera está faminta
Cansou de estraçalhar
As carnes de dentro

Cuidado...

[ Mirdad, influenciado por Rorscharch ]

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terça-feira, 5 de maio de 2009

Podcast K7 #02 - Minêu


Bloco 01 (Cartunismo)
- Ouça e baixe aqui: http://www.4shared.com/file/103457575/530fbb2/PodcastK702_Mineu_Bloco01.html

Bloco 02 (Cartunismo)
- Ouça e baixe aqui: http://www.4shared.com/file/103456036/4622ca82/PodcastK702_Mineu_Bloco02.html

Bloco 03 (Negócios)
- Ouça e baixe aqui: http://www.4shared.com/file/103452302/e7467456/PodcastK702_Mineu_Bloco03.html

Bloco 04 (Cinema)
- Ouça e baixe aqui: http://www.4shared.com/file/103449979/d823107e/PodcastK702_Minu_Bloco04.html

Problemas para baixar? Entre em contato: elmirdad@yahoo.com.br

ATENÇÃO: Pra baixar, clique no botão azul "Download Now". Pra ouvir, clique na barra cinza acima do botão azul, no primeiro botão à esquerda.

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Programa #02
Minêu

Cartunista e Publicitário.

Geminiano, recifense de 1983, é publicitário formado pela FACS e jornalista pela UFBA, e é cartunista profissional desde 2003. Em 2005, teve uma vinheta sua veiculada no “Plim-Plim” da TV Globo. Publicou cartuns e HQs em catálogos internacionais e participou de diversos festivais de humor gráfico. Foi premiado no Salão Internacional de Humor de Piracicaba, Salão Internacional Carioca de Humor, Salão de Humor do Piauí, Salão de Humor de Ribeirão Preto, entre outros. Em 2008, realizou sua primeira exposição individual de cartuns, “Humor Gráfico e Cotidiano”, pelo Fundo de Cultura da Secult-BA, na Estação de Trem da Calçada e, posteriormente, no Shopping Iguatemi de Salvador. É sócio e diretor de criação da empresa 28 - Camisas Inteligentes.

Minêu indica para escutar Chico Buarque e Michael Jackson, ler as histórias da Turma da Mônica e a peça Rei Lear (Shakespeare), assistir qualquer filme de Billy Wilder, e contemplar o sorriso de uma mulher amada ou o mar, se estiver sem amor.


“Nunca me arrependo de tentar realizar algum sonho”.

“Eu tento fazer sucesso e almejo ser feliz”.

“A gente vive pra ter prazer. É por isso que as pessoas gostam de fazer sexo”.

“Não me considero um ilustrador propriamente dito. Hoje em dia o que me fascina e onde reside o mérito do meu trabalho é o campo das idéias”.

“Eu sempre procuro evoluir e melhorar o meu trabalho. Hoje em dia eu sou muito mais aberto às críticas. Tento ser um pouco menos vaidoso e seguir em frente, fazendo um trabalho que tenha algum valor para alguém além de mim”.

“A minha primeira referência, justiça seja feita, foi Maurício de Sousa, e foi através da obra dele que eu não apenas aprendi a ler, como tomei gosto pela leitura, pelas histórias em quadrinhos, pelas narrativas gráficas”.

“Se eu sou cartunista, se eu sou formado em publicidade e exerço a profissão, se eu me formei em jornalismo, tudo foi motivado pelas histórias em quadrinhos”.

“Eu acho que o cartunismo é uma forma de arte que é muito subestimada pelas pessoas. Por trás de um desenho simples pode ter um conteúdo bastante interessante, crítico e ácido, um conteúdo social que muitas vezes é o retrato de uma época”.

“Não consigo fazer um desenho sem a ajuda do computador”.

“Um desenhista nato tem que saber pegar um lápis e papel e fazer a realidade acontecer”.

“Não acho que tem que ser artesanal pra estar próximo da arte, mas ele é feito através de um processo que me fascina muito”.

“O Bundalêlê (fanzine que durou de 2002 a 2005) foi o primeiro lugar onde eu publiquei um desenho, e que incentivou muito meu trabalho, e me ajudou a continuar”.

“Não abandonei o mercado (publicitário). Tenho minhas ressalvas, mas resolvi dar um tempo para buscar algo em que acredito”.

“Eu acredito muito na 28. O mercado de camisas vai bem, obrigado. Todo mundo que eu conheço usa camisa. É um mercado amplo. Ninguém vai gostar de sair pelado por aí”.

“Trabalho +/- 14 horas por dia pra fazer algo que considero digno de ser comprado por quem acessar aquele site”.

“Tem coisas que a gente sabe que faz muito sucesso: sexo, ecologia, tecnologia, música... No caso da 28, tento ter idéias que sejam rápidas de serem entendidas, idéias diretas; não podemos dar muitas voltas como em um cartum ou propaganda”.

- Sobre a afirmação de Txhelo Castilho, no K7#01, que afirmou que o cinema não pode ser refém de contar uma história: “Não entendo essa afirmação dele. Acho que o cinema é a arte de contar uma história, que se utiliza de outras artes, como a música, fotografia e principalmente edição pra contar uma história. Os elementos primordiais do cinema, roteiro, direção, edição e fotografia devem trabalhar em função dessa história”.


“O que é feito hoje em dia não chega aos pés dos clássicos, da era de ouro de Hollywood, do neo-realismo italiano, da escola da França, do cinema americano dos anos 70”.

“Por mais que digam que não, mais da metade dos melhores filmes de todos os tempos foram feitos em Hollywood, e eu respeito muito o cinema americano”.

“Espero, com toda a força que tenho dentro de mim, algum dia vir a trabalhar como roteirista. É um grande sonho que eu ainda vou tentar realizar, com certeza, trabalhar com cinema”.

“Eu sou muito grato à Bahia. Não sou baiano, mas me considero um. O mercado daqui? É complicado criticar um mercado que te acolhe”.

“Me desculpe quem pensa ao contrário, mas acho que não existe uma indústria cinematográfica no Brasil. Eu respeito os guerreiros que tentam trabalhar com cinema na Bahia e no Brasil, mas eu não enxergo isto tanto como cinema. É utópico”.

“O que mais tem é coisa pra fazer”.

“Pra ser um bom profissional, você tem que ter muitas referências”.

“Será que existe algo nonsense nessa nossa realidade tão normal?”.

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Onde encontrar Minêu:
www.vinteeoito.com.br e www.mineu.blogspot.com

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Ficha Técnica Podcast K7 #02
Gravado em 01.05.2009, Salvador-Ba.

Direção, produção, entrevista, gravação, edição, montagem, vinhetas e locução: Emmanuel Mirdad.
Trilha sonora: Curtas e Poemas, A Esposa Impossível, Homeopata, Noturno e Reflexo Pesadelo, Mirdad - Harmonogonia (2008).

Trilha das aberturas e vinhetas: Lost Mails, The Orange Poem - Psicodelia (2008).

Fotos: 01 - Darjan Sanches; 02 e 03 - Rafaella Minêu

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sábado, 2 de maio de 2009

Especial: 100 Anos de Ataulfo Alves


Hoje, 02 de maio de 2009, a cultura brasileira celebra o centenário do cantor e compositor mineiro Ataulfo Alves. Por conta disto, produzi o Especial das Seis sobre este ilustre bastião do samba nacional, que irá ao ar nesta próxima segunda, 04.05, na Educadora FM 107,5, às 18h.

Autor de clássicos da nossa música, como Atire a Primeira Pedra, Na Cadência do Samba, Laranja Madura e Errei, Erramos, entre vários outros, Ataulfo Alves foi gravado por diversos intérpretes, de várias gerações. Mas o que me chamou atenção, e causou um grande impacto ao produzir o Especial das Seis, foi a sua capacidade única de interpretar suas canções.

Ninguém cantou Ataulfo Alves melhor do que ele próprio. É notável e espetacular a maneira como ele distorcia e arrastava o tempo da melodia, transformando o que seria convencional em um lamento mais sensível do que as táteis representações colhidas na letra. Se tiver tempo, busque as gravações originais e escute essa habilidade incrível, que muitos poucos conseguiram fazer. Aqui na Bahia, só ouvi o incrível Cal Ribeiro fazer algo assim.

Mas a grande reflexão que me tomou nesses tempos difíceis não foi a máxima espetacular “Morre o homem, fica a fama”, e sim a grande lição de amor que encontrei no maior sucesso de Ataulfo Alves, feita em parceria com o também eterno Mário Lago.


Trata-se da controversa canção Ai, que Saudades da Amélia. Muito além de qualquer debate acalorado sobre o machismo e sua tirania, quero falar do amor de dificílima compreensão nos dias de hoje: o amor incondicional. Amélia era mulher de verdade porque sentia e vivenciava o amor puro, acima de qualquer vaidade, que passava fome ao lado do amado e não se importava. Achava bonito, porque não havia o que fazer. Haver, haveria, mas viria apenas no momento certo. Não precisava ser ali, no bagaço do seu parceiro, que ela iria representar a descarada imbecil cobrança que assola a praga do “salto alto” (não o sapato), do frívolo complexo e paranóia de princesa.

Qual mulher no mundo faria isto para o homem amado? Quando ele perdeu tudo, ferido pela batalha do dia a dia, acabado, ela tinha paciência ao invés da exigência. Incondicionalmente, manteve-se ao seu lado, à sua frente, às suas costas, onde desse pra sustentar o companheiro partido, sem cobrar nenhum bem material, vantagem, prestígio ou capricho em troca. Bastava o amor, que deste modo, é o mais sublime que existe. E este está por aí, em algum lugar. É plenamente possível, real e sustentável, mesmo nesses dias de tão profundo egoísmo.

Mulheres, amem como a Amélia! Não é submissão, nem servidão. É companheirismo límpido, sem objeto algum de troca. Incondicional.

Não deixem de visitar: www.ataulfoalves100anos.com.br

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