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Especial: 100 Anos de Ataulfo Alves


Hoje, 02 de maio de 2009, a cultura brasileira celebra o centenário do cantor e compositor mineiro Ataulfo Alves. Por conta disto, produzi o Especial das Seis sobre este ilustre bastião do samba nacional, que irá ao ar nesta próxima segunda, 04.05, na Educadora FM 107,5, às 18h.

Autor de clássicos da nossa música, como Atire a Primeira Pedra, Na Cadência do Samba, Laranja Madura e Errei, Erramos, entre vários outros, Ataulfo Alves foi gravado por diversos intérpretes, de várias gerações. Mas o que me chamou atenção, e causou um grande impacto ao produzir o Especial das Seis, foi a sua capacidade única de interpretar suas canções.

Ninguém cantou Ataulfo Alves melhor do que ele próprio. É notável e espetacular a maneira como ele distorcia e arrastava o tempo da melodia, transformando o que seria convencional em um lamento mais sensível do que as táteis representações colhidas na letra. Se tiver tempo, busque as gravações originais e escute essa habilidade incrível, que muitos poucos conseguiram fazer. Aqui na Bahia, só ouvi o incrível Cal Ribeiro fazer algo assim.

Mas a grande reflexão que me tomou nesses tempos difíceis não foi a máxima espetacular “Morre o homem, fica a fama”, e sim a grande lição de amor que encontrei no maior sucesso de Ataulfo Alves, feita em parceria com o também eterno Mário Lago.


Trata-se da controversa canção Ai, que Saudades da Amélia. Muito além de qualquer debate acalorado sobre o machismo e sua tirania, quero falar do amor de dificílima compreensão nos dias de hoje: o amor incondicional. Amélia era mulher de verdade porque sentia e vivenciava o amor puro, acima de qualquer vaidade, que passava fome ao lado do amado e não se importava. Achava bonito, porque não havia o que fazer. Haver, haveria, mas viria apenas no momento certo. Não precisava ser ali, no bagaço do seu parceiro, que ela iria representar a descarada imbecil cobrança que assola a praga do “salto alto” (não o sapato), do frívolo complexo e paranóia de princesa.

Qual mulher no mundo faria isto para o homem amado? Quando ele perdeu tudo, ferido pela batalha do dia a dia, acabado, ela tinha paciência ao invés da exigência. Incondicionalmente, manteve-se ao seu lado, à sua frente, às suas costas, onde desse pra sustentar o companheiro partido, sem cobrar nenhum bem material, vantagem, prestígio ou capricho em troca. Bastava o amor, que deste modo, é o mais sublime que existe. E este está por aí, em algum lugar. É plenamente possível, real e sustentável, mesmo nesses dias de tão profundo egoísmo.

Mulheres, amem como a Amélia! Não é submissão, nem servidão. É companheirismo límpido, sem objeto algum de troca. Incondicional.

Não deixem de visitar: www.ataulfoalves100anos.com.br

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Comentários

Lua disse…
Amar como a Amélia e ser substituída pela Ana Bolena... Sei não, acho que nem suas bem selecionadas palavras suavizaram o teor equivocado da letra.

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