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Podcast K7 #04 - Nancyta

ilustração por Zeca

Bloco 01 (Mercado e Lembranças do Cenário)
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Bloco 02 (Cenário Rock e Estilo)
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Bloco 03 (Smetak e Evadidos)
- Ouça e baixe aqui: www.4shared.com/file/106012040/534ba556/PodcastK704_Nancyta_Bloco03.html

Bloco 04 (Indicações e Microtom)
- Ouça e baixe aqui: www.4shared.com/file/106018533/ec7540a4/PodcastK704_Nancyta_Bloco04.html

Problemas para ouvir ou baixar? Entre em contato: elmirdad@yahoo.com.br

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Programa #04
Nancyta

Cantora e Compositora.

Capricorniana, natural de Piracicaba (SP), de 1971, radicada em Salvador desde a adolescência, é cantora, compositora, produtora musical e de eventos, diretora de técnica vocal e arte educadora, com 19 anos de carreira profissional. Foi vocalista e fundadora da banda Crac! (que durou do início dos anos 90 até 2001) e do grupo Nancyta e os Grazzers (que durou do final de 2001 até 2005). Além disso, participou de grupos de música microtonal, tendo se apresentado em concertos e programas de TV tocando instrumentos do gênio Walter Smetak, cuja obra mantém uma ligação especial. Em 2008, lançou na rede algumas faixas do álbum Mezzodelirante, produzido por andré t e o guitarrista Julio Moreno, ainda sem previsão de lançamento físico. Nancyta, ou Nancy Viégas, continua a fazer som com a sua nova banda Nancy e os Nunca Vistos, acabou de produzir o novo CD do Retrofoguetes, Cha Cha Cha, e em breve estará lançando um novo projeto acústico chamado Homeless Night, com o músico Jorge Solovera.

Nancyta indica para escutar o álbum A Love Supreme, do John Coltrane, e o álbum Love Tattoo, da cantora irlandesa Imelda May; ler as obras da literatura beatnik, como On the Road e The Dharma Bums do Jack Kerouac, além do oráculo milenar I Ching; assistir a trilogia do Poderoso Chefão e contemplar a participação no tempo.

“Nancyta é Nancy Viégas, um ser humano normal, do sexo feminino”.

“Almejo chegar à Lua (...) Ainda não sei, estou no caminho (...) Não vai estar (minguante)”.

“Eu acho que a produção musical dos últimos anos não ficou limitada ao suporte físico do CD. Depois da internet, você vê muito da produção artística sendo veiculada antes da produção física deste material. Ao mesmo tempo em que o produto físico é sensacional, a capa, o encarte, colocar para ouvir”.

“Acredito que hoje, você como artista, não tem limites para a sua arte, e como não tem mercado, você faz o que quiser, o que pra mim, particularmente, é melhor”.

“Como eu tenho uma personalidade, uma pesquisa e um modo de fazer música muito particular, acredito que por isso eu me sobressaio”.

“A questão da distribuição é antiga. Mas hoje, você podendo distribuir mais rapidamente pela internet, muda, mas não tanto, já que quem procura é o público segmentado; você não chega ao povão”.

“Cheguei aqui com 14 anos e desde aí, eu vou a shows de punk e metal”.

“Quando a minha geração começou, existia uma certa inocência no cenário que era muito positiva, porque ninguém tinha pretensões, era aquela coisa da paixão. E quem fazia música naquela época era muito corajoso. E colocava a cara a tapa”.

“Na década de 90, apesar de nossa inocência, inexperiência, os produtores chegavam mais, e existiam shows que iam 3 mil a 2 mil pessoas. Gostaria muito de saber onde foram parar aquelas pessoas”.

“Existe uma reciclagem até hoje. Sinto que a galera de minha geração é muito perseverante, porque ainda é movida pelos sonhos, e que não fica esperando um sucesso comercial, e sim uma satisfação pessoal, artística”.

“Quando eu comecei a ouvir rock, não queria participar de clubes. Como é que o rock cria um clube? Está totalmente se contradizendo. O rock veio pra quebrar as fronteiras, como é que ele impõe uma fronteira?”.

“Nos anos 90, quando comecei a pintar unha, as meninas falavam: ‘Que absurdo, você está pintando a unha!’, e aí um mês depois, estavam todas pintando”.

“Eu gosto esteticamente de algumas coisas e as incorporo; não tenho medo assumir isso. Talvez por isso eu seja uma referência. Não fico muito preocupada com o que as pessoas estão pensando. Quero eu me sentir bem”.

“Hoje eu não me sinto tão experimental. Não fico mais preocupada em usar algum recurso. Já passei dessa fase de acreditar tanto no experimentalismo”.

“Mesmo tendo referências e sonoridades ou riffs estranhos, o formato das músicas é pop; por isso que é Mezzo, e não Tuttidelirante”.

“Fui criada pelo meu pai e desde os nove anos que eu sempre andei com menino. Então, com a Crac!, foi muito natural. Eu sempre fui a menina no meio dos meninos”.

“A primeira vez que ouvi o disco do Smetak, na Escola de Música, eu chorei”.

“Fiz amizade com a família de Smetak. Hoje eu sou muito amiga de todos, participo das festas de família, estou muito ligada. Eu sou membro da Associação Walter Smetak, e depois de 17 anos de pesquisa, só comecei a entender o que ele estava dizendo dois anos atrás, quando fui estudar Eubiose”.

“Quando você vai pra uma Faculdade pensando que aquilo vai ser a salvação de seu planeta, realmente você vai com um conceito muito careta da vida”.

“A arte vem do conflito. Daí surgiram grandes movimentos e expressões musicais”.

- Sobre a afirmação de Mou Brasil, no K7#03, de que é incoerente a arte caminhar com o pau quebrando na sociedade: “Quanto mais agulhado você está, recebendo estímulos mesmo que negativos, é importante pra você reagir como artista e colocar suas cartas”.

“Pra mim, esse artista (rockstar) que tem uma vivência e um modo de se expressar totalmente independente do que está acontecendo lá fora é um alienígena dentro do processo, do tempo que você vive, do contexto em que o país está vivendo. É um alienado”.

“Tudo já feito? Quem foi que falou isso? Acho que nada foi feito ainda. Está só no começo. A gente não sabe onde vai parar”.

“As farpas vêm e vão, e a psicodelia, sempre”.

“A Nancy Viégas ela produz, dirige, e a Nancyta tá no palco”.

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Onde encontrar Nancyta:
www.myspace.com/nancyviegas

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Escute Nancyta, com a música Lo-Fi Takes (Nancy Viégas / Morotó Slim):

www.4shared.com/file/106019525/a4b1b3b5/Nancyta_Lo-fi_Takes.html

- download free autorizado, exclusivo -

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Ficha Técnica Podcast K7 #04
Gravado em 11.05.2009, Salvador-Ba.

Direção, produção, entrevista, gravação, edição, montagem, vinhetas e locução: Emmanuel Mirdad.
Trilha sonora: Curtas e Poemas, Homeopata, A Esposa Impossível, Noturno e Reflexo Pesadelo, Mirdad - Harmonogonia (2008).

Trilha das aberturas e vinhetas: Lost Mails, The Orange Poem - Psicodelia (2008).

Fotos: 01 e 02 - Divulgação; e 03 - Bia Franco.

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Comentários

Por indicação da minha amiga Thaís Lehmann, fui conferir e achei absolutamente FANTÁSTICO o Podcast K7 #04 - Nancyta!!!

Nancyta é INCRÍVEL. Ou melhor, é completamente real (uma dádiva para todos nós) e FANTÁSTICA!!!

E Midard, PARABÉNS cara!!! Pelo programa, por seu blog... MUITO BOM!!!

Abração e até.
Mirdad disse…
Obrigado pela visita. Nancyta é incrível mesmo! Fique à vontade para retornar. Abs!
Wladimir Cazé disse…
Ótima entrevista! É muito bom saber um pouco mais da história e dos bastidores de uma banda tão relevante como a Crac! Tenho acompanhado o Podcast K7 desde a primeira edição, escutei tudo e ouvir o programa já faz parte da minha rotina semanal. Temos aí a formação de um retrato da cultura jovem baiana contemporânea, um registro que vai ficar para a história. Parabéns, Al Mirdad, Muezim do Caos!
Mirdad disse…
Grande Wlad! Muito obrigado pelo comentário. Fique à vontade, estamos juntos aí, pra borbulhar esse caldeirão! Abs,

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