quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Dedicatórias: Livros de Ronaldo Correia de Brito, Cristovão Tezza, Antônio Torres e Cristiano Ramos

Livros de Ronaldo Correia de Brito, Cristovão Tezza, Antônio Torres e Cristiano Ramos


2015 - O amor das sombras (Alfaguara, 2015)


"Ao querido Mirdad, luminoso amante da literatura, poeta, escritor e mecenas das artes. A estima de Ronaldo. Sal. 18.09.15"
-----------

2015 - O professor (Record, 2014)


"Ao grande Mirdad, em mais um ótimo evento literário na Bahia, com um grande abraço do Cristovão Tezza. 18/9/15"
-----------

2015 - Um táxi para Viena d'Áustria (Record, 2013)


"Ao caríssimo amigo Emmanuel Mirdad, com alegria, agradecimento, saudade (já!), e votos de: fé nas teclas e mãos à obra. Abração. Antônio Torres. 5ª Flica. 17/10/2015"
-----------

2015 - Muito antes da meia-noite (Confraria do Vento, 2015)


"Para o querido Mirdad, estes versos colhidos durante 25 anos! Grande abraço! Cristiano Ramos"
-----------

sábado, 24 de outubro de 2015

Flica 2015 - Fotos oficiais

Fotos por Egi Santana e Daniele Rodrigues

Mesas literárias


Gentes brasileiras
Antônio Torres | Igor Gielow
Mediador: Jorge Portugal
Quarta 14/10 - 19h
Veja aqui



Etnias, resistências e mitos
Tâmis Parron | Luiz Claudio Dias Nascimento
Mediador: Aurélio Schommer
Quinta 15/10 - 10h
Veja aqui



O superficial da profundidade
João Paulo Cuenca | Lima Trindade
Mediador: Cristiano Ramos
Quinta 15/10 - 15h
Veja aqui



Paisagem múltipla
Martha Medeiros | Veronica Stigger
Mediador: Cristiano Ramos
Quinta 15/10 - 19h
Veja aqui



Versos, diversos
Rita Santana | Clarissa Macedo
Mediador: Roberval Pereyr
Sexta 16/10 - 10h
Veja aqui



Adonias Filho, 100 anos
Carlos Ribeiro | Silmara Oliveira
Mediador: João Aguiar Neto
Sexta 16/10 - 15h
Veja aqui



Entre críticos, parvos e professores
Rodrigo Gurgel | Silvério Duque
Mediador: Cristiano Ramos
Sexta 16/10 - 19h
Veja aqui



Hansen Bahia, xilogravurasliteraturas
Antonio S. Costella | Rubem Grillo
Mediador: Evandro Sybine
Sábado 17/10 - 09h
Veja aqui



Os desejos e os limites do Estado
Mariana Pereira (Portugal) | Flávio Morgenstern
Mediador: Aurélio Schommer
Sábado 17/10 - 11h
Veja aqui



Diálogos
Helon Habila (Nigéria) | José Carlos Limeira
Mediador: Maria Anória de Jesus Oliveira
Sábado 17/10 - 14h
Veja aqui



Em trânsito
Sapphire (EUA) | Lívia Natália
Mediador: Mário Mendes
Sábado 17/10 - 17h
Veja aqui



Noturnas Fantasias
André Vianco | Ana Beatriz Brandão
Mediador: Aurélio Schommer
Sábado 17/10 - 20h
Veja aqui



Sobre palavras e princesas
Meg Cabot (EUA) | Paula Pimenta
Mediador: Mario Mendes
Domingo 18/10 - 10h
Veja aqui



Fliquinha


Quinta 15/10

Luciana Ávila - Veja aqui

Ana Raquel - Veja aqui

Sócrates - Veja aqui

Casa de Barro - Veja aqui

Lançamento da coleção infantil - Veja aqui

Ciranda literária com Stella Maris - Veja aqui




Sexta 16/10

Sílvio Carvalho - Veja aqui

Sálua Chequer - Veja aqui

Casa de Barro - Veja aqui

Jorge Conceição - Veja aqui

Rita Carelli - Veja aqui

Cine Fliquinha - Veja aqui

Ciranda literária com Rita Carelli - Veja aqui




Sábado 17 e Domingo 18/10

Grupo Ereoatá - Veja aqui

José J. Barreto e Cau Gomez - Veja aqui

Nariz de Cogumelo - Veja aqui

Teatro Griô - Veja aqui

Iray Galrão - Veja aqui

Grupo Canela Fina - Veja aqui

Ciranda literária e filme - Veja aqui

Neojibá (Coro Juvenil e oficina) - Veja aqui


Programação musical


Show 01
Encontro das filarmônicas 
Lyra Ceciliana e Minerva Cachoeirana
Quarta 14/10 - 18h
Veja aqui




Show 02
Os Bantos | Nossos Baianos
Quinta 15/10 - A partir das 22h
Veja aqui



Show 03
Orquestra Reggae de Cachoeira | Sine Calmon
Sexta 16/10 - A partir das 22h
Veja aqui




Show 04
Samba de Roda Filhos da Barragem | Ilê Aiyê
Sábado 17/10 - A partir das 22h
Veja aqui




Outras ações













Ação da Coelba e do Governo do Estado da Bahia - Veja aqui

Ações pelas ruas de Cachoeira - Veja aqui

Lançamento do vencedor do Prêmio Clarival Prado Valladares - Veja aqui

Espaço Educar para Transformar - Veja aqui

Recicloteca - Ação Petrobras - Veja aqui

Peça Sertão Encantado do FadBa - Veja aqui

Fotos equipe Fliquinha - Veja aqui

Flica 2015 - Cobertura G1 Bahia, A Tarde, iBahia, Carta Capital, Veja

Flica 2015


Cobertura G1 Bahia


Mesas Literárias

Mesa 01 - Antônio Torres e Igor Gielow - Veja aqui

Mesa 02 - Tâmis Parron e Luiz Cláudio Dias Nascimento - Veja aqui

Mesa 03 - João Paulo Cuenca e Lima Trindade - Veja aqui

Mesa 04 - Martha Medeiros e Veronica Stigger - Veja aqui

Mesa 05 - Rita Santana e Clarissa Macedo - Veja aqui

Mesa 06 - Centenário de Adonias Filho
(com Carlos Ribeiro e Silmara Oliveira) - Veja aqui

Mesa 07 - Rodrigo Gurgel e Silvério Duque - Veja aqui

Mesa 08 - Centenário de Hansen Bahia
(com Antônio S. Costella e Rubem Grillo) - Veja aqui

Mesa 09 - Mariana Trigo Pereira (Portugal) e Flavio Morgenstern - Veja aqui

Mesa 10 - Helon Habila (Nigéria) e José Carlos Limeira - Veja aqui

Mesa 11 - Sapphire (EUA) e Livia Natália - Veja aqui

Mesa 12 - André Vianco e Ana Beatriz Brandão - Veja aqui

Mesa 13 - Meg Cabot (EUA) e Paula Pimenta - Veja aqui

Fliquinha
Veja aqui

Resumo da 5ª edição
Veja aqui

Fotos
Veja aqui

Outros

Envolvimento da cidade - Veja aqui

Programação musical - Veja aqui

Ações do Governo (FPC) - Veja aqui

Ações do Governo (SAC) - Veja aqui

---------------

Cobertura jornal A Tarde
Clique na imagem para baixar ou ampliar












---------------

Cobertura iBahia


Mesa de abertura com Antônio Torres e Igor Gielow - Veja aqui

Balanço do segundo dia da Flica - Veja aqui

Estreia da Fliquinha 2015 - Veja aqui

Balanço do terceiro dia da Flica - Veja aqui

Mesa com Mariana Trigo Pereira (Portugal) e Flavio Morgenstern - Veja aqui

Lançamento da Década do Afrodescendente e Mesa com Helon Habila (Nigéria) e José Carlos Limeira - Veja aqui

Balanço do quarto dia da Flica - Veja aqui

Mesa com Meg Cabot (EUA) e Paula Pimenta - matéria 01 - Veja aqui

Mesa com Meg Cabot (EUA) e Paula Pimenta - matéria 02 - Veja aqui

Crianças na Fliquinha - Veja aqui

Presença do Governador em exercício - matéria 01 - Veja aqui

Presença do Governador em exercício - matéria 02 - Veja aqui

Programação do Governo - Veja aqui

Lançamento do Mapa da Palavra - Veja aqui

Kombi itinerante - Veja aqui

---------------

Carta Capital
Leia aqui


---------------

Revista Veja
Clique na imagem para baixar ou ampliar


quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Três poemas de Ildegardo Rosa

Ildegardo Rosa em 1969, ao lado de sua esposa Martha Anísia, 
com a qual foi casado por 49 anos, até falecer em 2011.


Hoje, 22 de outubro, comemoramos o aniversário de Ildegardo Rosa (1931-2011), meu pai, o Mestre Dedé, filósofo, advogado, fazendeiro e poeta. Para celebrar o seu dia, posto o original de três poemas seus. Noturno, de 1959, eu musiquei e em breve irei gravá-lo. Eu quero você, de 1961, foi dedicado à minha mãe, Martha Anísia, escrito no começo apaixonante da relação de ambos. Desde o princípio eu sou, de 1996, é um representante de sua fase de filopoesias, e faz parte da canção Illusion's Wanderer, gravada por Orange Poem e Mateus Aleluia, com a voz do próprio poeta, que você ouve aqui. Eis os poemas:







sexta-feira, 9 de outubro de 2015

35

Emmanuel Mirdad, quando completou 35 anos, em 07 de outubro de 2015, 
Foto: Sarah Fernandes


35
Emmanuel Mirdad

Aos trinta e cinco, terminei de reler os laços de Clarice
Finalizei a logística da quinta Flica
Ouvi, no dia sete de outubro inteiro, o Thom que tanto admiro, xará de aniversário
Ganhei dois lindos presentes da doce menina que me inspira
E o carinho, dos mais próximos e amados, via telefone e virtualidades,
Da septuagenária mãe espoleta que respeito e me orgulho de ser seu fruto,
E das melhores lembranças da multidão dos mais especiais: meu pai
Ai de mim sem vocês
Grato, demais!

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

Dez passagens de Clarice Lispector no livro Laços de família

Clarice Lispector (foto daqui)


"A mãe dele estava nesse instante enrolando os cabelos em frente ao espelho do banheiro, e lembrou-se do que uma cozinheira lhe contara do tempo do orfanato. Não tendo boneca com que brincar, e a maternidade já pulsando terrível no coração das órfãs, as meninas sabidas haviam escondido da freira a morte de uma das garotas. Guardaram o cadáver no armário até a freira sair, e brincaram com a menina morta, deram-lhe banhos e comidinhas, puseram-na de castigo somente para depois poder beijá-la, consolando-a. Disso a mãe se lembrou no banheiro, e abaixou mãos pensas, cheias de grampos. E considerou a cruel necessidade de amar. Considerou a malignidade de nosso desejo de ser feliz. Considerou a ferocidade com que queremos brincar. E o número de vezes em que mataremos por amor. Então olhou para o filho esperto como se olhasse para um perigoso estranho. E teve horror da própria alma que, mais que seu corpo, havia engendrado aquele ser apto à vida e à felicidade."


"'Eu te odeio', disse ela para um homem cujo crime único era o de não amá-la. 'Eu te odeio', disse muito apressada. Mas não sabia sequer como se fazia. Como cavar na terra até encontrar a água negra, como abrir passagem na terra dura e chegar jamais a si mesma?"


"Tinha que atravessar a longa rua deserta até alcançar a avenida, do fim da qual um ônibus emergiria cambaleando dentro da névoa, com as luzes da noite ainda acesas no farol. (...) Então subia, séria como uma missionária por causa dos operários no ônibus que 'poderiam lhe dizer alguma coisa'. Aqueles homens que não eram mais rapazes. Mas também de rapazes tinha medo, medo também de meninos. Medo que lhe 'dissessem alguma coisa', que a olhassem muito. Na gravidade da boca fechada havia a grande súplica: respeitassem-na. Mais que isso. Como se tivesse prestado voto, era obrigada a ser venerada, e, enquanto por dentro o coração batia de medo, também ela se venerava (...) O que a poupava é que os homens não a viam. (...) Uma sombra talvez. No chão a enorme sombra de moça sem homem, cristalizável elemento incerto que fazia parte da monótona geometria das grandes cerimônias públicas. Como se lhes tivessem tocado no ombro. Eles olhavam e não a viam. Ela fazia mais sombra do que existia."


"(...) como uma estranha música, o mundo recomeçava ao redor. O mal estava feito. Por quê? Teria esquecido de que havia cegos? A piedade a sufocava, Ana respirava pesadamente. Mesmo as coisas que existiam antes do acontecimento estavam agora de sobreaviso, tinham um ar mais hostil, perecível... O mundo se tornara de novo um mal-estar. Vários anos ruíam, as gemas amarelas escorriam. Expulsa de seus próprios dias, parecia-lhe que as pessoas na rua eram periclitantes, que se mantinham por um mínimo equilíbrio à tona da escuridão – e por um momento a falta de sentido deixava-as tão livres que elas não sabiam para onde ir. Perceber uma ausência de lei foi tão súbito que Ana se agarrou ao banco da frente, como se pudesse cair do bonde, como se as coisas pudessem ser revertidas com a mesma calma com que não o eram."


"– Tenho que ir, disse perturbada uma das noras levantando-se e sacudindo os farelos da saia. Vários se ergueram sorrindo. (...) A aniversariante recebeu um beijo cauteloso de cada um como se sua pele tão infamiliar fosse uma armadilha. E, impassível, piscando, recebeu aquelas palavras propositadamente atropeladas que lhe diziam tentando dar um final arranco de efusão ao que não era mais senão passado: a noite já viera quase totalmente. A luz da sala parecia então mais amarela e mais rica, as pessoas envelhecidas. As crianças já estavam histéricas. (...) – Será que ela pensa que o bolo substitui o jantar, indagava-se a velha nas suas profundezas."


"(...) Todo o seu desejo vagamente artístico encaminhara-se há muito no sentido de tornar os dias realizados e belos; com o tempo seu gosto pelo decorativo se desenvolvera e suplantara a íntima desordem. Parecia ter descoberto que tudo era passível de aperfeiçoamento, a cada coisa se emprestaria uma aparência harmoniosa; a vida podia ser feita pela mão do homem."


"(...) O dono da casa, lembrando-se da dupla necessidade de fazer esporadicamente algum esporte e de almoçar, vestiu radiante um calção de banho e resolveu seguir o itinerário da galinha: em pulos cautelosos alcançou o telhado onde esta, hesitante e trêmula, escolhia com urgência outro rumo. A perseguição tornou-se mais intensa. De telhado em telhado foi percorrido mais de um quarteirão da rua. Pouco afeita a uma luta mais selvagem pela vida, a galinha tinha que decidir por si mesma os caminhos a tomar, sem nenhum auxílio de sua raça. O rapaz, porém, era um caçador adormecido. E por mais ínfima que fosse a presa o grito de conquista havia soado."


"Era uma daquelas manhãs que parecem suspensas no ar. E que mais se assemelham à ideia que fazemos do tempo. (...) Na realidade ele não tinha vontade de iniciar nenhuma conversa premente que terminasse em soluções. (...)"


"E na porta mesmo ele estacou com aquele ar ofegante e de súbito paralisado como se tivesse corrido léguas para não chegar tarde demais. Ela ia sorrir. Para que ele enfim desmanchasse a ansiosa expectativa do rosto, que sempre vinha misturada com a infantil vitória de ter chegado a tempo de encontrá-la chatinha, boa e diligente, e mulher sua. Ela ia sorrir para que de novo ele soubesse que nunca mais haveria o perigo dele chegar tarde demais. Ia sorrir para ensinar-lhe docemente a confiar nela. Fora inútil recomendarem-lhes que nunca falassem no assunto: eles não falavam mas tinham arranjado uma linguagem de rosto onde medo e confiança se comunicavam, e pergunta e resposta se telegrafavam mudas. (...)"


"(...) mamãe, disse o menino. Catarina voltou-se rápida. Era a primeira vez que ele dizia 'mamãe' nesse tom e sem pedir nada. Fora mais que uma constatação: mamãe! A mulher continuou a sacudir a toalha com violência e perguntou-se a quem poderia contar o que sucedera, mas não encontrou ninguém que entendesse o que ela não pudesse explicar. Desamarrotou a toalha com vigor antes de pendurá-la para secar. (...) Com os olhos sorrindo de sua mentira necessária, e sobretudo da própria tolice, fugindo de Severina, a mulher inesperadamente riu de fato para o menino, não só com os olhos: o corpo todo riu quebrado, quebrado um invólucro, e uma aspereza aparecendo como uma rouquidão. Feia, disse então o menino examinando-a."





Presentes no livro Laços de família (Rocco, 1960), páginas 71-72, 127, 83-84, 22-23, 63-64, 20, 30-31, 104, 51 e 99-100, respectivamente.