quarta-feira, 31 de agosto de 2016

Olhos abertos no escuro - Absoluto - A farsa - Sem dó - Leitura de trechos pelo autor



A assessora de imprensa Madá esbagaça a sua vida por conta de uma obsessão tresloucada pelo misterioso mímico de rua Absoluto, sem palavras, só gestos.


Ele é um grande canalha que finge estar só.
Ela é uma atriz que pergunta o que nunca poderá compreender. Não existe “nós” no “eu te amo”.


Uma mulher disposta ao matriarcado 
que não consegue arrumar um companheiro.



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Vídeo gravado em 23/08/2016, no escritório do autor na Pituba, Salvador, Bahia, Brasil.

Câmera: Sarah Fernandes

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sexta-feira, 26 de agosto de 2016

Olhos abertos no escuro - Cinzas - Amante - O Reino - Leitura de trechos pelo autor



Os seis dias de Carnaval de uma mãe solteira, duas filhas pequenas, entre a arrochada de camisola no corredor do hotel para um strip-tease via Skype a uma fossa regrada ao brilhante esmagamento do indivíduo pelo Estado no filme Leviatã


As peripécias de um ser que atende às
necessidades sexuais de diversas mulheres,
cada uma com um motivo distinto
que justifica a traição.


O conquistador confronta um adversário mais viril
e poderoso: os falos de pedra maciça da mãe Gaia.
As "preda" encantadas do sertão-montanha do Reino!



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Vídeo gravado em 21/08/2016, no escritório do autor na Pituba, Salvador, Bahia, Brasil.

Câmera: Sarah Fernandes

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quinta-feira, 25 de agosto de 2016

Olhos abertos no escuro - Sereno aceitar - Alucinação - Ela não quis - Leitura de trechos pelo autor



Um solitário porteiro leva uma vida repetitiva e ordinária, até que um par de sapatos vermelhos importados provoca o fatal alumbramento repentino, forjando o mito do bacana em quem nunca deixou de ser medíocre — embora que
ambos sejam ordinários, ao fim.


Mataram a Rita!
E uma das peças, apaixonada pela bucha de sena, irrita-se com a jogada tonta que vitimou a sua musa, e escapole do tabuleiro de dominó, iniciando a saga surreal da alucinação.


Manuela, 15 anos, estudante. Davi, médico. Colegas de natação. Da sedução matreira da garota à proposta arriscada e cretina.



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Vídeo gravado em 21/08/2016, no escritório do autor na Pituba, Salvador, Bahia, Brasil.

Câmera: Sarah Fernandes

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quarta-feira, 24 de agosto de 2016

O grito do mar na noite - O banquete - Leitura de trechos pelo autor



O opressor criminoso e o oprimido vítima. E o opressor
que é oprimido e o oprimido que pratica a opressão.
Encadeados, lésbica, negro, machista, velho, racista,
pobre, estrangeiro, nordestino, nazista, entre outros tipos urbanos que devoram e são devorados num ritmo cinematográfico de um farto banquete.




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Vídeo gravado em 13/11/2015 na rua Florianópolis, Barra, Salvador, Bahia, Brasil.

Filmagem: Sarah Fernandes

Transposição de MOV pra MP4: Nalini Vasconcelos

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Olhos abertos no escuro - Que seja duro enquanto sempre - Qualquer um - Vingança - Leitura de trechos pelo autor



O amigo sensato se encontra com o amigo de coração partido num bar de ponta de esquina. O acaso faz tocar a canção Por enquanto, na voz de Cássia Eller.

Qualquer um volta pra casa, depois do trabalho, e percebe que é só mais um medíocre solitário na multidão de medíocres, que vai morrer só e o seu legado é tão pífio que rapidamente será esquecido, por qualquer um.

O cadeirante espreita o gigante, munido de pólvora e chumbo, degustando pacientemente o prato cruel da vingança.



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Vídeo gravado em 21/08/2016, no escritório do autor na Pituba, Salvador, Bahia, Brasil.

Câmera: Sarah Fernandes

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terça-feira, 23 de agosto de 2016

Olhos abertos no escuro - Deserto poema - Despedaço - Ingênio - Leitura de trechos pelo autor



As decepções do professor Belizário com a literatura e o encontro de um zumbi telepático, que oferece lições filosóficas a anjos e transeuntes carnais, com a empresária Aisha, cuja especialidade é faturar em cima de mitos burgueses.

Um profissional, por conta do acaso, se fascina pelo pôr do sol. Outro, caminha pela areia da praia, de terno, desolado. Encontram-se, desabados. O que há de comum
além da dor e da redenção?

Um astro da música brasileira rememora a sua importância para o público e imprensa, remexe as suas lembranças contraditórias e assume o fracasso de ser apenas uma caricatura "genial" que a sua carreira forjou no imaginário popular.



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Vídeo gravado em 21/08/2016, no escritório do autor na Pituba, Salvador, Bahia, Brasil.

Câmera: Sarah Fernandes

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segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Olhos abertos no escuro - Impermanência - Selvagem - Botox - Leitura de trechos pelo autor



Dois amigos conversam sobre a transitoriedade da vida — todos, sem exceção, passam.

Moreno, armado com uma garrafa de água mineral, enfrenta uma barata cascuda na cozinha. Mas ela insiste em não morrer.

A empresária Marília, influente, estrategista, sagaz e bem-sucedida, dona da grife mais valorizada, enfrenta o inimigo implacável: uma doença terminal, repentina e voraz.



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Vídeo gravado em 21/08/2016, no escritório do autor na Pituba, Salvador, Bahia, Brasil.

Câmera: Sarah Fernandes

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segunda-feira, 15 de agosto de 2016

Se os sentimentos falassem sozinhos

Carta que deu origem à música


Começo dos anos 1980. A filha vai morar longe, para estudar, primeira vez fora de casa. A universidade entra em greve, sente saudade da família, escreve uma carta singela, de uma página, para a mãe. Ao lê-la, a mãe chora um balde de lágrimas, senta-se ao piano e compõe uma música com o pedaço mais bonito da carta, que parece, de fato, um poema. Nasce Se os sentimentos falassem sozinhos, canção que eterniza o amor entre mãe e filha, entre Martha Anísia e Regina Rosa.


Das músicas que a mãe musicista compôs, o filho julga ser essa a melhor. O filho sempre a ouviu com muito carinho. E sempre a mãe pontuou: "não morro sem ver antes essa música no mundo!". Pois então, em 22 de julho de 2016, o filho produtor conduz a gravação de Se os sentimentos falassem sozinhos no estúdio Casa das Máquinas, o seu predileto, com a presença luxuosa do violão de Mou Brasil e a sanfona e piano de Tadeu Mascarenhas, dono do estúdio – únicos instrumentos selecionados pelo produtor, pois são os principais da sua mãe multi-instrumentista. Todos amigos, valiosos. E a amada nora da mãe, Sarah Fernandes, ainda registra o momento especial em fotos muito bonitas – veja aqui.


A mãe, com mais de 50 anos de música, e 78 anos de vida, vive a sua estreia profissional. E, mesmo sem ser cantora, Martha Anísia registra a sua voz, com todo o sentimento que vivenciara da primeira vez que leu a cartinha de amor da sua filha Regina Rosa. Um mês depois, o filho produtor, Emmanuel Mirdad, conclui a realização do sonho da mãe, ao colocar a música no mundo, via YouTube. Ouça abaixo:




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Se os sentimentos falassem sozinhos
(Martha Anísia / Regina Rosa)

Se os sentimentos falassem sozinhos
Eu diria tanta coisa bonita
Mas as palavras vêm da cabeça
E é difícil a cabeça traduzir em palavras
O que vem do coração
Sabe o que é belo está além das palavras
A verdadeira comunicação é pura e direta
Tornar as palavras um instrumento do coração
É uma arte difícil
Mas quando o verdadeiro amor reina
Elas tornam-se desnecessárias

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Martha Anísia - Voz
Mou Brasil - Violão
Tadeu Mascarenhas - Sanfona e Piano

Produzido por Emmanuel Mirdad

Gravação, mixagem e masterização por Tadeu Mascarenhas no estúdio Casa das Máquinas, Salvador, Bahia, em 22 de julho de 2016.

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No vídeo abaixo, Martha Anísia explica a origem de Se os sentimentos falassem sozinhos:


 
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quarta-feira, 10 de agosto de 2016

Judô dourado dos japoneses na Rio 2016

Fotos: Getty Images / Internet


Vibrei muito com a dobradinha de ouro do Japão hoje no Judô da Rio 2016, com Mashu Baker (segundo acima) e Haruka Tachimoto (primeira abaixo), e também na segunda, com o ouro de Shohei Ono (primeiro acima), que, pra mim, foi o judô mais bonito apresentado até agora, e o bronze de Kaori Matsumoto (segunda abaixo).

O Judô é o esporte que faço questão de acompanhar em toda Olimpíada, e sempre torço pelos japoneses, quem tem a arte mais bela desse esporte - gosto também dos coreanos, dos mongóis e dos brasileiros. Quinta e sexta tem mais!

terça-feira, 9 de agosto de 2016

Oito passagens de Antonio Prata no livro de crônicas Trinta e poucos

Antonio Prata (foto daqui)


"(...) trinta e poucos. Ainda temos o vigor da juventude – o vigor necessário pra solar uma guitarra imaginária, pelo menos –, mas já deixamos pra trás o pudor da adolescência – pudor de contrariar as diretrizes do grupo, de não se encaixar na moldura da época. Até os vinte e nove você ainda tem esperanças de se tornar outra pessoa. Depois dos trinta, você simplesmente aceitar ser quem é, relaxa e goza. (...)"


"Lá por 2184, imagino, haverá entre os olhos e a boca apenas um calombinho, metade de um gogó, sem furos, mas ainda não estaremos satisfeitos. Depois do nariz, serão as orelhas. Depois as unhas. Depois os dedos. Depois as mãos, os braços, as pernas, o tronco. Por algumas décadas, seremos apenas um olho – azul – a planar por um mundo holográfico. Até que os cientistas conseguirão a proeza de prescindirmos mesmo do olho. Iremos nos converter num retângulo de plástico, num iPhone preto, sem fluidos, sem odores, imunes às rugas, ao amor, ao sexo, à fome, à sede, à saudade, e o sentido da vida será enfim claro e comum a todos: encontrar a tomada mais próxima."


"Dentre as inúmeras manifestações da hipocrisia, a que mais me irrita é o sustinho. Falo daquele falso assombro interrogativo que certas pessoas demonstram ao ouvir uma pergunta que, embora tenham entendido, não foi feita de maneira precisa. (...) Há pessoas que, de tanto usar o sustinho, acabam viciadas. Não conseguem ouvir um 'que horas são?' sem arregaçar os beiços e soltar seu mini-horrorizado 'Ãhm?!'. (...) Muito triste, meus amigos, o sustinho: não só por tratar-se de uma pequena agressão, um peteleco na orelha de nossa esperança na humanidade, mas porque usa as roupas e maquiagem do verdadeiro espanto, da surpresa genuína, que em grandes ou pequenas doses são sinal de saúde da alma e abertura do espírito – bem diferentes dessa falsa careta de incompreensão, com que infelizes nos brindam diante das mais simples perguntas, com o único intuito de dividir conosco um pouco de suas amarguras."


"(...) por maiores que tenham sido suas conquistas nos últimos cem anos, por mais emancipadas que estejam, ainda querem, no fundo, um homem controlado e seguro, um homem que – elas sonham, do alto de seus saltos e de seus cargos – seja capaz de apaziguar seus anseios, aplacar suas angústias, um tipo sereno e calado, enfim, nada a ver com o sujeito que, depois do segundo uísque, com as pernas flexionadas e as costas tombadas pra trás, chacoalha a calva como se balançasse a cabeleira do Slash, contraindo os dedos convulsivamente, emulando as primeiras notas de 'Sweet Child O'Mine'."


"O exagero das poses me remeteu diretamente à sauna de 8 e 1/2, do Fellini, onde Guido/Mastroianni se queixa a um cardeal: 'Eminência, eu não sou feliz'. O pontífice, meio indignado, responde: 'Quem disse que você veio ao mundo pra ser feliz?'. (...) Na gravidade da foto de 1927 vejo a indignação do cardeal. A felicidade é frívola: os lábios cerrados recusam os prazeres terrenos e as mãos, que servem para agarrá-los, se cobrem de pudor. Já na foto da semana passada vejo o desespero de Guido/Mastroianni e é como se lutássemos contra a infelicidade mandando à lente do iPhone os nossos sorrisos forçados, nossos gestos de surfistas, rappers, caubóis e candidatos recém-eleitos – tão desamparados que é até possível nos imaginar levando à boca, depois do clique e do almoço, em vez de charutos, chupetas."


"Há na cultura do chutão algo de profundamente brasileiro e essencialmente corintiano. Assisti, por esses dias, a um ou outro jogo da Eurocopa. Poucos são os chutões e, quando há, jamais vêm acompanhados por palmas. Séculos sob a influência de Descartes, Kant e Maquiavel fazem com que o torcedor aplauda lançamentos longos, inversões de jogo, a tática, enfim, as vitórias do intelecto sobre o instinto, do treinamento sobre o falível corpo humano. A vitória do europeu é a vitória da lógica. Já para o brasileiro e, mais ainda, o corintiano, trata-se do contrário. País de traficantes, cativos e degredados, time de maloqueiros e sofredores, a vitória pra nós é a coroação da improbabilidade, da reversão de expectativa. Não vencemos 'por causa', vencemos 'apesar de'."


"Faz uns dois anos que o celular se tornou ubíquo. Pelas ruas e ônibus, pelas escolas e repartições, parques e praias, só se veem seres humanos curvados, de cabeça baixa, servis como cachorrinhos a babar sobre as telas de cristal líquido, para onde quer que se olhe – mas quem olha?  Daí pro extermínio por inanição será um passo. Ou melhor, um clique."


"Como eram felizes os peladões de antanho, livres e despropositados, ziguezagueando entre jogadores perplexos, fugindo de policiais furibundos. Agora, até os peladões têm objetivos, estratégias, método. Desnuda-se pelo fim da corrupção, contra a pesca do atum, por mais ciclovias na cidade. Tudo bem, é sempre melhor ver ativistas em pelo (ou sem pelo nenhum) defendendo uma causa nobre do que ruralistas vestidos (felizmente) atacando as leis ambientais. (...) O ponto é que, anarquistas ou sojicultores, despidos ou de burca, fomos todos cooptados pela cartilha do cálculo. No século XXI, até adestrador de cachorro tem assessor de imprensa, pipoqueiro faz coaching, refém de assalto a banco imagina, com uma arma na cabeça, como vai capitalizar a experiência ao sair dali: palestra motivacional? Biografia? Autoajuda? (...)"






Presentes no livro de crônicas Trinta e poucos (Companhia das Letras, 2016), páginas 68, 87-88, 106 a 108,
68, 160, 115, 142-143 e 22, respectivamente.