Sábado, 11 de Julho de 2009

Bloguijabá: Exposição Rock BA

download da matéria aqui


Matéria de Ceci Alves que saiu no Caderno 2 do jornal A Tarde de ontem (10.07), divulgando a exposição "Eles Estão Entre Nós - Evidências e Artefatos do Rock Baiano", uma produção do Prêmio Bahia de Todos os Rocks e o Shopping Iguatemi, com a curadoria do grande jornalista Chico Castro Jr.

Pra quem quiser, será no Iguatemi, naquele corredor da Riachuelo/Fredíssimo, que liga ao estacionamento externo, a partir desta segunda 13/07, Dia Mundial do Rock, até o domingo 19/07. Não haverá coquetel, mas estamos planejando uma avistada comum pra segunda 13 mesmo, às 19:30h, 20h.

Com produção do aguerrido Marcus Ferreira e minha, fotos de Sora Maia e layout de Minêu. Além de vasta colaboração da galera do rock BA.

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Quinta-feira, 9 de Julho de 2009

Pílulas: Zanom

auto-retrato em Machu Picchu

"...
Aquele que um dia disser
que ouviu o silêncio

Está mentindo.
Porque silêncio não houve

No momento em que se ouve
Já não é mais silêncio

(...)

Mas pode ser um estado.
Eu mesmo já senti o silêncio
Duas, duras e inesquecíveis vezes

Uma foi quando morreu meu pai
outra quando o amor me trocou

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deslocamento
odeslocament
todeslocamen
ntodeslocame
entodeslocam
mentodesloca
amentodesloc
camentodeslo
ocamentodesl
locamentodes
slocamentode
eslocamentod
slocamentode
locamentodes
ocamentodesl
camentodeslo
amentodesloc
mentodesloca
entodeslocam
ntodeslocame
todeslocamen
odeslocament
deslocamento

..."


Trechos do poema SShhhhhhhhhhhhhhhh!!!! e a íntegra do poema concreto Desloucamento, de Zanom (Marcus Zanomia), publicados no blog O Poema Nosso de Cada Dia (2009). Zanom é um grande amigo, um músico fantástico, natural de Itapuã, Bahia, e que agora está morando no Rio de Janeiro, seguindo o curso do coração.
http://www.opoemanossodecadadianosdaihoje.blogspot.com/


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Especial: Ildegardo Rosa

foto: Mirdad

"...
O Muro

Do outro lado
do muro bem alto
alguém gritou:

- Eu sou Napoleão! E você?

- Eu sou um ser humano!

E ambos riram muito...

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O Estrondo

houve um estrondo potente
e o espelho se rachou
em vários pedaços

a minha imagem
ficou estilhaçada
em uma só

------

A Vida

o rio desce
por entre as pedras
e lá embaixo
faz um redemoinho

e a vida seguiu
dentro dele
..."


É com muita honra que publico por aqui, pela primeira vez, o poeta e filósofo Ildegardo Rosa, 77 anos, meu mestre maior, amigo e pai. Ele possui uma obra muito interessante, no trato sobre a ilusão, que pude dialogar no meu TCC lá na Facom em 2006. Aos poucos, posto algum destes por aqui. Os poemetes de hoje são muito recentes, feitos na semana passada, e lidos a mim no melhor estilo de risadas debochadas de quem está despreendido de tudo.

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Intervalo: Orkestra Rumpilezz




Floresta Azul - Letieres Leite & Orkestra Rumpilezz


Registrada no último show da Orkestra, 06/07/2009, no Teatro Jorge Amado, em Salvador-BA. Na minha humilde opinião, este é o melhor tema do show, muito bonito.

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Pílulas: JIVM

foto: Ricardo Prado

"...
Assim se apresentava a vida:
cheia de vontade de se ramificar.

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O olho daquele pingo de chuva que vem caindo
revela a minha convicção: acredito no dilúvio

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Eu preciso de um espelho:
olhar no fundo dos olhos
e ver bem dentro de mim:
quero beijar minha sombra,

os mitos vestem meu nome

------

No seio da chã da caatinga
a água é sêmen e fertiliza

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Enquanto meus irmãos dissecam cadáveres,
eu, que louvo a natureza, disseco árvores
e me torno, cada vez mais, um cadáver,
e continuo escrevendo meu próprio epitáfio
..."


Trechos dos poemas, na ordem deste post, Evangelho, Dilúvio, A Sagração do Mito, Elementos e Serenata dos Pardais, de José Inácio Vieira de Melo, publicados no livro A Infância do Centauro, Escrituras (2007).
www.jivmcavaleirodefogo.blogspot.com
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Abrupta Sede: Fragm.#36

53, de Txhelo Castilho,
da série preto e branco e cinza e só



“(...) A vida quase borbulhou ontem. Final da tarde. Andarilho e nostálgico, escolhi morrer no mar, a promover uma batalha entre meus germes pulmonares e o sal flamejante. Desinfetaria assim, do mundo belo e padrão, minha existência monstruosa (...)”.

“(...) Sempre fui muito esquisito, grotesco, com um nariz em forma de gancho e uma cabeça grande, horrivelmente destacada por um par de olhos caídos e alguns dentes enormes [os outros caíram]. Minha feiúra exibe furúnculos espalhados na pele, e o pus surge aos montes quando respiro ofegante pela asma. Eu sou uma poluição visual que ainda respira por falta de um carrasco cego (...)”.


Será Alucinaberração?, conto #14 do Abrupta Sede
Uma coisa bizarra e esquizofrênica, na farsa de ser homem.

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Terça-feira, 7 de Julho de 2009

Bloguijabá

foto: Mirdad

"Eu sou a reprodução do meu equívoco"
- Roberto Mendes -

Não perca a franca e autêntica entrevista do Podcast K7 #09 com o cantor, compositor e santoamarense Roberto Mendes!

Ele vai falar da paixão por Santo Amaro, explicar a chula, o confronto Brasil Real x Oficial, que a arte não tem nada a ver com a cultura, além de defender o orgânico e a memória, falar dos amigos, da família, da relação com a intérprete Maria Bethânia, e ‘descer a madeira’ na política, publicidade, crítica musical, mercado, classe média, etc.

Só aqui, a partir da próxima terça, 14/07.

Eu tenho pena de quem não me ouve porque perde o melhor de mim - Roberto Mendes.

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Abrupta Sede: Fragm.#35

Pílula 3, de Txhelo Castilho,
da série preto e branco e cinza e só.


“(...) “O ser humano é uma praga, uma doença, um câncer, a anomalia genética da natureza. É a única espécie que não tem intuito, está fora do organismo original. É a falha que altera a equação divina do mundo natural. [...] Tudo em que ele crê é ilusão. Valores, pensamentos, religião, cultura, são apenas dispositivos pra dar sentido à vida. Só que a vida que ele prega é vazia, não existe sentido de nada. Pra que ele possa viver, inventa-se o que viver. Quem suportaria saber que nada existe, tudo é inventado pela cabeça do homem? [...] É o medo, a necessidade de sobreviver, que faz o câncer homem se perpetuar, que impele tentar possuir tudo, ter o controle do mundo natural como se isso fosse possível [...]” (...)”.

“(...) A agenda caiu da mão do enfermeiro. Desesperado, não conseguiu mais ler. Que texto terrível, que análise pequena, radical, mesquinha, suicida. Quem teria escrito aquilo? Por que eles estavam ali, naquele lapso esquisito e assustador?
- O que é isso, meu fiel? O que significa isso, pelo amor de Deus? - berros.
Nervoso e atordoado, Totonho largou o ex-delegado sozinho no espaço vazio e branco. Mauro estava sereno, naquela tranqüilidade que só a compreensão preenche, quando sana as dúvidas e questões. Da porta abaixo, gritou:
- Maaaatttttaaaannzzzzzzaaa... (...)”.


Pássaros Deliram, conto #13 do Abrupta Sede
Um delegado e o inevitável legado do extermínio.

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Domingo, 5 de Julho de 2009

Programação Educadora FM 107,5

Segunda (06/07)

18h - ESPECIAL DAS SEIS
“AMIGOS” – ÂNGELA MARIA

Hoje o programa traz grandes sucessos da cantora Ângela Maria, a rainha do rádio na década de 50, ao lado de outros importantes nomes da MPB, reunidos no CD Amigos (foto), lançado em 1996. Destaque para as participações de Gal Costa, com Nem Eu; Alcione, em Fósforo Queimado; Djavan, com Vida de Bailarina; e Chico Buarque, em Gente Humilde. /// Produção de Bárbara Lisiak.


21h - FAIXA NOBRE
JAZZ E TAL

A série Grandes Momentos do Jazz está de volta e destaca o trabalho de Art Blakey (foto), um dos maiores bateristas do jazz de todos os tempos. Natural da Pensilvânia, EUA, entre as décadas de 40 e 80, liderou o grupo The Jazz Messengers, pelo qual passaram vários nomes importantes do jazz. No programa, gravações antológicas do inesquecível Art Blakey, que faleceu em 1990, vítima de um câncer de pulmão. /// Produção de Ricardo Noblat, revisão de Emmanuel Mirdad, e apresentação de Leto Vieira.


Terça (07/07)

18h - ESPECIAL DAS SEIS
“MAR DE ADENTRO” – MARCELA VICIANO

Mar de Adentro (foto), primeiro CD da cantora e compositora argentina Marcela Viciano, é a atração do programa desta terça. Lançado de forma independente, o disco é dedicado à música brasileira, com interpretações e reinvenções de clássicos da MPB, samba e bossa nova, como Corcovado, Sampa, Ladeira da Preguiça, Teresinha, entre outros, além da bela versão em tango para As Rosas não Falam, de Cartola. /// Produção de Bárbara Lisiak.


21h - FAIXA NOBRE
ROCK’N GERAL

No programa desta terça, o novo single do Alice in Chains, além de Syd Barrett, a banda baiana Os Culpados (foto) e uma homenagem ao inesquecível Cazuza. /// Produção de Celso Vieira e apresentação de Antônio Pitta, ao vivo.


Quarta (08/07)

18h - ESPECIAL DAS SEIS
“OXÓSSI” – LUIZ CALDAS

O cantor, compositor e multi-instrumentista Luiz Caldas comanda o Especial das Seis desta quarta, apresentando o seu primeiro CD instrumental de violão solo, intitulado Oxóssi (foto), que faz parte do projeto de 130 Canções Inéditas, presentes nos dez álbuns lançados em seu site neste ano. Destaque para os temas Doce, Evolução e Da Ibéria ao Oriente. /// Produção de Emmanuel Mirdad.


21h - FAIXA NOBRE
EDUCADORA BLUES

Neste programa, o destaque vai para Omar Kent Dykes, que lançou este ano o álbum Big Town Playboy (foto), com um repertório vibrante e a participação especial de Jimmie Vaughan. Até então, o álbum continua inédito no Brasil, e sem dúvida será uma ótima oportunidade de conferir um trabalho consistente e de muito bom gosto. Destaque para a faixa título e o clássico Since I Met You Baby. /// Produção e apresentação de Álvaro Assmar.


Quinta (09/07)

18h - ESPECIAL DAS SEIS
“DRÊS” – NANDO REIS

Hoje você vai conferir Drês (foto), o novo trabalho do cantor e compositor paulista Nando Reis, oitavo disco solo de sua carreira. Gravado em janeiro deste ano com a banda Os Infernais, que já o acompanha há algum tempo, o CD é o terceiro da trilogia que o artista define como “romântica”. Destaque para as faixas Ainda Não Passou, Conta e Pra Você Guardei o Amor. /// Produção de Bárbara Lisiak.


21h - FAIXA NOBRE
OUTROS BAIANOS

O cantor e compositor baiano Marcos Neves (foto), radicado na França há dez anos, é o destaque do programa de hoje. Neste, Marcos fala da sua trajetória e apresenta o seu primeiro CD, intitulado Outras Faces. Destaque para as músicas Pérolas de Paris, O Avesso do Desejo, Jardim Secreto, Prelúdio Lunar e Lambaré, dentre outras./// Produção e apresentação do maestro, radialista e pesquisador Tom Tavares.


Sexta (10/07)

18h - ESPECIAL DAS SEIS
HABIB KOITÉ

Nesta sexta, o programa traz o cantor e compositor Habib Koité (foto), um grande guitarrista e um dos mais consagrados e populares músicos africanos da atualidade. Natural do Senegal, com menos de um ano de idade foi morar no Mali, país em que cresceu e desenvolveu suas habilidades musicais. Descendente de uma nobre linhagem de Griots, com a exímia banda Bamada que o acompanha, lançou cinco discos e tem hoje uma carreira internacional de prestígio e intensa atuação. /// Produção de Emmanuel Mirdad.


Sábado (11/07)

12h - ESPECIAL DE SÁBADO
NOUVELLES MUSIQUES DE FRANCE

No programa de hoje, Irène Kirsch, adida cultural da França na Bahia, apresenta a coletânea Nouvelles Musiques de France, lançada este ano pelo Bureau Export, com a finalidade de difundir artistas franceses no nosso país, como parte das ações de intercâmbio cultural do Ano da França no Brasil. No repertório, artistas como Carla Bruni, Salif Keita (foto), Yann Tiersen, Anis e Benjamin Biolay, e grupos como Dionysos, Erik Truffaz Quartet e Gotan Project, entre outros. /// Produção de Emmanuel Mirdad.

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Intervalo: Diego Bruno

No segundo programa Jazz & Tal dedicado aos jazzistas baianos que produzi (a série Estação Bahia), veiculado semana passada na Educadora FM, destaquei o trabalho de um guitarrista argentino, radicado aqui, Diego Bruno, com o seu primeiro CD, Reflejos.

Quem ouviu o programa com certeza pirou pelo som. Tive até o relato de um amigo que embalou sua noite muito bem ambientado por este álbum fuderoso.

Pra quem não pode ouvir, confira abaixo dois vídeos do Diego Bruno Quarteto, e não deixe de procurar este discaço nas raras lojas que sobraram na cidade ou por download na Internet.

Diego Bruno - Afrodita



Diego Bruno - R.E.M.



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Abrupta Sede: Fragm.#34

58, de Txhelo Castilho,
da série preto e branco e cinza e só



“(...) - Quanto dinheiro você quer? Honesto e 100% legal? - Diana se atreveu, no meio da rua, três dias após, secamente. Sem pausas. Sem hálito. Sem sacos desabados e falsa compaixão (...)”.

“(...) Tereza se fez de desentendida, livrou-se do supetão, e seguiu mais inchada ainda, em uma malha gelo, a fim de estimular a baba dos personais afoitos. Diana sorriu amarelo. A ruiva não era profissional. Tinha um anel gordo e bastante aparente (...)”.


Abilolar, conto #22 do Abrupta Sede
Uma lésbica inexperiente e faminta, e a quarentona algoz.

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Abrupta Sede: Fragm.#33

Escola Queijo, de Txhelo Castilho


“(...) Mais um louco passeio vira-lata nesta noite. Cavar, coçar, cheirar, vida de cão a favor das baleias robustas que enfeitam a nobreza frágil de uma cidade crua. O rádio a pleno poderes, a encantar o imaginário NYPD distante. Distante. Nada de perseguir o playboy. Estavam na terra do jeitinho, devagar e sempre. Mas Pedrão era o seu fiel; Adonias Chumbo comia a irmã desse safado há tempos, que cedia cerveja e baba aos domingos, tranqüilo por encaminhar a única que sobrou da família. Melhor impossível; um boca de siri, amordaçado e besta. Dos negócios, nada saberia, como reza a cartilha (...)”.


Adonias Chumbo - Episódio Zigariz, conto #06 do Abrupta Sede
Um brasileiro comum, armado, em um processo vertiginoso de vingança.

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Intervalo: Cais e Sais



Cais e Sais - Nós in Nós

Mais um vídeo da banda Cais e Sais, em um show realizado no Teatro SESI, em junho deste ano.

O grupo é formado por Cal Ribeiro (voz e violão), Gustavo Barros (violão, guitarra e direção musical) e Dilton Borracha (bateria), com o apoio dos músicos Artur Paranhos (baixo) e Nova (guitarra).

E a música foi Nós in Nós, de Cal Ribeiro e o poeta Benemário Lins.
Os fragmentos abaixo, como diz o grande Antenor, entupiram:

"
Qual rio que vira mar na foz?
O real desata, desfaz os nós
...
Em todo silêncio há uma voz
E na unidade que flui após uma certeza
Deus se faz nós
"

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Sábado, 4 de Julho de 2009

Abrupta Sede: Fragm.#32

56, de Txhelo Castilho
(da série Preto e branco e cinza e só)



“(...) O amor é tudo na vida, mas quase perfeito, eu cobri um lar que nunca revelei. Desde o início, enfurnei-me no banco, cursos, faculdade, viagens, negócios, acúmulo financeiro, extremos. Venci pelo esforço, construí um pequeno império de cifras, de gozos poucos. Nada faltou ao lar. Apenas’eu (...)”.

“(...) Minha mulher se foi no meio disso. Perdeu a filha no tribunal, culpa dos vícios esquisitos de uma insaciável cachorra. De babá em babá, minha filha aprendeu a ausência, a distância e os contornos superficiais das relações humanas. E venceu. Mas não teve filhos, não se floresceu mãe, e nem ao menos se apaixonou. Doce por fora, ventre seco por dentro. E o que eu quis dela, ficou em algum outro extremo, longínquo (...)”.


Voltaunador, conto #12 do Abrupta Sede
Um velho à beira, e a sua cria, à margem.

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Sexta-feira, 3 de Julho de 2009

Abrupta Sede: Fragm.#31

41, de Txhelo Castilho
(da série preto e branco e cinza e só)



“(...) Tiraram minhas garras, mas me deixaram isso; gritei a poucos pulmões um:
- Jesus está vendo você!
[há uma grande Bíblia na ante-sala, descascada e já sem cor, residência de traças em compreensivo descaso]
Não adiantou. Meu filho não tinha face, só impulso. Violência, bem pior que o ódio. E queria mais. Temi pela “vida” de papai, mas estava mais preocupada em salvar a minha. Tentei bloquear a porta, mas o pé dele foi brutal. Invadiu por cima de mim e passou reto à sala. Gorjeou bravatas, e uma delas eu compreendi muito bem.
- Mulheres dão à luz animais, família e a morte! - na sala, ele e a faca, sangue e violência; eu, ainda no chão, fantasmagoricamente (...)”.


Afetamim, conto #11 do Abrupta Sede
Uma mulher em auto-desamparo: filha no automático, mãe pelo ralo adentro.

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Terça-feira, 30 de Junho de 2009

Podcast K7 #08 - Aurélio Schommer

ilustração por Muin


Bloco 01 (Politicamente Incorreto e Ponto G)
- Ouça e baixe aqui: www.4shared.com/file/113275336/36e26bd6/PodcastK708_AurelioSchommer_Bloco01.html

Bloco 02 (Mercado e Câmara Baiana do Livro)
- Ouça e baixe aqui: www.4shared.com/file/113420574/916a2f13/PodcastK708_AurelioSchommer_Bloco02.html

Bloco 03 (Cinema Acessível e Teste do Sofá)
- Ouça e baixe aqui: www.4shared.com/file/113442127/57541f1b/PodcastK708_AurelioSchommer_Bloco03.html

Bloco 04 (Sadismo e Êxodo Inverso)
- Ouça e baixe aqui: www.4shared.com/file/113445844/a01ea11/PodcastK708_AurelioSchommer_Bloco04.html

Problemas para ouvir ou baixar? Entre em contato: elmirdad@yahoo.com.br

ATENÇÃO: Pra baixar, clique no botão azul "Download Now". Pra ouvir, clique na barra cinza acima do botão azul, no primeiro botão à esquerda.

...
Programa #08
Aurélio Schommer

Escritor e Roteirista.

Ariano, natural da cidade de Caxias do Sul (RS), de abril de 1967, é radicado na Bahia desde 1991. Escritor independente, publicou, por conta própria, os romances Memórias de Um Golpista e Maristela - Pura e Infiel, em 2007, o livro de contos Mulheres que Fazem Sexo e o Dicionário de Fetiches, ambos em 2008.

É o atual Presidente da Câmara Baiana do Livro, desde março de 2009. Hoje em dia empreende o início de sua carreira cinematográfica, como diretor e roteirista, autor dos roteiros para longa-metragem Desnecessário ou Incômodo e Clube da Honra, e para curta-metragem Mulher 1, Mulher 2 e O Testamento, ambos em fase de produção. Além disto, é jornalista.

Aurélio Schommer indica para ouvir a música erudita, como a ópera Carmen, Chopin, Wagner; ler Eça de Queiroz, principalmente Os Maias; assistir as adaptações de Nelson Rodrigues para o audiovisual; e contemplar a beleza de Salvador, do amanhecer ao pôr do sol, passando pela noite toda.

“Eu sou alguém que tem a petulância de pensar que o próprio pensamento deve ser compartilhado. E eu almejo compartilhar este pensamento”.

“O politicamente incorreto não vende. Chocar hoje em dia não vende. Todo mundo quer ser bonzinho. E ser politicamente incorreto é assumir as maldades, nossas imperfeições, é ser perverso sem medo de ser perverso”.

“Homem adora mulher que não presta. Mulher também adora homem que não presta, mas não assume isso. O homem assume mais facilmente”.

“Eu não conheço nenhum homem fiel. O homem não tem nenhuma razão, motivo, pra ser fiel. As mulheres acham que tem motivo. Entronizam essa coisa de ser de um homem só com o romance, a paixão, o príncipe encantado. Mas o que se constata, na verdade, é que a infidelidade feminina é muito mais comum do que se costuma admitir”.

“O livro Maristela (Pura e Infiel) é muito mais procurado por mulheres que por homens. E as mulheres que lêem, gostam muito mais do que os homens. E eu sinto uma demanda delas em querer assumir que não existe esse negócio de minoria, de opressão. E a sexualidade é um território feminino”.

“Eu não acredito em nada. Não defendo nenhuma bandeira. Não tenho nenhum objetivo. Quando escrevo, não quero chegar a lugar nenhum. Não tenho nenhuma mensagem pra passar. E minha literatura é isso, simplesmente não respeitar nenhum parâmetro desse, nenhuma crença ou coisa bonitinha”.

“Por que não mostrar que o mundinho do politicamente correto é uma coleção de sistema de crenças que não vai a lugar nenhum, não serve pra nada, em última análise?”.

“O Acre eu não conheço, mas o Ponto G conheço sim. E é fundamental ser um ginecologista amador da mulher, e passar à investigação exploratória, uma coisa de espeleólogo, penetrar na caverna e encontrar o paralelo à próstata masculina”.

“O livro já é anacrônico. Eu não sei com que velocidade ele vai ser superado e vai deixar de existir enquanto objeto de papel. Faria até o maior sentido ele deixar de existir, eu defendo isto. Pra quê, se pode ler de outra maneira?”.

“As editoras não têm lucro. Só conseguem (tê-lo) na medida em que vendem para o Estado ou então têm patrocínio do Estado. No mercado sozinho, pra se vender ficção, é muito difícil. É coisa pra dois ou três especialistas que conseguiram romper uma barreira quase intransponível”.

“Eu não tenho nada contra quem quiser ter publicação independente, agora não espere que isso seja algo além de gastar, torrar dinheiro”.

“A marca desta Diretoria e da minha Presidência é voltar a Câmara (Baiana do Livro) pra ser o representante e a voz da cadeia produtiva do livro. E o Governador Jaques Wagner já reconheceu isso”.

“As livrarias talvez estejam ressurgindo como lugares para eventos culturais. Estamos trabalhando nisso. Tem várias livrarias que tão começando a entender que elas são ponto de encontro, um gueto de intelectuais. Neste sentido, elas vão ser viáveis financeiramente. Mas só viver da venda do livro está difícil”.

“O sexo é território feminino. Portanto, a mulher sempre vai fazer sexo. Mas não é só abrir as pernas, é muito mais que isso. É seduzir, criar o seu mundo, o seu universo”.

“Sempre gostei mais de cinema do que literatura. É que fazer cinema dependia de equipe, e fazer literatura, você pode fazer sozinho. Apenas isso”.

“Eu não acredito em filme cult. Eu acredito naquilo que as pessoas entendem. É claro que você não vai dizer o óbvio, que a TV já diz. E o elogio da crítica é o enterro da possibilidade de se comunicar com o público”.

“Faço cinema porque de repente chove na minha horta”.

“A maioria é masoquista, porque é muito mais fácil e prazeroso. Ser sádico é muito mais trabalhoso. E eu não me contento em simplesmente viver. Tenho que criar o enredo. O enredo que o outro me dá não basta. Então, tendo a ser o sádico. E eu não quero apanhar não”.

(Sobre o uso do Dicionário de Fetiches) “Já há relatos de melhora da vida sexual, casais, gente que experimentou uma diferençazinha, e é muito esclarecimento, coisinhas miúdas que se esclarecem, porque os mitos nascem da ignorância”.

“Gaúcho não tem nada a ver comigo. A visão regionalista do Rio Grande do Sul me incomoda porque eu sou universal e Salvador é extremamente universal, mesmo com toda identidade baiana, porque ela aceita quem vem de fora, é uma cidade de tolerância com as variadas etnias, pensamentos, estrangeiros”.

“Eu me descobri cineasta e escritor ao longo do caminho. Tanta dissertação, que daqui a pouco você se descobre ficcionista”.

- Sobre a afirmação do Ras Sidney Rocha, no K7#07, de que ‘a minha função é tentar captar as coisas que acontecem na vida e transformá-las em poesia’: Não tenho função, não me vejo com função, não quero ter função, não pretendo e nem busco isso. Tenho é a petulância de achar que o meu pensamento deve ser compartilhado. Mais nada”.

“Pra mim, música popular não presta; Fantasmão e Chico Buarque estão no mesmo nível. É popular, comercial, não me interessa. Pra mim, música é erudita”.

“A gente não sabe porque a aventura humana existe, não sabe pra onde ela vai, e não há intenção nesse caminho. Nem deve haver. Acredito que não há nada a ser feito”.

“A pessoa que nunca trai é decepcionante. É falta de imaginação nunca trair. Uma mulher que passe a vida inteira sendo fiel não merece a fidelidade do marido”.

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Onde encontrar Aurélio Schommer:
aurelioschommer@gmail.com

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Ficha Técnica Podcast K7 #08
Gravado em 20.06.2009, Salvador-Ba.

Direção, produção, entrevista, gravação, edição, montagem, vinhetas e locução: Emmanuel Mirdad.
Trilha sonora: Curtas e Poemas, Noturno, Pílula Azul, Homeopata e A Esposa Impossível, Mirdad - Harmonogonia (2008).

Trilha das aberturas e vinhetas: Lost Mails, The Orange Poem - Psicodelia (2008).

Fotos: Mirdad.

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Sábado, 27 de Junho de 2009

Perambulando #02 - Letieres Leite & Orkestra Rumpilezz

Perambulando é uma seção deste blog destinada a expôr os vídeos que irei registrar nas andarilhadas por aí.

A primeira edição foi no sábado passado, com dois vídeos do show da banda Cais e Sais. Hoje, destaco o show do magistral grupo Letieres Leite & Orkestra Rumpilezz, com dois temas furiosos, Aláfia e O Samba Nasceu na Bahia, ambos de autoria do maestro Letieres Leite.

Reforço aqui que nesta segunda 29/06, às 20:30h (R$ 15 - R$ 30), no Teatro Jorge Amado (Pituba), vocês não podem perder a chance de ouvir esse espetacular grupo de música instrumental, aclamadíssimo por todos que ouvem seu trabalho.

Pra quem não conhece, é óbvio que irão gostar!

Letieres Leite & Orkestra Rumpilezz - Aláfia



Letieres Leite & Orkestra Rumpilezz - O Samba Nasceu na Bahia



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Abrupta Sede: Fragm.#30

06, de Txhelo Castilho
(da série Preto e branco e cinza e só)



“(...) Veio no tempo do contrato, profissional de renome, indicado por meus contatos de fidelidade; amizades duradouras, que sobrevivem ao amor e carinho, aos constrangimentos que não tiveram êxito. E que não precisam de explicações. No comércio, é assim. Se você precisa, tá na mão. Não interessa o porquê, nada que remeta a um desprezível conselho desnecessário (...)”.


Ex-Embolhado, conto #10 do Abrupta Sede
Um conformado e prático marido, e sua esposa despedaçada.

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Abrupta Sede: Fragm.#29

15, de Txhelo Castilho
(da série Preto e branco e cinza e só)


“(...) Última garfada. Não quero mais. Meu cheiro fede suor. Sexo. Ou o apartamento não é ventilado, ou então o stress atingiu o topo. Estou queimando! Não agüento mais essa sessão de tortura. Ela pergunta se estou satisfeito, e foge de minha mão esperta. Levanta-se e leva os pratos. Escorregadia, escapa do amasso. Levanto. Seguro pelo braço, exijo o meu domínio. Ela deixa os pratos caírem, bem no meu pé (...)”.

“(...) O barulho, a bagunça e a dor me acalmaram um pouco. Ganhei uma vassoura. Ela fugiu pro banheiro. Deve ter ido enxugar o excesso. Não adianta. Vai ser agora. Cansei dessa porra de jantar, sala de espera de foda. Não vou pedir desculpas pelo desastre, e nem falar nada. Já vou sair chupando, à força. É isso que ela quer, eu sei. Cansei desse joguinho de menina. É hora de cair na pica (...)”.

“(...) De primeira, dispensou o monitor. Era do tipo falante, contador de vantagem. Mas como odiava esses otários! E o pior foi perceber que quase todos ali eram assim. Meninos bestas, que não se importam apenas em comer a mulher; é preciso compartilhar com os outros para ter algum valor, ser o putão, igual como fazem com os braços e peitos malhados. Bizarro. Mulher que detona na cama não dá pr’esses moleques; só se for bem paga, e ainda por cima, vai escrachá-lo para as amigas. Homem bicho burro, mero hospedeiro (...)”.


Aromas, Desejos e Motivos, conto #05 do Abrupta Sede
Uma mulher, dois homens; proposta perigosa, excitante e drástica.

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Sexta-feira, 26 de Junho de 2009

Intervalo: Pílulas de Inácio

foto: Ricardo Prado

"...
Algo me aflige e não sei o que é.

Vivo a buscar o signo que me presentifique,
que, uma vez enunciado, seja por si.
Estou exausto de ser uma representação.

------

Sinto saudades de lugares onde nunca estive
e uma voz me guia por estes mundos do não sei onde.

Tudo está em mim e é intransponível. Não há signo,
não há deus que me comunique por inteiro.

------

A gente se enche de calo,
a gente pensa que sabe,
a gente se desespera até,
mas não abre mão de estar aqui.

Há de existir um lugar
onde teus mistérios possam descansar.

------

Estou longe de mim, longe de minha morada.
No meio do caminho dessa estrada
o buraco, o vazio.

Busco a ponte.

------

Eu venho do caos primordial.
Percorri as searas da escuridão
(caminhos que não sei).

------

Quebrar todo e qualquer cabresto,
romper a barreira da forma,
caminhar para além da palavra.

------

A tua cabeça ainda vai ser um enfeite lá em casa.
..."


Trechos dos poemas, na ordem deste post, Encruzilhada, Unidade, Centauro Escarlate, Ponte, A Infância do Centauro, Ausência e Adorno, de José Inácio Vieira de Melo, publicados no livro A Infância do Centauro, Escrituras (2007).
www.jivmcavaleirodefogo.blogspot.com

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Abrupta Sede: Fragm.#28

42, de Txhelo Castilho
(da série Preto e branco e cinza e só)



“(...) Os balaços se calaram, e aquele silêncio atônito tomou conta dos suspiros. Com o receio básico dos previdentes e a curiosidade faminta inerente dos pobres, terminou de vestir a pólo marrom e desceu pra averiguar. Quem sabe não sobrava uma ponta? (...)”.

“(...) Exatamente. O defunto, um carioca de seus trinta e poucos anos, metralhado com tirambaços na fuça, peito e barriga, portava sapatos luxuosos e vermelhos. Enquanto as tripas borbulhavam pra fora do corpo, [indiferente aos fluidos] vislumbrou o solado, novinho, ainda com uma marca italiana aparente; deveria ser grã-fina. E na carteira, à mostra pela queda, tinha muita grana. Não deve ter sido levada pela pressa do serviço, acreditou. E em vez de levar a dinheirama toda, ele preferiu os sapatos (...)”.

“(...) O engarrafamento de hoje foi pior. Três mil do MST caminhando pelos vales. Emburros na cara dos trabalhadores enfurnados nos ônibus parados. Reclamações gerais, ânimos exaltados, xingamentos. E ele, o sempre rabugento, estava quieto, embebido em um mundo paralelo (...)”.

“(...) Desfocado do conflito real, ia aos poucos alimentando dentro de si uma histeria estranha, inédita. Antes do trunfo, aceitou a entrevista por insistência do amigo Sandro, que gostava demais dos seus bigodes. Estes, mantinha-os à distância, usufruindo o que pudesse ser interessante, ao menos. Agora, empossado pela primeira vez em sua vida de um bem caro e nobre, acreditava que a sorte finalmente tinha estacionado a burrinha em sua porta. Estava feliz, em anos! (...)”.


Sereno Aceitar, conto #04 do Abrupta Sede
Um solitário porteiro bigodudo, e o fatal alumbramento repentino.

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Segunda-feira, 22 de Junho de 2009

Especial: Nota no Caderno DEZ!




Na semana passada, saiu uma nota de Ricardo Cury no Caderno DEZ!, do A Tarde, na coluna Coletânea, falando deste blog. O melhor é que foi espotâneo. Não estou enviando releases aos jornais e foi muito bom ser surpreendido com essa ótima lembrança! Valeu, Cury!

Segue abaixo a nota na íntegra:

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Blogcast baiano.

O jornalista e poeta soteropolitano Emmanuel Mirdad está à frente de um blog/podcast bastante diversificado e, melhor, sempre atualizado. Com uma série de entrevistas com pessoas de múltiplos segmentos artísticos, Emmanuel disponibiliza trechos dessas entrevistas no blog e o áudio completo no podcast. Já passaram por lá o professor André Setaro, o músico Mou Brasil, o ativista Ras Sidney Rocha, entre outros. www.elmirdad.blogspot.com /// (Ricardo Cury) /// Mou Brasil já deu as caras no blog/podcast de Mirdad. (legenda foto)

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Abrupta Sede: Fragm.#27

Torneira, de Txhelo Castilho


“(...) Nessa época anterior das cotas, dava pra contar nos dedos de uma mão os vitoriosos de cada semestre. Era muito mais divertido sentir o status boçal de ser aprovado por mérito próprio, sem subterfúgios escusos. Eu sou um preto capaz, me engulam. O orgulho de minha raça é o orgulho que tenho de mim mesmo. Esse troço de cor só serve pra quem se limita a enxergar a casca de tudo que é comprimido. Eu? Vou sempre mais além. [será?] (...)”.


De Tanto Inverso, conto #02 do Abrupta Sede
Um estudante negro com fome, hype e pobre.

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Abrupta Sede: Fragm.#26

31, de Txhelo Castilho
(da série preto e branco e cinza e só)


“(...) A alteração brusca e radical dos rumos cristalizados de uma vida de glória e sucesso estável sempre desnorteia. Mas o efeito é muito mais devastador em alguém que não possui base de sustentação alguma, seja religião, amor ou família (...)”.

“(...) Marília só tem a si mesma, e sempre foi assim. Cuidou, minuciosamente, de todos os detalhes da construção de uma mulher poderosa. E conseguiu incorporar o mito como sentido único e exclusivo de sua respiração. Não contava com a fragilidade secreta do corpo humano. Quebrou, e deixou a água de si escorrer por completo (...)”.

“(...) Ironia. Ela, que por várias vezes acolheu as misérias desabafadas pelas dondocas [com diversas vantagens em troca, é claro], agora está sozinha e completamente atada. Nenhuma delas é amiga de verdade. Aliás, isso não existe (...)”.

“(...) Enfim. Não pode recorrer a nenhum desses urubus, mesmo atacada por um desesperado estado de carência. Seria a queda, a falência ideológica e financeira, expor a sua decadência dessa maneira. O mito é inabalável, sempre esbelto, saudável e exemplar. Mesmo enferma, não é permitido descer do salto ou perder a pose. E o que é pior, perder dinheiro ou poder? Ambos (...)”.


Botox, conto #01 do Abrupta Sede
Uma empresária poderosa e as estratégias sutis da sobrevivência.

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Sábado, 20 de Junho de 2009

Perambulando #01 - Cais e Sais

- FASE DE TESTE -

Bem, Perambulando é uma seção deste blog destinada a expôr os vídeos que irei roubar das andarilhadas por aí.

Neste primeiro (em fase de teste, porque o áudio estourou em vários momentos), destaco duas músicas da banda Cais e Sais, surrupiadas de dois shows no Teatro Sesi (em maio e junho deste ano, em Salvador). Uma é a furiosa Overdose, de Cal Ribeiro e Enoch Carneiro, e a outra é uma espetacular versão para Pelas Tabelas, de Chico Buarque, daquelas que ficam melhor que a original.

Prometo que em breve aprenderei a utilizar melhor o equipamento (um celular), pra que não haja mais pipocos no som. Espero que gostem!

Atenção: Pelas Tabelas começa, de fato, aos 54s. Tenha paciência, que a versão é fodástica!!!

Cais e Sais - Overdose



Cais e Sais - Pelas Tabelas



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Quinta-feira, 18 de Junho de 2009

Abrupta Sede: Fragm.#25

08, de Txhelo Castilho
(da série preto e branco e cinza e só)


“(...) A dançar forró, diversas noites de sábado atrás, usava um vestido nu. O sangue que a vestia tinha uma cor que desconheço. O sabor, esvoaço de aura, fluía solitário, profundo, bem longe de meu palato. Abestalhado fiquei, a consumir aquela absurda visão. Ela nunca repetia o parceiro. Uma música só, obrigada e adeus. Maldito jogo de morder e assoprar. E assim o culto se instalava no salão. Todos, de latinha em punho, a esperar a sua vez (...)”.


Inesgota, conto #25 do Abrupta Sede
O amor, e mais uma de suas tragédias.

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Abrupta Sede: Fragm.#24

12, de Txhelo Castilho
(da série preto e branco e cinza e só)


“(...) Noite longa, um sóbrio azul. Lembro-me da extrema solidão. Um espaço vazio na cama, objetos refletidos, é assustador. São vinte e um anos assim. Meus jardins bem cuidados, diversos quartos, muito espaço. Contudo, sem família. Foram-se no decorrer dos destinos, nos traçados iniciais pós-ninho, sempre em acidentes trágicos, mesquinhos. E eu fiquei só; minha mulher morreu aos quatorze anos do mais novo, e ele reapareceu sete solares atrás, ectoplasmático (...)”.


Anuviar, conto #24 do Abrupta Sede
Um senhor atormentado por visões ectoplasmáticas.

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Abrupta Sede: Fragm.#23

Estudo 03, de Txhelo Castilho


“(...) A maloca é velha, mofada e quebradiça, mas é bem próxima ao cafofo do algoz. Por volta das seis, espio pela fresta e avisto uma sombra noir. Contraluz, é ele que acorda e se arremessa à vida vazante; o som estapafúrdio dos latidos vira-latas confirma. Que comece mais uma andança (...)”.

“(...) Ordeno minha camisa e a cadeira. Quero estar perto do epicentro de qualquer jeito. Hoje, muito mais próximo. Esse brinquedo dos habitantes, será meu também. A grande mesquita não-falante, que atira brutalmente sua vida à parte de tudo, esbagaçando todas as noções pré-concebidas do que é a liberdade. Um líder inato, gigante sem nome e diálogos. E eu, prosseguindo; dessa vez, munido de pólvora e chumbo (...)”.


Fagocigo, conto #23 do Abrupta Sede
Uma perseguição muito chata, umbilical.

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Quarta-feira, 17 de Junho de 2009

Intervalo: Theatro de Séraphin



Theatro de Séraphin - Doze por Oito (nova versão)
Imagens de Jorge Castro aka Fisternni
Edição de Marcos Rodrigues
Videoclipe 2009

Embora prefira a versão original da música, que está no fantástico álbum EP, de 2008, tenho que ressaltar que o clipe está muito bem feito, conceitualmente interessante, com o já sagrado selo de qualidade desta banda soteropolitana que, no meu humilde gosto particular, é a que eu mais admiro e curto em todo rock baiano.

Não é pra desmerecer os demais. É só uma constatação intimista de um fã confesso.

Longa vida à Theatro de Séraphin e à grande voz que surrealiza os meus ouvidos.

PS - Outra confissão: pra facãozar a existência, além de Artur (Theatro), só Glauber (Teclas Pretas) e Cal Ribeiro (Cais e Sais). Viva a acidez vocal, obra divina da genética, dom pra poucos (e raríssimos) privilegiados (que inveja boa!).

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Link: www.youtube.com/watch?v=92AFmbNcsFE

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Terça-feira, 16 de Junho de 2009

Compilação I - Podcast K7


Atenção: mudou a periodicidade do programa Podcast K7!

Passou de toda terça-feira para eventuais terças, variando a postagem de 15 em 15 dias, até 3 vezes ao mês, certo?

Então, o Podcast K7 retorna no dia 30/06, após o feriado de São João.

Continuem acessando o El Mirdad - Farpas e Psicodelia!

Grato, o Editor

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Compilação dos Programas I - #01 a #07

Se você perdeu alguma das sete edições do Podcast K7, aproveite o São João e mantenha-se antenado: segue abaixo o link de cada um dos entrevistados. Aproveite, que são verdadeiras figuraças do nosso cenário.


Txhelo Castilho
K7 #01

Multifacetado artista


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Minêu
K7 #02

Cartunista e Publicitário


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Mou Brasil
K7 #03

Músico e Compositor

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Nancyta
K7 #04

Cantora e Compositora

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José Inácio
Vieira de Melo

K7 #05

Poeta e Jornalista

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André Setaro

K7 #06

Crítico e Professor

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Ras Sidney Rocha

K7 #07

Ativista e Músico

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