segunda-feira, 25 de julho de 2016

Vinte e seis poemas e vinte e nove passagens de Orides Fontela no livro Poesia completa

Orides Fontela (foto daqui)



Transposição (1969)

"salto buscando
o além
do momento"

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Helianto (1973)

"Os extremos do amor:
áridos
restos"

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Alba (1983)

"Há um caminho solitário
construído a cada passo:
não leva a lugar algum"

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Rosácea (1986)

"Nem tronco ou
caule. Nem sequer planta
– só a raiz é o fruto"

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Teia (1996)

"Nunca amar
o que não
vibra"

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domingo, 24 de julho de 2016

Seis poemas e cinco passagens de Orides Fontela no livro Teia

Orides Fontela (foto daqui)


sem título
Orides Fontela

Nunca amar
o que não
vibra

nunca crer
no que não
canta.


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Kairós
Orides Fontela

Quando pousa
o pássaro

quando acorda
o espelho

quando amadurece
a hora.


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João
Orides Fontela

De barro
o operário
e a casa

(de barro
o nome
e a obra).

II

O pássaro-operário
madruga:

construir a
casa
construir o
canto

ganhar – construir –
o dia.

III

O pássaro
faz o seu
trabalho
e o trabalho faz
o pássaro.

IV

O duro
impuro
labor: construir-se

V

O canto é anterior
ao pássaro

a casa é anterior
ao barro

o nome é anterior
à vida.


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Teia
Orides Fontela

A teia, não
mágica
mas arma, armadilha

a teia, não
morta
mas sensitiva, vivente

a teia, não
arte
mas trabalho, tensa

a teia, não
virgem
mas intensamente
                   prenhe:

no
centro
a aranha espera.


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Fala
Orides Fontela

Falo de agrestes
pássaros         de sóis
     que não se apagam
     de inamovíveis
     pedras

     de sangue
     vivo         de estrelas
     que não cessam.

     Falo do que impede
     o sono.


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Mão única
Orides Fontela

– é proibido
voltar atrás
e chorar.


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"mescladas
a esmo:
o fim o infinito
o mesmo

a hora e a sua
seta
o limite e o após
a meta"


"Ver
o avesso
do sol o
ventre
do caos os
ossos."


"E anulado
o espelho: eis
o infinito."


"e a pedra é
pedra: não germina.
Basta-se."


"o espelho aprofunda
o enigma"





Presentes no livro de poemas Teia (1996), presente na coletânea Poesia completa (Hedra, 2015), páginas 372, 326, 313-314, 307, 308 e 328, respectivamente, além dos trechos dos poemas Coisas (p. 309), Ver (p. 339), Noturnos (p. 349), Pesca (p. 381) e sem título (p. 374), presentes na coletânea.


sexta-feira, 22 de julho de 2016

Cinco poemas e seis passagens de Orides Fontela no livro Rosácea

Orides Fontela (foto daqui)


Aforismos
Orides Fontela

Matar o pássaro eterniza
o silêncio

matar a luz elimina
o limite

matar o amor instaura
a liberdade.


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CDA (Imitado)
Orides Fontela

Ó vida, triste vida!
Se eu me chamasse Aparecida
dava na mesma.


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Aurora
Orides Fontela

Rosa, rosas. A primeira cor.
Rosas que os cavalos
esmagam.

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Iniciação
Orides Fontela

Se vens a uma terra estranha
curva-te

se este lugar é esquisito
curva-te

se o dia é todo estranheza
submete-te

– és infinitamente mais estranho.

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Ode
Orides Fontela

Neste tudo
tudo falta

(neblina)

e nesta
falta: eis
tudo.


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"Nem tronco ou
caule. Nem sequer planta
– só a raiz
   é o fruto."


"Só porque
erro
encontro
o que não se
procura

só porque
erro
invento
o labirinto

(...)

só porque
erro
acerto: me
construo."


"em tudo pulsa
e penetra
o clamor
do indomesticável destino."


"Não amo
o espelho: temo-o."


"A tarde em mim se repete
num tempo irreal, decadência
obstinada, onde o
silêncio
nunca é completamente
treva

A tarde em mim se repete
configurando uma distância
irrealizada, evanescência
onde nunca anoitece."


"Cansa-me ser. A chaga inumerável
de mim cintila; sem palavras, úmida
fonte rubra do ser, anseio e tédio
de prosseguir, inabitada, viva."




Presentes no livro de poemas Rosácea (1986), presente na coletânea Poesia completa (Hedra, 2015), páginas 230, 249, 221, 222 e 260, respectivamente, além dos trechos dos poemas Origem (p. 283), Errância (p. 223), As coisas selvagens (p. 235), O espelho (p. 238), Duas odes (antigas) (p. 285) e um soneto sem título (p. 293), presentes na coletânea.