quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Datas idênticas 2001-2012: Eu Fui!



Onde você estava nas 12 datas idênticas dia-mês-ano deste século? Fucei nos arquivos, apertei a memória, cavuquei adoidado até que consegui lembrar o que eu fiz nessas datas que significam porra nenhuma. Coincidentemente passei todas as datas na minha cidade natal, Salvador, na Bahia. Olha a besteirada:


01/01/01
Segunda, 2001

O milênio começou numa segunda. A única lembrança que tenho é que, dentro do táxi, voltando pra casa do Reveillon na praia da Barra em Salvador-BA, acompanhado pela namorada da época, vi no celular dela, por acaso, o horário das 01h01min do dia 1/1/1. Havíamos brigado na festa, mas o mundo não acabou.


02/02/02
Sábado, 2002

02 de fevereiro, dia de Iemanjá. Mas nessa época eu ainda não frequentava a melhor festa do verão baiano. Dois dias depois do 1ª show da banda The Orange Poem (no extinto bar Café Cultura, no Rio Vermelho, na quinta 31/01), o dia em Salvador-BA foi dedicado a analisar a banda/show e os próximos passos, com direito a intensa psicologia pra convencer o guitarrista Fábio a dar mais uma chance para o baixista da época e para o pequeno e quente Café Cultura (não adiantou).


Formação da banda the orange poem que fez o primeiro show em 2002


03/03/03
Segunda, 2003

Segunda-feira de Carnaval, último dia da festa pra mim. Não há registro específico desse dia, mas o carnaval de 2003 foi uma farra de cinco noites (começou na quinta 27/02) sem trégua na pipoca da Ondina, em Salvador-BA, na maioria dos dias na companhia do amigo irmão Rodrigo Minêu. Estava solteiro e com 22 anos, ou seja, como escrevi no finado fanzine Bundalêlê, “Carnaval é adolescer sem culpa”.


04/04/04
Domingo, 2004

Mantendo a tradição de exterminar o domingo por conta de estudo ou de trabalho, passei o dia inteiro em casa, em Salvador-BA, estudando para a matéria “Comunicação e Política”, do curso de Jornalismo na Facom/Ufba.


05/05/05
Quinta, 2005

Dia inteiro em Salvador-BA sofrendo com uma gripe pesada. E a quinta 5 acabou com um término; à noite, o namoro da época definitivamente acabou.


06/06/06
Terça, 2006

Em Salvador-BA, pela manhã, prova da matéria “Comunicação e Cultura Contemporânea”, do curso de Jornalismo na Facom/Ufba - era a terceira e última vez que faria essa matéria dada pela professora Itania Gomes. À tarde, visitei a amiga faconiana Marla Barata na casa dela, e a resenha foi até o início da noite, quando vimos o momento cabalístico das 6h6min6s do dia 6/6/6. O mundo não acabou.


07/07/07
Sábado, 2007

Dilúvio em Salvador-BA; dia inteiro hibernando com a namorada da época. E o melhor do sábado 7 foi a noite, no show de estreia da banda Cerveja Café (montada por mim), dos amigos Rodrigo Damati, Marceleza de Castilho e Felipe Dieder, no tosco e extinto Nhô Caldos. Filmei algumas músicas e vários amigos foram ao show, que acabou sendo uma grande noite de rock, chuva e muita curtição.



Registro da farra do 7/7/7

08/08/08
Sexta, 2008

O oito de agosto me persegue desde 1988. Mas, diferente de 1998, a data de hoje não me rendeu um poema. Em Salvador-BA, na franca produção do Prêmio Bahia de Todos os Rocks (1ª edição), pela manhã me reuni com o apoiador Mob Tour, e à tarde, junto com o então sócio Marcus Ferreira (Putzgrillo Cultura), nos reunimos com a assessoria de imprensa do projeto naquela edição. E a sexta 8 terminou no restaurante mexicano Tijuana, pra selar a paz de mais uma briga com a namorada da época.


09/09/09
Quarta, 2009

Pela manhã, em Salvador-BA, trabalhei em casa na edição dos textos do blog do amigo Miguel Cordeiro (que mais tarde formatei em um esboço de livro, que não foi à frente). À tarde, fui trabalhar na rádio Educadora FM, e produzi o programa Especial das Seis dedicado ao disco “Hein?”, da cantora Ana Cañas. E a quarta 9 foi finalizada em casa, na TV, assistindo ao jogo da seleção brasileira contra o Chile, que aconteceu no estádio de Pituaçu, em Salvador (não quis comprar o ingresso por causa da fila gigantesca).



Músicas do Especial das Seis do disco "Hein?" - aperte o play!


10/10/10
Domingo, 2010

De bobeira em casa, navegando na internet, vi o momento singular das 10h 10min 10s do dia 10/10/10. O mundo continuou sem acabar. Típico domingão de sol lascando em Salvador-BA, fui à praia de Aleluia na companhia do casal Marcus Ferreira e Alana Barreto. Pra terminar o domingo 10, acompanhei-os no cinema do Iguatemi para assistir o ótimo “Tropa de Elite 2”.


11/11/11
Sexta, 2011

Um dia após a noite de estreia do Festival Brainstorm (única noite, a da quinta 10/11), acordei pilhado logo cedo para acompanhar a repercussão do evento na internet. Época muito difícil para minha família, com meu pai internado na UTI, levei e busquei mãe e irmã no hospital Jorge Valente, em Salvador-BA. À tarde, reunião Flica 2011 com a Berimbau Filmes, para análise do DVD oficial. E o fim da sexta 11 foi no hospital, contando as novidades do sucesso do Brainstorm para o meu pai (que ainda não estava inconsciente), trazendo mãe e irmã pra casa, capotando logo em seguida, exausto, triste, mas realizado.


12/12/12
Quarta, 2012

No dia em que o empresário Marcus Ferreira completou 29 anos, meu sócio na Putzgrillo Cultura de 2008 a 2012, véspera do 1 ano de falecimento de meu pai, Ildegardo Rosa, e 100 anos de Luiz Gonzaga, passei o dia inteiro trabalhando na prestação de contas da 2ª edição da Flica, a Festa Literária Internacional de Cachoeira. À noite, conferi os shows de Bruce Springsteen e Roger Waters no 121212 Concert ao vivo no Multishow - achei muito fraquinho, chapa branca total, e fui dormir.

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domingo, 25 de novembro de 2012

Pílulas: Pedra Só, de José Inácio Vieira de Melo

JIVM, interferido por Mirdad, em foto de Ricardo Prado

Pedra Só é o sétimo e mais novo livro do poeta alagobaiano José Inácio Vieira de Melo, lançado este ano pela editora Escrituras. Não é o meu predileto (que são A Terceira Romaria e A Infância do Centauro - veja a Pílulas deste livro aqui no blog), mas é um excelente livro, com destaque para a entrevista que o jornalista Gabriel Gomes fez com o poeta no Posfácio da obra, e para os poemas pilulados a seguir:


“...
para o voo ser só voo e asas,
é preciso que o baú sinta a fome
dos cupins e traças.

A arte da pedra é ser o silêncio que cresce.

E o que toda a gente quer
é sombra e rede e água.
Mas o tamanho da sede
é de acordo com o merecimento.

E o que mais se vê pelo mundo
é gente engolindo gente

O desejo cego dos homens habita suas cabeleiras:
saltar para o amplo vazio dos elementos
e ver na soleira da arte o assombro e a magia.

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apesar da cara de totem,
ela era mesmo um mantra.

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Pão, antes de ser palavra, é vontade de comer.
Pão é uma palavra que começa na fome.

A seca, às vezes, me dá vontade de desistir.

Ainda assim, persiste em mim a poesia
e essa vontade de inundar o mundo.

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Com o tempo não tem acordo certo.
Num instante ele chega e tudo vira cinza.

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O tempo está passando e continua o mesmo,
as minhas dores é que são cada vez mais reais.
O tempo está passando e eu continuo a esmo.
Já estou cansado de olhar para a mulher
que não me quer, já estou ficando vesgo
de olhar para o firmamento e ver a linha
que nada indica – nem início nem fim nem meio.
Já olhei bem no centro de tudo que alcanço,
para os lados e para os cantos e para os recantos,
já até me perdi dentro do olhar buscando encontrar,
mas nunca vi o olho de Deus na palma da minha mão.

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Com o olhar perscrutador
e com estas sete vidas
dos meus vinte dedos é
que sondo o mapa do mito

------

Sou teu irmão.
O que semeou em teu ventre
as sementes que esperaram milênios
para serem salmos.


------

O outro nome de Moisés
é Michelangelo,
mas foi o teu pincel, Leonardo,
que abriu o Mar Mediterrâneo
e com ele escreveste
as formas de uma deusa
que em sua face
traz todos os nomes.



------

Enquanto a mulher esquenta a água
para espantar o frio, cozinho meu juízo
na poesia da noite que chega

Depois da chuva do fim de tarde
fica sempre esse gosto de febre,
fica sempre um cheiro de terra úmida,
vontade doida de germinar.

------

O mistério segue de casa em casa
a balançar a criança na rede.

Depois, abre a porta dos sonhos
e toca a Nona Sinfonia

------

Incrustadas por brasas aflitas
as fêmeas se enlaçam aos machos
e afloram gerações e gerações
para desfolhar as pedras de Deus.

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Pega o livro!
A realidade é fazer o livro de novo,
com nova caligrafia codificar a jornada.

Ter o mistério na concha das mãos,
as palavras certas para os sons da lonjura,
a imagem do mundo dentro da pedra
e fazer com que os rituais da transparência
ganhem ritmos e formas.

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Seguraste o Sol nas costas.
Agora, reconheces nas cicatrizes
os nomes que queimaram teu corpo,
marcas que anunciam os sofrimentos
que fizeram de ti este ser estranho
que fez uma espera para tocaiar

o silêncio.

Meus camelos trazem oceanos no bojo
e são mais desertos que o Saara.

O sonho dorme nos espelhos
e acorda dentro do sono
para celebrar os encantos
e os tumultos do chacal.

..."

Trechos dos poemas, na ordem deste post, Pedra Só, Tia Aurora, Vozes Secas, Tempo, Jokerman, Rastro de Teseu, Cantiga para Mariana, Cantiga para Leonardo, Chuva de Páscoa, Beethoven, Parábolas, Castelos de Letras e Mandalas, de José Inácio Vieira de Melo, publicados no livro Pedra Só, Escrituras (2012).


Meu poema predileto no livro é Caligrafias. Confira (clique em cima da imagem para ampliar):



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terça-feira, 20 de novembro de 2012

Resenha do novo CD de Tiganá Santana

Show de lançamento do novo CD de Tiganá Santana na Suécia (foto: Iñaki Marconi)


"The Invention of Colour" é o novo CD de Tiganá Santana, que será lançado em breve no Brasil. Confira a crítica do sueco Peter Sjöblom para o site Tidningen Kulturen (original aqui), traduzida por Sebastian Notini:

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Talvez "The Invention of Colour" seja o disco mais contraditório do ano, tanto em termos de design e conotações culturais. Primeiro o disco vem, com um título forte colorido, com uma capa de cor modesta. Segundo, ele é feito por um brasileiro, então seria fácil a associação de percussão e dança exuberante, mas o cantor/compositor Tiganá Santana é praticamente o oposto disso. Críticos têm o hábito de o tempo todo traçar paralelos com Nick Drake ao escrever sobre qualquer artista que faz música melancólica e que também é guitarrista original e talentoso, mas no caso de Santana, na verdade é a comparação mais adequada. Até mesmo a voz velada de Santana tem traços da suave voz compositor inglês. Uma referência mais difusa, mas não irrelevante, é Terry Callier quando ele está em seu estado mais meditativo.

Tiganá Santana é incomum mesmo em outros aspectos. Ele canta em várias línguas africanas e europeias, que, sem dúvida, contribui para a coloração emocional da música. Mas, novamente, não é paleta farta que ele oferece; a música vai andando em cores quentes e suaves. Eu digo bege sem querer dizer nada sombrio, eu digo marrom, querendo dizer macio, marrom acolhedor. Vermelho fino e saturado. Cores que não se intrometem, mas trazem uma calma devota.

Eu não sei por que eu fiquei realmente surpreso ao saber que "The Invention of Colour" foi gravado em Estocolmo, com a ajuda de, entre outros, Ane Brun e Joakim Milder. Talvez consiste a real surpresa em que Santana vive em São Paulo. Talvez porque a sua música está tão longe do clima austero sueco, isso é música que pertence a esferas completamente diferentes. Mas, realmente, essa música tem nada a ver com meteorologia. E mais sobre o estado interior que não obedece nem tempo nem continentes. Mais adequado ainda então que Santana alterna entre os idiomas sem cerimônias. Contribui para o clima pancultural e "panemocional" do disco.

"The Invention of Colour" é o que os críticos me levaram a acreditar que José González seria, mas eu nunca pensei que ele era. Onde González sempre parou em uma simplicidade um pouco seca, Tiganá Santana tem uma intensidade delicada, com camadas e camadas de sonoridades leves, deslocamentos rítmicos cautelosos, movimentos e contra-movimentos. Os gestos são pequenas, mas o resultado é grande. Realmente grande.
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quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Vamos ouvir o 1º CD da Ana Gilli

Ana Gilli - Sabe Qual?




Não consegue visualizar o player? Ouça aqui


Sabe aquela cantora, a atriz Ana Gilli? Ela mesma, tá lançando seu 1º CD! Sabe qual?


“Sabe Qual?” é o álbum de estreia da cantora e atriz paulista Ana Gilli. Premiado pelo Edital de Gravação de Primeiro Disco do PROAC da Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo, traz nove faixas em que a interpretação peculiar da cantora fica em evidência: uma voz suave, delicada, repleta de recursos cênicos que dialogam com a essência das melodias, soando natural e com grande sensibilidade.

Atriz formada pela EAD-USP, graduada também em canto popular e em comunicação, o que Ana Gilli quer é dialogar com o seu público, marca singular de seus shows. Inspirada nas grandes intérpretes da música global, deixa de lado o aspecto autoral, tão em evidência nesses tempos, pra poder trazer de volta o foco na interpretação, nas minúcias do canto, pra poder comunicar melhor às pessoas o que as belas composições mais buscam: emocionar.

Com direção musical do violonista e arranjador gaúcho Leandro Brenner, que acompanha Ana Gilli há quatro anos, e produção da empresa Cult Cultura, “Sabe Qual?” é um álbum de MPB, reunindo diversos estilos como pop, bossa, soul, baião, samba, moda de viola, balada voz e violão, maracatu e muito groove. Além do prêmio do Edital do PROAC, o disco levou uma verba complementar através do Catarse, site de crowdfunding, para gravação da faixa “Como Dizia o Poeta” (Vinicius de Moraes e Toquinho), 1ª composição deles em parceria, que teve a ilustre participação do cantor e compositor Toquinho. As outras participações do CD são do sanfoneiro Enok Virgulino (do Trio Virgulino), da MC Dani Nega e dos violeiros do Duo Catrumano.

Acompanhada pelos músicos Fernando Silveira (percussão), Bruno Tessele (bateria) e Fil Caporali (baixo), além do diretor musical Leandro Brenner, Ana Gilli inicia com “Sabe Qual?” a sua pesquisa pelos novos sons contemporâneos do Brasil. Para montar o repertório, entrou em contato com a nova geração da MPB através de festivais, saraus e redes sociais, recebendo mais de 400 propostas de músicas de todo o Brasil. Chegou a uma seleção em que apresenta três canções premiadas em festivais (“O Nome, a Pessoa”, “Pétalas de Cinza” e “Horizonte”), e músicas de compositores em ascensão como Vinicius Calderoni, do grupo 5 a Seco, Dani Gurgel, Daniel Conti e o baiano Daniel Mã.

No partido alto “Primeiro Samba” (destaque do CD ao lado do single “Saci” e da pop “De Casa”), Ana Gilli, na simpatia malandra de chegar com calma, pede “licença pra cantar meu primeiro samba ... peço a benção pra cantar”. Pois bem, bela voz, pode vir, tá abençoada!


www.anagilli.com.br

www.soundcloud.com/anagilli

www.facebook.com/anagillioficial


Ana Gilli


Ana Gilli tem formação em canto popular pelo Centro de Estudos Musicais Tom Jobim (antiga Universidade Livre de Música – ULM) e é atriz graduada pela tradicional Escola de Arte Dramática da USP – EAD.

Teve como sua maior influência a música de seu país: bossa nova, samba, choro, baião e a música caipira de raiz. O contato com o Jazz ocorreu nos Estados Unidos, onde estudou Arte Dramática. Sua viagem não apenas mudou suas referências musicais como também suas referências teatrais. Foi no Teatro Musical que Ana Gilli encontrou sua expressão artística mais completa. Ao voltar ao Brasil em 2002, mudou-se para São Paulo onde desenvolveu pesquisas e trabalhou com grandes nomes do Teatro Brasileiro, tais como Celso Frateschi, Iacov Hillel, Roberto Lage, Beto Andreeta, Carlos Bauzys, Bete Dorgam, Cristiane Paoli-Quito e Mônica Montenegro.

Desde 2006 dedica-se à carreira de cantora solo, tendo se apresentado em casas de show na cidade de São Paulo. Tributos a grandes nomes da música estão presentes em seu currículo musical, como: “Como Dizia o Poeta - Tributo a Vinícius de Moraes”, “Tributo a Baden Powell” (ambos em parceria com violonista Leandro Brenner), “Tributo a Elis Regina”, “Tributo a Billie Holiday” (ambos em parceria com os pianistas Beto Bertrami e Fernando Henna) e “Tributo ao Samba”, em parceria com as cantoras Livia Camargo e Luanna Belini, o cavaquinista Marcel Martins, o violonista Emerson Negão e o percussionista Fernando Silveira.

Em 2008, ganhou dois prêmios de Melhor Intérprete em Festivais de Poesia Falada (Festival Internacional de Poesia de Varginha e Festival de Poesia Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro). Em 2009, estreou o Musical Infantil “Bichos do Mundo” (Companhia de Bonecos Pia Fraus) onde atuou como atriz e cantora. O resultado deste trabalho deu-se na gravação de um CD, lançado em todo o país no ano seguinte.

Em 2010, Ana Gilli iniciou uma parceria com a Cult Cultura, empresa de Marketing e Gestão Cultural que começou a gerenciar sua carreira através de estratégias de marketing e comunicação. Sua logomarca foi reformulada e os perfis de Ana Gilli começaram a ser criados nas redes sociais mais adequadas para seu público. Nesse mesmo ano, Ana Gilli apresentou o show “Como Dizia o Poeta” em diversos locais e eventos, como: “Vinícius Bar”, localizado à Rua Vinícius de Moraes, em Ipanema (RJ); “Estação Catraca Livre”, promovido pelo site Catraca Livre, do jornalista Gilberto Dimenstein; “Seresta na Praça”, em Campinas, onde Ana Gilli abriu os shows de Jair Rodrigues e Wanderléa; “Casa São Jorge”, entre outros.

Em 2011, a cantora abriu sua agenda de shows na conceituada casa “Ao Vivo Music”, participou da gravação e do pré-lançamento do 2º CD da Orquestra Filarmônica de Violas (dirigido por Ivan Vilela), cujo repertório também conta com a participação de Tetê Espíndola e organizou, ao lado da Cult Cultura, o AnaGilli.Domingo.conVida, evento multicultural realizado no Bar Kabul (centro de São Paulo), que reuniu, em 3 edições, talentos de diversas áreas da arte e da cultura e finalizando sempre com o show “Como Dizia o Poeta”. Também participou do projeto “O Fim está próspero”, do grupo “Meia Dúzia de 3 ou 4”, em que atuou como atriz em um clipe da banda e como cantora na música “Nibiru Geral”, com o músico Maurício Pereira.

 Em 2012, o projeto de Ana Gilli no site de crowdfunding (financiamento colaborativo) Catarse teve excelente destaque, e conseguiu viabilizar a gravação da música “Como Dizia o Poeta”, com a participação do reconhecido compositor e músico Toquinho. Esse projeto foi tema de uma matéria realizada pelo site “Cultura e Mercado”, referência em políticas culturais (http://www.culturaemercado.com.br/crowdfunding/crowdfunding-une-geracoes-em-projeto-promovido-no-catarse/). A música gravada com Toquinho está no repertório do CD “Sabe Qual?”, lançado em outubro de 2012.

Como atriz, Ana Gilli mantém a valorização da cultura nacional, interpretando as cantoras Marília Batista e Araci de Almeida na peça musical “Noel, o Poeta da Vila e Seus Amores”, escrita por Plínio Marcos e com direção de Dagoberto Feliz, apresentada na cidade e no interior do estado de São Paulo em teatros e SESCs diversos.

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sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Julio Cortázar, preciso.


Julio Cortázar, interferido por Mirdad

Trechos de Julio Cortázar, extraídos do livro Papéis Inesperados:

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Acho ridículo que um romancista tenha úlcera no estômago porque seus livros não são suficientemente famosos e organize minunciosas políticas de autopromoção para que os editores ou a crítica não o esqueçam; diante do que nos mostra a primeira página dos jornais quando acordamos diariamente, não será grotesco imaginar esses esperneios espamódicos visando a uma "duração" cada vez mais improvável frente a uma história em que os gostos e suas formas de expressão terão mudado vertiginosamente em pouco tempo?

Quando a Life me pergunta o que penso do futuro do romance, respondo que não dou a mínima; só o que importa é o futuro do homem.

O futuro dos meus livros ou dos livros alheios me é absolutamente indiferente; esse entesouramento tão ansioso me faz pensar nesses doidos que guardam suas aparas de unhas ou de cabelo; no terreno da literatura também é preciso acabar com o sentimento de propriedade privada, porque a literatura só pode servir para ser um bem comum.

Um escritor de verdade é aquele que tensiona o arco a fundo enquanto escreve e depois o pendura num prego e vai tomar vinho com os amigos. A flecha já está no ar, e se fincará ou não no alvo; só os imbecis podem pretender modificar sua trajetória ou correr atrás dela para dar-lhe empurrõezinhos suplementares rumo à eternidade e às edições internacionais.
"
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segunda-feira, 22 de outubro de 2012

80 anos de Ildegardo Rosa: a despedida e o poema

Ildegardo Rosa, meu pai, o Mestre Dedé


Vinte e dois de outubro, 1 ano atrás. Minha família pode ter a benção de estar presente no dia mais feliz da vida de meu pai, Ildegardo Rosa, o Mestre Dedé, no Rio de Janeiro.

Nesta data, 1 ano atrás, ele fez 80 anos portando uma coroa de pelúcia que eu mesmo coroei em sua vasta cabeça de sergipano. E, no melhor estilo desprendido, quase livre da Matrix e da pedra que nos prega ao chão, vivenciou o "que  rei sou eu?" e fez diversas palhaçadas, contando piadas e causos, dançando, vibrando, e recitando o poema "80 anos" que lhe pedi que fizesse (na sua obra, ele fez o poema dos 30 e dos 60, e concordou que chegar aos 90 seria quase impossível - premonição) semanas antes da comemoração maravilhosa.

Menos de dois meses depois, a pedra virou vento e ele partiu da matéria. Seus 80 anos, na verdade, foi uma inesquecível despedida.

Parabéns, meu pai, felicidades e muito amor! - porque é difícil perder um hábito tão delicioso quanto este de emitir tal frase carinhosa.




Vinte e dois de outubro, 1 ano atrás. Meu pai, o Mestre Dedé, no dia mais feliz de sua vida, lê para a sua família um dos seus últimos poemas. Transcrevo abaixo:


80 Anos
Ildegardo Rosa


Segundo
o calendário dos homens
hoje faço 80 anos.

Catingueiro/ sergipano
dos Campos do Rei Real
que na barriga da mãe
se escondeu na igreja matriz
pra meu avô- cabra macho
escorraçar os cangaceiros de Lampião.

Assim contou minha bisavó.

Esses 80 anos
no acontecer de minha vida
onde o tempo nunca existiu
mas apenas a duração
sempre presente no eterno agora
onde fui uma célula
um feto
uma criança
um jovem
um adulto
agora sou um idoso
e que apenas será
uma lembrança esfumaçada
onde aconteceram
alegrias e brincadeiras
dores e sofrimentos
angústias e prazeres
quedas e subidas
solidariedade e decepção
loucuras e mirações
persistência e barreiras
buscando uma saída, um caminho
nessa ilusão ou talvez um absurdo
que chamamos de vida.

Aqui estou neste agora
neste presente sem tempo
onde ao menos
pude descortinar o Véu de Maya
pelo acontecer do AMOR
que muito dei e muito recebi
O amor dos meus antepassados
O amor dos meus pais
O amor dos meus irmãos
O amor dos meus sobrinhos
O amor da minha amada
O amor dos meus filhos
O amor dos meus netos
O amor daqueles que me amaram
e que ainda muito me amam
e eu a todos amo também

Hoje faço 80 anos
onde eu sou uma ilusão
ou um quase nada
diante da imensidão
do Universo manifesto
emanado da Força Suprema
da qual sou partícipe
na minha existência mutante
nesse enigmático cotidiano
peregrino destemido
em cumprir sua misteriosa missão!

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domingo, 7 de outubro de 2012

32

Tony Stark, o Homem de Ferro, por Paolo Rivera

Em 2011, publiquei uma foto em que me simulava como um T-100, com a seguinte descrição: "Cada vez mais máquina". Era o "ano 1" da Putzgrillo Cultura, em que estávamos colocando o portfólio no mercado pra valer, e o volume de trabalho com a Flica estava enorme, quase beirando o insuportável. Não tinha tempo pra me dedicar a nada que não fosse ao trabalho. Além disso, estava mais ateu que nunca, e o amor inclusive tinha sido relegado às vagas confortáveis do descartável. Vivenciava o "Octopus Way of Life", mas o norte era o extermínio das tarefas, implacável. Máquina, mesmo.

O final da jornada de 2011 levou-me a pessoa mais importante da minha vida, um dos preciosos que me gerou, e que foi responsável também pela minha inclusão na matéria após uma eternidade de incompreensão. E, devido a esse fato irremediável, implodiu a pane no HD da "Máquina Mirdad". Meu pai, sábio, elevado, já na fase "vento pós-pedra", ensinou-me então a última lição, moldado ao meu método "São Tomé" de aprendizado: retome a sua fé, porque o amor existe e tudo tem o seu tempo, independente das nossas suposições (= brincadeiras) filosóficas sobre a Matrix.

Já no primeiro dia de 2012, o ano fantástico, começou a renovação. E foi assim durante 10 meses. Compreendi o Maktub, e deixei a renovação fluir, no amor, no trabalho e na fé. E hoje, dia em que celebro o ano novo que, pra mim, sempre começa três meses antes (precisamente 86 dias antes), compreendo que não é o "Cada vez mais máquina" que rege o "Octopus Way of Life", uma máquina em simulacro de humano, e sim o óbvio ululante de seu contrário - a carne frágil de homem envolvida pela armadura impenetrável. Abandono a existência máquina, automática, para vivenciar a trégua entre razão e sentimento, numa plenitude inédita, suficiente.

Sagaz como Tony Stark, esse é o meu lema em 2013. Aláfia!

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segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Musiquinha (Mirdad - Banzo)




Musiquinha
Emmanuel Mirdad

Vai, segue o teu caminho sem mim
Vou ficar melhor sozinho
Cansei das tuas paranoias
Eu só quero ser feliz aqui e agora

Ontem é hoje
Amanhã é hoje
Tudo o que nos forma é hoje
E hoje você não faz mais parte de mim
Acabou, é o fim

Sai, dessa redoma psicótica
O que passou não tem mais volta
A vida segue firme lá fora
E você sabe que o “pra sempre” é sempre agora

Ontem é hoje
Amanhã é hoje
Tudo o que nos forma é hoje
E hoje você não faz mais parte de mim
Acabou, é o fim

(06/11/2011)

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domingo, 16 de setembro de 2012

Curador da FLICA 2012!!!



Meu primeiro trabalho como curador foi com o Prêmio Bahia de Todos os Rocks. Depois de duas edições do Prêmio BTR, fui curador do Festival Brainstorm e do Música no Cinema, e participei da curadoria do Santo Antônio Jazz Festival e Recôncavo Jazz Festival.

Ano passado, junto com Alan Lobo, fiz a co-curadoria da Flica, auxiliando o curador Aurélio Schommer, sugerindo mesas com os escritores Ronaldo Correia de Brito e Reinaldo Moraes, e a mesa de poesia com José Inácio Vieira de Melo.

Agora, tenho a honra e a grande oportunidade de participar da curadoria da Flica 2012, a minha primeira na área literária, junto aos parceiros citados acima. Espero ter contribuído para o conteúdo do evento, e que a carreira de curador, que é uma das que mais aprecio, possa se desenvolver ainda mais!

Release no site oficial: http://www.flica.com.br/atracoes/#!prettyPhoto[iframes]/28/

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domingo, 19 de agosto de 2012

Machado de Assis - Seleção de contos para Cinema

Machado de Assis interferido por Mirdad


Ontem passei 9h30 analisando alguns contos de Machado de Assis, o mestre. Cheguei à seguinte lista abaixo (em ordem de minha preferência), com pequeninos resumos básicos que fiz, para servir de estímulo para quem sabe adaptá-los em uma oportunidade futura, quando meu projeto pessoal de migrar ao Cinema estiver concluído.

Recomendo aos roteiristas revistar Machado de Assis, cujos contos abaixo são imortais e atemporais.


01) A Segunda Vida

Diálogo entre um Monsenhor e um desconhecido, que passa a contar sua inacreditável história. O eclesiástico considera-o um louco, e manda chamar a polícia. Só que, enquanto essa não chega, o desconhecido conta sua história: “Como ia dizendo a Vossa Reverendíssima, morri no dia vinte de março de 1860, às cinco horas e...”. 

Contou a sua experiência do outro lado, até que “convidaram-me a tornar à terra para cumprir uma vida nova”, por ser a milésima alma a chegar por lá naquele ciclo. Ele recusou, mas foi obrigado: “Era uma lei eterna”. Então, “a única liberdade que me deram foi a escolha do veículo; podia nascer príncipe ou condutor de ônibus. Que fazer?”. Arrematou habilmente ele negociou seu retorno com a condição única de nascer experiente (cumprindo aquele eterno desejo de “Quem me dera aquela idade, sabendo o que sei hoje”), sabendo de tudo desde o início. 

A partir daí, o desconhecido narra como foi a sua vida extremamente calculada, por ter a mesma consciência da última vivida (que tinha morrido experiente, aos 78 anos), até o clímax que o levou ao Monsenhor.


02) O Enfermeiro

O enfermeiro quarentão aceita uma boa oferta para cuidar do Coronel Felisberto, só que ele não sabia que o mesmo era um “homem insuportável, estúrdio, exigente, ninguém o aturava, nem os próprios amigos”. Passa por humilhações incríveis (“Era eu sozinho para um dicionário inteiro”), até agressão física, mas resiste no cargo. 

O Coronel piorou da saúde, fez testamento, agravou as agressões ao enfermeiro, até que um dia este o matou. Teve sorte que ninguém percebeu que tinha assassinado o Coronel, e todos acabaram aceitando que o mesmo morreu dormindo. Só que o enfermeiro é consumido pela culpa. Retorna à capital, mas tem que voltar ao interior porque descobriram que ele é o único herdeiro do Coronel, que não tinha filhos. Ficou consumido pela culpa, achando que era uma cilada, mesmo assim, ele retorna ao interior.

Já foi adaptado por Mauro Farias em 1998 (com Matheus Nachtergaele e Paulo Autran), aqui.


03) Anedota Pecuniária

Homem solitário que amava o dinheiro de forma extrema. “Não ama o dinheiro pelo que ele pode dar, mas pelo que é em si mesmo. Não ganha para esbanjá-lo, vive de migalhas; tudo o que amontoa é para a contemplação”. À noite, acorda pra ir olhar o dinheiro, ouro, títulos, apenas para fartar-se a olhá-los. A fala resume: “Dinheiro, mesmo quando não é da gente, faz gosto ver”. 

Não era casado - “Casar era botar dinheiro fora”, mas uma sobrinha órfã vem morar com ele. O sócio no jogo se envolve com a sobrinha e pede a mão dela em casamento. Ele nega veementemente. E a sobrinha chora, mas pede pro amado esperar. Pra saldar uma dívida de jogo, o homem aceita o casamento e sofre pela solidão em casa, agravada quando o casal se muda pra Europa. 

Aí, o destino coloca outra sobrinha em seu caminho, também órfã. Esta cuidou dele melhor que a outra, e ele ficou mais afeiçoado ainda. Só que, pra não perdê-la como a anterior, passou a ser extremamente rigoroso com ela, cerceando seus movimentos ao máximo. Mas ela se envolve com um rapaz, que vem dos EUA com uma coleção de moedas que o pecuniário nunca viu. Pela troca, ele aceita o novo casamento de sua última sobrinha, legado à solidão da contemplação de seu novo dinheiro.


04) A Igreja do Diabo

O Diabo resolve fundar sua igreja: “Embora os seus lucros fossem contínuos e grandes, sentia-se humilhado com o papel avulso que exercia desde séculos, sem organização, sem regras, sem ritual, sem nada”. Para ele, “Uma igreja do Diabo era o meio eficaz de combater as outras religiões”, pois, “Enquanto as outras religiões se combatem e se dividem, a minha igreja será única; não acharei diante de mim, nem Maomé, nem Lutero. Há muitos modos de afirmar; há só um de negar tudo”. 

O Diabo vai até Deus, que permite que faça. E a igreja é um sucesso de público. Porém, o Diabo se frustra; com o passar do tempo, seus fieis passam a fazer o bem às escondidas. Enfurecido, vai reclamar para Deus, que o alerta: “Que queres tu, meu pobre Diabo? É a eterna contradição humana”.


05/06) O Machete + Um Homem Célebre

O Machete: Músico de violoncelo vive a angústia de seu instrumento não ser popular como o do músico de “machete” (cavaquinho). Um amigo, fã do violoncelista, tenta convencê-lo do seu talento. No final, a mulher do violoncelista o troca pelo tocador de machete, amigo de ambos.

Um Homem Célebre: Famoso compositor de polcas (músicas populares da época), fica se martirizando para compor uma peça clássica. Admira os clássicos, e quer compor como eles, mas não consegue. E, quando faz, é mera memória de uma peça que já existe. Em contrapartida, continua a compor polcas melhores, mais populares, sucesso de público. Mesmo assim, fica cada vez mais irritado “As polcas que vão para o inferno fazer dançar o diabo”. Acaba casando e, apaixonado, compõe um noturno para ela. Porém, ela pergunta: “Não é Chopin?”. Era mais um fragmento de sua memória. Morreu consagrado pela polca, de bem com os homens, mas de mal consigo mesmo. 

“Um Homem Célebre” já foi adaptado por Miguel Faria Jr. em 1974


07) Pai contra Mãe

Um homem sem ofício definido, mudando sempre de emprego, instável, resolve se tornar pegador de escravos fugidos. Acaba se casando com uma mulher, que traz a tia para morar na mesma casa. A situação passa a se agravar e, na falta do emprego fixo, na instabilidade de caçar escravos, tudo começa a faltar. Pra piorar, a mulher fica grávida. 

A tia faz um inferno pra que o homem arrume um emprego melhor. Fica cada vez mais difícil encontrar negros fugidos, tanto pela concorrência com outros caçadores, quando por outros motivos. Nasce o filho, e a miséria tá braba. A tia aconselha dar o filho pra adoção. O pai não quer de jeito algum. Ele se concentra em achar uma negra fugida, que tem uma excelente recompensa prometida. Nada, não acha, dias e dias sem sucesso. 

Quando resolve entregar o filho à adoção, encontra a escrava. Batalha pra conseguir pegá-la. Ela está grávida e suplica pela liberdade, que se voltar será duramente castigada, e perderá o seu filho na barriga. Impassível, o homem a entrega para o patrão e ganha a recompensa, que poderá tirar a família da miséria. Leva o seu filho de volta pra casa, e encerra o conto assim: “Nem todas as crianças vingam”.

Já foi adaptado em 2005 por Sérgio Bianchi aqui


08) A Chinela Turca

Homem recebe uma visita inesperada de um Major que lhe passa a contar uma história. O homem é inserido nessa história, com pegadas surreais kafkianas, passa a vivenciá-la, de madrugada, em que é acusado de roubo de uma chinela pela polícia, levado a um encontro em que é obrigado a casar com a dona da chinela, escrever seu testamento e depois tomar veneno. 

Situação crítica, consegue escapar, chega à casa do Major que lhe pergunta: “Fim do último quadro. Que tal lhe pareceu”?, retornando à realidade. Frase final do conto: “O melhor drama está no espectador e não no palco”.


09) Primas de Sapucaia!

Homem se apaixona apenas por ver ao longe uma mulher. Acompanhando suas primas numa missa, a enxerga novamente andando na rua. Entenda: “Saí tonto, mas saí também desapontado, perdi-a de vista na multidão. Nunca mais pude dar com ela, nem ninguém me soube dizer quem fosse. Calcule-se o meu enfado, vendo que a fortuna vinha trazê-la outra vez ao meu caminho, e que umas primas fortuitas não me deixavam lançar-lhe as mãos”. 

Passou a procurá-la perdidamente, mas não encontrou. Sem recurso, só restou sonhar o encontro com a dama incógnita. Imagina toda uma relação, conhecendo-a, namorando-a, e fugindo com ela (era casada). Tempo passou, o homem fez uma viagem com um amigo. Este, tinha acabado de tirar uma mulher do seu marido, e foi morar com ela nessa cidade. Quando o homem foi conhecê-la, era exatamente a dama incógnita e, pior, com o mesmo nome imaginado no sonho: Adriana. 

Depois das férias, a grande ironia: o amigo se ferrou com a Adriana, que se revelou uma mulher miserável, insuportável, que legou um comentário desse: “A minha vida gorou”. Pior: seis meses depois, Adriana abandonou o amigo por um outro homem. Pior mais ainda: o amigo correu atrás, e se reconciliou com a viúva negra que, no fim, levou-o à morte. Ou seja, o homem apaixonado (o narrador do conto) pulou uma senhora fogueira.


10) Entre Santos

Um capelão presencia um diálogo fantástico, à noite. Quatro santos da sua igreja (São José, São Miguel, São João Batista e São Francisco de Sales) descem dos seus altares e conversam sobre os fiéis da igreja e os seus devotos, revelando suas angústias, peculiaridades, hipocrisias, desejos, limitações, surpresas. O brilho deste conto é ser apresentado às análises de seres divinos sobre o pobre e imprevisível ser humano, sendo que estas análises foram criadas por um mero mortal escritor.


Machado de Assis interferido por Mirdad


11/12) A Cartomante + A Causa Secreta

Triângulo amoroso. Homem se apaixona pela mulher do amigo de infância (“Camilo quis sinceramente fugir, mas já não pôde. Rita, como uma serpente, foi-se acercando dele, envolveu-o todo, fez-lhe estalar os ossos num espasmo, e pingou-lhe o veneno na boca”). Entrega-se à paixão, e o amigo não desconfia de nada. Até que o homem recebe uma carta anônima “que lhe chamava imoral e pérfido, e dizia que a aventura era sabida de todos”. 

Afastou-se então da casa do amigo, e a mulher foi consultar-se a uma cartomante pra saber o que estava acontecendo. O amigo corno passou a ficar estranho, até que o homem recebe outra carta: “Vem já, já, à nossa casa; preciso falar-te sem demora”. O homem, desconfiado, passa a ficar paranoico com a carta, enche-se de dúvidas e, por coincidência, acaba se consultando na cartomante que a mulher foi. Destaque para a paranoia e ao diálogo irônico com a cartomante. Final trágico.

PS - Dá pra mesclar com diversos pontos do conto “A Causa Secreta”, que também é sobre um triângulo amoroso, enriquecendo a adaptação.

A cartomante já foi adaptada duas vezes, em 1974 e 2004.


13) Galeria Póstuma

Um homem nobre, querido por todo o bairro, faleceu e deixou a todos consternados com isso. Rico e letrado, prestativo, amigo, alegre, etc. Viúvo, morava com ele apenas um sobrinho. Após o enterro, os amigos mais próximos reuniram-se para exaltar as qualidades do falecido. Até que o sobrinho descobre um diário nas gavetas do morto. Pois ao lê-lo, surpreende-se com o tio descascando geral todo mundo, inclusive ele (“Quis reler, e não pôde; essas poucas linhas davam-lhe a sensação de um espelho”).


14) Último Capítulo

Um homem extremamente azarado, (“caipora”, na descrição de Machado), à beira do suicídio, rememora sua vida repleta de coincidências infrutíferas até chegar ao ponto de “Cansado e aborrecido, entendi que não podia achar a felicidade em parte nenhuma; fui além: acreditei que ela não existia na terra, e preparei-me desde ontem para o grande mergulho na eternidade”.


15) Pílades e Orestes

Bela história de cumplicidade entre dois amigos homens. “A vida que viviam os dois, era a mais unida deste mundo. Quintanilha acordava, pensava no outro, almoçava e ia ter com ele”. Ambos se apoiavam, trabalhavam juntos, ajudavam-se em diversos casos da vida. Até que o mais influenciável se apaixona pela prima, e pensa em casar com ela. 

Vai até o amigo conselheiro pedir sua aprovação, e este reage assim: “Não me pergunte nada; faça o que quiser”. Isso ocasiona diversos questionamentos no influenciável, e a paranoia cresce ao ponto de criar um pesadelo em que o conselheiro e a prima se amam, e ele é o seu rival, portanto. Fica tão paranoico que faz um testamento em que obriga a prima a casar com seu amigo, o que acaba acontecendo, e ele ainda vira padrinho. Morre por uma bala perdida, e o conselheiro fica com a culpa lhe consumindo.


16) Verba Testamentária

Conta da vida de Nicolau, personagem complexo, sofrendo de uma moléstia estranha: era bipolar. Quando criança, destruía os brinquedos das outras crianças. Depois, conforme crescia, destruía as roupas, as faces. Família trancava-o em casa, ele ficava dócil, amável. Quando solto, voltava a destruir. Sempre destruía algo que fosse melhor que o seu. Era capaz de bater nos escravos, no cachorro, tratar todos muito mal, dormir, e no dia seguinte, ser a melhor das criaturas, dócil, afável. “Os amigos eram os rapazes mais antipáticos da cidade, vulgares e ínfimos”.


17) Singular Ocorrência

Homem casado se envolve com uma bela mulher pobre que não sabe ler. Ensina-a, e passa a ter relações com ela, protegendo-a, ensinando-a. Mora sozinha, “não tendo família para passar a festa de S.João, ia jantar com um retrato”. Até que, um sujeito reles e vadio, por um mero acaso, resolve abrir sua felicidade ao homem, contando detalhes da aventura que teve com uma mulher, que é a mesma que era amante do homem. 

Este, paga-o para levá-lo até a mulher, que é confirmada como a traidora. A amante que trai. Foi a única vez que fez, por nostalgia da lama. O homem, perturbado, passa a inventar situações que ela não tinha feito isso, até que ela some, provocando intensa angústia e diversos meios para encontrá-la. Quando a encontra, a perdoa pela traição, compra uma casa pra ela e até tem um filho.


18) Uma Noite

Um soldado conta para o outro uma história sua que nunca compartilhou. Conheceu o amor por via de uma viúva jovem, com filho novo e mãe velha. As famílias se aproximaram. Eles se apaixonaram. Só que, de repente, num dia qualquer, a viuvinha tem um surto de loucura brabíssimo (cena clímax), mordendo até a mão dele. 

Vai imediatamente para o hospício, e ele se distancia dela. Fica amargurado. Diversos anos depois, a reencontra por acaso numa peça de teatro. Aparentemente curada da loucura, tornou-se atriz de uma companhia. É a chance de reatarem. Ou não. Um trágico desfecho evita que o soldado conte o final de sua história.


19) Terpsícore

Um casal passa por sérias dificuldades financeiras, até que o marido ganha na loteria. Salda as dívidas, mas ao invés de poupar, começa a torrar o dinheiro comprando um vestido novo para a esposa e dando uma festa de arromba (“um pagode”). 

É um conto para celebrar a vida. Mesmo diante das maiores dificuldades, vive-se bem, celebrando. Retrata um pouco o hedonismo, tão presente nos dias atuais. Destaque para a descrição de como se conheceram, e da festa.


20) O Empréstimo

Um homem sem recursos vem pedir um empréstimo de cinco contos ao tabelião para abrir um negócio. O conto todo é o diálogo como o tabelião consegue negar todos os pedidos de empréstimo, que aos poucos vai baixando de valor, até chegar ao mínimo de cinco mil réis. E a soberba do conto é que no final, mesmo com os míseros cinco mil réis, o homem vai embora feliz da vida, como se tivesse conseguido os cinco contos.


21) Noite de Almirante

Marujo faz juras de amor com uma mulher, separa-se por 10 meses (em que foi fiel a ela) devido ao trabalho, e quando volta, ela está com outro. Frustração plena no diálogo dolorido do reencontro (ainda mais que ele trazia um presente especial pra ela). “Pois, sim, Deolindo, era verdade. Quando jurei, era verdade. Tanto era verdade que eu queria fugir com você para o sertão. Mas vieram outras coisas... Veio este moço e eu comecei a gostar dele...”.


22) Conto Alexandrino

Dois filósofos buscam provar uma nova teoria, de que se o ser humano beber o sangue dos animais, passa a ter a qualidade primordial deste. Por exemplo, se beber o sangue de um rato (desde que este seja extraído debaixo do escalpelo, para que o sangue traga o seu princípio), o homem vai virar um ladrão autêntico. 

Passam a exterminar diversos ratos e a beber o sangue deles. Até que um começa a roubar a ideia do outro. Provaram a teoria. Só que passaram a roubar documentos valiosos, até serem pegos. Por fim, acabam sendo dissecados (assim como fizeram com vários ratos) por Herófilo, o inventor da anatomia, que conseguiu aprovação do Governo para dissecar prisioneiros em nome da ciência.

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quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Vamos ouvir o novo CD da Tulipa Ruiz

Tudo Tanto (2012) - Tulipa Ruiz




Não consegue visualizar o player? Ouça aqui


Release pelo blog Eu Ovo:

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O segundo disco de Tulipa Ruiz vazou pelas mãos da própria artista. ‘Tudo Tanto’ segue a mesma linha de ‘Efêmera’ e ainda consegue ser melhor que o antecessor. Com produção do irmão, Gustavo Ruiz, Tulipa mostra belas composições, recheadas de concretismo pop-art.

O álbum abre com ‘É’, para deixar bem claro a que veio Tulipa com essa obra. “Pode ser e é”, enfatiza ela. ‘Ok’ é uma daquelas baladinhas que enaltecem as características vocais da cantora, e convenhamos, tem a cara da Tulipa. ‘Quando eu achar’ é quase um reggae-slow-ska que encerra com aliterações onomatopéicas.

‘Like this’ tem Daniel Ganjaman nos sintetizadores e a cantora divide a marcação vocalize com a guitarra sempre eficiente do pai Luiz Chagas. Uma bossa nova surgiu em ‘Desinibida’, com uma guitarrinha lap steel de Kassin, e um piano rhodes de Donatinho, que também aparecem em ‘Script’, além de Rafael Castro na guitarra e Dudu Tsuda no moog.

‘Dois cafés’ traz a especialíssima participação de Lulu Santos nos vocais e na guitarra slide, uma canção pop pós-calypso. ‘Expectativa’ tem parentesco próximo com o disco de estreia da cantora, um pop dançante de levada simples, composta em parceria com o irmão. A canção ‘Bom’ ressalta o arranjo de cordas e madeiras de Jacques Mathias.

‘Víbora’ é um slow-blues rasgado composto junto com Criolo e a banda, Gustavo Ruiz e Luiz Chagas nas cordas e Caio Lopes na bateria. Destaque para a bela letra e os gritos ensandecidos de Tulipa encarnando uma Janis Joplin tupiniquim. O disco encerra com ‘Cada voz’, numa explosão catártica de metais e guitarras com efeitos.

O disco novo da Tulipa é como uma evolução, uma continuação, como se fosse a parte dois de um filme de sucesso, mais ação, mais risos, mais romance, mais tudo... Para agradar tanto aos novos ouvintes quanto aos já iniciados.
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sexta-feira, 20 de julho de 2012

Resultado dos editais Secult 2012




Saiu no Diário Oficial de hoje, 20 de julho de 2012, na edição de número 20.903, a lista com os projetos pré-selecionados e não selecionados dos seguintes editais: Setoriais de Literatura, Música, Artes Visuais, Circo, Dança e Teatro, Economia Criativa, Projetos Estratégicos em Cultura, Culturas Digitais, Formação e Qualificação em Cultura, Culturas Populares e Culturas Identitárias.

O link para ver a lista completa está aqui, a partir da página 27.(desde que esteja selecionada a edição do dia 20 de julho de 2012, número 20.903).

Seguem abaixo as listas dos projetos Pré-selecionados nos editais de Literatura e Música:


Portaria nº 198 de 19 de julho de 2012
Torna pública a lista de propostas pré-selecionadas no Edital 15/2012 – Setorial de Literatura


         KARINA RABINOVITZ

            O LIVRO DE ÁGUA

2          FREDERICO JOSÉ DE SOUZA CASTRO
            KITANDA DO BEM DIZER

3          Flávia Bomfim Hasselman
            Primeiro Festival de Literatura e Ilustração da Bahia

4          James Mendonça Martins
            Pós-lida

5          ESCOLAS REUNIDAS MUNICIPAL FERNANDO PRESÍDIO
            GRUPO DE RECITAL NORDESTINIDADE

6          VIVALDO LIMA TRINDADE
            A CIDADE E OS NOMES

7          LAURA CASTRO DE ARAUJO
            FIO CONDUTOR

8          Katherine Funke
            OFICINA DE ESCRITA CRIATIVA: CONTOS

9          MARIA BARBARA VIEIRA FALCON
            SALVADOR GRAFFITI: A ARTE DAS RUAS

10        MOEMA SILVEIRA FRANCA
            BEM AQUI, EM LUGAR NENHUM
            -PUBLICAÇÃO DE LIVRO DE CONTOS

11        GUSTAVO BARBOSA FELICÍSSIMO PEREIRA
            DENDÊ NO HAIKAI

12        INAIARA LIMA DE SOUZA NUNES
            O ESTÉTICO E O LÚDICO 
            NA LITERATURA INFANTO JUVENIL

SUPLENTES

13        JAIRO DA SILVA GERBASE
            REEDIÇÃO DA OBRA DO ESCRITOR BAIANO 
            EUCLIDES NETO ( SETE VOLUMES)

14        TIAGO PINTO RIBEIRO
            LIVRO REDONDO

15        JOSÉ INACIO VIEIRA DE MELO
            1ª FLIM - FESTA LITERÁRIA DE MARACÁS

16        MÔNICA DOS SANTOS SILVA
            EBOMI CIDÁLIA - 80 ANOS: 
            A ENCICLOPÉDIA DO CANDOMBLÉ

17        MATEUS CRISÓSTOMOS BORBA DE MORAES
            OS CINCO POETAS LIVRO 1

18        IRAN VIEIRA SILVA
            Grupo Flor de Mandacaru: 
            recitando o Nordeste em versos de cordel

19        MARIILTON LOPES CORREIA
            PEQUENAS LINHAS DO TEMPO 
            - MINICONTOS & MINICRÔNICAS

20        NAIARA DOS SANTOS OLIVEIRA
            BRINCAR COM PALAVRAS: 
            POESIAS E OUTRAS INFANTILIDADES

21        Associação Cultural Biblioteca Betty Coelho
            Festival de Contação de Histórias - Festcontos

22        NEIDE CORTIZO ANDION BELLINTANI
            HISTÓRIAS ADÚLTERAS

23        ACADEMIA DE LETRAS DE JEQUIÉ
            ANÉSIA CAUAÇU: PUBLICAÇÃO E LANÇAMENTO



Portaria nº 199 de 19 de julho de 2012
Torna pública a lista de propostas pré-selecionadas no Edital 16/2012 – Setorial de Música


1          Anderson de Sousa Costa
            Dão e A CaravanaBlack - Circuito Bahia

2          Antonio Carlos Nykiel
            A Arte de Mestre Lourimbau

3          BRUNO CÁSSIO MORAES LEAL
            CD BOPSAMBA

4          CÉLIO VIEIRA SANTOS
               CEVISA E PROMESSA DE CERA: CORDÉIS, MARACATUS E BAIÃO

5          CLARA MARQUES SANTOS
            DRAMASCOPE VOL. 1 - RETROFOGUETES

6          CRISTINA MARIA DE JESUS VELAME
            VIOLEIRANÇA - ANO 3

7          DAYANE SENA DE SANTANA
            CD- ORQUESTRA AFRO SINFÔNICA

8          EDMILIA BARROS SILVA
            TURNÊ SERTÕES GERAIS DA BANDA SERTANÍLIA

9          ENIO SILVA NOGUEIRA
            UMA PARTE DE TODO - ENIO E MALOCA

10        Francisco Carlos Amorim da Silva
            FEMP-B (Festival de Música Pioneiras - Brumado)

11        Fundação Eco-Educativa Fred Dantas,Escola Ambiental
            Edição do livro ‘ A sementinha Musical’

12        Gabriel Guedes dos Santos
            “PRADARRUM, Bahia!”

13        Josevaldo de Almeida Silva
            Um Sopro Novo No Território do Sisal: 
            Oficinas de Música, Reciclando o Som

14        Luciano Barreto de Matos
            Radioca – Seu programa dependente de música

15        Luiz Rocha Palma Filho
            Papo de Gaita

16        MARCOS ALMEIDA CLEMENT
            GRAVAÇÃO CD CAMISA DE VÊNUS

17        Maria de Fátima Gomes da Costa
            CD “Terreiros” - Roque Ferreira

18        ROBERTO PEREIRA PITOMBO
            SUBIDA DA GAMBOA

19        ROSILDO MOREIRA DO ROSÁRIO
            I E II SÉRIE DE CD’S CASA DO SAMBA

20        SOCIEDADE CULTURAL ORFÉICA LYRA CECILIANA
            Lira Ceciliana - 142 Anos de Música e História

21        Valmir Pereira dos Santos
            Quarta dos Tambores

22           ASSOCIAÇÃO CARNAVALESCA BLOCO AFRO GINGA DO NEGRO
            ENSAIOS DOS AFROS E AFOXÉS 2013

SUPLENTES

23        Sociedade Filarmônica Lira 30 de Março
            Oficina de Musica Educacional

24        Hairton Gonçalves
            CORDAS & DEDOS

25        Ana Regina Nunes dos Santos
            Circula Viola - Circulação, Difusão e Intercâmbio Musical

26        CLARISSA SANTANA DE OLIVEIRA TORRES
            QUEM VEM LÁ SOU EU

27        Paulo Cezar Oliveira e Oliveira
            Expresso Bahia Rock - Festival de Rock Itinerante

28        Luciano Cardoso Simas
            Catálogo Audiovisual Música BA

29        POLIANA POLICARPO DE MAGALHÃES AGUIAR
            TRILOGIA MUSICAL “O AUTO DA GAMELA

30        Paulo Oliveira Rios Filho
            Amado-Cantado: quatro canções contemporâneas e 
            três interlúdios sobre a obra de Jorge

31        ALISSON FERNANDO MENEZES LIMA
            FALA MEU BOI BAIANO

32        Ivan Ferreira da Silva
            João Sereno e a música das Rodas de São Gonçalo

33        JOSÉ ÁLVARO LEMOS DE QUEIROZ
            ALVARO LEMOS E OS ROMEUS 
            - CATEQUIZANDO AS MURIÇOCAS

34        André Luis Pereira dos Santos
            Mais Mundo
            – Turnê Baiana da a Volante do Sargento Bezerra

35        José Luciano Azevedo de Aguiar
            CD Ventaneira

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