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Mostrando postagens de Junho, 2015

O grito do mar na noite no portal G1 Bahia

O grito do mar na noite no site G1 Bahia de 30/06/2015

O lançamento do meu livro de contos O grito do mar na noite (Via Litterarum/2015) em destaque hoje, 30/06/2015, no portal de notícias G1 Bahiaem uma matéria massa da jornalista Tatiana Dourado. Leia aqui. O lançamento será hoje, terça-feira, dia 30/06, às 19h na Confraria do França, Info aqui.


O grito do mar na noite em destaque na capa do portal G1 Bahia de 30/06/2015

O grito do mar na noite - Trechos dos contos

O grito do mar na noite (Via Litterarum/2015) é o novo livro do escritor e produtor Emmanuel Mirdad, e traz dez contos, que tiveram alguns trechos selecionados para que o público pudesse ter uma noção do conteúdo da obra. Confira abaixo, na ordem de aparição no livro.




Um bisavô é abandonado pela filha e tem de viver em um asilo contra sua vontade, até que ele tem a chance de retribuir a covardia. Leia aqui






A história da cabocla Lourdes, a sanfoneira caolha, uma homenagem para a canção Assum preto, de Humberto Teixeira e Luiz Gonzaga. Leia aqui






O opressor que é oprimido e o oprimido que pratica a opressão, que devoram e são devorados num ritmo cinematográfico de um farto banquete. Leia aqui






A saga de Pedro Henrique, um autodestrutível Casanova às avessas, que recebe uma série tragicômica de foras de mulheres. Leia aqui






Um menino sofre de câncer e é maltratado pela babá. Porém, se aqui, em vida, você faz, às vezes, com a vida, você paga. Leia aqui






A descartabilidade das relações afetiva…

O grito do mar na noite no jornal Correio

O grito do mar na noite no jornal Correio de 29/06/2015

O lançamento do meu livro de contos O grito do mar na noite (Via Litterarum/2015) em destaque no jornal Correio de hoje, 29/06/2015, em uma matéria massa da jornalista Ana Paula Lima. O lançamento será amanhã, terça-feira, dia 30/06, às 19h na Confraria do França, Info aqui.


Versão digital da matéria

Origem do título O grito do mar na noite

Anagrama formado por títulos dos livros do escritor Hélio Pólvora (1928-2015): O grito da perdiz, Mar de Azov e Noites vivas, todos da coleção lançada pela Casarão do Verbo em 2013 - veja as Pílulas da coleção aqui. O livro O grito do mar na noite, de Emmanuel Mirdad, é dedicado ao mestre do conto. Release aqui.


O grito do mar na noite no traço do seu autor

O grito do mar na noite - Chá de boldo - Trechos do conto

Um bisavô é abandonado pela filha e tem de viver em um asilo contra sua vontade, até que ele tem a chance de retribuir a covardia.

“O velho tava sossegado. A filha pediu: ‘É tipo endoscopia, não posso ir sozinha, e ele não pode ir’. O marido, sempre imprestável, desses que remexem suas coisas porque você mora de favor na casa dele, arrumou um serviço de ontem pra hoje. E saiu antes do pão ficar pronto; da torradeira para o lixo – ninguém mais lidava com o glúten. O pai velho respondeu que sim, antes que a filha terminasse o pedido, desses que te amam com a disposição imediata, independente, sem custo, critério, condição.” (p. 12)


“O velho parou de ouvir. Deixou a assistente social, amparada pelo segurança desnecessário, falando sozinha e saiu sem rumo do hospital, sem fome, sem sede, sem a dignidade que possuía horas atrás, numa manhã que começou normal, como todas as outras nesses quase oitenta anos. Teve medo. Na carteira, documentos, pouco dinheiro, cartão do banco. Todos os irmãos e…

O grito do mar na noite - Sol de abril - Trechos do conto

A história da cabocla pernambucana Lourdes, a sanfoneira caolha, exímia instrumentista, uma homenagem para a canção Assum preto, de Humberto Teixeira e Luiz Gonzaga.

“A senhora, séria, reconhece o apelido como se fosse de batismo; parece que o tapa-olho, preto como o de um pirata de fábula, a cara fechada, de raras expressões e nenhum sorriso e a perda de um olho de forma trágica rendem uma aura de valentia e o espaço suficiente para ser respeitada como uma sobrevivente, quiçá temida. Sapiência? Quase como um bluesman da Louisiana, a sanfoneira deixou o tom maior, infantil e inócuo, para emocionar melodias em tom menor, a cor e a textura do idioma do coração. Instrumentaliza um forró em ré menor, mas é um blues, um lamento, sertanejo, sincronicamente ligado aos cânticos do banzo, da melancolia dos escravos, de qualquer tempo, raça e sofrimento.” (p. 23)


“Quase sempre abria o fole da sanfona com o sol. Talvez fosse uma mania, ou um gesto ingênuo – o breve escape, munido da delicadeza, a a…

O grito do mar na noite no A Tarde online e no blog Rock Loco

Original daqui


Original daqui
Sobre o lançamento clique aqui

O grito do mar na noite - O banquete - Trechos do conto

O opressor criminoso e o oprimido vítima. E o opressor que é oprimido e o oprimido que pratica a opressão. Encadeados, lésbica, negro, machista, velho, racista, pobre, estrangeiro, nordestino, nazista, entre outros tipos urbanos que devoram e são devorados num ritmo cinematográfico de um farto banquete.

“Um homem corre. Um bando corre atrás, com pedaços de pau, soqueiras, canivetes e rojões. A camisa dele é de cores frias, diferente das cores quentes da turba uniforme. Ele tem um nome: Carlito Alarcón. Tem um rosto, preferências, trabalho. Parentes, mulher, amigos, mãe. É moreno, um chapaco da cidade de Tarija, sul da Bolívia. A massa, não; é apenas impulso, vômito, ação assassina. Sem rosto, sem indivíduos, inimputável – relativa e absurdamente pode até ser considerada mais vítima que a vítima que está sendo caçada, caso a análise parta de algum fascinado que presuma a onipresença de um opressor hipotético: o sistema (...) Um homem e seu erro: desgarrou-se da sua turba para telefonar. I…

O grito do mar na noite - Receba - Trechos do conto

A saga de Pedro Henrique, um autodestrutível Casanova às avessas, que recebe uma série tragicômica de foras de mulheres, em fracassos e vergonhas dos jogos de conquista e sedução barata.

“Domingo de Carnaval, único dia saindo em bloco, PH se perdeu dos sócios. Sozinho, preferiu ‘casar’ com alguma gatinha. Sintonizou com uma linda negra, elegante e esguia, pescoço nobre, tal qual uma rainha. Carioca, usava umas tranças coloridas e tinha um sorriso do tamanho do mundo (...) Casaram pelo trecho final do bloco, com muita dança, pulos, alegria, e PH de rei, com sua rainha e as princesas do Rio, todas babando com seu jeito engraçado, solto, feliz. Maravilha! (...) A segunda-feira de Carnaval passou, e o camarote foi um tédio. Os sócios reclamaram, e quando a gauchada voltou pra mais uma orgia, PH preferiu dormir trancado no quarto menor do apê. Macambúzio, adolescente tardio e apaixonado, orou diante do espelho: ‘Quero reencontrá-la, me ajuda, Senhor!’ (...) No dia seguinte, último do Carnaval…

O grito do mar na noite na rádio CBN Salvador

Ouça aqui a entrevista de Emmanuel Mirdad no programa CBN Bate-Papo de hoje, rádio CBN Salvador, divulgando o lançamento do livro de contos O grito do mar na noite (Via Litterarum/2015). Também segue disponível abaixo, via Youtube. Info sobre o lançamento aqui.










Post de divulgação aqui

Flyer de divulgação

Flyer de divulgação

O grito do mar na noite no jornal A Tarde

O grito do mar na noite no jornal A Tarde de 25/06/2015 Clique na imagem para ampliar.

O lançamento do meu livro de contos O grito do mar na noite (Via Litterarum/2015) em destaque no jornal A Tarde de hoje, 25/06/2015, em uma matéria massa do jornalista Chico Castro Jr. O lançamento será na próxima terça, dia 30/06, às 19h na Confraria do França, Info aqui.


O lançamento em destaque na capa do caderno 2+ do jornal A Tarde de 25/06/2015 

Versão digital da matéria - clique na imagem para ampliar



O grito do mar na noite - Aqui se paga - Trechos do conto

Um menino sofre de câncer e é maltratado pela babá. Porém, se aqui, em vida, você faz, às vezes, com a vida, você paga. É o menor conto do livro.

“O pequenino tem os cabelos ralados pela quimioterapia agressiva, e a cabecinha começa a doer muito na escada rolante de um shopping. Chora silenciosamente, sente a dor aguda, mas as lágrimas, quando escorrem, costumam agredir a quase microscópica e incipiente paciência do intolerante. A babá vocifera cuidadosamente ao ouvido do pequenino, com os maquiavélicos bons modos de quem não desperta a curiosa atenção alheia: – Se você chorar, te levo ali na farmácia pra tomar injeção. Não chore! Quer tomar injeção?!” (p. 70)


“A dor era tão forte, que o pequenino nem conseguia gemer, só escorrer lágrimas e contrações no rosto, e a mãozinha esquerda roçando o cocuruto ralo de fios como numa prece pelo fim da dor aguda, certeira e impiedosa. E, ao ouvir a palavra injeção, o terror disparou a mãozinha a enxugar freneticamente as lágrimas, o que só fazia j…

O grito do mar na noite - No palheiro - Trechos do conto

A descartabilidade das relações afetivas e seus inúmeros desencontros.

“Carnaval de Salvador, Bahia, fevereiro de 2010. Fernando, carioca, estava de abadá, dentro do bloco, segmentado pelas cordas, atrás do trio, no asfalto da Avenida Oceânica. Carine, soteropolitana, estava de camisa colorida e salto alto, dentro de uma estrutura confortável, à frente da grade, rodeada por gente ‘diferenciada’, no alto do camarote. Quando ele a viu, sumiu dos amigos e das rodinhas de xibiatagem. Quando ela o viu, já tinha sumido do seu companheiro de enfeite e das amigas previsíveis. A ponte foi construída no exato instante em que ambos se entreolharam em magnetismo não-aleatório (...) Ele fixou o olhar. Ela desviou, mas voltou e desviou umas três vezes, até fixá-lo definitivamente. O tempo não parou, mas foi como se. E o sorriso veio cúmplice, só de boca, sem dentes. Ali e assim, compartilharam a longínqua possibilidade de um grande amor, de filhos, família, viagens e aquele maravilhoso pacote de fel…

Carlos Barbosa comenta sobre O grito do mar na noite

Leia aqui

Dez passagens de Dino Buzzati no livro Naquele exato momento

Dino Buzzati (foto daqui)

"É paradisíaca a escadaria de onde se assiste ao triunfo do Eterno."


"E sobre a morte, você não diz nada? Não cogitou dela? Ela continua a subir dentro de você. Ainda que em todo o seu corpo não houvesse nem uma célula gasta, da mesma forma ela avançaria. Desde o dia em que você nasceu, está subindo milímetro por milímetro (...) Você não pensa nisso, é verdade, por enquanto esqueceu completamente, mas quando parece que lhe falta somente um sopro, uma distância imperceptível, menos de um passo, para ser feliz, aí você tropeça e não avança nem consegue saber por quê, esse intervalo infinitesimal é sempre ela, a morte, e você pode fugir pelos oceanos e pelos montes, você a trará sempre dentro de si mesmo e, odiando-a mais do que qualquer outra coisa, a nutrirá de si próprio dia e noite: nunca houve mãe tão dedicada ao filho."


"As páginas da vida, quero dizer, as horas, os dias astronômicos e os meses, sem necessidade de estúpidas metáfor…

O grito do mar na noite - Não escaparás - Trechos do conto

Criança, jovem, velho. Todos estão se movendo ao irremediável encontro com o gume do fim.

“Dois amigos velhos e viúvos passeiam na rede mundial, cada qual com o avatar que menos se associa à carne que naturalmente os comporta, deteriorados pelo tempo. O interregno é breve, via gtalk (...) – Não há o que fazer. O que faço, então? (...) – Respire (...) – Tomei metade. Preciso da outra metade. Eu sou um covarde corajoso. Ou um corajoso covarde? (...) – Não faça (...) O que tomou os comprimidos minimiza a tela, para buscar a música My way, na voz de A Voz. O software é novo, não consegue encontrar. Mesmo com a demora, continua o silêncio. Maximiza: – Não há nada além de mim aqui. Estou só, e mal acompanhado de mim mesmo (...) – Faça (...) – É impossível” (p. 83 e 84)


“O menino estalou sua pequena coluna em formação e se cansou de ficar sentado em frente a centenas de amiguinhos virtuais. Apagou o monitor e ricocheteou pela casa, sem encontrar nada que pudesse aplacar a tão bem firmada ansi…

O grito do mar na noite - Assexuada - Trechos do conto

Monique, a mulher que nunca gozou e não se importa.

“Monique não era virgem. Teve alguns namoros, de curta duração, até quando estourava o saco de transar por ficção – às vezes nem isso. O melhor namorado dessa época foi um gay não assumido que também precisava do disfarce, embora não soubesse – nunca soube – da real situação da assexuada; achava que era frígida e só. Engano. Monique não era frígida. Para ser, é preciso querer sentir, mas não sente e até cansa de tentar, negando o ato sexual. Mas teve vontade. E muitas vezes continua, amortecida, a frustração. Latente. A frígida é sempre uma mulher que quis ou quer sentir prazer, mas não consegue. A assexuada é diferente; nunca sentirá prazer, porque não quer, não se interessa por sexo, não tem necessidade (...) Três meses, e ele conseguiu o que ninguém tinha feito em mais de vinte anos de falsa vida relacional. De repente, pimba! Monique ficou propensa ao amor, despertar tardio (...) Três meses após o cineminha, e o primeiro beijo, o…