Pular para o conteúdo principal

Cinco poemas e três passagens de Érica Azevedo no livro Outros eus

Érica Azevedo - Foto daqui


Previsão
Érica Azevedo

Caminho em direção
ao encontro do improvável
sempre
com a mesma certeza

Nada é preciso.

--------

Ausência
Érica Azevedo

Um vazio transborda
meu corpo
e deixa marcas
sutis
da falta profunda
que se configurou
como presença que desconheço em mim.

--------

Sentença
Érica Azevedo

Somos mais um
à sombra da Grande Árvore
sem lugar
nem resposta
num imenso e disperso
caminho a vagar

--------

Diáspora
Érica Azevedo

E continuo
vagando ao encontro
do Deus
que habita em mim.

--------

Representação
Érica Azevedo

Minha alegria e minha tristeza
não cabem no papel
Minha fome não cabe no cardápio
Meu silêncio não cabe no abismo
Meu desejo não cabe no grito
Minhas dúvidas não cabem no tempo.

--------

"grito e silencio
sempre,
até que a última palavra do verso
cubra-me de nudez."

"Só em pensamentos consigo saltar
e somente por instantes a sensação de voar
livra-me da condição
de ser
e do peso de estar."

"Todos os eus saíram
em busca de mim
e por lá se perderam."



Presentes no livro de poemas Outros eus (Kalango, 2013), páginas 47, 21, 32, 42 e 23, respectivamente, além dos trechos dos poemas Confissão (p. 50), Borboletar (p. 29) e Esterilidade (p. 36), presentes na mesma obra.

Comentários

Leonidas Moura disse…
Se escrevo, é também por causa dela. Érica é uma de minhas influências inegáveis.

Postagens mais visitadas deste blog

O grito do mar na noite no site do jornal Rascunho

Resenha do livro O grito do mar na noite (Via Litterarum, 2015), publicada no Rascunho #192, de abril de 2016, por Clayton de Souza, disponível para leitura no site do jornal.

Leia aqui

A mesma resenha na versão impressa do jornal aqui

Foto do autor: Sarah Fernandes

Cinco poemas e três passagens de Ana Martins Marques no livro Da arte das armadilhas

Ana Martins Marques (foto daqui)

Espelho
Ana Martins Marques

                                     d’après e. e. cummings

Nos cacos
do espelho
quebrado
você se
multiplica
há um de
você
em cada
canto
repetido
em cada
caco

Por que
quebrá-
-lo
seria
azar?


--------


Teatro
Ana Martins Marques

Certa noite
você me disse
que eu não tinha
coração

Nessa noite
aberta
como uma estranha flor
expus a todos
meu coração
que não tenho


--------


Penélope
Ana Martins Marques

Teu nome
espaço

meu nome
espera

teu nome
astúcias

meu nome
agulhas

teu nome
nau

meu nome
noite

teu nome
ninguém

meu nome
também


--------


Caçada
Ana Martins Marques

E o que é o amor
senão a pressa
da presa
em prender-se?

A pressa
da presa
em
perder-se


--------


A festa
Ana Martins Marques

Procuramos um lugar
à parte.
Como se estivéssemos
em uma festa
e buscássemos um lugar
afastado
onde pudéssemos
secretamente
nos beijar.
Procuramos um lugar
a salvo
das palavras.

Mas esse
lugar
não há.


--------


"Um dia vou aprender a partir
vou partir
como qu…

Pílulas: Provérbios, de Mãe Stella de Oxóssi

Mãe Stella de Oxóssi (foto: Iraildes Mascarenhas - interferida por Mirdad)

"Criar desculpas para os próprios atos é a melhor maneira de permanecer no erro"


"Quem está vinculado ao sagrado, não deve mentir em seu nome"


"Fé não se impõe"


"Quem desdenha dos defeitos alheios está exibindo os seus"


"Às vezes se precisa perder pouco, para não perder tudo"


"O caminho espiritual pode ser comunitário, porém é sempre solitário"


Provérbios Mãe Stella de Oxóssi (2007)

"O que o destino disser que é, ninguém terá força para dizer que não é"


"Saber morrer faz parte do saber viver"


"Não é sábio aquele que se acha sabido"


"A presença do 'se' mostra a impossibilidade de realização dos desejos"


O provérbio diz: "Não há Orixá como o estômago, pois recebe sacrifícios diariamente". Mãe Stella de Oxóssi interpreta: "O estômago é como uma divindade, precisa ser respeitado e cuidado"