“Minha filha para de repente, enquanto desenha os Vs de um balanço no parquinho de bonecos de pelúcia do seu subúrbio imaginário. Ela se levanta e vem até a sala, onde estou examinando fotografias e vídeos que mostram as consequências de mais uma das atrocidades cometidas em Gaza. Ela quer saber se é assim que se escreve ‘bem-vindos’. Fecho rapidamente o notebook . Em várias abas do meu navegador há fotos de uma menina que foi retirada dos destroços de um ataque aéreo de Israel. Ela é um pouco mais velha do que minha filha. Em outra aba, tenho a gravação de uma garotinha que pede socorro momentos antes de ser executada por atiradores de elite israelenses. Tenho mais de vinte abas abertas no meu notebook , um carrossel sangrento dos piores crimes que já foram capturados ao vivo. Digo à minha filha que é assim mesmo que se escreve ‘bem-vindos’. Ela retorna para seu parquinho, leve como uma pluma.” “Em outubro desse ano,...
O lampião e a peneira do mestiço