Pular para o conteúdo principal

Composições de Emmanuel Mirdad: Cirurgia


Groove que se torna roots reggae, traz no poema de Emmanuel Mirdad o questionamento sobre o uso de cirurgias plásticas, afinal o crucial é "ficar seguro da exposição da eterna sonolência dos disfarces e padrões". Registrada pela banda bolo doido Pedradura no álbum "Universo Telecoteco" de 2008 (e está presente no álbum "la sangre", disponibilizado nas plataformas digitais em 2021), com a cozinha gruvada de Edu Marquez e Artur Paranhos, o suingue do guitarrista Eric Gomes, naipe de metais e efeitos percussivos.


Ouça no YouTube aqui

Ouça no Spotify aqui

Ouça no YouTube aqui


Ouça no SoundCloud aqui

Ouça na Apple Music aqui

Ouça no Deezer aqui

Ouça no Amazon Music aqui

Ouça no Tidal aqui

Cirurgia
(Emmanuel Mirdad)
BR-N1I-08-00010

A mulher fantasiou
Os homens trouxeram o concreto
Soterraram as linhas
Decodificaram os gestos
Com outras opções

Um novo mapa revela
Os mesmos gostos de sempre
Inútil e singela tentativa de se isolar do padrão

O público cerca e consome
O estranho que impressiona e condena às dúvidas...

O complexo trai e empurra ao muro
Joguem suas pedras na sólida e cruel vaidade!

A diferente construção da linguagem muda
Não contradiz o que foi dito antes

O crucial é ficar seguro da exposição
Da eterna sonolência dos disfarces e padrões

Modele-se aos famintos
Mantenha-se na nebulosa
Seja feliz e neurótica
E fanatize a satisfação

Imbecil fantasma
Que se danem o choque e o cotidiano
Que se danem as débeis frustrações humanas

A nova face surgirá
Digna do pó, mutante
E os famintos que se adaptem, ou morram!


Faixa 05 - Pedradura - Universo Telecoteco (2008) | Faixa 09 - Mirdad e a pedradura - la sangre (2021) | Composta e produzida por Emmanuel Mirdad | Mirdad - voz | Eric Gomes - guitarra | Artur Paranhos - baixo | Edu Marquéz - bateria e percussão | Marcelo Medina - trompete | Gilmar Chaves - trombone | Eric Almeida - saxofone | Participação especial: Marquinhos Black na percussão | Arranjo sopro: Emmanuel Mirdad (baseado em arranjos de cordas de Artur Paranhos e Eric Gomes) | Improvisação sopro: Eric Almeida | Gravado e mixado por Tito Menezes, e masterizado por André Magalhães no Submarino Studios em Salvador/BA em 2007 e 2008 | Arte encarte: Emmanuel Mirdad sobre traço de Minêu (capa roxa) e Emmanuel Mirdad sobre foto de Regina Rosa (capa vermelha)


Composta por Emmanuel Mirdad em 16/05/2007.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Dez passagens de Jorge Amado no romance Capitães da Areia

Jorge Amado “[Sem-Pernas] queria alegria, uma mão que o acarinhasse, alguém que com muito amor o fizesse esquecer o defeito físico e os muitos anos (talvez tivessem sido apenas meses ou semanas, mas para ele seriam sempre longos anos) que vivera sozinho nas ruas da cidade, hostilizado pelos homens que passavam, empurrado pelos guardas, surrado pelos moleques maiores. Nunca tivera família. Vivera na casa de um padeiro a quem chamava ‘meu padrinho’ e que o surrava. Fugiu logo que pôde compreender que a fuga o libertaria. Sofreu fome, um dia levaram-no preso. Ele quer um carinho, u’a mão que passe sobre os seus olhos e faça com que ele possa se esquecer daquela noite na cadeia, quando os soldados bêbados o fizeram correr com sua perna coxa em volta de uma saleta. Em cada canto estava um com uma borracha comprida. As marcas que ficaram nas suas costas desapareceram. Mas de dentro dele nunca desapareceu a dor daquela hora. Corria na saleta como um animal perseguido por outros mais fortes. A...

Dez passagens de Clarice Lispector nas cartas dos anos 1950 (parte 1)

Clarice Lispector (foto daqui ) “O outono aqui está muito bonito e o frio já está chegando. Parei uns tempos de trabalhar no livro [‘A maçã no escuro’] mas um dia desses recomeçarei. Tenho a impressão penosa de que me repito em cada livro com a obstinação de quem bate na mesma porta que não quer se abrir. Aliás minha impressão é mais geral ainda: tenho a impressão de que falo muito e que digo sempre as mesmas coisas, com o que eu devo chatear muito os ouvintes que por gentileza e carinho aguentam...” “Alô Fernando [Sabino], estou escrevendo pra você mas também não tenho nada o que dizer. Acho que é assim que pouco a pouco os velhos honestos terminam por não dizer nada. Mas o engraçado é que não tendo absolutamente nada o que dizer, dá uma vontade enorme de dizer. O quê? (...) E assim é que, por não ter absolutamente nada o que dizer, até livro já escrevi, e você também. Até que a dignidade do silêncio venha, o que é frase muito bonitinha e me emociona civicamente.”  “(...) O dinhei...

Oito poemas de Ana Martins Marques no livro Risque esta palavra

Ana Martins Marques (foto daqui ) História Ana Martins Marques Tenho 39 anos. Meus dentes têm cerca de 7 anos a menos. Meus seios têm cerca de 12 anos a menos. Bem mais recentes são meus cabelos e minhas unhas. Pela manhã como um pão. Ele tem uma história de 2 dias. Ao sair do meu apartamento, que tem cerca de 40 anos, vestindo uma calça jeans de 4 anos e uma camiseta de não mais do que 3, troco com meu vizinho palavras de cerca de 800 anos e piso sem querer numa poça com 2 horas de história desfazendo uma imagem que viveu alguns segundos. Belo Horizonte, 7 de novembro de 2016. -------- Parte alguma Ana Martins Marques Não te enganes: viajar é aborrecido. Num ponto, ao menos, todos os lugares  se parecem: neles já se passou  algo terrível.  As viagens cansam e são tristes.  Viajando apenas constatamos  a repetição tediosa do que existe. Pois para onde quer que compremos passagem levamos a nós mesmos na bagagem. Viajar é conduzir o corpo — esse comboio imundo — a...