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Pílulas: José Inácio Vieira de Melo

foto: Ricardo Prado

"...
Algo me aflige e não sei o que é.

Vivo a buscar o signo que me presentifique,
que, uma vez enunciado, seja por si.
Estou exausto de ser uma representação.

------

Sinto saudades de lugares onde nunca estive
e uma voz me guia por estes mundos do não sei onde.

Tudo está em mim e é intransponível. Não há signo,
não há deus que me comunique por inteiro.

------

A gente se enche de calo,
a gente pensa que sabe,
a gente se desespera até,
mas não abre mão de estar aqui.

Há de existir um lugar
onde teus mistérios possam descansar.

------

Estou longe de mim, longe de minha morada.
No meio do caminho dessa estrada
o buraco, o vazio.

Busco a ponte.

------

Eu venho do caos primordial.
Percorri as searas da escuridão
(caminhos que não sei).

------

Quebrar todo e qualquer cabresto,
romper a barreira da forma,
caminhar para além da palavra.

------

A tua cabeça ainda vai ser um enfeite lá em casa.
..."


Trechos dos poemas, na ordem deste post, Encruzilhada, Unidade, Centauro Escarlate, Ponte, A Infância do Centauro, Ausência e Adorno, de José Inácio Vieira de Melo, publicados no livro A Infância do Centauro, Escrituras (2007).
www.jivmcavaleirodefogo.blogspot.com

.

Comentários

Parabéns, Mirdad, pelo destaque que vem dando à poesia de JIVM - poeta com P maiúsculo.
emmibi disse…
tenho esse livro, e adoro.
Zé é realmente, lindo de se ler.
me inspira a ser mais concisa.
penso que as vzs falamos demais sem dizer muita coisa.
rapaz,

não conhecia a poesia do cara.

massa!

abs
Flávia Martins disse…
A infância do centauro é um livro que me arrebata e me comove - da primeiro ao último poema. Parabéns poeta Zé Inácio. Beijos.
Emmanuel Mirdad disse…
"Estou exausto de ser uma representação"

"Tudo está em mim e é intransponível. Não há signo,
não há deus que me comunique por inteiro"

Pra mim, estas duas passagens acima já fazem de "A Infância do Centauro" um clássico desde já. É claro, sem mencionar o poema que mais me tocou em toda a existência até hoje, "Diálogo", que está transcrito vários posts abaixo, lá em abril. Devo repostá-lo em breve.

É preciso citar JIVM sempre. Tenho orgulho deste desbravador voraz das searas de nossa ignorância.

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