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Revisando 2018

Emmanuel Mirdad e os seus livros - Foto: Rosane Barreto

Dediquei o ano de 2018 ao trabalho literário. Finalmente concluí o meu primeiro romance, que venho trabalhando há anos, e lancei virtualmente dois livros: “O limbo dos clichês imperdoáveis”, com os contos completos, revisados e reescritos, e o livro de poemas “Yesterday, Nothing, Tomorrow, Silence”, com tradução da inglesa H. Sabrina Gledhill (pela primeira vez, um livro meu em uma outra língua).

Assim como nos lançamentos de 2017 (“Quem se habilita a colorir o vazio?” e “Ontem nada, amanhã silêncio”), vivendo a fase de escritor não-remunerado, a edição dos dois livros foi minha, independente, sem editora, em que produzi os originais, editorei os PDFs e os disponibilizei para download gratuito, além de gerar as imagens de cada página e fazer o upload nas redes sociais no meu blog e Facebook — as capas também foram feitas por Sarah Fernandes, fotos e arte.

“O limbo dos clichês imperdoáveis” disponível no celular

Retomei o trabalho no livro “O limbo dos clichês imperdoáveis — Todos os contos de Emmanuel Mirdad” no sábado, 24 de fevereiro, e, até o final de maio, foram 79 dias dedicados à obra em 2018. Os contos lançados em “Abrupta sede” (2010), “O grito do mar na noite” (2015) e “Olhos abertos no escuro” (2016) foram reescritos, revistos, revisados e finalizados, e esses livros, publicados pela editora baiana Via Litterarum, foram superados por “O limbo dos clichês imperdoáveis”.

Estabeleci uma meta para o lançamento dos contos completos, e me dediquei de maneira extrema, virando domingo a domingo, para preparar todo o material a tempo (o original, mais um PDF com 507 páginas e a criação das imagens dessas páginas para upload). Na segunda, 21 de maio, considerei o original pronto, com um total de 91.626 palavras em 60 contos que produzi durante 18 anos (de 2000 a 2018), e o investimento de 1.024 horas e 15 minutos em 365 dias de trabalho — tirei uma selfie e publiquei no Facebook para comemorar: “365 dias trabalhando nos meus contos. E acabou. Já posso brincar de dizer que, dos 37 que tenho, dediquei 1 ano a você”.

Dediquei um ano da minha vida à produção contística

Aproveitei e fiz a contabilidade do trabalho de edição do livro (68 horas e 10 minutos em 19 dias) e do lançamento (24 horas e 30 minutos em 10 dias). Ao fim, estimo que “O limbo dos clichês imperdoáveis — Todos os contos de Emmanuel Mirdad” tenha me custado o investimento de pouco mais de 90 mil reais (em horas de serviço), um valor que nunca será recuperado — o prazer está na conclusão da obra.

Os contos completos “O limbo dos clichês imperdoáveis” foram lançados virtualmente às 18h do dia 28 de maio de 2018, uma segunda-feira, nesse post aqui (e na página de autor no Facebook também). Sarah Fernandes havia produzido o flyer de divulgação (veja aqui) e a linda capa, baseada numa foto sua, tirada no quintal da casa da sua avó em Lagarto, Sergipe.

15 anos de vida registrados em agendas (2004-2018)

Para elaborar a parte “Dados” do livro “O limbo dos clichês imperdoáveis” (leia aqui), tive de fazer uma revisão detalhada da contabilidade de trabalho nos contos, e passei a reler as minhas agendas no final de março, um processo que só fui concluir na quarta, 11 de abril, depois de treze dias na sequência, sem intervalo. Isso mexeu muito comigo, fez-me ter uma compreensão mais apurada da carreira profissional e da vida pessoal, e me trouxe muitos benefícios e momentos prazerosos e dolorosos de lidar com o passado de novo, relembrar os acertos e os erros, os amores e os desamores — fiquei muito feliz por ter registrado tudo isso.

A tradutora H. Sabrina Gledhill - Foto: Christian Cravo

Retomei o trabalho no livro “Yesterday, Nothing; Tomorrow, Silence” na terça, 09 de janeiro, e, até o começo de agosto, foram 37 dias dedicados à obra em 2018. O processo consistiu em analisar as traduções para o inglês dos meus poemas, enviadas por e-mail pela inglesa brasilianista H. Sabrina Gledhill, em rodadas de cinco a sete poemas por vez, reuniões via WhatsApp (ponte Salvador-Birmingham) para debater dúvidas que tive ou esclarecer um sentido que não fora interpretado corretamente, e pagamentos pelo serviço via site WeTransfer.

Na segunda, 30 de julho, eu e a tradutora debatemos e finalizamos o poema “Chronicles”, e consideramos o original pronto, com um total de 8.145 palavras em 88 poemas — oriundos da antologia “Ontem nada, amanhã silêncio”, lançada em 2017, com a seleção baseada no meu gosto, apenas (para ter uma melhor tradução, fiz modificações em 11 poemas, com cortes de versos ou pequenas alterações, em relação aos originais publicados na poesia completa).

“Yesterday, Nothing; Tomorrow, Silence” disponível no tablet

Coloquei como meta o lançamento para 08/08/18, com o intuito de comemorar e marcar os 30 anos da data infinita na minha história (cinco anos atrás, expliquei essa data aqui). Preparei o material com tranquilidade (PDF, criação e upload das imagens) e lancei virtualmente “Yesterday, Nothing; Tomorrow, Silence” às 08h08 do dia 08 de agosto de 2018, uma quarta-feira, nesse post aqui (e na página de autor no Facebook também) — acordei às cinco da manhã, não fui nadar, e consegui aprontar tudo a tempo de publicar na hora e minuto pretendidos. Fiquei muito feliz de ter marcado os 30 anos de 8/8/88 com o lançamento do meu primeiro livro em uma língua estrangeira.

Como nos outros três lançamentos anteriores, Sarah Fernandes produziu o flyer de divulgação (veja aqui) e a linda capa, baseada numa foto sua, tirada em um camarim em Salvador. Investi 2,4 mil reais no serviço de tradução — que foi excelente, recomendo bastante a tradutora H. Sabrina Gledhill.

O meu primeiro romance finalista do Prêmio Cepe 2017

2018 começou com uma notícia excelente: na segunda, 15 de janeiro, o amigo Tom Correia me avisou que o meu romance “Miwa” havia ficado entre os 10 finalistas do Prêmio Cepe Nacional de Literatura 2017 — o resultado fora divulgado em novembro de 2017 (veja aqui), e o vencedor anunciado em 12/01. Fiquei muito feliz, pois disputei com escritores de todo o Brasil, não só autor iniciante, e esse resultado coroou o grande ano que 2017 foi para o romance, finalista de dois prêmios importantes (além do Cepe, a versão “Miwa — A nascente e a foz” foi finalista do Prêmio Sesc de Literatura, dentre 980 concorrentes). Isso me deu muita energia para finalizar a nova versão do livro, a tempo de inscrevê-lo novamente no Prêmio Sesc — estava confiante que, dessa vez, ganharia.

Assim como foi em 2017, dediquei o ápice do verão ao trabalho no meu primeiro romance, retomando na terça, 02 de janeiro — investi 29 dias nessa função, mais do que no ano passado, que foram 20 dias. Analisei a estrutura das versões “Miwa” (ago/2017) e “Miwa — A nascente e a foz” (jan/2017), e decidi juntá-las, numa nova estrutura, com 50 capítulos. Enquanto nadava no Asbac, tive saques fundamentais para resolver pendências dessa fusão.

Dediquei um ano da minha vida ao meu primeiro romance

Na sexta, 12 de janeiro, modifiquei o título para “Yeba-Miwa! O enigma de Mutujikaka” — em dezembro de 2017, já havia decidido trocar o título para focar num novo protagonista: a divindade Mutujikaka. Antes de retomar a escrita, fiz uma revisão detalhada de todo o trabalho feito até então e organizei todas as versões anteriores. Na terça, 30 de janeiro, fiz uma foto e publiquei no Facebook comemorando os 365 dias de trabalho no romance (“Dos 37 que tenho, dediquei 1 ano a você!”). E, na quarta, 07 de fevereiro, considerei o romance finalizado, inscrevendo o original no Prêmio Sesc de Literatura 2018, com muita esperança de ser o vencedor.

De novo, assim como foi em 2017, tive sorte: voltei a ganhar o presente da leitura qualificada do amigo e escritor Tom Correia, que, no domingo, 18 de março, enviou-me um e-mail com suas detalhadas impressões e apontou erros a serem corrigidos. Debatemos as sugestões, discuti com a revisora e escrevi no original as mudanças. Como estava embalado com a produção do livro “O limbo dos clichês imperdoáveis”, decidi esperar a conclusão desse processo para retomar o romance e consertar o grave problema da personagem Nara: “Índio não foge da luta, Mirdad”. Tom estava certo.

Com o amigo e curador da Flica 2018, Tom Correia,
no lançamento do evento em Salvador

No começo de junho, retomei o trabalho no romance, modificando o título para “O enigma de Mutujikaka”. Só que, na quinta, 14 de junho, divulgaram os vencedores do Prêmio Sesc de Literatura 2018 e o meu romance não ganhou. E a situação piorou: no dia seguinte, divulgaram a lista dos finalistas e, diferente do que foi em 2017, não o selecionaram — achei muito estranho, pois, para mim, essa versão de jan/2018 era superior à finalista de 2017. Fiquei triste e demorei para engatar no trabalho. Consegui resolver o problema da personagem só no final de junho, e considerei o livro concluído no sábado, 07 de julho, inscrevendo o original no Prêmio Paraná de Literatura 2018, o mesmo que, em 2017, afirmei que não iria participar mais — no meado de dezembro, divulgaram os vencedores e o meu livro não foi premiado.

Cogitei lançar o romance nas minhas redes, cheguei a editar o PDF para download, mas preferi concorrer nos prêmios mais uma vez . Nesse processo de edição, identifiquei problemas e fiquei insatisfeito com a última versão. Retomei o trabalho no domingo, 19 de agosto, e modifiquei a estrutura de volta aos 40 capítulos. Na sexta 31, completei o 400º dia de trabalho no romance.

Foto de Denis Rouvre (Série Lamb), a inspirar um visual “real” de Mutujikaka

No domingo, 9/9/18, decidi que a divindade Mutujikaka não seria mais o personagem principal, e modifiquei, definitivamente, o título do romance — não estaria mais vinculado a personagens, como “Muralha”, “Miwa”, etc. Estabeleci um método para concluir o trabalho: faria a revisão editorial de todos os capítulos e, caso encontrasse algum problema, mesmo que só de estilo, leria todos de novo até ter uma leitura sem erros. Calculei que a conclusão poderia acontecer no dia do meu aniversário e me dediquei para isso.

No domingo, 07 de outubro, completei 38 anos. Acordei às cinco da manhã e fui trabalhar no livro (no meu aniversário em 2014 e 2016, também trabalhei nele), processo interrompido apenas para votar no 1º turno e almoçar com mãe e tia Regina no apê 703-B. Passei o dia na literatura. E terminei o meu primeiro romance às 18h10. A jornada, iniciada em 2012, finalmente acabou. Trabalhei 93 dias por ele em 2018. Para produzi-lo, com um total de 65.593 palavras, investi 1.654 horas e 40 minutos em 430 dias de trabalho. Ao fim, estimo que o meu primeiro romance tenha me custado o investimento de um pouco mais de 130 mil reais (em horas de serviço).

A versão "livro caseiro" dos meus quatro virtuais

Mesmo optando por lançar os meus livros apenas no meio digital, resolvi materializá-los para mim (prefiro o formato impresso) e, no final de julho, comecei a editar as versões “livro caseiro” das obras. Ao todo, investi 19 dias de trabalho (entre 25/07 e 13/08) para os quatro livros, nesse processo: editorei em Word — com os formatos criados por mim à base de tentativa e erro, tanto para os poemas, quanto para os contos —, imprimi, dobrei todas as páginas e levei para o armarinho (e a Uranus2) encadernar.

Na terça, 29 de maio, retomei a antologia de contos “Eterno é quando não dura”, para ser traduzida ao inglês — sem previsão de início do processo, pois é preciso capitalizar muita grana para tanto. Reavaliei a seleção feita em dezembro de 2017, retirei e inseri contos, e cheguei a um total de 25, na seguinte ordem:


Satisfeito com o processo de tradução do livro “Yesterday, Nothing; Tomorrow, Silence”, cogitei a possibilidade de traduzir uma nova antologia de poemas, pois seria muito mais em conta que o projeto dos contos. Então, nos dias 12 e 13 de agosto, montei o original dessa antologia, com 50 poemas, e a batizei de “O céu de sombras ao vento”, um título que já foi cogitado em livros anteriores, mas estava na reserva — um anagrama de títulos de livros do mestre poeta Ruy Espinheira Filho.


Posteriormente, avaliei que o investimento na tradução de “O céu de sombras ao vento” seria um excesso, pois são poemas de qualidade menor que os de “Yesterday, Nothing; Tomorrow, Silence” — mesmo contendo “Microtons de sóis”, “Cuscuz”, “Acordado”, “Gado bom é no meu prato”, “Possuído” e “Quando escrevo, é assim”, entre outros, que são do meu agrado.

Ironicamente, o ano que eu mais trabalhei na (minha) literatura, foi o que eu li menos: apenas 26 livros em 2018 (contra os 63 de 2016 e 2015, e os 50 do ano passado). O livro que mais gostei foi o romance “Crônica do Pássaro de Corda” (Alfaguara, 2017), de Haruki Murakami, o primeiro de ficção que li desse cultuado escritor japonês. Gostei muito também de reencontrar “Toda poesia de Augusto dos Anjos” (José Olympio, 2016), do impactante relato do mestre Anton Tchekhov em “A ilha de Sacalina” (Todavia, 2018), das crônicas acidilárias do baihuno Franciel Cruz em “Ingresia” (P55, 2018) — o fenômeno da literatura baiana em 2018 —, e da biografia “Belchior: Apenas um rapaz latino-americano” (Todavia, 2017), de Jotabê Medeiros.

Representando a Cali no lançamento da Flica 2018 - Foto: Fernando Dias

Na segunda, 04 de junho, a minha empresa Cali, em sociedade com a iContent, produtora da Rede Bahia, realizou o evento de lançamento da 8ª edição da Flica no Palácio da Aclamação, em Salvador, com a presença do governador Rui Costa, entre outras autoridades, e de Conceição Evaristo, a autora homenageada da Flica 2018.

Com a curadoria do escritor e fotógrafo baiano Tom Correia, assessorado por mim, a programação das Mesas Literárias teve uma excelente repercussão, com Valter Hugo Mãe, Djamila Ribeiro, Patricia Hill Collins, Eliane Brum, Silviano Santiago, entre outras e outros. A curadoria da Fliquinha, como desde o início da programação infantil da Flica, foi feita por Lilia Gramacho e Mira Silva, e também teve muitos elogios, com a presença de um autor internacional pela primeira vez (o argentino Gusti), além de célebres como Roger Mello, Odilon Moraes e Ciça Fittipaldi.

Flica 2018 selecionada no edital do BNDES

2018 foi um ano muito complicado para captar recursos e, pela primeira vez, não conseguimos nenhum patrocinador via Fazcultura — tivemos até uma desistência de última hora, de uma empresa que havia sido anunciada no lançamento, inclusive. Ficamos, por muitos meses, apenas com o patrocínio apresenta do Governo do Estado da Bahia, e o apoio da Prefeitura de Cachoeira, que não viabilizaria o evento sem prejuízo às empresas realizadoras. O alívio veio com a seleção no edital nacional do BNDES, e a Flica pode ser patrocinada via Lei Rouanet pela primeira vez.

Essa foi a Flica das filas, tudo cheio, sucesso.
Fotos: Ricardo Prado e Diogo Andrade

Ministério da Cultura e Governo do Estado apresentaram a Flica 2018, que aconteceu de 11 a 14 de outubro em Cachoeira, com patrocínio master da Bahiatursa, Secretaria do Turismo, Governo do Estado e BNDES, apoio da Prefeitura de Cachoeira e Caixa, realização da Cali, iContent, Ministério da Cultura e Governo Federal. Sucesso total. Teve fila até de quatro horas para assistir mesas no sábado (veja as fotos do evento no Facebook aqui). Lotação máxima, chegamos no pico, precisaremos ampliar.

Estreia da Flica no Jornal Nacional - Foto: Fabrício Conceição

Pela primeira vez, a Flica apareceu no Jornal Hoje e no Jornal Nacional (no mesmo dia, sábado, 13 de outubro), e ainda com a exposição de marca dos patrocinadores — uma vitória! Confira o balanço da Flica 2018 nesse vídeo oficial aqui

FliCaixa 2018

A Cali também realizou, em conjunto com a iContent, a 2ª edição da FliCaixa (Festa Literária da Caixa), com mesas literárias e programação infantil em duas etapas: Salvador (maio) e Fortaleza (outubro). Em janeiro, desisti de fazer a curadoria das mesas literárias do evento, que ficou a encargo do meu sócio Aurélio Schommer (embora a mesa lotada com Djamila Ribeiro e Érica Azevedo, e mediação de Lívia Natália, na etapa Salvador, tenha sido indicação minha).

Tentamos realizar uma nova festa literária em 2018, mas não conseguimos patrocínio suficiente e continuamos em busca de estrear esse novo produto da parceria Cali-iContent. Ainda em 2018, começamos a elaborar o projeto de ampliação da Flica, mas teremos de ver como o mercado irá reagir em 2019, com toda essa incerteza no país, pois essa mudança no evento, tão necessária, irá torná-lo, no mínimo, duas vezes mais caro.

A noite criativa de 25 de março de 2008

2018 foi um ano de comemorações. Em fevereiro, na quarta 28, elaborei e publiquei no blog o post “10 anos que ganhei o primeiro edital” (leia aqui), celebrando a primeira vez que ganhei o edital da Oi, justamente em 28 de fevereiro, marco do profissionalismo na minha carreira de produtor cultural — no post, exponho cinco motivos que justificam dizer que a Flica também começou nesse marco, pois gerou patrocinadores e parceiros para a criação e realização da maior festa literária do Norte-Nordeste.

E por falar em Flica, no domingo, 25 de março, comemorei os 10 anos que ela entrou na pauta de projetos a serem feitos, uma sugestão do produtor cultural Alan Lobo, ex-sócio do evento (leia aqui). Por fim, a minha parceria de trabalho com Marcus Ferreira, sócio da Cali, completou 10 anos em 2018.

Martha Anísia, 80 anos

E as comemorações não foram apenas no lado profissional. Na sexta, 25 de maio, eu e as minhas irmãs comemoramos os 80 anos de Dona Martha, a nossa amada mãe (veja aqui). Nós quatro passamos a manhã inteira celebrando a matriarca; depois, almoçamos no Manjericão e sorvete na Cubana. À noite, bolo e parabéns com família no apê 703-B da Pituba. No sábado, 11 de agosto, foi a vez de comemoramos o aniversário de 50 anos da minha irmã Kátia Moema, a Tita (que foi no dia 30 de julho), numa festinha para a família, também no apê 703-B.

100 mil views para a banda The Orange Poem

Como eu me despedi das composições e produções do meu trabalho musical em 2017, restou-me uma alegria nessa área em 2018: na segunda, 21 de maio, o canal da banda The Orange Poem no YouTube atingiu um total de 100 mil visualizações, sem nenhum impulsionamento, divulgação, shows, etc. Fiquei muito feliz e fiz um post no blog (veja aqui) e no Facebook para comemorar. “Investi 20 mil do bolso nas regravações, só por satisfação. E o retorno é esse. 100 mil circulando por aí (...) enquanto o Google existir, vai continuar giramundando, mesmo após a morte de todos nós”.

Seleção de contos de Anton Tchekhov para o projeto de série “A Aposta”

No audiovisual, não retomei o projeto de série “A Aposta”, baseada em contos do mestre Anton Tchekhov, como havia prometido em 2017 (“nem que seja para fazer sozinho”, afirmei no post “Revisando 2017”). Fracassou mais uma tentativa de parceria, com uma roteirista baseada em Cachoeira, que me deixou mais de oito meses sem resposta — continuo sem, mas, depois desse fracasso, desisti do projeto.

Na quarta, 14 de fevereiro, retomei o trabalho de adaptar o meu romance em série audiovisual. Dessa vez, sozinho — não quis contatar a diretora e roteirista Gabriela Leite, depois que a parceria “empacou” em dezembro de 2017 (e que me deixou com a sensação ruim de que o romance não era interessante). Porém, não durou um dia: cheguei a convidar os escritores Tom Correia e Cidinha da Silva para escrever o roteiro comigo, mas não houve interesse. Trabalhei direto, sozinho, na criação de um guia (escolhi o que utilizar dos capítulos do livro, dividindo-os por episódios) até a terça 20, e decidi parar o processo, para recomeçar a produção do livro “O limbo dos clichês imperdoáveis”. Depois, aguardei o romance ficar pronto, até que a coleção de frustrações no audiovisual me fez parar de vez.

Seleção de contos para o projeto de série “O grito dos olhos na noite”

No sábado, 20 de outubro, preferi começar um novo projeto antes de retomar a adaptação do meu romance: adaptar os meus contos numa série chamada “O grito dos olhos na noite”. Selecionei 40 contos num primeiro corte, que foram reduzidos para 28, até que cheguei ao número final de 15, reunidos em seis episódios. Depois de trabalhar de domingo a quarta, tive um bloqueio criativo para escrever o roteiro do episódio 01 na quinta, 25 de outubro, e desisti do projeto. Cansado por todos esses anos sem sucesso, gritei: “Chega!”

Coincidentemente, 2018 foi o ano que eu fui menos ao cinema: sete vezes. Mudança total de hábito. E, comparado aos últimos anos (96 filmes em 2016, 90 em 2017, 68 em 2015 e 48 em 2014), foi o que assisti menos: apenas 44 filmes — quase 73% foram vistos na Netflix.

A obra que mais gostei em 2018 foi o longa “Roma” (2018), do mexicano Alfonso Cuarón, o único “cinemão” que vi esse ano, ironicamente veiculado apenas na Netflix. Gostei também dos longas “A Balada de Buster Scruggs” (2018), dos irmãos Coen, “22 de Julho” (2018), de Paul Greengrass, e “The Square: A Arte da Discórdia” (2017), de Ruben Östlund, além do doc “Quincy” (2018), de Alan Hicks e Rashida Jones — destes, apenas “The Square” vi no cinema.

O imperador Ning Shizheng, interpretado por Ni Dahong, e o eunuco-chefe Zhao Yuan, interpretado por Hou Yansong, os melhores atores da série chinesa “O Avanço da Fênix”

Entretanto, no consumo de audiovisual na minha vida, as séries continuam com destaque: assisti a 68 temporadas (e dois episódios especiais) em 2018. A melhor série que vi foi a deslumbrante (esteticamente) chinesa “O Avanço da Fênix” (“The Rise of Phoenixes” / “天盛长歌”), de 2018, dirigida por Shen Yan e Liu Haibo, com os seus 70 episódios no esquema “novelão de época” — figurino, fotografia, direção de arte e cenários sublimes.

Destaco também as melhores temporadas das séries “Narcos” (assinada como “Narcos: México”), “Billions”, “Ozark” e “Demolidor”, e a documental arrebatadora destruidora de mitos espirituais “Wild Wild Country” (2018), sobre a farsa do guru Osho. E botei em dia séries sensacionais como “BoJack Horseman”, “Anne with an E” e “Fargo”, e as inglesas “Peaky Blinders”, “The Last Kingdom” e “Sherlock”. Mais abaixo, ainda neste post, a lista com todos os livros, filmes e temporadas de séries que consumi em 2018.

60 bandas/artistas da série Música para Escrever 2018

Assim como em 2017, continuei a descobrir bandas e artistas do gênero “post-rock” (e o “ambient” também) e a publicar a série “Música para Escrever” no meu blog, divulgando cinco bandas e/ou artistas (a cada post) com os melhores sons que descobri, a alumiar a mente e transcender em palavras. De janeiro a agosto, foram 12 posts da série em 2018, em que divulguei o trabalho de 60 bandas de 23 países em 158 discos — entre álbuns, EPs e singles (ouça aqui).

Sanei dívidas do “post-rock” e finalmente ouvi o som fodástico de referências como as espetaculares MONO (Japão), Do Make Say Think (Canadá), Stars of the Lid e Tortoise (ambas dos EUA), e a interessante This Will Destroy You (EUA). Amei a oportunidade de conhecer trabalhos maravilhosos, de bandas e artistas como Jakob (Nova Zelândia), The Evpatoria Report (Suíça), This Patch of Sky (EUA), Esmerine (Canadá), TRNA (Rússia), Halma (Alemanha), 1099 (Noruega), Causa Sui (Dinamarca), Tangled Thoughts of Leaving (Austrália), Crows in the Rain (Irã), Oddarrang (Finlândia), In The Branches e A Film in Color (ambas dos EUA). Confira uma seleção com os 80 melhores discos da “Música para Escrever 2018aqui

Bjørn Riis

Das descobertas preciosas de 2018, além das originadas pela imersão “post-rock” citada acima, destaco o trabalho do guitarrista, compositor e cantor norueguês Bjørn Riis. Em abril, a pesquisar bandas para a série “Música para Escrever”, tive contato com uma das suas músicas, numa coletânea do canal Wherepostrockdwells, e pirei na sua timbragem muito próxima do mestre David Gilmour, do Pink Floyd (o meu Deus da guitarra). Fui atrás dos seus discos e gostei tanto das suas composições que fiz uma seleta e publiquei no blog (ouça aqui). Depois, coloquei-as no meu celular e passei 2018 inteiro ouvindo muitas vezes enquanto dirigia (não tenho som no carro) — assim como fiz com Sharon Van Etten em 2017.

No Forró da Gota - Foto: Helder Novaes

Desde a morte do meu pai, no final de 2011, que eu não conseguia mais dançar forró, pois o luto se manifestava. Contudo, em 2018, resolvi essa questão e passei a ir a vários shows (como a festa com o nome mais interessante de todos: “Forró Buraco de Rato”) e a dançar muito, de novo. Fui cliente fiel da banda Forró da Gota, noitadas a dançar, com muito xamego e xote, madrugadas adentro, com parceiras de dança valiosas e interessantes (cheguei a dançar, no Teatro Vila Velha, todas as músicas do show, inclusive as mais aceleradas, de baião). Passei o São João no Pelourinho, e curti a melhor festa do ano, no domingo, 15 de abril: Particulino a Beira-Mar com Forró da Gota no Circo Picolino.

2018 começou com o fim de namoro com a fotógrafa Sarah Fernandes (durou um pouco mais de dois anos, entre términos e voltas, desde 2015), e terminou com o começo de uma nova relação, com a produtora Litza Rabelo, após uma conexão mágica “Praia do Espelho” e forró nas ruas de Cachoeira, Bahia, durante a Flica 2018 (desde que nos tocamos, não nos desgrudamos mais: começamos a namorar no primeiro dia em que ficamos).

Resumo de 2018 para mim: literatura, forró, celebrações e sucesso. Valeu, demais! E que venha o grande desafio de 2019, para todos nós. Sobreviveremos! Afinal, Deus não está acima de todos, e sim dentro de cada um, na luz e/ou na escuridão — mesmo se exista ou seja um conceito —, e o Brasil não está acima de tudo, pois a Terra é redonda, e estamos todos a girar nesse balão frágil, cisco de poeira no universo.

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Principal feito de 2018


Lançamento do livro “O limbo dos clichês imperdoáveis – Todos os contos de Emmanuel Mirdad”, com 60 contos e download gratuito.

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Temporada de série que mais gostei em 2018


O Avanço da Fênix
“The Rise of Phoenixes” / “天盛长歌”
(2018)
Dirigida por Shen Yan e Liu Haibo

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As 11 temporadas de séries prediletas vistas em 2018


1) “O Avanço da Fênix” (“The Rise of Phoenixes” / “天盛长歌”– 2018), dirigida por Shen Yan e Liu Haibo

2) “Anne with an E” (1ª temporada – 2017), de Moira Walley-Beckett

3) “BoJack Horseman” (3ª temporada – 2016), de Raphael Bob-Waksberg

4) “Narcos: México” (1ª temporada – 2018), de Carlo Bernard, Chris Brancato e Doug Miro

5) “Wild Wild Country” (2018), dirigida por Maclain Way e Chapman Way

6) “Billions” (3ª temporada – 2018), de Brian Koppelman, David Levien e Andrew Ross Sorkin

7) “Fargo” (2ª temporada – 2015), de Noah Hawley

8) “BoJack Horseman” (4ª temporada – 2017), de Raphael Bob-Waksberg

9) “Fargo” (1ª temporada – 2014), de Noah Hawley

10) “Ozark” (2ª temporada – 2018), de Bill Dubuque e Mark Williams

11) “Demolidor” (3ª temporada – 2018), de Drew Goddard

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Todas as 68 temporadas de séries (e 02 episódios especiais) vistas em 2018


PS: Revi 02 séries (2ª parte da 4ª temporada de “Vikings” e a 3ª temporada de “Rick and Morty”) e abandonei 01 série (1ª temporada de “Hannibal”) em 2018.

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Livro que mais gostei em 2018


Crônica do Pássaro de Corda
(Alfaguara, 2017)
Haruki Murakami
[trechos aqui]

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Livro lançado em 2018 que mais gostei


A ilha de Sacalina
(Todavia, 2018)
Anton Tchekhov

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Livros prediletos em 2018


1) “Crônica do Pássaro de Corda” (Alfaguara, 2017), de Haruki Murakami

2) “Toda poesia de Augusto dos Anjos” (José Olympio, 2016)

3) “A ilha de Sacalina” (Todavia, 2018), de Anton Tchekhov

4) “Ingresia” (P55, 2018), de Franciel Cruz

5) “Belchior: Apenas um rapaz latino-americano” (Todavia, 2017), de Jotabê Medeiros

6) “Peste e cólera” (Editora 34, 2017), de Patrick Deville

7) “Khadji-Murát” (Editora 34, 2017), de Lev Tolstói

8) “Fora do Tom” (2016), de Tom Cardoso

9) “Ponciá Vicêncio” (Pallas, 2017), de Conceição Evaristo

10) “Obra completa” (Companhia das Letras, 2016), de Murilo Rubião

11) “Lima Barreto: Triste visionário” (Companhia das Letras, 2017), de Lilia M. Schwarcz

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Todos os 26 livros lidos em 2018


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Filme que mais gostei em 2018


Roma
(Roma - 2018)
Alfonso Cuarón

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Filmes prediletos vistos em 2018


1) “Roma” (Roma - 2018), de Alfonso Cuarón

2) “A Balada de Buster Scruggs” (The Ballad of Buster Scruggs - 2018), de Ethan Coen e Joel Coen

3) “Quincy” (Quincy - 2018), de Alan Hicks e Rashida Jones

4) “22 de Julho” (22 July - 2018), de Paul Greengrass

5) “The Square: A Arte da Discórdia” (The Square - 2017), de Ruben Östlund

6) “Pantera Negra” (Black Panther - 2018), de Ryan Coogler

7) “Ícaro” (Icarus - 2017), de Bryan Fogel

8) “Vingadores: Guerra Infinita” (Avengers: Infinity War - 2018), de Anthony Russo e Joe Russo

9) “Eu Não Sou o Seu Negro” (I Am Not Your Negro - 2016), de Raoul Peck

10) “De Amor e Trevas” (A Tale of Love and Darkness - 2015), de Natalie Portman

11) “Bohemian Rhapsody” (Bohemian Rhapsody - 2018), de Bryan Singer

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Todos os 44 filmes vistos em 2018


PS: Revi 14 filmes em 2018: “Onde os Fracos Não Têm Vez”, “Cidadão Ilustre”, “Watchmen”, “Pulp Fiction”, “Kill Bill Vol. 1”, “Pantera Negra”, “O Fim da Turnê”, “Divertida Mente”, “Top Gun”, “Os Oito Odiados”, “Up: Altas Aventuras”, “O Protetor”, “Não Olhe Para Trás” e “Liga da Justiça”.

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Resenha do livro O grito do mar na noite (Via Litterarum, 2015), publicada no Rascunho #192, de abril de 2016, por Clayton de Souza, disponível para leitura no site do jornal.

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A mesma resenha na versão impressa do jornal aqui

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