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Revisando 2016

Emmanuel Mirdad, curador da Flica 2016 - Foto: Egi Santana


2016 foi o ano que terminei o meu primeiro romance, Miwa – A nascente e a foz. Em janeiro, lancei o livro de contos Olhos abertos no escuro, pela editora baiana Via Litterarum (a mesma que publicou, em 2015, o livro de contos O grito do mar na noite) – veja a cobertura fotográfica de Sarah Fernandes aqui. Neste ano maravilhosamente literário, descobri a obra valiosa da poeta Orides Fontela, assim como os contos de Aníbal Machado, Domingos Pellegrini, Conceição Evaristo e Márcia Denser, a poesia de Ana Martins Marques, e as crônicas de Ana Cássia Rebelo e Antonio Prata (veja trechos desses e de outros autores aqui). Li 63 livros, a mesma quantidade do ano passado (coincidência danada!), essencialmente literatura brasileira, mas selecionei menos passagens, publicadas no blog (despedi-me da seção Leituras – não farei mais as seleções, nem as divulgarei).


Com a ajuda de Sarah Fernandes, gravei 10 vídeos com trechos dos contos do livro Olhos abertos no escuro (assista aqui), e 10 vídeos com poemas do livro Nostalgia da lama (assista aqui), mas a repercussão foi mínima, assim como o lançamento de janeiro (Olhos abertos no escuro passou em branco, nenhuma divulgação, quase nenhum comentário e nenhum feedback; é como se não tivesse existido), fatos que me desmotivaram bastante.


Entrevistas com o curador da Flica 2016 - Assista aqui e aqui


Com a minha empresa Cali, junto à iContent, produtora da Rede Bahia, realizamos os eventos Flica na Caixa (em julho, na Caixa Cultural de Salvador), e a 6ª edição da Flica (em outubro, em Cachoeira), ambos com grande êxito de público e imprensa – a Flica chegou no auge em 2016, em termos de quantidade de público e repercussão positiva, e eu assinei, pela primeira vez sozinho, a curadoria. Veja o balanço do curador e cobertura da mídia aqui, a íntegra das mesas da programação principal aqui, e a cobertura fotográfica de Egi Santana aqui.


Emmanuel Mirdad, curador da Flica 2016 e coordenador da Flica na Caixa
Fotos: Egi Santana


Na música, produzi, junto ao músico Átila Santtana, da IFÁ Afrobeat, quatro composições minhas, em inglês (gravadas e mixadas por Tadeu Mascarenhas no estúdio Casa das Máquinas, em Salvador), para o projeto Orange Roots, no estilo psicodélico reggae progressivo. Junto às cinco gravadas em 2015, formaram o álbum Fluid, com a voz de Jagun-Labi (conhecido por Jahgun), Iuri Carvalho na bateria, Fabrício Mota no baixo, Tadeu Mascarenhas nas teclas e Átila Santtana nas guitarras (gravei violão em uma faixa e Nancy Viégas gravou o backing vocal em outra). Uma pena que, depois de ter o álbum finalizado, os sócios do Orange Roots não conseguiram botar para frente o projeto e, por enquanto, continua engavetado.


Martha Anísia e Emmanuel Mirdad - Foto: Sarah Fernandes


Também na música, tive uma enorme satisfação de produzir a primeira gravação profissional de minha mãe, Martha Anísia, uma senhora ativa e esperta de 78 anos, no estúdio Casa das Máquinas (em 22 de julho). Realizamos um sonho dela: sempre quis que a sua composição Se os sentimentos falassem sozinhos, em parceria com a filha Regina Rosa, fosse para o mundo. Pois já está, com a sua voz (foi também a primeira vez que gravou um vocal), o violão de Mou Brasil, e a sanfona e o piano de Tadeu Mascarenhas. Que alegria! Que beleza! Que orgulho! Que amor! Ouça aqui


Em 2016, assisti a 96 filmes e 41 temporadas de séries. Um recorde. Nunca consumi tanto produto audiovisual. A desilusão de 2015 foi superada e eu retomei os trabalhos como roteirista, ao revisar e ajudar a finalizar o roteiro do curta-metragem Felicidade, de Gabriela Leite, e começar a esboçar um longo projeto de adaptação para série.


Por fim, 2016 é o fim de Mirdad. 20 anos tentando produzir a sua arte. Chega. Não aceito mais essa sina. Em 2017, eu assinarei Emmanuel Rosa; um homem, apenas.


Principal Feito de 2016



Finalizei o meu primeiro romance: Miwa – A nascente e a foz

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Livro que mais gostei em 2016


Todos os contos
(Rocco, 2016)
Clarice Lispector
Org. Benjamin Moser


Livro baiano que mais gostei em 2016


O chão que em mim se move
(Penalux, 2016)
Carlos Barbosa


Livros prediletos em 2016







1) Todos os contos (Rocco, 2016), de Clarice Lispector, org. Benjamin Moser

2) Poesia completa (Hedra, 2015), de Orides Fontela

3) Melhores contos (Global, 2001), de Aníbal Machado, Org. Antonio Dimas

4) Memórias póstumas de Brás Cubas (L&PM, 2014), de Machado de Assis

5) Nos bastidores do Pink Floyd (Generale, 2012), de Mark Blake

6) Melhores contos (Global, 2005), de Domingos Pellegrini, Org. Miguel Sanches Neto

7) Ana de Amsterdam (Biblioteca Azul, 2016), de Ana Cássia Rebelo

8) Olhos d'água (Pallas, 2015), de Conceição Evaristo

9) O livro das semelhanças (Companhia das Letras, 2015), de Ana Martins Marques

10) A gloriosa família - O tempo dos flamengos (Nova Fronteira, 1999), de Pepetela

11) História secreta de Costaguana (L&PM, 2012), de Juan Gabriel Vásquez


Todos os 63 livros lidos e relidos em 2016
(clique na imagem para ampliar)













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Filme que mais gostei em 2016


O Filho de Saul
(Saul Fia - 2015)
László Nemes


Filmes prediletos vistos em 2016






1) O Filho de Saul (Saul Fia - 2015), de László Nemes

2) O Abraço da Serpente (El Abrazo de la Serpiente - 2015), de Ciro Guerra

3) Spotlight: Segredos Revelados (Spotlight - 2015), de Tom McCarthy

4) Truman (Truman - 2015), de Cesc Gay

5) Desajustados (Fúsi - 2015), de Dagur Kári

6) The Better Angels (The Better Angels - 2014), de A.J. Edwards

7) Agnus Dei (Les Innocentes - 2016), de Anne Fontaine

8) Capitão Fantástico (Captain Fantastic - 2016), de Matt Ross

9) 13 Assassinos (Jûsan-nin no shikaku - 2010), de Takashi Miike

10) O Fim da Turnê (The End of the Tour - 2015), de James Ponsoldt

11) Trumbo - Lista Negra (Trumbo - 2015), de Jay Roach


92 filmes vistos em 2016
(clique na imagem para ampliar)
(faltaram 04 filmes vistos após esse post)













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Temporada de série que mais gostei em 2016


Game of Thrones – 6ª temporada
(HBO e Blu-ray - 2016)
David Benioff e D.B. Weiss


Temporadas de séries prediletas vistas em 2016







1) Game of Thrones – 6ª temporada (2016), de David Benioff e D.B. Weiss

2) Breaking Bad – 2ª temporada (2009), de Vince Gilligan

3) Lost – 2ª temporada (2005-2006), de J.J. Abrams, Jeffrey Lieber e Damon Lindelof

4) House of Cards – 2ª temporada (2014), de Beau Willimon

5) Breaking Bad – 1ª temporada (2008), de Vince Gilligan

6) Lost – 1ª temporada (2004-2005), de J.J. Abrams, Jeffrey Lieber e Damon Lindelof

7) House of Cards – 1ª temporada (2013), de Beau Willimon

8) The Crown – 1ª temporada (2016), de Peter Morgan

9) River – 1ª temporada (2015), de Abi Morgan

10) Black Mirror – 3ª temporada (2016), de Charlie Brooker

11) Vikings – 1ª temporada (2013), de Michael Hirst


38 temporadas de séries vistas em 2016
(clique na imagem para ampliar)












PS. 1) Revi, em blu-ray, todas as seis temporadas de GOT (e os seus extras).

PS. 2) Desde novembro, estou acompanhando a 1ª temporada de Designated Survivor via Netflix

PS. 3) Após o fechamento deste post, assisti à 3ª, 4ª e 5ª temporada de Breaking Bad via Netflix, totalizando 41 temporadas de séries vistas em 2016.

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