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Leituras 2016

Os 63 livros lidos em 2016


Dentre os 63 livros lidos em 2016 (selecionei passagens em 37 livros), destaque para os contos de Clarice Lispector, Aníbal Machado, Domingos Pellegrini, Conceição Evaristo, Marina Colasanti, Otto Lara Resende, Marcia Denser e Caio Fernando Abreu, os romances de Machado de Assis, Pepetela, Estevão Azevedo e Milton Hatoum, os poemas de Orides Fontela, Ana Martins Marques, Mônica Menezes e Ruy Espinheira Filho, as crônicas de Ana Cássia Rebelo, David Grann e Antonio Prata, a biografia do Pink Floyd por Mark Blake e o livro histórico de Mary del Priore. Além disso, divulguei os lançamentos de escritores baianos como Carlos Barbosa, Ângela Vilma, Rodrigo Melo, Marcus Borgón e Silvério Duque, entre outros. Abaixo, você pode conferir, quais foram os livros lidos, além dos que tiveram passagens selecionadas. Boa leitura!





Todos os contos
(Rocco, 2016)
Clarice Lispector






"Nunca amar
o que não
vibra
Nunca crer
no que não
canta"

Poesia completa (Hedra, 2015)
Orides Fontela
Leia trechos aquiaquiaquiaquiaqui




"Monjolo se anunciava por um som de sanfona que parecia o gemido constante do fundo do Brasil"

Melhores contos
(Global, 2001)
Aníbal Machado
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"Não há amor possível sem a oportunidade dos sujeitos"

Memórias póstumas de Brás Cubas
(L&PM, 2014)
Machado de Assis
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Nos bastidores do Pink Floyd
(Generale, 2012)
Mark Blake






"Pai falou que o mar tem todos os cheiros do mundo, e ondas rebentando mais altas que a gente: – Mas você mergulha furando onda depois de onda, e sempre tem outra onda vindo. Alice perguntou de onde vinham as ondas e, como sempre acontecia com as melhores perguntas, ninguém respondeu"

Melhores contos
(Global, 2005)
Domingos Pellegrini
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"Aparece aos domingos para visitar os filhos. Volta e meia, tenta beijar-me. Diz ainda que me ama. Toca-me como se eu fosse uma prostituta. Roça as mãos no meu peito e no meu rabo. Aproveita os momentos em que a Dá está presente, mas distraída a olhar para a televisão ou entretida a alimentar o peixinho encarnado. Sabe que não gritarei para não a assustar. Quero poupá-la ao sofrimento e à minha miséria"

Ana de Amsterdam (Biblioteca Azul, 2016)
Ana Cássia Rebelo | Leia trechos aqui


"Tentando se equilibrar sobre a dor e o susto, Salinda contemplou-se no espelho. Sabia que ali encontraria a sua igual, bastava o gesto contemplativo de si mesma. E no lugar da sua face, viu a da outra. Do outro lado, como se verdade fosse, o nítido rosto da amiga surgiu para afirmar a força de um amor entre duas iguais"

Olhos d'água
(Pallas, 2015)
Conceição Evaristo | Leia trechos aqui



"Combinamos por fim de nos encontrar
na esquina das nossas ruas
que não se cruzam"

O livro das semelhanças
(Companhia das Letras, 2015)
Ana Martins Marques
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"No fundo, devo constatar, a única coisa que se acumula numa vida são as dúvidas"

A gloriosa família - O tempo dos flamengos
(Nova Fronteira, 1999)
Pepetela
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História secreta de Costaguana
(L&PM, 2012)
Juan Gabriel Vásquez






"E todas as manhãs, sua mulher o barbeava e lavava, mudando-o, ela mesma, da cama para a cadeira e da cadeira para a cama, falando-lhe como se fala a um cão amigo, embora sem ter sequer a esperança da resposta ou reconhecimento de que um cão é capaz. Nada lhe vinha daquele corpo, além do hábito"

O leopardo é um animal delicado
(Rocco, 1998)
Marina Colasanti | Leia trechos aqui


"— Como é mesmo que eu durmo? — queria saber qual a posição que habitualmente tomava para dormir. A postura que usava no sono, insabida. Probleminha idiota, mas que o desorganizava mentalmente e súbito o lançava numa aflita perplexidade física. Deste lado: não era. Virou-se do outro lado: também não era. Estendeu as costas: as mãos sobravam, os braços não se incorporavam à rotina"

As pompas do mundo (Rocco, 1975)
Otto Lara Resende | Leia trechos aqui


"A paixão é como uma lindíssima putinha de dezessete anos, coberta de trapos e lama, exalando miasmas de pétalas esmagadas da rosa fétida do desejo. Em cada trecho de pele morna, gosmenta, salgada, percutem risinhos convulsos que assanham gatos e bueiros, e seus cegos olhos verdes apunhalam as trevas. A paixão não tem memória"

Diana Caçadora & Tango Fantasma
(Ateliê Editorial, 2003)
Marcia Denser | Leia trechos aqui


"Sentiu-se enfraquecer e escorrer pela parede, como se a designação tivesse dissolvido, em seu interior, o que de rígido ele necessitasse para ser um homem capaz de suportar em pé o término de um dia como aquele"

Tempo de espalhar pedras
(Cosac Naify, 2014)
Estevão Azevedo
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"Ele acendeu um cigarro. Tossiu forte na primeira tragada:
– Também moro só, mãe. Se morresse, ninguém ia ficar sabendo. E não ia dar no jornal"

Os dragões não conhecem o paraíso
(Nova Fronteira, 4ª edição, 2014)
Caio Fernando Abreu
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O Diabo & Sherlock Holmes: histórias reais de assassinato, loucura e obsessão
(Companhia das Letras, 2012)
David Grann





"Um dia vou aprender a partir
vou partir
como quem fica
Um dia vou aprender a ficar
vou ficar
como quem parte"

Da arte das armadilhas
(Companhia das Letras, 2011)
Ana Martins Marques | Leia trechos aqui



"Até os vinte e nove você ainda tem esperanças de se tornar outra pessoa. Depois dos trinta, você simplesmente aceitar ser quem é, relaxa e goza"

Trinta e poucos
(Companhia das Letras, 2016)
Antonio Prata
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Dois irmãos
(Companhia das Letras, 2006)
Milton Hatoum









Os informantes
(L&PM, 2010)
Juan Gabriel Vásquez









Histórias da Gente Brasileira - Volume 1: Colônia
(Leya, 2016)
Mary del Priore







"Duvidoso como é, o amor me provocou dores horríveis. Nunca se sabe se o que chamamos amor é desamparo, solidão doentia ou desejo incontrolável de dominação"

Troços & Destroços
(Record, 1997)
João Silvério Trevisan
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"Já li tudo, cara, já tentei macrobiótica psicanálise drogas acupuntura suicídio ioga dança natação cooper astrologia patins marxismo candomblé boate gay ecologia, sobrou só esse nó no peito, agora faço o quê?"

Morangos mofados
(Nova Fronteira, 12ª edição, 2015)
Caio Fernando Abreu
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"Mulher não releva nenhum direito que possua ou que a ela se atribua. Homem é capaz de guardar direitos em sacolas velhas, enterrá-los no quintal e se esquecer por inteiro do lugar onde os reservou"

O chão que em mim se move
(Penalux, 2016)
Carlos Barbosa
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"se eu pudesse
desceria ao seu abismo
para vivermos juntos
a escuridão"

Estranhamentos
(P55, 2010)
Mônica Menezes
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"Mas vamos levando o barco,
desafiando oceanos,
pois o que sustenta a alma
sempre é a graça dos enganos"

Milênios e outros poemas
(Patuá, 2016)
Ruy Espinheira Filho
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Todo Bob Cuspe
(Companhia das Letras, 2015)
Angeli






"Vou agora te contar como entrei no inexpressivo que sempre foi a minha busca cega e secreta. De como entrei naquilo que existe entre o número um e o número dois, de como vi a linha de mistério e fogo, e que é linha sub-reptícia"

A paixão segundo G. H.
(Rocco, 2014)
Clarice Lispector
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"Começa a decidir que tudo isto, toda esta imensa contorção do Homem deve ser colocada no papel, escrita, para desvendar seu mundo interior, sua completa derrota, sua frágil, inquieta e tenebrosa condição humana"

O senhor agora vai mudar de corpo
(Record, 2015)
Raimundo Carrero
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"A foto resistiu às viagens, mudanças de domicílio e desgraças. Amassada entre os dedos como as contas de um rosário, exposta ao suor e ao tempo, mesmo assim sobreviveu e ainda fala. Diz que o homem pode dar voltas sem sair do lugar"

O amor das sombras
(Alfaguara, 2015)
Ronaldo Correia de Brito
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A orgia perpétua: Flaubert e Madame Bovary
(Objetiva, 2015)
Mario Vargas Llosa






"Ninguém mais chora,
nem se espanta.
Tudo virou apenas
curiosidade"

A solidão mais funda
(Mondrongo, 2016)
Ângela Vilma
Leia trechos aqui



"De volta à vida interior no meu cubículo. Existe algo de grandioso, solene e até belo na solidão, quando um homem, depois de ter tido o seu quinhão satisfatório de vida, resolve recolher-se a uma casa modesta e afastada, na montanha, para aí desfrutar da memória dos seus amores, seus sucessos e fracassos"

A senhorita Simpson
(Companhia das Letras, 1989)
Sérgio Sant'Anna | Leia trechos aqui


"Sol, céu, mar. Meu sentimento é oceânico. É sal, é sol, é sul. Minha visão é atlântica. Vai até a linha do horizonte, na fronteira da nostalgia. E tudo é azul demais – a cor perfeita para se morrer em estado de graça ou para se viver à flor dos poros"

Um táxi para Viena d'Áustria
(Record, 9ª edição, 2013)
Antônio Torres
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"Me acham louco, é claro. Não só por causa de meu não conformismo (sou considerado polêmico por ter assumido meu homoerotismo publicamente em entrevistas e em shows), mas até por referências à minha dependência química"

Só por hoje e para sempre
(Companhia das Letras, 2015)
Renato Russo
Leia trechos aqui



"Foi nessa hora que senti pena. Não apenas dele, mas também de mim. Passáramos tempo demais acreditando em letras de músicas, na mágica da vida, na grandeza de existir. Colecionamos histórias que com o passar dos anos perderam a força e o sentido. O mundo mudou, ou pior, continua a mesma merda que sempre foi, nós é que despertamos."

Jogando dardos sem mirar o alvo
(Mondrongo, 2016)
Rodrigo Melo | Leia trechos aqui



"Nome: Beleléu
Posição: Lateral-direito
Altura / Peso: 1,59m / 55kg
Ponto forte: Muito feio, assusta os adversários
Ponto fraco: Sensível, se abala quando é chamado de feio"

O pênalti perdido
(P55, 2016)
Marcus Borgón
Leia trechos aqui




"A religião da morte precede todas e certamente será a última a morrer nas consciências."

Melhores contos
(Global, 2002)
Lima Barreto
Leia trechos aqui






Histórias de leves enganos e parecenças
(Malê, 2016)
Conceição Evaristo







"outro dia um moleque perguntou à mãe
se havia casa lotérica lá no céu,
e a mãe respondeu que se ele não ficasse quieto
não ia haver céu algum."

Enquanto o mundo dorme
(Penalux, 2016)
Rodrigo Melo | Leia trechos aqui



"nu pagão violento
dançarei pela cidade em desforra
cuspindo de volta o abismo
para dentro do homem"

Os ratos roeram o azul
(Letramento, 2016) | César Gilcevi | Trechos aqui



"Se existo é porque a carne não tem nome
e onde o amor se desfez a alma procura
a vontade de amar que ainda perdura
como perdura a morte e a sua fome"

Do coração dos malditos
(Mondrongo, 2013)
Silvério Duque
Leia trechos aqui


As reputações
(Bertrand Brasil, 2016)
Juan Gabriel Vásquez

Cama de gato
(BDA, 1997)
Phil Moreno

O ruído das coisas ao cair
(Objetiva, 2013)
Juan Gabriel Vásquez

Órfãos do Eldorado
(Companhia das Letras, 2008)
Milton Hatoum

Rincões dos frutos de ouro
(Editus, 2005)
Sabóia Ribeiro

Páginas sem glória
(Companhia das Letras, 2012)
Sérgio Sant'Anna

Tardes com anões - 7 minicontistas
(Vento Leste, 2011)
Org. Gal Meirelles

Cantares de arrumação: Panorama da nova poesia de Feira de Santana e região
Org. Silvério Duque
Leia trechos aqui

Jeito de matar lagartas
(Companhia das Letras, 2015)
Antonio Carlos Viana

Desordem & outros poemas inéditos
Gustavo Felicíssimo
Leia trechos aqui

Servir a quem vence
Astier Basílio
Leia trechos aqui

O livro das palavras mal ditas
Carollini Assis
Leia trechos aqui

Não se vai sozinho ao paraíso
(Mondrongo, 2016)
Állex Leilla

O encourado
Franklin Carvalho 

O mar e seus descontentes
(Via Litterarum, 2016)
Saulo Dourado

Testemunho transiente
(Cosac Naify, 2015)
Juliano Garcia Pessanha

Sons e outros frutos
(Record, 1998)
Myriam Campello

O evangelho segundo a filosofia
(Record, 2016)
Aurélio Schommer

Finlândia
(Novo Século, 2016)
Scarlet Rose

Casa de Orates - Contos sobre loucura
(Mondrongo, 2016)
Org. Rodrigo Melo

Comentários

Scarlet Rose disse…
Obrigada pelo carinho. Irei aproveitar as dicas de leitura!
Sarah disse…
Ótimas indicações! Vou aproveita-las nessas férias.

Postagens mais visitadas deste blog

O grito do mar na noite no site do jornal Rascunho

Resenha do livro O grito do mar na noite (Via Litterarum, 2015), publicada no Rascunho #192, de abril de 2016, por Clayton de Souza, disponível para leitura no site do jornal.

Leia aqui

Informações sobre o livro (trechos, release, fotos, crítica, etc.) aqui

Foto do autor: Sarah Fernandes

Cinco poemas e três passagens de Ana Martins Marques no livro Da arte das armadilhas

Ana Martins Marques (foto daqui)

Espelho
Ana Martins Marques

                                     d’après e. e. cummings

Nos cacos
do espelho
quebrado
você se
multiplica
há um de
você
em cada
canto
repetido
em cada
caco

Por que
quebrá-
-lo
seria
azar?


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Teatro
Ana Martins Marques

Certa noite
você me disse
que eu não tinha
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Nessa noite
aberta
como uma estranha flor
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que não tenho


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Penélope
Ana Martins Marques

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meu nome
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teu nome
astúcias

meu nome
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teu nome
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meu nome
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Caçada
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E o que é o amor
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A pressa
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A festa
Ana Martins Marques

Procuramos um lugar
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Cinco poemas e três passagens de Ana Martins Marques em O livro das semelhanças

Ana Martins Marques (foto: Rodrigo Valente)

Coleção
Ana Martins Marques

                                        Para Maria Esther Maciel

Colecionamos objetos
mas não o espaço
entre os objetos

fotos
mas não o tempo
entre as fotos

selos
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lepidópteros
mas não
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mas não
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discos
mas nunca
o pequeno intervalo de silêncio
entre duas canções


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Ana Martins Marques

Combinamos por fim de nos encontrar
na esquina das nossas ruas
que não se cruzam


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Mar
Ana Martins Marques

Ela disse
mar
disse
às vezes vêm coisas improváveis
não apenas sacolas plásticas papelão madeira
garrafas vazias camisinhas latas de cerveja
também sombrinhas sapatos ventiladores
e um sofá
ela disse
é possível olhar
por muito tempo
é aqui que venho
limpar os olhos
ela disse
aqueles que nasceram longe
do mar
aqueles que nunca viram
o mar
que ideia farão
do ilimitado?
que ideia farão
do perigo?
que ideia farão
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pensarão em tomar uma estrada longa
e não olhar para tr…