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Revisando 2015

Emmanuel Mirdad - Foto: Sarah Fernandes

2015 foi o ano da literatura pra mim. Lancei o livro O grito do mar na noite (Via Litterarum, 2015), de contos, e escrevi o livro Olhos abertos no escuro, também de contos, a ser lançado em janeiro de 2016, pela mesma editora baiana. Descobri alguns livros valiosos dos mestres Anton Tchekhov, Dino Buzzati e Guy de Maupassant, indicados pelo mestre que me restou, Mayrant Gallo (já que perdi o incrível Hélio Pólvora em março – minha homenagem ao melhor autor baiano aqui, que foi publicada na revista Muito aqui). Li mais livros do que no ano passado, bem como selecionei mais passagens e publiquei no blog. Gravei 10 vídeos com trechos dos contos de O grito do mar na noite, livro que recebeu críticas positivas do poeta e crítico Silvério Duque (leia aqui) e da revista Trupe (leia aqui). Com a minha empresa Cali, junto à iContent, produtora da Rede Bahia, realizamos o evento de lançamento da Flica 2015 em setembro na Caixa Cultural, em Salvador, e a 5ª edição em Cachoeira em outubro, com grande êxito.

Na música, produzi, junto ao músico Átila Santtana, da IFÁ Afrobeat, o EP Fluid (com cinco composições minhas, em inglês), do Orange Roots, novo projeto que montei e que em 2016 irá ferver por aí o seu psicodélico reggae progressivo. No vocal, o cantor sensacional Jagun-Labi, baiano radicado nos EUA (que tem o trabalho solo Jahgun, que você pode conferir aqui). Com gravações no estúdio de Átila e no Casa das Máquinas, Fluid tem a honra de registrar, pela 1ª vez, a excelente cozinha gruvada dos músicos Iuri Carvalho (bateria) e Fabrício Mota (baixo). Completando a guiga, as teclas de Tadeu Mascarenhas, as cordas (guitarras e violão) de Átila Santtana (também gravei violão e guitarra reverso) e o trombone de Matias Traut.

Mirdad, Jagun-Labi, Átila Santtana e Tadeu Mascarenhas na gravação do EP Fluid, Orange Roots, em setembro, estúdio Casa das Máquinas, Salvador/BA. Foto: Nancy Viégas

Este ano, tentei materializar o sonho do cinema, após três anos de tentativas fracassadas. Escrevi o meu primeiro roteiro de longa-metragem e a produtora Lorena Hertzriken aceitou ser minha sócia na Aláfia Filmes. Porém, os livros me ensinaram que a literatura é, pra mim, maior que o cinema e eu me desiludi com a sétima arte. Desisti de ser roteirista e produtor de cinema, encerrando a parceria com a competente Lorena e os contatos com a Mandacaru Filmes, via o diretor Márcio Cavalcante, que se interessaram em filmar a minha história do goleiro que nunca tomou gol.

2015 me deu de presente a bela companheira Sarah Fernandes, fotógrafa de sensibilidade apurada. Um amor doce, suave, presente e apaixonante. Uma parceiraça: ela registrou os vídeos do livro O grito do mar na noite, fez a foto para a capa do livro Olhos abertos no escuro (e as fotos de divulgação para o lançamento), e temos planos de um livro em conjunto, com fotos e reflexões, chamado A libélula e o urso. 2016 promete!

Principal Feito de 2015


Lançamento do livro de contos
O grito do mar na noite pela Via Litterarum

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Livro que mais gostei em 2015


O beijo e outras histórias
(Editora 34, 2014)
Anton Tchekhov

Livro baiano que mais gostei em 2015


Correntezas e outros estudos marinhos
(Ogum's Toques Negros, 2015)
Lívia Natália

Livros prediletos em 2015


1) O beijo e outras histórias (Editora 34, 2014), de Anton Tchekhov + As três irmãs & O beijo e outras histórias (Nova Cultural, 1995), de Anton Tchekhov

2) O deserto dos tártaros (Nova Fronteira, 2011), de Dino Buzzati

3) Os cem melhores contos brasileiros do século (Objetiva, 2000), vários, organizado por Ítalo Moriconi

4) A dama do cachorrinho e outros contos (Editora 34, 6ª edição, 2014), de Anton Tchekhov

5) Laços de família (Rocco, 1960), de Clarice Lispector – releitura

6) O voo da madrugada (Cia das Letras, 2003), de Sérgio Sant'Anna

7) As noites difíceis (Nova Fronteira, 2004), de Dino Buzzati

8) Naquele exato momento (Nova Fronteira, 2004), de Dino Buzzati

9) Correntezas e outros estudos marinhos (Ogum's Toques Negros, 2015), de Livia Natália

10) As grandes paixões (Record, 2005), de Guy de Maupassant


Todos os 63 livros lidos e relidos em 2015


Li 33 livros de autores baianos em 2015. Os prediletos:

1) Correntezas e outros estudos marinhos (Ogum's Toques Negros, 2015),
     de Lívia Natália
2) Obscenas (P55, 2015), de Carlos Barbosa
3) 18 de maio, quanto tens por dizer... (Buenas Books, 2015), de Tarcísio Buenas
4) O enigma dos livros (P55, 2015), de Mayrant Gallo
5) Beira de rio, correnteza (Bom Texto, 2010), de Carlos Barbosa
6) A mulher na janela (Estante, 1961), de Hélio Pólvora
7) Ladeiras, vielas & farrapos (Via Litterarum, 2015), de Tom Correia
8) Um certo mal-estar (Solisluna, 2015), de Victor Mascarenhas
9) Memorial dos medíocres (Fundação Casa de Jorge Amado, 2002),
    de Tom Correia
10) O ovo e o mundo (Kalango, 2015), de Mayrant Gallo

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Filme que mais gostei em 2015


Leviatã
(Левиафан - 2014)
Andrey Zvyagintsev

Filmes prediletos vistos em 2015


1) Leviatã (Левиафан - 2014), de Andrey Zvyagintsev

2) Boyhood - Da Infância à Juventude (Boyhood - 2014), de Richard Linklater

3) O Sal da Terra (The Salt of the Earth - 2014), de Wim Wenders e Juliano Ribeiro Salgado

4) Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância) (Birdman or [The Unexpected Virtue of Ignorance] - 2014), de Alejandro González Iñárritu

5) Blind (Blind - 2014), de Eskil Vogt

6) Livre (Wild - 2014), de Jean-Marc Vallée

7) No Limite do Amanhã (Edge of Tomorrow - 2014), de Doug Liman

8) Selma: Uma Luta pela Igualdade (Selma - 2014), de Ava DuVernay

9) Ida (Ida - 2013), de Paweł Pawlikowski

10) O Abutre (Nightcrawler - 2014), de Dan Gilroy


Todos os 68 filmes vistos em 2015


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Resenha do livro O grito do mar na noite (Via Litterarum, 2015), publicada no Rascunho #192, de abril de 2016, por Clayton de Souza, disponível para leitura no site do jornal.

Leia aqui

A mesma resenha na versão impressa do jornal aqui

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mar
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garrafas vazias camisinhas latas de cerveja
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ela disse
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aqueles que nunca viram
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que ideia farão
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