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Mostrando postagens de 2020

Revisando 2020

Emmanuel Mirdad em 2020 2020 é o ano da pandemia do novo coronavírus [SARS-CoV-2], que continua a esbagaçar o mundo, com milhões de infectados e mais de 1,7 milhão de mortos [mais de 190 mil no Brasil]. Em março, no apê 703-B , me isolo com a mãe Martha Anísia , octogenária. Quarentena quase total, exceto pelo supermercado [farmácia para mãe e banco eventuais]. Vida social interrompida. O namoro termina. Dispenso a diarista. Torno-me cozinheiro e faxineiro. Lavo todas as compras [um porre!], passo a usar o aplicativo do banco no celular e a malhar no apê [andando, correndo e me exercitando com um saco com quilos de feijão & arroz, entre outros exercícios]. A pandemia faz o Nordeste chorar em peso com o cancelamento dos festejos juninos [completo o absurdo de 100 dias de quarentena no dia de São João ]. Depois de 131 dias quase enclausurado, no final de julho, a primeira escapulida para a praia. Daí, saídas poucas, eventuais, pequenos riscos, máscara e medo no novo bizarro normal

A jornada para escrever o romance oroboro baobá

“ oroboro baobá ” é o meu primeiro romance. Investi  1.914 horas  em  500 dias  para escrevê-lo, essencialmente ao som da banda islandesa  Sigur Rós  (também escutei Culture, Radiohead, MONO, Jakob e Hammock). Produzi  19 versões  anteriores a “ oroboro baobá ”, entre esboço, conto, roteiro e romance. Mudei o seu título por  15 vezes  (sendo  dez nomes  distintos antes de “ oroboro baobá ”). Praticamente o escrevi no quarto dos fundos do apê 703-B onde moro, na Pituba, em  Salvador , Bahia (cheguei a trabalhar nele em Florianópolis, Porto Alegre e Cachoeira). Uma versão de “ oroboro baobá ” foi finalista do  Prêmio Sesc de Literatura 2017 , dentre 980 concorrentes, e outra foi finalista do  Prêmio Cepe Nacional de Literatura 2017 . Escrever “ oroboro baobá ” foi um laboratório, um curso, um aprendizado. E eu não poderia ter produzido o romance, se não tivesse consumido  89 livros  fundamentais para a minha formação, entre contos, poemas, romances, ensaios, históricos. Afirmo qu

Leituras 2020

Os 10 livros lidos em 2020 Li 10 livros em 2020 , com destaque para a poesia, e selecionei trechos das obras de Alex Simões , Lúcio Autran , Wesley Correia , Mariana Botelho , Nina Rizzi , Érica Azevedo , Ana Valéria Fink e Cyro de Mattos , e trechos dos romances de Franklin Carvalho e Victor Mascarenhas . Além dos livros, elaborei uma seleção de poemas de Zecalu [publicados nas redes sociais em 2019], outra seleta de trechos de crônicas de Santiago Fontoura [publicadas no Facebook], e uma seleção de poemas de Martha Galrão . Por fim, reli a autobiografia de Rita Lee e divulguei trechos também. Boa leitura! “Contrassonetos catados & via vândala” (Mondrongo, 2015) Alex Simões Leia trechos  aqui “soda cáustica soda” (Patuá, 2019) Lúcio Autran Leia trechos  aqui “laboratório de incertezas” (Malê, 2020) Wesley Correia Leia trechos  aqui “o silêncio tange o sino” (Ateliê Editorial, 2010) Mariana Botelho Leia trechos  aqui   “A ordem interior do mundo” (7Letras, 2020) Franklin Carv

Martha Anísia — Músicas para Idosos na Pandemia (Vol. 2)

Martha Anísia e o seu violão Alhambra. Foto: Emmanuel Mirdad Martha Anísia , 82 anos, devido à pandemia do novo coronavirus, ficou isolada no seu apê e manteve contato com as amigas via WhatsApp, quando teve a ideia de gravar músicas e enviar para elas. Com mais de 70 anos de música , uma vida dedicada à arte e ao ensino, acompanhada pelo seu violão Alhambra , registrou diversas canções no celular, e fez a alegria da família & geral com um canto doce, singelo, bonito & o seu violão que sempre nos encantou. Agora, resolve compartilhar com a internet o 2 º registro da sua quarentena [ao vivo sem cortes ou edição]. Parabéns, mãe, é um presentão! Não consegue visualizar o player? Ouça  aqui Música para Idosos na Pandemia Vol. 2 Martha Anísia Almejo que o sopro que saiu do âmago do meu ser penetre nas almas de outras pessoas que o escutarem, permitindo sentirem uma brisa de serenidade, leveza e relaxamento, e as tornem capazes de enfrentar tudo que está acontecendo no mundo. Termin

89 livros mais importantes que li ao escrever oroboro baobá

Escrever “ oroboro baobá ” foi um laboratório, um curso, um aprendizado. E eu não poderia ter produzido o romance, se não tivesse consumido 89 livros fundamentais para a minha formação, entre contos, poemas, romances, ensaios, históricos. Afirmo que, sem as crônicas e os contos de Clarice Lispector , os contos de Anton Tchekhov , Hélio Pólvora e Machado de Assis , as crônicas de Nelson Rodrigues , os romances de Pepetela e os poemas de Ruy Espinheira Filho , entre outras inspirações, eu não teria escrito uma linha sequer. Dos livros lidos durante o processo de escrita de “ oroboro baobá ”, entre 2012 e 2020 , são estes os que eu considero como os mais importantes para a minha formação como leitor e escritor: 01) “ Todas as crônicas ”, de Clarice Lispector [Crônicas, lido em 2019] 02) “ Todos os contos ”, de Clarice Lispector [Contos, 2016] 03) “ 50 contos de Machado de Assis ”, Org. John Gledson [Contos, 2012] 04) “ Toda poesia de Augusto dos Anjos ” [Poesia, 2018] 05) “ Os cem mel

Cinco poemas e três passagens de Nina Rizzi no livro A duração do deserto

Nina Rizzi - foto daqui inverno colorido Nina Rizzi o aluno de aline fez uma pintura abstrata. ele só faz arte abstrata como uma compulsão. misturou cores frias à uma quente, nomeou inverno colorido. com a ternura nos olhos contemplo a criança e seu desenho de cinco anos garrando a imaginar as crianças do oriente, dos desertos e o que dizem suas mãos de pintar invernos. invernos sempre, mas sempre coloridos. -------- PRÓLOGO Nina Rizzi Escavo o ancestral impossível — o Belo, o Sublime, a Verdade — delicadezas em meio a um espólio de ruínas. Contemplo o amontoado do passado, do que sobra o real é o que não se pode ver, o fragmento, a não-adequação; A constatação do absurdo: A vida tem a duração de uma tragédia começa pela manhã, termina com o dia. De olhos bem fechados, lembro: deserto é esperar. deserto é desesperar. deserto é dentro. deserto é o melhor jardim .  Silêncio. A duração do Deserto. -------- cartas pedagógicas Nina Rizzi o que pode meu livro sobre a mesa? com as marcas de g