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Mostrando postagens de março, 2022

Composições de Emmanuel Mirdad: Candeeiro [com Ildegardo Rosa]

O clima psicodélico-progressivo da Orange Poem & Mateus Aleluia Filho para ambientar a voz sertaneja do Mestre Dedé a recitar os seus poemas filosóficos-existenciais. É o último registro da voz de Ildegardo Rosa (1931-2011), pai de Emmanuel Mirdad . Na experiência anterior, lançada em 2014 , a música “ Illusion’s Wanderer ” tornou-se a mais escutada e comentada (mais de 270 mil views no YouTube) da Orange Poem , apresentando justamente essa mescla de poesia recitada com a ambiência sonora dos instrumentos laranjas e os vocais de Mateus Aleluia , o pai. Agora, em “ Candeeiro ”, Mateus , o filho, entoa o clima para o Mestre Dedé refletir os seus versos: “Sei que vim do vazio, do inominado, do sem forma, do misterioso. E aqui estou, neste mundo manifesto, preso a esta forma que se diz humana, e cercado de outras mil formas que nem mesmo em pensamento se esvaziam”. É a faixa de encerramento do EP “ Andanças ”, lançado em 2022 . Ouça no YouTube aqui Ouça no Spotify aqui Outras pla

Composições de Emmanuel Mirdad: Meu Negro [com Ricardo Aleixo]

Groove blues com percussão árabe, reúne trechos de sete poemas do escritor mineiro Ricardo Aleixo , presentes no livro “ Pesado demais para a ventania ” (Todavia, 2018), musicados por Emmanuel Mirdad . A melodia original é de “ Madness ”, gravada pela Orange Poem em 2006 , que também foi versionada em “ El’eu ”, de Mirdad e a pedradura . Terceira faixa do EP “ Andanças ”, de Orange Poem & Mateus Aleluia Filho , lançado em 2022 . Ouça no YouTube aqui Ouça no Spotify  aqui Outras plataformas aqui Meu Negro (Ricardo Aleixo / Emmanuel Mirdad) BR-N1I-22-00003 Nunca serei apenas o seu negro sou o meu negro antes de ser seu Posso despejar sobre sua brancura a negrura que define um negro aos olhos de quem não é negro Desde menino eu misturo o antes, o agora e o depois sei somar zero com zero e ainda divido por dois Os brancos me temem mais que aos outros brancos que temem e ao mesmo tempo desejam o meu corpo Não sou negro em todos os momentos apenas quando querem que eu seja negro Desde

Composições de Emmanuel Mirdad: Judi [com Mateus Aleluia Filho]

Um reggae acústico, canção romântica, para xamegar com o seu xodó, a primeira parceria em composição de Emmanuel Mirdad com Mateus Aleluia Filho , e que traz um trecho em outra língua. Segunda faixa do EP “ Andanças ”, de Orange Poem & Mateus Aleluia Filho , lançado em 2022 . Ouça no YouTube  aqui Ouça no Spotify aqui Outras plataformas aqui Judi (Mateus Aleluia Filho / Emmanuel Mirdad) BR-N1I-22-00002 Desde a primeira vez Aquele brilho no olhar Me levou ao céu Sol, mar Eu e você Judi... Um xamego, um sorriso Um abraço, um beijo molhado Uma tarde, primavera Um convite, poesia Judi... I believe in you if you believe in me That’s basic, I can’t trust If you don’t believe in my word, smile That’s basic, I will fail again, comfortably alone Judi... Judi, you’ll believe in me Judi... Faixa 02 - EP Andanças (Zenyatta Records, 2022), de Orange Poem & Mateus Aleluia Filho | Mateus Aleluia Filho – voz e trompete | Tadeu Mascarenhas – violão, baixo, rhodes e arbon | Thiago Trad – derba

Composições de Emmanuel Mirdad: À Beira

Um poprock com balanço de arrocha suigado com percussão árabe, trompete latino e as multidões do mundo reunidas para apreciar a beleza de um luar em Cachoeira, “você quer ser o que eu busco e ter o que você procura?” a provocar o ouvinte. Faixa de abertura do EP “ Andanças ”, de Orange Poem & Mateus Aleluia Filho , lançado em 2022 . Ouça no YouTube aqui Ouça no Spotify aqui Outras plataformas aqui À Beira (Emmanuel Mirdad) BR-N1I-22-00001 Você quer ser o que eu busco e ter o que você procura? Então lhe contarei sobre os dias de sonho, aquele desejo de um plano impossível Que tal fugir de nós mesmos? Dias em que o medo e o preconceito não farão mais parte do vocabulário Quero ser feliz e ter você em paz, vivenciar toda a beleza da aurora À beira de um rio A lua paira sobre Cachoeira E o amor que estava perdido se tornou o meu lar A lua paira sobre Cachoeira E eu, que estava perdido, encontrei o meu par Por que é tão difícil aceitar a felicidade? Eu quero cantar pra você toda noite

Seleta: Led Zeppelin

A “ Seleta: Led Zeppelin ” destaca as 85 músicas que mais gosto da banda inglesa, presentes em 17 álbuns da sua discografia oficial (os prediletos são “ Led Zeppelin IV ”, “ Led Zeppelin ”, “ Houses of the Holy ” e “ Led Zeppelin III ”). Ouça no YouTube aqui Ouça no Spotify aqui Os 17 álbuns participantes desta Seleta 01) Since I've Been Loving You [Led Zeppelin III, 1970] 02) Babe I'm Gonna Leave You [Led Zeppelin, 1969] 03) Baby Come On Home [Coda (Deluxe Edition), 2015] 04) Tea for One [Presence, 1976] 05) Stairway to Heaven [Led Zeppelin IV, 1971] 06) Thank You [Led Zeppelin II, 1969] 07) Dazed and Confused [Led Zeppelin, 1969] 08) No Quarter [Houses of the Holy, 1973] 09) Brandy & Coke (Trampled Under Foot) [Physical Graffiti (Deluxe Edition), 2015] 10) D'yer Mak'er [Houses of the Holy, 1973] 11) Black Dog [Led Zeppelin IV, 1971] 12) Rock and Roll [Led Zeppelin IV, 1971]  13) Whole Lotta Love [Led Zeppelin II, 1969]  14) All My Love [In Through the Out Door,

Discografia Emmanuel Mirdad: Andanças (2022), de Orange Poem & Mateus Aleluia Filho

O EP “ Andanças ” é o primeiro trabalho em parceria do projeto Orange Poem com o cantor, compositor e trompetista Mateus Aleluia Filho , lançado nas plataformas digitais pelo selo Zenyatta Records . Produzido por Emmanuel Mirdad e Tadeu Mascarenhas , apresenta cinco músicas inéditas, um ponto de encontro das caminhadas de quatro artistas baianos. Mateus , a espiritualidade do axé, a voz ancestral-herança do pai, o sopro graduado na universidade e na vivência, a negritude do recôncavo como patrimônio e beleza. Tadeu , o domínio das máquinas e do registro, o ambiente das teclas, o groove do grave, a multiplicidade de instrumentos. Mirdad , a razão das leituras, a criação da edição, a presença do pai poeta, os versos na cor laranja. Hosano , a força do ritmo, a capoeira que conduz, o impulso da bateria, a experiência do rock que permanece. As quatro andanças de vidas distintas que se harmonizam para criar um EP de música brasileira, repleta de várias influências, e o colorido de uma per

Dez passagens de Jorge Amado no romance O país do carnaval

Jorge Amado (foto daqui ) “(...) nas sombras da noite a Bahia parecia uma grande ruína de uma civilização que apenas começara a florescer.” “E durante toda a viagem Julie ia admirando os músculos das costas de Honório que marchava indiferente, mascando um pedaço de fumo negro entre os dentes alvíssimos. (...) Algemiro ajudava Paulo a descer. Honório tomou Julie nos braços e a colocou no chão. Ela chegara bem a sua cabeça loura ao peito de cimento armado do trabalhador. Sentiu um cheiro sadio de macho. (...) Naquela noite, quando Rigger a apertou nos seus braços fracos de supercivilizado, ela pensou voluptuosamente nos músculos de Honório e na sua estatura agigantada. E Rigger achou um sabor novo nos seus beijos e um sentimento maior nos seus abraços. (...) Dormiu feliz.” “— A gente deve pensar também na felicidade do povo... na felicidade da pátria... Rigger discordava: — Só se deve cuidar da felicidade pessoal. No dia em que cada um for feliz, a humanidade o será... Esse negócio de sa

Dez passagens de Clarice Lispector no romance Perto do coração selvagem

Clarice Lispector (foto daqui ) “Ainda mergulhadas no conto as crianças moviam-se lentamente, os olhos leves, as bocas satisfeitas. — O que é que se consegue quando se fica feliz? sua voz era uma seta clara e fina. A professora olhou para Joana. — Repita a pergunta...? Silêncio. A professora sorriu arrumando os livros. — Pergunte de novo, Joana, eu é que não ouvi. — Queria saber: depois que se é feliz o que acontece? O que vem depois? — repetiu a menina com obstinação. A mulher encarava-a surpresa. — Que ideia! Acho que não sei o que você quer dizer, que ideia! Faça a mesma pergunta com outras palavras... — Ser feliz é para se conseguir o quê? (...) — Que é que você vai ser quando for grande? — Não sei. — Bem. Olhe, eu tive também uma ideia — corou (...) — Ou talvez isso não tenha importância e pelo menos você se divertirá com... — Não. — Não o quê? — perguntou surpresa a professora. — Não gosto de me divertir, disse Joana com orgulho.” “(...) Cada vez que reparava no mar e no brilho q

Orange Poem lança EP com a voz de Mateus Aleluia Filho

Na sexta, 18 de março , o EP “ Andanças ”, do projeto Orange Poem com o cantor, compositor e trompetista Mateus Aleluia Filho , será lançado nas plataformas digitais pelo selo Zenyatta Records . Faça o pré-save aqui . Produzido por Emmanuel Mirdad e Tadeu Mascarenhas , apresenta cinco músicas inéditas, um ponto de encontro das caminhadas de quatro artistas baianos. Mateus , a espiritualidade do axé, a voz ancestral-herança do pai, o sopro graduado na universidade e na vivência, a negritude do recôncavo como patrimônio e beleza. Tadeu , o domínio das máquinas e do registro, o ambiente das teclas, o groove do grave, a multiplicidade de instrumentos. Mirdad , a razão das leituras, a criação da edição, a presença do pai poeta, os versos na cor laranja. Hosano , a força do ritmo, a capoeira que conduz, o impulso da bateria, a experiência do rock que permanece. Orange Poem (foto: Leo Monteiro) Mateus Aleluia Filho (Foto: Victória Nasck) As quatro andanças de vidas distintas que se harmoniz

Dez poemas de Carlos Drummond de Andrade no livro Antologia poética

Drummond (foto daqui ) Amar Carlos Drummond de Andrade Que pode uma criatura senão, entre criaturas, amar? amar e esquecer, amar e malamar, amar, desamar, amar? sempre, e até de olhos vidrados, amar? Que pode, pergunto, o ser amoroso, sozinho, em rotação universal, senão rodar também, e amar? amar o que o mar traz à praia, o que ele sepulta, e o que, na brisa marinha, é sal, ou precisão de amor, ou simples ânsia? Amar solenemente as palmas do deserto, o que é entrega ou adoração expectante, e amar o inóspito, o áspero, um vaso sem flor, um chão de ferro, e o peito inerte, e a rua vista em sonho, e uma ave de rapina. Este o nosso destino: amor sem conta, distribuído pelas coisas pérfidas ou nulas, doação ilimitada a uma completa ingratidão, e na concha vazia do amor a procura medrosa, paciente, de mais e mais amor. Amar a nossa falta mesma de amor, e na secura nossa amar a água implícita, e o beijo tácito, e a sede infinita. -------- Os ombros suportam o mundo Carlos Drummond de Andrade