Pular para o conteúdo principal

Pílulas: Zanom

auto-retrato em Machu Picchu

"...
Aquele que um dia disser
que ouviu o silêncio

Está mentindo.
Porque silêncio não houve

No momento em que se ouve
Já não é mais silêncio

(...)

Mas pode ser um estado.
Eu mesmo já senti o silêncio
Duas, duras e inesquecíveis vezes

Uma foi quando morreu meu pai
outra quando o amor me trocou

------

deslocamento
odeslocament
todeslocamen
ntodeslocame
entodeslocam
mentodesloca
amentodesloc
camentodeslo
ocamentodesl
locamentodes
slocamentode
eslocamentod
slocamentode
locamentodes
ocamentodesl
camentodeslo
amentodesloc
mentodesloca
entodeslocam
ntodeslocame
todeslocamen
odeslocament
deslocamento

..."


Trechos do poema SShhhhhhhhhhhhhhhh!!!! e a íntegra do poema concreto Desloucamento, de Zanom (Marcus Zanomia), publicados no blog O Poema Nosso de Cada Dia (2009). Zanom é um grande amigo, um músico fantástico, natural de Itapuã, Bahia, e que agora está morando no Rio de Janeiro, seguindo o curso do coração.
http://www.opoemanossodecadadianosdaihoje.blogspot.com/


.

Comentários

Verdejah disse…
Cara, muito boa amostra do trabalho do cara. Você é de fato um congregador de potencialidades...Grato.
Ah, mudei de endereço www.pilulaszen.wordpress.com
Anônimo disse…
Este comentário foi removido pelo autor.
Anônimo disse…
SSShhhhhhhhhhhhh!!!! não é uma música de Miles Davis do disco que só tem 2 músicas e eu adoro? Não deve ser coincidencia porque a outra música se chama In a Silent Way.
: )

Ah, ele devia deixar a gente comentar no blog de poemas dele.
hunfs!
Emmanuel Mirdad disse…
Já troquei nos links, camarada!
Ótima lembrança, Dolly!
Vamos fazer pressão pelos comentários.

Postagens mais visitadas deste blog

Oito poemas de Ana Martins Marques no livro Risque esta palavra

Ana Martins Marques (foto daqui ) História Ana Martins Marques Tenho 39 anos. Meus dentes têm cerca de 7 anos a menos. Meus seios têm cerca de 12 anos a menos. Bem mais recentes são meus cabelos e minhas unhas. Pela manhã como um pão. Ele tem uma história de 2 dias. Ao sair do meu apartamento, que tem cerca de 40 anos, vestindo uma calça jeans de 4 anos e uma camiseta de não mais do que 3, troco com meu vizinho palavras de cerca de 800 anos e piso sem querer numa poça com 2 horas de história desfazendo uma imagem que viveu alguns segundos. Belo Horizonte, 7 de novembro de 2016. -------- Parte alguma Ana Martins Marques Não te enganes: viajar é aborrecido. Num ponto, ao menos, todos os lugares  se parecem: neles já se passou  algo terrível.  As viagens cansam e são tristes.  Viajando apenas constatamos  a repetição tediosa do que existe. Pois para onde quer que compremos passagem levamos a nós mesmos na bagagem. Viajar é conduzir o corpo — esse comboio imundo — a...

Dez passagens de Jorge Amado no romance Capitães da Areia

Jorge Amado “[Sem-Pernas] queria alegria, uma mão que o acarinhasse, alguém que com muito amor o fizesse esquecer o defeito físico e os muitos anos (talvez tivessem sido apenas meses ou semanas, mas para ele seriam sempre longos anos) que vivera sozinho nas ruas da cidade, hostilizado pelos homens que passavam, empurrado pelos guardas, surrado pelos moleques maiores. Nunca tivera família. Vivera na casa de um padeiro a quem chamava ‘meu padrinho’ e que o surrava. Fugiu logo que pôde compreender que a fuga o libertaria. Sofreu fome, um dia levaram-no preso. Ele quer um carinho, u’a mão que passe sobre os seus olhos e faça com que ele possa se esquecer daquela noite na cadeia, quando os soldados bêbados o fizeram correr com sua perna coxa em volta de uma saleta. Em cada canto estava um com uma borracha comprida. As marcas que ficaram nas suas costas desapareceram. Mas de dentro dele nunca desapareceu a dor daquela hora. Corria na saleta como um animal perseguido por outros mais fortes. A...

Dez passagens de Clarice Lispector no livro Laços de família

Clarice Lispector (foto daqui ) “A mãe dele estava nesse instante enrolando os cabelos em frente ao espelho do banheiro, e lembrou-se do que uma cozinheira lhe contara do tempo do orfanato. Não tendo boneca com que brincar, e a maternidade já pulsando terrível no coração das órfãs, as meninas sabidas haviam escondido da freira a morte de uma das garotas. Guardaram o cadáver no armário até a freira sair, e brincaram com a menina morta, deram-lhe banhos e comidinhas, puseram-na de castigo somente para depois poder beijá-la, consolando-a. Disso a mãe se lembrou no banheiro, e abaixou mãos pensas, cheias de grampos. E considerou a cruel necessidade de amar. Considerou a malignidade de nosso desejo de ser feliz. Considerou a ferocidade com que queremos brincar. E o número de vezes em que mataremos por amor. Então olhou para o filho esperto como se olhasse para um perigoso estranho. E teve horror da própria alma que, mais que seu corpo, havia engendrado aquele ser apto à vida e à felici...