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Mostrando postagens de julho, 2026

Dez passagens da novela Marilyn Boulevard, de Mayrant Gallo

“Marilyn é chamada para festas que a entediam. O início é até bom, promissor, mas cedo ou tarde é o seu corpo que desejam. E sempre não foi assim? Desde que era novinha, uma criança ainda...? Olhares, mãos. Bocas que falam asneiras e a convidam. Corpos que a esmagam e logo a deixam, como a um barco abandonado. Tudo começa quando os copos lhe são passados cheios e depois recolhidos, vazios. Ela precisa se esforçar. Ela precisa resistir, mas nem sempre é possível, tal o ímpeto alheio, tal a vontade — deles! — de a embebedar. Mal a ouvem, se disser Não quero mais beber . Mal a veem, se não for com eles. Então ela pensa nos testes, milhares sem dúvida; então ela pensa nos filmes, os que fez e os que ainda pode fazer. Então ela pensa o quanto precisa de dinheiro, que é o que move a vida e o mundo. A escada até o andar de cima é longa, e Marilyn não tem certeza de que pode subi-la. Sua cabeça roda, seus pés hesitam. Só por isso ela recusa o convite que a mão em seu braço lhe impõe. Só por is...