“(...) quando perdemos aqueles que mais amamos. A injustiça mais estúpida reside em constatar que, nessa hora, tudo continua à nossa volta, que a cidade acorda e continua, que ninguém sabe o que nos aconteceu. (...) Naquela manhã, em que o mundo acabou no apartamento em que vivíamos, o dia acordou soalheiro e tudo estava na mesma, até quando a família, alarmada, nos visitou. Nada mudara nas suas rotinas ou nos ciclos do bairro e da cidade. É espantoso como não há um megafone nas ruas a bradar que, ali, naquele 1º esquerdo, se deu uma catástrofe quando o nosso mundo desabou. A continuação indiferente de tudo e sua aceitação é parte da forma impiedosa como a onda da cidade nos varre.” “Durante décadas, a reportagem ficou guardada numa pasta preta, organizada pela ordem das edições do jornal. O arquivo não tem qualquer nota ou comentário. Apenas a sua assinatura e as palavras ‘Reportagem do Saara’. Dez dias com a Frente Polisário. As folhas estão hoje ama...
O lampião e a peneira do mestiço