“(...) quando perdemos aqueles que mais amamos. A injustiça mais estúpida reside em constatar que, nessa hora, tudo continua à nossa volta, que a cidade acorda e continua, que ninguém sabe o que nos aconteceu. (...) Naquela manhã, em que o mundo acabou no apartamento em que vivíamos, o dia acordou soalheiro e tudo estava na mesma, até quando a família, alarmada, nos visitou. Nada mudara nas suas rotinas ou nos ciclos do bairro e da cidade. É espantoso como não há um megafone nas ruas a bradar que, ali, naquele 1º esquerdo, se deu uma catástrofe quando o nosso mundo desabou. A continuação indiferente de tudo e sua aceitação é parte da forma impiedosa como a onda da cidade nos varre.”
“Durante décadas, a reportagem ficou guardada numa pasta preta, organizada pela ordem das edições do jornal. O arquivo não tem qualquer nota ou comentário. Apenas a sua assinatura e as palavras ‘Reportagem do Saara’. Dez dias com a Frente Polisário. As folhas estão hoje amarelas e quase queimadas pelo tempo. As letras ainda são legíveis, mas as imagens perderam o contorno, como as pessoas que revelam, e os tempos de que contam, queimados e comidos pelos anos. As figuras humanas, as tendas, os acampamentos, os tanques de guerra, até as crianças, nas fotografias, são hoje, se ampliadas ou digitalizadas, multidão de espectros. Gritam, bradam, erguem os braços. Olham a câmara. São pessoas às quais pertence uma vida e, em simultâneo, fantasmas, espíritos de areia, murmúrios.
‘Dentro de um arbusto’, escreve o repórter, assim o dossier da reportagem permaneceu quase quatro décadas, dentro da pasta, trazido de Angola, prova do que havia visto e vivido. Assim o repórter dentro do meu pai, dentro do arbusto escondido, reservado. As imagens provam que o meu pai esteve lá, provam que teve um dia dezanove anos.
‘Povo’ escreve-se com maiúscula. Povo. O meu pai tem dezanove anos. Onde estava eu aos dezanove anos? Foi o ano em que conheci o meu marido e a minha vida mudou. No outro dia, comentávamos um com o outro, vendo notícias, que cada vez menos se usa a palavra povo.”
“(...) Quando morreu, o meu pai escrevia um livro. Talvez, como eu, Joaquim fechasse os olhos e imaginasse o livro uma avenida longa em contraluz, um antigo campanário, as asas dos patos selvagens no voo, o vão da escada, as escadarias de mármore da torre, o trilho à volta da montanha, marginado por estacas, a clareira onde os palhaços vêm chorar, ciganos à volta da fogueira, a família de póneis estrada fora puxada pelo miúdo por uma corrente, a manada de elefantes em cortejo misterioso pela China, o lixo deixado pelo mar na praia, a boca da baleia aberta comendo o plâncton, os movimentos dos invertebrados, a caravela portuguesa raiando na corrente, violeta fúcsia e azul-bandeira, uma arca coberta de algas. Talvez, para ele, o seu livro fosse a mesa do carpinteiro, a lixa, o torno. Ou os paramentos do frade, ou o suor da pianista sobre as teclas. Qualquer coisa grandiosa quanto a roda do oleiro, os dentes de Nina Simone quando grita ‘I am Life?’, os lábios de Aretha Franklin a cantar o ‘Amazing Grace’, o murmúrio de Glenn Gould quando toca, a araucária na Marginal de Cascais em cujo tronco se escreveu ‘Free Julian Assange’, o olhar da activista trans frente ao Palácio de Belém, as mãos da cuidadora a fazer a cama da mãe doente, as vezes que a mãe esfrega os olhos durante a videochamada com o filho, a linfa doente a percorrer o corpo da mulher, talvez ele pensasse o livro como as células quando se agrupam. Palmas de palmeiras americanas ao vento, um conjunto de caravanas estacionadas na falésia, uma turma de meninos e meninas em fila indiana a percorrer a cidade, o barulho que levantam, risadas finas, o menino perdido da mãe a correr a estação sem medo a caminho de casa (escorre ranho), talvez, como eu, ele fechasse os olhos e quisesse ver tudo ao mesmo tempo. Os refegos no manto da Pietà, o cabelo da mãe, enrolado com ganchos abertos, a ondulação do Índico. uma sonata para cravo e violino, os miúdos na barra a saltar para a água, Cristo a fazer andar um paralítico. Talvez ele visse, como eu, uma avenida que são todas em que já andei e nenhuma delas, um escadote em direcção à Lua, uma circunferência enigmática como as que subjazem às nossas cidades. Talvez o teu problema seja imaginares que o livro são coisas grandes e medonhas. Experimenta imaginar antes uma coisa pequena. Uma joaninha, uma groselha, uma semente de morango, uma pestana, uma unha, uma escama, livro cabeça dum alfinete, bago de arroz, asa de abelha, fio de cabelo, sinal na pele, pedacinho de concha, caroço de limão, livro mirtilo, livro buraco no queijo, borbulha, anzol, grão de areia, menina do olho, botão.”
“Quando é que um pai começa? Aos dezanove, o meu pai era um miúdo, era um miúdo quando eu nasci, tinha então vinte e quatro anos. Mas ouço-o na reportagem no Saara, lendo-o, ouço a sua voz dos sessenta, dos cinquenta, dos quarenta, a voz de pai, meu pai, exuberante, hiperbólica, enorme, exagerada, alegre, viva. A cada linha da reportagem, o meu pai vive, insecto dentro de um âmbar, guerrilheiro dentro de um arbusto. E então penso que, aos dezanove anos, o meu pai já era o meu pai. Ou que, dentro do homem maduro, que conheci nos últimos anos, às vezes, indolente, às vezes triste, às vezes vitorioso, dentro desse homem estava o enviado especial, o mesmo, intacto, como uma múmia num sarcófago, um caroço dentro de um fruto, um feto num ventre, algo de vivo no interior de algo vivo, uma semente, uma pérola, um tesouro afogado no fundo dum rio, dentro de um cofre.”
“Foi em Lisboa que morri pela primeira vez. Talvez seja condição das cidades alimentarem-se dos jovens, da sua ingenuidade, da sua beleza. Recordo Robert Frank, num filme em sua homenagem. Afirmava que Nova Iorque era como o mar, ‘tira sempre alguma coisa de ti’. Falava da gentrificação e dos preços exorbitantes das casas. ‘Tens de ser novo, tens de ser forte’, continuava Frank, para aguentar a maré da cidade. Mas será alguma metrópole para jovens? Ou será para eles, na medida em que deles se alimenta, no sentido em que as capitais são canibais?”
“O que é a força? Apenas conheço a força como realidade física, e sei que não é disso que me falam. A força de me levantar e lavar os dentes, de arranjar um quilo de favas ou bater umas claras em castelo, a força para manter os olhos abertos. Que será a força? Estará mais próxima da traição ou da anuência? Da renúncia ou da insurreição? Não há maior mistério. Bom seria se pudéssemos entrar através dela para a humildade e sair airosamente de tormentos. Mas não se percebe de onde vem, nem o que é, senão que não deve ao poder nem ao acaso, nem à virtude.”
“Coisas que aprendo com pessoas que sabem mais do que eu
A aprender com pessoas que sabem mais do que eu aprendo a ver a maneira como me tratam
A não responder a pessoas instáveis
A, em caso de dúvida, nada fazer
A ter sempre um lugar na mesa para mais um
A não achar que o mundo me deve alguma coisa”
Djaimilia Pereira de Almeida
(foto: Ana Branco/Ag. O Globo)
“Se eu tiver percebido que o meu pai, não Portugal, era o meu país? Se, em vez de órfã, tiver, à sua morte, renascido apátrida? ‘Apátrida: Que ou pessoa que perdeu a sua nacionalidade e não adquiriu legalmente outra, que ou pessoa que não tem pátria.’ Se tiver perdido a minha nacionalidade na medida em que perdi o meu pai, se não ter pátria for o mesma que não ter pai? Não queria ser sentimental, mas como podia não se comover, agora que empacotava a casa que lhe custara a vida inteira a mobilar? Vivera com ele em oito apartamentos, mas só ali haviam tido um quarto. Todas as divisões estão possuídas pela peste do luto e a atmosfera já não era a das primeiras manhãs. Não queria cá tristezas, mas imaginava a sua bagagem a vogar no Atlântico, e a visão causava-lhe vertigens. Essa imagem: a sua casa, cada um dos seus objectos, a atravessar o Atlântico, empacotada em caixas. O aparador dos avós que viera de Moçambique para a metrópole, de novo em mar alto. Que ondas veria a sua bagagem, antes de a rever do outro lado do oceano? Que histórias aprenderia nessa travessia, guardadas nas gavetas, escondidas na papelada, que mistérios viveriam consigo na casa que a aguardava do outro lado, coisas que só a mobília sabe e não revela? Escrevo sobre a minha origem. Escrevo sobre nada. Mergulho na imaginação. A mente entorpece, emudeço. (...) O meu pai era o meu país. O que fica, quando o país morre? Nunca fui portuguesa. Nunca fui angolana. Fui sempre paterna. Que sou hoje, ou daqui em diante? Um Leviatã feito de milhentos olhos e bocas? Um Frankenstein mestiço?”
“Um de nós será o primeiro a ser recebido pelo meu pai na casa que levou a morte a construir para nós. E depois, com o passar dos anos, chegaremos todos, e cada um será recebido nessa casa como alguém que chegou de viagem, tal como recebo o meu pai nos meus sonhos. E todos ao chegar lhe contaremos o que foi a vida aqui enquanto ele aqui não esteve e ele, se calhar, não terá nenhuma paciência para nos ouvir, porque só nos quererá tocar, ver, sentir a nossa presença.”
“Um oficial português apaixonou-se por uma mulher guineense durante a Guerra Colonial. Fez-lhe um filho. Quando chegou o momento de regressar à metrópole, escreveu à família contando que os levaria consigo. A família proibiu-o de o fazer. Então, o oficial deitou fogo à mulher.
(...)
Deserto, Ilha do Sal, Cabo Verde. O pretendente diz à rapariga: ‘Se não casares comigo, violo-te aqui e a seguir vou até à casa do teu pai, e degolo-o’. Ela rende-se, diz-lhe que casa com ele.
Ele viola-a. Depois casam, e toda uma vida ele abusa dela e destrata-a. Ela jamais conta seja a quem for por que razão se casaram. Depois ele morre. O sofrimento tornou-a doente, dói-lhe o coração da vida de silêncio, ao longo da qual abafou. E então começa a falar com o marido morto, com todos os mortos, diz-lhes o que nunca disse a ninguém.”
“De vez em quando, os obituários anunciam que o morto ‘não deixou sobreviventes’. Acontece quando não há cônjuges ou descendência. Mas nenhum morto amado deixa sobreviventes. Outra noite de sonhos com Joaquim. Ele estava vivo e estava morto. Era ele, tal como o conheci, e estava entre nós, mas nós sabíamos e ele também que já tinha morrido. Fazíamos planos de férias e ele convinha que não lhe convinha ir naquela e naquela data. Arrumávamos a casa e ele assistia, sentado à mesa, estava lá, mas já não estava. É mais ou menos como o sinto, presente e ausente. Entre nós e na sua travessia algures. Sinto o meu pai em viagem, não o julgo bem chegado ao destino, mas a caminho de algum lugar que não sei onde é. Quase um ano após a sua morte, o meu pai é o pressentir desse movimento, espírito não em repouso, mas em viagem. Revejo-o e ouço-o ainda nos sonhos. Ainda a sua voz, o seu olhar, em jovem ou homem maduro. Mas acordo e sei-o não aqui, não em visita à minha casa, mas no seu trajecto, como um enviado especial destacado para algum destino ao qual leva anos a chegar.”
“Olho-me ao espelho. Tenho os seus ombros, os mesmos tiques com os dedos, o mesmo esgar, a testa, um tronco parecido. Que nome dar a isto que os mortos deixam aqui? Nós mesmos, inconclusos, nosso corpo e alma, que o tempo segue editando?”
“Se, primeiro, se calava, ouvindo os outros, aos poucos, o meu pai tornou-se livro falado. Da cabeceira da mesa, contava as suas histórias e era recebido pelo presente com tédio. O meu pai que tudo viu antes dos vinte e quatro anos, repórter aventureiro na comitiva de chefes de Estado, acabou recordando as coisas que esse puto viu e ouviu a uma plateia deslocada. E lá acabava por calar-se, por conter-se, levava a mão à testa como se recordasse não os factos mas os sonhos, custava a crer que era o mesmo que aquilo tinha visto e ouvido, o mesmo viajante agora encerrado em existência monótona. O livro do meu pai era esse miúdo dentro dele, barbudo, cabeludo, escanzelado, óculos de massa. E, ao vibrar nele, o miúdo foi definhando e perdeu a luz à medida que, fazendo o meu pai vibrar, o matou. O best-seller por escrever matando o meu pai a pouco e pouco. O miúdo que o meu pai foi matou o meu pai aos poucos e comeu-lhe a luz.”
“Fora ele quem me dissera ter concluído aos trinta anos que chegava àquela idade sem saber quem era ou de quem era nascido. Disse-me, como outros mo disseram, que a razão de ser da sua vida era vingar-se do homem branco que havia abusado da sua mãe, de cuja violação nascera. A paternidade incógnita enchera-o de vigor, em vez de o fazer soçobrar, e, na mesma carta em que se dizia reconciliado com a ideia de que a vingança nunca se consumaria, articulava planos para a construção de uma casa de dois andares que pretendia erguer no Cunene, com os próprios braços. Nunca fui capaz, como disse, de procurar responder a Fidel. Contentei-me com tomar a sua correspondência como missivas do mundo dos mortos, que me surpreendera em várias fases da vida. A cada carta aberta, fui tendo a ideia de que a minha indiferença, mesmo que não me pedisse ajuda ou resposta, agudizava o meu cadastro e a avidez fleumática com que me escrevia. O que havia sido, ou foi sendo, a vida de Fidel, à medida que vivi a minha vida, até que a sua última carta chegou no último mês antes de eu deixar Portugal, pela primeira vez, sem bilhete de volta? Andara fugido à polícia, fora deportado, metido no contrabando, fora proxeneta, traficante de droga, vagabundo, enquanto eu cumpria o meu destino, de certo modo regular. Se éramos irmãos, éramos aqueles dois irmãos da minha fantasia, entregues à família dos pais, porém em zonas incomunicáveis dentro da mesma cidade. Se, como dizia Cláudia, Fidel apenas sabia assinar o próprio nome, e pouco mais, que cartas, e de quem, seriam aquelas, escritas pelo seu punho? Por que razão esse alguém as teria escrito e continuado a escrever sem receber resposta? Sentia que do outro lado da caligrafia desenvolta, quase bela, quase feminina, estava a presença de uma pessoa que me conhecera em adulta e, mais do que isso, a de alguém que, em vez de estar longe de mim, a milhares de quilómetros, metido em esquemas duvidosos, me conhecia, sabia onde eu vivia, talvez vigiasse o meu quotidiano.”
“O futuro da pessoa que sou é um pouco mais incerto do que o da maioria. Estou apenas a caminho de a perceber. Chegou à minha vida consumindo a minha fé na esperança de me chegar e de a chegar, a entender. Regressei sentindo-me traída por Deus, como acontece a muitas pessoas crentes e não-crentes que adoecem. A razão de ser disto, porém, não foi a de sentir que não merecia ter adoecido, mas o véu de ironia com que a doença se manifestou, desdobrando-se, como está previsto, em sintomas que facilmente se confundiam com anúncios de felicidade. Se existe alguma coisa de horrível numa doença que nos leva a acreditar que somos deuses, é ela se dar a conhecer como uma explicação súbita e poderosa para todos os enigmas, levando-nos pela mão até à luz, para nos lançar num alçapão. À medida que se instala, deixamos de saber dizer onde começa a doença e onde começamos, e também onde foi que ela começou, levando-nos a ponderar se muito do que julgávamos ser não seriam sintomas.”
Presentes no livro de memórias “O livro do meu pai” (Todavia, 2025), de Djaimilia Pereira de Almeida, páginas 70, 185, 180-181, 186, 67, 156, 232-233, 217+219, 256, 60-61, 52-53, 43, 207, 121-122 e 77, respectivamente.
Djaimilia Pereira de Almeida
(foto: Nuno Fox)
Aforismos de Djaimilia Pereira de Almeida em “O livro do meu pai”
“Eu sou todos os meus mortos”
“Há um dia em que os pais deixam de ser heróis e esse momento não tem retorno”
“Quantas coisas não seriam a solução precisamente porque sabemos não ser capazes de as fazer?”
“Nunca saberemos que personagem somos no drama da vida dos outros”
“Se existe milagre, ele não reside nas partidas e nos regressos, mas em haver quem nos espera desconhecendo quem regressará”
“Em vez de me ver perdida, sinto que enquanto me rio estou perto de Deus, o grande bobo, o que faz cócegas, e me atiça”
“Tive um pai, mas, morto o pai, imagino-o”
“Que é a memória que tenho da voz de alguém a não ser a minha própria voz?”
“Queria ser capaz de contar ao papel quanto queria ser o pássaro no ramo da árvore, alheio ao tempo e às aflições humanas”
“Há coisas destinadas a ficar a meio. Outras, acabamo-las. Outras acabam connosco. Outras estão completas ao ficarem incompletas, da sua incompletude depende a sua integridade”
“Novamente o que é inteiro está partido, e há que começar tudo de novo”
“Ajudar alguém será parecido com adoecermos devido à entrada dessa pessoa na nossa vida?”
“O tempo passa e vamo-nos parecendo. Quanto mais parecida com ele me reconheço, mais o desconheço”
“Quando depositamos a nossa esperança num projecto e não o cumprimos, talvez o projecto, a ideia, conserve a nossa esperança”
“Sei que tento refazer quem fui, diante de um desperdício precioso do comércio da inutilidade, como se não soubesse que o tempo não anda para trás”
“As convenções foram inventadas também para colmatar a angústia humana, daí os domingueiros, se não saíssem com o carro ao domingo, talvez houvesse maior taxa de suicídio”
“Será que apenas se odeia o que não nos admite?”
“Como restaurar uma vida quando tudo se perdeu?”
“O que é uma cidade e a palavra que a nomeia, senão apenas o correspondente gramatical entre um ponto no mapa e um ponto num mapa interior, a que ninguém tem acesso?”
“Só caminhei como John Coltrane tocou enquanto não soube quem era”
Aforismos presentes no livro de memórias “O livro do meu pai” (Todavia, 2025), de Djaimilia Pereira de Almeida, páginas 96, 118, 35, 225, 76, 80, 54, 91, 226, 256, 84, 93, 260, 17, 98, 231, 75, 102, 68 e 73, respectivamente.
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