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Dez passagens de Jorge Amado na novela A morte e a morte de Quincas Berro Dágua

“Era um morto pouco apresentável, cadáver de vagabundo falecido ao azar, sem decência na morte, sem respeito, rindo-se cinicamente, rindo-se dela, com certeza de Leonardo, do resto da família. Cadáver para necrotério, para ir no rabecão da polícia servir depois aos alunos da faculdade de medicina nas aulas práticas, ser finalmente enterrado em cova rasa, sem cruz e sem inscrição. Era o cadáver de Quincas Berro Dágua, cachaceiro, debochado e jogador, sem família, sem lar, sem flores e sem rezas. Não era Joaquim Soares da Cunha, correto funcionário da mesa de rendas estadual, aposentado após vinte e cinco anos de bons e leais serviços, esposo modelar, a quem todos tiravam o chapéu e apertavam a mão. Como pode um homem, aos cinquenta anos, abandonar a família, a casa, os hábitos de toda uma vida, os conhecidos antigos, para vagabundear pelas ruas, beber nos botequins baratos, frequentar o meretrício, viver sujo e barbado, morar em infame pocilga, dormir em um catre miserável? (...) Loucur...

Dez passagens de Clarice Lispector na novela Água viva

“(...) A minha única salvação é a alegria. (...) Porque é cruel demais saber que a vida é única e que não temos como garantia senão a fé em trevas — porque é cruel demais, então respondo com a pureza de uma alegria indomável. Recuso-me a ficar triste. Sejamos alegres. Quem não tiver medo de ficar alegre e experimentar uma só vez sequer a alegria doida e profunda terá o melhor de nossa verdade. Eu estou — apesar de tudo oh apesar de tudo — estou sendo alegre neste instante-já que passa se eu não fixá-lo com palavras. Estou sendo alegre neste mesmo instante porque me recuso a ser vencida: então eu amo. Como resposta. (...) Aliás não quero morrer. Recuso-me contra ‘Deus’. Vamos não morrer como desafio? (...) Não vou morrer, ouviu, Deus? Não tenho coragem, ouviu? Não me mate, ouviu? Porque é uma infâmia nascer para morrer não se sabe quando nem onde. Vou ficar muito alegre, ouviu? Como resposta, como insulto. Uma coisa eu garanto: nós não somos culpados. E preciso entender enquanto estou v...

Dez passagens de Clarice Lispector no romance Uma aprendizagem ou o livro dos prazeres

“Aí estava o mar, a mais ininteligível das existências não humanas. E ali estava a mulher, de pé, o mais ininteligível dos seres vivos. Como o ser humano fizera um dia uma pergunta sobre si mesmo, tornara-se o mais ininteligível dos seres onde circulava sangue. Ela e o mar. (...) Só poderia haver um encontro de seus mistérios se um se entregasse ao outro: a entrega de dois mundos incognoscíveis feita com a confiança com que se entregariam duas compreensões. (...) Lóri olhava o mar, era o que podia fazer. Ele só lhe era delimitado pela linha do horizonte, isto é, pela sua incapacidade humana de ver a curvatura da Terra. (...) Agora que o corpo todo está molhado e dos cabelos escorre água, agora o frio se transforma em frígido. Avançando, ela abre as águas do mundo pelo meio. Já não precisa de coragem, agora já é antiga no ritual retomado que abandonara há milênios. Abaixa a cabeça dentro do brilho do mar, e retira uma cabeleira que sai escorrendo toda sobre os olhos salgados que ardem. ...

Composições de Emmanuel Mirdad: Just to Remember

Solar, gruvada & alto astral, é uma canção para curtir à beira-mar, a trilha da superação de um amor que acabou, um recadinho de que tá tudo bem agora, segue a vida, próximo ciclo. Com uma voz melodiosa e suave, Jahgun embala esse lovers estradeiro, um xamego soul que pulsa na vibração do sol & mar. “ Just to Remember ” é o primeiro single do “ Silent Dreams ”, novo disco do cantor Jahgun , baiano radicado em Los Angeles. Produzido por Emmanuel Mirdad (que também é o compositor da música) e Átila Santana (multi-instrumentista que toca de guitarra a percussão na faixa), conta com a participação especial da lenda-viva do reggae Fully Fullwood , jamaicano do Soul Syndicate, no baixo, e a enciclopédia do reggae Iuri Carvalho na bateria. Ouça no YouTube  aqui Ouça no Spotify aqui Ouça no YouTube aqui Ouça na Apple Music aqui Ouça no Deezer aqui Ouça no Amazon Music aqui Ouça no Tidal aqui Just to Remember (Emmanuel Mirdad) BR-N1I-22-00007 I write just to remember that If you...

“The Banquet”, a short story by Emmanuel Mirdad

The oppressor who is oppressed and the oppressed who practises oppression, devouring and devoured in the cinematic rhythm of a lavish banquet. “ The Banquet ”, a short story by Emmanuel Mirdad Translated from the Portuguese by H. Sabrina Gledhill Downoad here Original in portuguese here Edited & Desktop publishing by Emmanuel Mirdad

Clipe “Just to Remember” — Jahgun

“ Just to Remember ” é o primeiro single do “ Silent Dreams ”, novo disco do cantor Jahgun , baiano radicado em Los Angeles. Solar, gruvada & alto astral, é uma canção para curtir à beira-mar, a trilha da superação de um amor que acabou, um recadinho de que tá tudo bem agora, segue a vida, próximo ciclo. Com uma voz melodiosa e suave, Jahgun embala esse lovers estradeiro, um xamego soul que pulsa na vibração do sol & mar. “ Just to Remember ” foi gravada na Bahia e em Los Angeles, produzida por Emmanuel Mirdad (que também é o compositor da música) e Átila Santana (multi-instrumentista que toca de guitarra a percussão na faixa), e conta com a participação especial da lenda-viva do reggae Fully Fullwood , jamaicano do Soul Syndicate, no baixo, e a enciclopédia do reggae Iuri Carvalho na bateria. O single é um lançamento do selo Surforeggae , disponível em todas as plataformas. Confira o clipe de “ Just to Remember ”, dirigido por Jahgun , gravado em Los Angeles: Veja no YouTu...

2 mil posts no blog

Hoje, o meu blog atinge o recorde de 2 mil posts . Yeba! Eu blogo a vida desde 2009. É um acervo de literatura, música e outras artes & assuntos, o lampião e a peneira desse mestiço fascinado pela cultura. O blog é muito importante para mim, o canal onde exerço a profissão que me formei [jornalista], divulgando o trabalho de muitos artistas, além de servir como memória e divulgação do meu trabalho como escritor, compositor e produtor cultural. O meu canal já foi chamado de “Ël Mirdad — Farpas e Psicodelia” e “Blog do Ël Mirdad”. Anunciei por duas vezes o seu fim, apaguei diversas postagens [quase todas foram poemas e textos reaproveitados nos meus livros] e remodelei o layout por três vezes. Divulguei o trabalho literário de mais de uma centena de autores, mais de seiscentas bandas e artistas, e também audiovisual, artes visuais e fotografia, além de um podcast e listas dos melhores textos publicados na revista piauí entre 2006 e 2016, prestar homenagens e expor a minha vida profis...