Carta 31 Jovina Souza Eu sou uma mulher dos mares abertos, renovo-me nas marés todos os dias. Se encontro interdição das pedras, salto em gotas cintilantes, espraiando para fertilizar areias. Não me basta o império do mórbido, nem dos rebotalhos, nem do branco. Nenhum deles curvará meu coração para a surdez ou para a indiferença. Eu quero a dança dos pratos cheios, quero deuses grávidos de clemências e as fronteiras abertas para os abraços implorados. Não há bondades nos corações calados. Eles esquecem de gente, não escutam os soluços do mundo. Para que serve um coração surdo? Prendo o amor na palavra e escrevo a ti para enviar os frutos doces do meu pomar e as imagens belas guardadas dentro mim. Escrevo-te para ter sonhos, para renovar ruínas. Escrevo a ti para minha solidão ficar à míngua. Quando me respondes, o amor invade minha casa como o paraíso da vida. -------- Carta 14 Jovina Souza Sempre amei os pássaros. Sou louca por asas. Elas cicatrizam cortes, fazem ruir todas as cordas....
O lampião e a peneira do mestiço