Otto Leopoldo Winck - Foto daqui Memorabilia Otto Leopoldo Winck Olhar o rio e compreender que o tempo é um rio que flui e não retorna, e, se retorna, será, num tempo outro, um outro rio. Olhar o rio e compreender também que, se as suas águas as nossas mágoas levam, é nesse rio, além da foz, além do mar, além da noite extrema, que as nossas lágrimas se transfiguram, iluminadas não das mágoas mortas, que destas já não há nenhum remédio, mas daquelas que ainda surgirão, pois se há fluir, se há correr, se há viver, sempre haverá sofrer, e pena, e mágoa. Olhar o rio e compreender que o tempo é o rio sem fim em que nos batizamos, irremediavelmente naufragados, todo dia, toda hora, a todo instante. Olhar o rio e aceitar que não podemos nos agarrar aos ramos e às raízes da encosta — e que os barrancos nem sequer a fantasia da estabilidade nos podem, despencando, transmitir. Olhar o rio e compreender enfim que, se a sina de todo rio é o mar, o fim de toda gent...
O lampião e a peneira do mestiço