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Revisando 2017

Emmanuel Mirdad, sangue no olho - Foto: Libellule

2017 foi o ano que comecei a nova fase da carreira de escritor: os meus livros serão editados por mim, com o PDF da obra disponibilizado para download, as páginas salvas como imagens carregadas neste blog (em posts) e também na minha página de escritor no Facebook (essa aqui), tudo de graça, livre e independente, para que a obra permaneça acessível enquanto o Google existir, para além da minha morte, das decisões de herdeiros ou do desinteresse de editoras.

Tomei essa decisão em setembro. Ao ler “Resgatando obras”, de Nelson de Oliveira, presente no jornal Rascunho nº 209 (leia aqui), fiquei com vontade de ler o paranaense Jamil Snege, que estava com a obra “fora de catálogo”, ou seja, indisponível (Nelson quis chamar a atenção das editoras para republicá-lo) — os únicos livros disponíveis eram vendidos por sebos a preços exorbitantes; eu não pude lê-lo. Que merda, hein?! Pensei: porra, eu quero ser lido depois de morto, não quero ficar “fora de catálogo”! Ampliei: quer saber, que se dane o livro – ninguém valoriza, é caro para ser produzido e não vende, e você ainda recebe míseros 10% pelo trabalho todo que teve de fazer, sustentando o promotor (editora) e o vendedor (livraria). Declarei: o meu único compromisso é com a obra.


Li 60 livros em 2017, e o melhor foi “O sonho do celta” (Objetiva, 2011), o romance histórico de Mario Vargas Llosa sobre Roger Casement, “um homem que denunciou a barbárie da colonização e se voltou contra os seus próprios governantes”. Embora tenha lido menos do que em 2016 (63 livros), 2017 foi um ano ainda mais literário, em que trabalhei em diversas obras minhas.

O primeiro romance, que venho no processo desde 2012, passou por reviravoltas ao longo dos meses. Em janeiro, com a leitura qualificada do amigo e escritor Wesley Correia, desisti da narrativa fragmentada e refiz o original a tempo de inscrevê-lo no Prêmio Sesc de Literatura 2017 (em junho, anunciaram o vencedor e “Miwa — A nascente e a foz” não ganhou, mas ficou entre os 27 finalistas dentre 980 concorrentes — resultado aqui).


Em maio, a revolução: graças ao toque precioso da roteirista e produtora Susan Kalik, decidi descartar o enredo da personagem principal (não abordei um delicado tema com a seriedade devida, utilizando-o apenas como mero dispositivo — e resolvi não abordar, pois iria se distanciar muito do que já havia sido escrito). Com isso, a grande surpresa do livro foi para o lixo, e eu tive de revisá-lo e reescrevê-lo nos meses de junho e julho, a transferir o protagonismo para um personagem que era secundário (tornou-se o goleiro Montanha, não mais a jovem) e a focar na premissa “tudo o que nos forma é hoje”. Troquei o título para “Miwa”, apenas, e decidi a epígrafe final do livro: um trecho de Pepetela, retirado do romance “Mayombe”, que amo.

Em agosto, a sorte: ganhei mais um presente, a leitura qualificada do amigo e escritor Tom Correia, que me fez retornar ao romance mesmo após ter anunciado a sua conclusão (anúncio aqui), consertando uns vacilos que deixei passar. Aproveitei e limpei uns excessos de palavras, e considerei “Miwa” pronto na quarta-feira, 16 de agosto, com um total de 1.215 horas e 10 minutos de trabalho em 317 dias, 55.337 palavras e 169 páginas de Word.

Original de “Miwa

Para não ter que consertar depois, não divulguei a atualização dos números. Ainda bem. Em dezembro, reconheci que “Miwa” não está finalizado: preciso melhorar o enredo, conectar as histórias principais com mais consistência. Voltarei a trabalhar em “Miwa” no começo de 2018.

Lancei dois livros em 2017, ambos em outubro. O primeiro, “Quem se habilita a colorir o vazio? — Todos os poemas de Emmanuel Mirdad”, com 200 poemas, a compreender o período de 1996 a 2017 da minha produção poética. Revisei e reescrevi poemas publicados no livro “Nostalgia da lama” (hoje superado) e no não-publicado “A libélula e o urso” (com fotos da Libellule); resgatei, revisei e reescrevi poemas espalhados em posts perdidos no blog, no acervo de composições engavetadas e dos repertórios de bandas e discos que atuei e produzi, como The Orange Poem e Pedradura, considerando 2017 como a data final de autoria (adorei ter o prazer de ser poeta novamente, e esse processo de reescrita, gerou uma produção que me orgulha muito, com poemas como “Uskonto on vaara”, “Antes tocava Gonzaga”, “A anedota do tolo” e “A insígnia de John Coffey”).

Original de “Quem se habilita a colorir o vazio?

A poesia completa foi lançada virtualmente às 17h do dia 07 de outubro de 2017, o meu aniversário de 37 anos, um sábado, nesse post aqui. O primeiro livro da nova fase self-made man! Além de ter editado o PDF da obra (download aqui), tive um trabalhão braçal ao produzir as imagens de todas as páginas, feito o upload delas no blog (e no Facebook também — leia aqui) e criado cada um dos posts. Contudo, ao ver a data de sete de outubro gravada em cada um dos meus 200 poemas no blog, senti uma enorme alegria, satisfação por ter conseguido lançar a tempo.


A gentil, talentosa e refinada namorada Sarah Fernandes me fotografou para divulgar o lançamento de “Quem se habilita a colorir o vazio? — Todos os poemas de Emmanuel Mirdad”, e ainda produziu o flyer de divulgação (veja as fotos aqui) e a enigmática (e linda) capa, baseada numa foto sua de uma árvore. O poeta e jornalista Valdeck Almeida de Jesus, do blog Galinha Pulando, ainda em outubro, publicou uma resenha positiva do livro (leia aqui), o que me deixou muito contente (alguém se pronunciou, viva!).

Foto de Sarah Fernandes que ela usou para fazer
a capa de “Quem se habilita a colorir o vazio?”

O segundo livro que lancei em 2017 foi a antologia “Ontem nada, amanhã silêncio”. No começo de outubro, determinei que iria conduzir o processo de tradução da minha obra para outras línguas — melhor monitorar o trabalho agora do que deixar para alguém fazer (caso alguém se interessasse um dia, o que parece ser improvável) —, e a primeira escolhida foi o inglês. Então, criei a proposta de uma antologia para minimizar os gastos com a tradução; ao invés de todos, os melhores 88 poemas, ordenados de uma maneira distinta do livro “Quem se habilita a colorir o vazio?”, baseada no meu gosto, apenas. Para ter uma melhor tradução, fiz modificações em 11 poemas, em relação aos originais publicados na poesia completa (com cortes de versos ou pequenas alterações).

Assim como no título do meu livro “Olhos abertos no escuro” (2016), decidi homenagear o amigo, mestre e escritor Mayrant Gallo, e selecionei uma frase dele para intitular a antologia — essa, foi extraída da fala que encerra o conto “A vida num domingo”, do livro “Pés quentes nas noites frias” (1999), importantíssimo para a minha formação como leitor e escritor (veja a página do conto aqui). De novo, a solícita Sarah Fernandes fez a capa e a contracapa do livro, baseada numa foto sua de uma tangerina — ela estava a descobrir um prazer na criação desse tipo de trabalho.


Editei o PDF da obra (download aqui), produzi as imagens de todas as páginas, fiz o upload delas no blog (e no Facebook também — leia aqui) num post único, e lancei “Ontem nada, amanhã silêncio” na terça-feira, 31 de outubro, aniversário de dois personagens importantes de “Miwa”. Resolvi disponibilizar a antologia em português para ser um documento histórico presente em todos os lançamentos das edições em línguas estrangeiras — mostrar de onde veio, a origem.

Ainda em outubro, seguindo a indicação do amigo Tom Correia, acertei a tradutora para a antologia: uma inglesa brasilianista (a melhor opção é sempre um estrangeiro que seja admirador ou trabalhe com a cultura brasileira na Academia — ou fora dela). Na tarde de uma terça-feira, 07 de novembro, recebi o meu primeiro trabalho traduzido: “Yemanja”, que a tradutora sugeriu como teste do seu trabalho, que foi prontamente aprovado. Em novembro e dezembro, fizemos reuniões por Skype e WhatsApp, e o processo vai continuar em 2018 até que o meu primeiro livro em língua estrangeira fique pronto e seja lançado: “Yesterday, Nothing; Tomorrow, Silence”.

A booktuber Rita Araújo comenta “Olhos abertos no escuro

No começo de 2017, ao menos uma alegria para “Olhos abertos no escuro”: a booktuber paulista Rita Araújo fez um comentário muito positivo sobre o meu livro de contos no vídeo em que reflete sobre as suas leituras de janeiro (entre diversos medalhões) no “Livros que Li”, o seu canal no YouTube (veja aqui). Digo “ao menos” porque o livro passou em branco: apenas 17 livros vendidos no lançamento, quase nenhum comentário e feedback; até então, era como se não tivesse existido. Empolgado com o aceite e a generosidade de Rita (que não possuía nenhum interesse em falar bem do livro a não ser porque havia gostado), inscrevi “Olhos abertos no escuro” no Prêmio Oceanos 2017. Infelizmente, o livro não foi classificado entre os semifinalistas, divulgados em setembro — todos os prêmios que participei com os meus livros tomei ferro (a consolação foi ser um dos 27 finalistas do Prêmio Sesc de Literatura 2017 com “Miwa — A nascente e a foz”).

A procurar o que fazer após a feitura do romance “Miwa”, na segunda-feira, 21 de agosto, resolvi resgatar os contos que não foram selecionados e reformulados para serem publicados no “Olhos abertos no escuro”. Empolgado com a minha literatura de volta aos contos, decidi que iria reunir todos eles, revistos e/ou reescritos, num livro tipo obra-completa — foi a origem da ideia e o motor que impulsionou o trabalho de produção e edição do livro “Quem se habilita a colorir o vazio?” (pausei o trabalho nos contos para organizar os poemas, pois a poesia sempre foi a minha raiz, o parto do escritor, o começo).

Emmanuel Mirdad - Foto: Libellule

Após o lançamento da poesia completa, reli todos os trechos selecionados dos meus contos já publicados, e separei as melhores frases para intitular um livro. Na quarta-feira, 18 de outubro, escolhi: “O limbo dos clichês imperdoáveis” — as demais frases seriam utilizadas como títulos dos contos reescritos. Em dezembro, pesquisei e selecionei para o livro epígrafes de A. P. Tchekhov, Machado de Assis, Hélio Pólvora e Mayrant Gallo, todos mestres fundamentais do conto para mim (a fundação, a base, as nuvens e o universo das minhas referências), e finalizei os contos “Chá de boldo”, “A contrariar a gravidade que reduz” e “A curiosidade faminta por tragédias” (revisados por mim e Acácia Melo Magalhães — a revisora de “Miwa” e “Quem se habilita a colorir o vazio?”). Em 2018, irei retomar, com entusiasmo, a produção e edição do livro “O limbo dos clichês imperdoáveis — Todos os contos de Emmanuel Mirdad”.

Assim como a antologia dos poemas, também farei uma antologia voltada para tradução dos meus contos. Na quinta-feira, 07 de dezembro, fiz a primeira seleção, com 22 contos, e a batizei de “Eterno é quando não dura” — fala que encerra o conto “Que seja duro enquanto sempre”, do meu livro “O grito do mar na noite” (2015), que também estará presente na antologia e em “O limbo dos clichês imperdoáveis”.


No final de 2017, outra alegria para “Olhos abertos no escuro”: o meu conto “Despedaço”, na versão desse livro, foi publicado no caderno Tribuna Cultural, do jornal Tribuna Feirense, de Feira de Santana, Bahia. Porém, não recebi nenhum feedback de leitores, nem mesmo nas redes sociais (publiquei a página na íntegra aqui).

A referendar a reformulação nos poemas e contos, apaguei todos os vídeos em que recitava trechos dos livros “Nostalgia da lama”, “O grito do mar na noite” e “Olhos abertos no escuro”, que foram gravados por Sarah Fernandes e disponibilizados no meu YouTube em 2015 e 2016 — tiveram pouquíssimas visualizações, um fracasso. Depois, fiz uma faxina no meu blog, perfil e página de escritor no Facebook, readequando-os à nova fase de escritor não-remunerado.

Página do livro “Os Románov”, citada abaixo.

Ainda sobre o trabalho na literatura, no sábado, 07 de janeiro, defini o título para o romance que quero ambientar no Pacífico Sul (a grande descoberta do Natal 2016), inspirado pela palavra “hierofante”, que só vi a conhecer (e pesquisar o seu significado depois) na página 632 do sensacional livro histórico “Os Románov” (Companhia das Letras, 2016), de Simon Sebag Montefiore. Porém, só irei revelar o título mais à frente, quando for trabalhar no catatau — planejo escrever para mais de mil páginas. PS: Para a fundamentar o romance, encomendei livros no exterior, que chegaram quase todos via Correios, exceto um, que foi extraviado.

Em junho, influenciado pela leitura de “Mar de glória — Viagem americana de descobrimento” (Companhia das Letras, 2005), de Nathaniel Philbrick, trabalhei para o futuro romance e realizei uma pesquisa de referências literárias sobre o Pacífico Sul. Assim como havia “passado” o Natal nos confins das ilhas, “passei” o São João de 2017 a pesquisar sobre um lugar precioso e desconhecido para mim. Realizei esse processo em julho e agosto também: anotei muitas obras, fiz download e arquivei várias (Herman Melville, Robert Louis Stevenson, etc.), coletando mais trabalhos para a bibliografia que lerei, para poder escrever a obra. Devo retomar a pesquisa em 2018.

ἱεροφάντης

No planejamento dos romances a serem escritos, “Hybrid” seria o próximo após “Miwa”, baseado nas músicas que gravei com a banda The Orange Poem — a intenção era fazer algo do tipo o filme “Pink Floyd: The Wall”, de Alan Parker. Porém, quando resolvi retomar a sua produção, mudei o título para “Laranja”, e descartei toda a pesquisa feita em 2016. Na quarta-feira, 26 de abril, considerei a proposta do livro uma merda e desisti. Não sei se retomarei em 2018.

Mestre Dedé — O andarilho da ilusão” é uma antologia póstuma com 130 poemas do meu pai Ildegardo Rosa (1931-2011), abrangendo diversas fases da sua lavra: versos de amor, sociais, memorialistas e de expurgo das dores, com destaque para os seus poemas filosóficos e espirituais (uma síntese boa, com a voz dele, você ouve aqui). Iniciei o trabalho de seleção dos poemas e edição do livro em dezembro de 2016, e em janeiro e fevereiro de 2017, preparei o original e acertei com a editora Mondrongo a publicação de 200 exemplares (confira uma seleta com 25 poemas aqui).


Foi a realização de um desejo antigo da minha mãe, Martha Anísia, que sempre quis ver os poemas do meu pai publicados num livro (49 anos de relação com ele), e financiou todo o processo (não assinei como organizador da antologia porque ela também inseriu poemas da sua preferência). O lançamento aconteceu na Confraria do França (Rio Vermelho, Salvador, o mesmo lugar onde lancei “O grito do mar na noite” em 2015), produzido por Adriano Pessoa, num evento muito bonito — mesmo com a chuva que caiu, reunimos família e amigos e recitamos poemas no microfone, Sarah Fernandes fez as fotos (veja aqui), eu fiquei no caixa, a minha mãe autografou os 32 livros vendidos, e celebramos a memória da multidão dos mais especiais da minha vida: Ildegardo Rosa, poeta. PS: Destaque para a presença do poeta Zecalu, que veio de Feira de Santana só para o lançamento.

Martha Anísia autografa para o poeta Zecalu, fã do poeta Ildegardo


Filhos dengam a mãe

Comecei 2017 assinando como Emmanuel Rosa, decisão tomada em dezembro de 2016, um rompimento com a necessidade de sagrar Mirdad como um artista reconhecido (nunca consegui e foi ótimo desistir dessa bobagem). Causou uma estranheza entre os mais próximos, e nos colegas de trabalho também, mas não durou muito: logo após o lançamento do livro póstumo do meu pai, no sábado, 20 de maio, voltei a assinar como Emmanuel Mirdad (não dá para renegar o que já construí, mas é importante não criar mais expectativas que não serão realizadas). Na sequência, retomei o meu blog na quarta, 24 de maio, com um novo layout e o slogan “O lampião e a peneira do mestiço”.

Em 2017, fiz uma imersão na obra de Anton Tchekhov, ao ler 10 livros do mestre russo. Na sexta-feira, 17 de março, brinquei de editor (um dos meus desejos é ser dono de uma editora, mas falta coragem) e analisei todos os livros de contos de Tchekhov que li, qualificando-os. Então, elaborei uma seleção com os 80 melhores contos, uma antologia que gostaria de publicar, com tradução de Rubens Figueiredo, chamada “Um desprezo absoluto às vaidades estúpidas do mundo”. Cheguei à sequela de pesquisar na internet, fazer o download dos arquivos e arquivar cada um desses oitenta contos escritos na língua russa — os originais do mestre. Quem sabe um dia não encomendarei essa edição? Veja a lista aqui.

Capa que criei para a antologia do mestre Tchekhov

Na música, 2017 foi o ano do adeus: no domingo de Carnaval, 26 de fevereiro, dei o meu violão 12 cordas (comigo desde o ano 2000, apelidado de “craviola”, em que toquei e gravei na banda The Orange Poem, de 2001 a 2007) para a minha irmã Tita (Kátia Moema), e a minha guitarra (comigo desde 1998, apelidada de “Lílian”, sem uso, esquecida no meu armário) para a minha sobrinha-afilhada Maria Clara — elas adoraram os presentes.

Dar os instrumentos simbolizou: “não tenho como voltar para a música”. O último projeto que me envolvi (investi na gravação de um disco de reggae psicodélico com 09 composições minhas, “Fluid”, em 2015 e 2016), Orange Roots, continuou na gaveta e nada do que tentamos planejar em 2017 deu certo — em abril, cheguei a mostrar “Fluid” para uma produtora com bagagem internacional, e ela ficou indiferente e não aprovou o som, classificando-o de “mais do mesmo”, nenhuma novidade.

Foto: Sarah Fernandes

Ironicamente, na terça, 18 de julho, completei 20 anos de música como compositor. Tempos atrás, havia pensado em produzir um show para comemorar, com vários convidados, cenário psicodélico e gravação audiovisual. Pois o dia chegou e nem ao menos um post no blog eu consegui fazer. A única pessoa que me deu parabéns foi Sarah — nem tive a chance de ficar melancólico, porque o lançamento da Flica 2017 foi no mesmo dia, e o sucesso como empresário cultural sufocou a angústia do artista não reconhecido.

Contudo, ao menos uma alegria na música: no domingo, 1º de outubro, ao mexer nos meus arquivos da internet, descobri que o EP “Ancient”, da The Orange Poem com o vocal do cantor e compositor Mateus Aleluia, atingiu 50 mil views no YouTube. Uau! Fiquei muito feliz! Só no boca a boca, sem nenhuma publicidade, nenhum impulsionamento. Surpreendente! — fiz um post aqui.


O único sucesso, tanto como produtor musical (e gravadora também, já que paguei pelo trabalho e organizei tudo), quanto como artista (sou compositor das três músicas do EP) — claro que o motivo é a presença do mestre Mateus Aleluia, que tanto fascina as pessoas, e a força dos poemas do meu pai Ildegardo Rosa, reunidos com a sua voz na faixa “Illusion’s Wanderer” (sozinha, tem a maior quantidade de visualizações de todas as músicas do repertório laranja: 16 mil), bem como os arranjos dos músicos laranjas Marcus​ Zanom (guitarra solo e sanfona), Hosano Lima Jr. (bateria)​, Artur Paranhos (baixo)​, Saint (guitarra) e Tadeu Mascarenhas (piano) — eu gravei o violão 12 cordas. PS: Verifiquei hoje, 27 de dezembro, e “Ancient” está com um pouco mais de 55 mil views (escute aqui).

No audiovisual, tive a oportunidade em 2017 de cursar o Ciclo I do Usina do Drama, programa de formação de roteiristas para desenvolver séries televisivas do Estação do Drama (Facom/Ufba), uma dica da minha irmã Tita. Na seleção para o programa, apresentei a proposta de adaptar o romance “Miwa — A nascente e a foz” na série “Miwa”, que foi aprovada em 10º lugar, entre 149 concorrentes e 50 vagas, uma colocação inesperada, uma grande felicidade (resultado aqui) — não achei que seria selecionado, pois todo concurso que me inscrevi na Bahia (relacionado à literatura) não fui aprovado ou premiado, coincidentemente depois que passei a ser um dos caras da Flica.


No sábado, 06 de maio, começou o Ciclo I do Usina do Drama, totalmente gratuito (projeto financiado com dinheiro público), e eu estava de volta à faculdade onde me formei em jornalismo em 2006, para cursar algo que quero trabalhar — todo sábado, de manhã e de tarde, 13 aulas até o começo de agosto. Aprendi como elaborar os itens de um projeto de série (premissa, storyline, etc.), recebi dicas valiosas, conheci colegas com experiência na área (cursar com Alba Liberato não tem preço!), fui estimulado para ir ao evento Nordeste Lab (onde tive o prazer de conhecer e ouvir o cineasta africano Abderrahmane Sissako, da Mauritânia, diretor do longa “Timbuktu”, indicado ao Oscar de Filme Estrangeiro em 2015), e o melhor de tudo: a reação negativa ao enredo de “Miwa — A nascente e a foz” me fez repensar e alterar o romance para a versão atual.

Entretanto, a sensação final do Usina do Drama foi de frustração, pois não consegui reajustar a minha proposta de série de uma maneira interessante, que justificasse a aprovação para o Ciclo II, o que não ocorreu. Ao menos valeu para identificar que o meu projeto, para prestar, precisa ser muito trabalhado — o que eu não tenho condições de fazer sozinho, e o Usina do Drama não foi suficiente para me ajudar.

Em agosto, elaborei um argumento para longa-metragem baseado em “Miwa”, escrevi um projeto e o inscrevi no edital “Apoio ao Desenvolvimento de Roteiros Cinematográficos Propostos por Novos Roteiristas” do Minc, que oferecia R$ 40 mil para o trabalho, uma quantia razoável. O resultado saiu no final de outubro, e “Miwa” não foi selecionado — ficou com a nota meeira de 11,33. Mesmo assim, fiquei feliz por um dos 12 selecionados ser a produtora e roteirista Susan Kalik, que foi colega no Usina do Drama e me ajudou muito ao comentar o grave problema de “Miwa” — o projeto dela, “Lafond”, teve a nota de 16,67.

A coincidência da data do certificado de “Miwa”

Com esses resultados ruins, desisti da adaptação e foquei na literatura. Porém, em novembro, recebi, da Biblioteca Nacional, o certificado de registro do argumento para série “Miwa” (uma exigência para participar da seleção do Usina do Drama, enviado em março) e fora surpreendido pela bendita data que constava no certificado: 31 de outubro. Dentre todas as datas possíveis entre os meses de março a novembro, a sincronia escolhera justamente essa — como já falei nesse post, aniversário de dois personagens importantes do romance. Interpretei: não pode ser uma mera coincidência. Fiquei balançado e resolvi lutar novamente por essa adaptação.

Convoquei a amiga Gabriela Leite de novo (via Skype, pois ela mora na França), que topou recomeçar a parceria — a proposta é que nós dois elaboremos o roteiro e ela dirija. Havíamos tentado trabalhar em janeiro nesse projeto, mas não rolou pela falta de tempo dela. Então, combinamos que seria na disponibilidade que ela pudesse ter. Porém, em dezembro, ela analisou o projeto do Usina do Drama e apresentou várias questões. Reconheci que ele era fraco e que precisávamos encontrar um caminho para a história. Apresentei opções, mas ela não se empolgou. Ao final da reunião, fiquei com a sensação ruim de que o meu livro “Miwa” não era uma obra interessante.

Foto: Sarah Fernandes

Ainda no audiovisual, em março tive a ideia de unir vários contos do mestre Anton Tchekhov numa adaptação para série, mas que não seria passada no tempo dele, e sim na contemporaneidade, e numa localidade que nada tem a ver com a Rússia: a Bahia. Algo como “Tchekhov na Bahia”. Logo depois, desisti dessa restrição, mas a série deveria ser filmada no Brasil atual, e os protagonistas seriam mulheres (mesmo que nos contos fossem homens).

Na quinta-feira, 30 de março, decidi usar o conto “A aposta” como o principal. Na segunda-feira, 03 de abril, batizei a série de “A Aposta”. E na segunda-feira, 19 de junho, fiz a revisão final do esqueleto do argumento, batizei & cortei & criei personagens, e cortei contos, chegando ao número final de 30 contos para a 1ª temporada de “A Aposta”. Tentei firmar parceria para escrever o roteiro, mas não deram certo as duas tentativas que fiz (ambas com atrizes roteiristas). Em 2018, retomarei esse projeto, nem que seja para fazer sozinho.

Livros de contos de Anton Tchekhov que li
para montar o esqueleto da série “A Aposta”

Em 2017, assisti a 90 filmes (menos que 2016) e 68 temporadas de séries (mais que 2016) e um episódio especial. Não falo mais em recorde, pois virou uma prática na minha vida consumir produtos audiovisuais — botei em dia séries fundamentais como “Rick and Morty”, “Downton Abbey”, “Mad Men” e as primeiras temporadas de “American Crime Story” e “How Get Away With Murder”, assim como em 2016 havia feito com “Breaking Bad” e “Lost”. A melhor série que vi em 2017 foi a fritada e surpreendente “Twin Peaks”, de David Lynch e Mark Frost, e o melhor filme foi o fantástico e ácido “Mãe!”, de Darren Aronofsky — impressões aqui. Mais abaixo, ainda neste post, a lista com todos os livros, filmes e temporadas de séries que consumi em 2017.


A minha empresa Cali realizou a 1ª edição da FliCaixa (Festa Literária da Caixa), com mesas literárias e programação infantil em três etapas: Salvador (abril), Fortaleza (maio) e Curitiba (setembro) — confira fotos e vídeos de todas as etapas aqui. O evento marcou a primeira produção da Cali além da Bahia (sexta e sábado, 05 e 06 de maio, na Caixa Cultural Fortaleza, no Ceará) e além do Nordeste (terça e quarta-feira, 12 e 13 de setembro, na Caixa Cultural Curitiba, no Paraná). 

A FliCaixa foi mais uma realização em conjunto com a Icontent, produtora da Rede Bahia — a principal é a Flica (Festa Literária Internacional de Cachoeira). Eu assinei como curador da programação das mesas literárias, que teve nomes como Conceição Evaristo, Mary del Priore, Xico Sá e Fabrício Carpinejar, entre outros.


Em 2017, após muito insistir, finalmente consegui que os sócios da Flica (Festa Literária Internacional de Cachoeira) concordassem com a curadoria externa para o evento. Convidei, então, o fotógrafo e escritor baiano Tom Correia, que aceitou, após análise minuciosa dos prós e contras, e o seu nome foi aprovado pelos sócios — sobre o novo curador, leia aqui. Fiquei muito feliz por ele ter aceitado a minha indicação do escritor e professor aposentado baiano Ruy Espinheira Filho, o nosso maior poeta vivo, para ser o autor homenageado da Flica 2017. De abril a setembro, coordenei o trabalho do curador no fechamento da programação das mesas literárias da 7ª edição da Flica — a Fliquinha continuou com a curadoria de Mira Silva e Lilia Gramacho (veja os nomes aqui).

Emmanuel Mirdad no lançamento da Flica 2017

Na terça-feira, 18 de julho, realizamos o evento de lançamento da 7ª edição da Flica no Palácio da Aclamação, em Salvador, com a presença do governador Rui Costa, vários secretários, deputados, prefeitos, vereadores, o presidente da Rede Bahia ACM Júnior, a senadora Lídice da Mata, o prefeito Tato Pereira, o curador Tom Correia e Ruy Espinheira Filho, o autor homenageado da Flica 2017. Salão lotado, muita imprensa, sucesso total. Tivemos de investir, mas valeu a pena, pois um patrocinador que havia saído, retornou, só por causa da repercussão do lançamento. Informações sobre o evento aqui

O Governo do Estado da Bahia apresentou a Flica 2017, que aconteceu de 05 a 08 de outubro em Cachoeira, uma realização Cali e Icontent, com o patrocínio do Governo do Estado, por meio do Fazcultura, e apoio do Hiperideal, Coelba, Prefeitura Municipal de Cachoeira, Odebrecht e Sesi/Fieb. Assim como em 2016, tudo funcionou muito bem, o público lotou todas as mesas e a Fliquinha. Porém, a cidade esteve mais cheia (chegou a ter 40 min de engarrafamento para entrar em Cachoeira, e a cerveja acabou no sábado), e foi um sucesso estrondoso: muita gente, muita mesmo, circulando pela cidade e pelas programações.

Frame do vídeo da cerimônia de abertura da Flica 2017

Pela primeira vez desde a criação da Flica, só passei dois dias em Cachoeira, quinta e sexta, sem função executiva, apenas como um dos donos — desde 2016 que a coordenação geral durante o evento é feita por Gustavo Mendonça, da Icontent, cargo em que trabalhei de 2011 a 2015. Conduzi a abertura da 7ª edição, com as falas do governador Rui Costa, da secretária de cultura Arany Santana e do prefeito de Cachoeira, Tato Pereira (veja aqui), ambientei o curador estreante às funções que deveria desempenhar durante o evento, e dei entrevista para o BATV (veja aqui). 

Por causa do sábado da Flica ter sido agendado, infelizmente, para a mesma data do meu aniversário, recusei-me receber os parabéns de quem não me é próximo e fui embora, logo cedo; aproveitei o dia sete para realizar o lançamento virtual do meu livro “Quem se habilita a colorir o vazio?” — o único lamento foi não ter conhecido a moçambicana Paulina Chiziane, mas adorei ter conhecido a xodó Maria Valéria Rezende.

O curador Tom Correia e Emmanuel Mirdad entregam o troféu de “Autor homenageado” da Flica 2017 ao poeta Ruy Espinheira Filho - Foto: Paolo Paes

O momento mais emocionante da Flica 2017 para mim: começo da noite de sexta-feira, 06 de outubro, no térreo da Pousada do Carmo, durante a preparação para a mesa “A poesia em suas infinitas estações”, recitei “Grácia” para o amigo Ruy Espinheira Filho, autor do poema, a celebrar cada verso incrível dessa obra que tanto amo (é o meu predileto do grande poeta) totalmente sintonizado com ele, ao lado do amigo e escritor Carlos Barbosa, os três a reverenciar a arte literária — momento mágico de bons leitores a celebrar um belíssimo poema bem feito. Durante a mesa, que foi mediada pela poeta e professora Mônica Menezes (minha sogra), o autor homenageado da Flica 2017 recitou outro poema que amo, “A que partiu há pouco”, de sua autoria (veja aqui). 

Ainda pela Cali, na segunda-feira, 13 de fevereiro, criei a página da empresa no Facebook (acesse aqui) e inseri conteúdo nela. Aproveitei o embalo e organizei a página da Flica também, deixando as duas bem arrumadas, com a memória preservada. PS: Na quarta-feira, 25 de janeiro, finalmente o INPI emitiu o certificado de registro da marca Flica para a Cali (processo que foi iniciado em 2011).

50 bandas/artistas selecionados para a série “Música para Escrever 2017”

Escrevi “Miwa” ao som dos islandeses do Sigur Rós, e “Olhos abertos no escuro” ao som do duo norte-americano Hammock. Resolvi, então, conhecer mais do gênero “post-rock” (e o “ambient” também) — atualmente considero os dois a melhor trilha sonora para escrever. A partir da terça-feira, 15 de agosto, passei a pesquisar bandas e artistas dos gêneros via canais especializados no YouTube, o que originou, no mês seguinte, uma nova série para o meu blog, chamada de “Música para Escrever”, divulgando cinco bandas (a cada post) com os melhores sons que descobri, a alumiar a mente e transcender em palavras.

Reuni um bom acervo para ambientar as futuras produções literárias — continuarei a escrever embalado pelo som que me faz ir além, mergulhado no universo de dentro e ao redor. A “Música para Escrever 2017” divulgou 50 bandas de 26 países em 104 discos — entre álbuns, EPs e um single (ouça aqui). Amei ter tido a oportunidade de conhecer discos maravilhosos, de bandas e artistas como If These Trees Could Talk (EUA), Imploding Stars (Portugal), hubris. (Suíça), pg.lost (Suécia), (Alemanha), Molecules to Minds (Austrália), Paint The Sky Red (Singapura), Wren (EUA), Silent Whale Becomes A° Dream (França), How To Disappear Completely (Polônia), Eimog (Itália), Dan Caine (Inglaterra) e Astralia (Espanha). Confira uma seleção com os melhores discos da “Música para Escrever 2017aqui.

Os melhores discos da série Música para Escrever 2017

Essa imersão também me serviu para sanar dívidas do “post-rock”: finalmente parei para ouvir o som fodástico de bandas referências do gênero, como as espetaculares Godspeed You! Black Emperor (Canadá), Mogwai (Escócia) e Explosions in the Sky (EUA), e as interessantes Bark Psychosis (Inglaterra) e Tides From Nebula (Polônia), e a bombadinha (que não fui muito com a cara) God is an Astronaut (Irlanda).

Das perdas que ocorreram em 2017, senti bastante a do cantor e compositor Belchior (1946-2017), no domingo, 30 de abril. Fiquei na fossa, não consegui trabalhar nem relaxar, e fiquei ouvindo muitas músicas (compartilhando doído no Facebook) do grande cantador, um dos meus prediletos, assistindo a vídeos antigos no YouTube. Considero “Alucinação” (1976) o melhor disco da música brasileira.

Chris Cornell (1964-2017)

Senti também a morte do cantor e compositor Chris Cornell, na quinta-feira, 18 de maio. No começo dos anos 2000, quando eu sonhava em ser um rockstar, pensava: “Por que eu não nasci com a voz de Chris Cornell?”. Vocalista do Soundgarden, me fisgou mesmo com o disco de 2002, estreia do Audioslave, a sua banda com os músicos monstros do Rage Against The Machine: um disco perfeito, tanto pela sonoridade, quanto pelas canções e a interpretação espetacular desse cabra fodástico, natural de Seattle, EUA. Poucos berraram como ele. Poucos trouxeram tanta dor na interpretação. Veja a interpretação magnífica da canção “Nothing Compares 2 U” (Prince), por Chris Cornell (1964-2017) aqui. E essa é uma das canções da minha vida — sempre ouvi e sempre ouvirei, sempre achando incrível —, “Like a Stone”, aqui. E eu queria tanto berrar assim

Sharon Van Etten

Das descobertas preciosas de 2017, destaco duas (além das citadas mais acima, por conta da imersão “post-rock”). A primeira, graças ao episódio 06 da melhor série de 2017 (“Twin Peaks”), conheci o trabalho da cantora e compositora norte-americana Sharon Van Etten — ela encerrou o episódio com a canção “Tarifa”. Viciei imediatamente na sua voz, que me sensibilizou muito (tanto quanto outras vozes importantíssimas para mim, como Dolores O’Riordan, da banda The Cranberries). No domingo, 16 de julho, fui pesquisar os seus discos, e pirei mais ainda: um timbre delicioso, belas canções folks, muita harmonia vocal. Fiquei ouvindo no repeat eterno e fiz uma seleta com as 29 melhores canções de Sharon Van Etten (ouça aqui).

Zdzisław Beksiński (1929-2005)

A outra descoberta foi um presente de dica de Sarah Fernandes: o pintor, fotógrafo e artista fantástico polonês Zdzisław Beksiński (1929-2005). No sábado, 12 de agosto, fui conferir o trabalho e pirei! Alucinei! Passei a baixar vários trabalhos dele num site-galeria, e elaborei uma série de posts no blog durante os meses de agosto e setembro (120 pinturas aqui | Fotos aqui | Fotomontagens digitais aqui). Fiquei tão fã que cheguei a colocar, por duas vezes em 2017, pinturas dele como a minha foto de perfil no Facebook.

Sigur Rós ao vivo em São Paulo

Por fim, em 2017, realizei o sonho que faltava: na quarta-feira, 29 de novembro, no Espaço das Américas em São Paulo, eu vi a banda islandesa Sigur Rós ao vivo (impressões aqui). Depois de ter visto o Radiohead ao vivo na Sapucaí (RJ) em março de 2009, Roger Waters com The Wall ao vivo no Engenhão (RJ) em março de 2012, e David Gilmour ao vivo no Allianz Parque (SP) em dezembro de 2015, completei o meu panteão sagrado da música com o show do Sigur Rós (faltou o principal, Bob Marley, mas este se foi quando eu nem tinha um ano de idade). Fiquei feliz da vida com a realização desse sonho, pois o Sigur Rós é muito fantástico, transcendente, espiritual.

Em 2018, continuarei como Emmanuel Mirdad; um homem, apenas.

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Principal feito de 2017


Lançamento do livro “Quem se habilita a colorir o vazio? – Todos os poemas de Emmanuel Mirdad”, no dia do meu aniversário de 37 anos, com 200 poemas e download gratuito.

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Livro que mais gostei em 2017


O sonho do celta
(Objetiva, 2011)
Mario Vargas Llosa

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Livros prediletos em 2017


1) “O sonho do celta” (Objetiva, 2011), de Mario Vargas Llosa

2) “Homem invisível” (José Olympio, 2013), de Ralph Ellison

3) “O conto da aia” (Rocco, 2017), de Margaret Atwood

4) “Umbigo” (LGE Editora, 2006), de Nicolas Behr

5) “O assassinato e outras histórias” (Cosac Naify, 2011), de Anton Tchekhov

6) “Os Románov” (Companhia das Letras, 2016), de Simon Sebag Montefiore

7) “O malfeitor e outros contos da velha Rússia” (Ediouro, 1989), de Anton Tchekhov

8) “Mar de glória – Viagem americana de descobrimento” (Companhia das Letras, 2005), de Nathaniel Philbrick

9) “Um negócio fracassado e outros contos de humor” (L&PM, 2013), de Anton Tchekhov

10) “A flecha de Deus” (Companhia das Letras, 2011), de Chinua Achebe

11) “Os nove pentes d’África” (Mazza Edições, 2009), de Cidinha da Silva

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Todos os 60 livros lidos em 2017


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Filme que mais gostei em 2017


Mãe!
(Mother! – 2017)
Darren Aronofsky
[impressões aqui]

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Filmes prediletos vistos em 2017


1) “Mãe!” (Mother! – 2017), de Darren Aronofsky

2) “Monsieur & Madame Adelman” (Monsieur & Madame Adelman – 2017), de Nicolas Bedos

3) “O Cidadão Ilustre” (El Ciudadano Ilustre – 2016), de Gastón Duprat e Mariano Cohn

4) “Na Natureza Selvagem” (Into the Wild – 2007), de Sean Penn

5) “A 13ª Emenda” (13th – 2016), de Ava DuVernay

6) “Um Homem Chamado Ove” (En man som heter Ove – 2015), de Hannes Holm

7) “Lady Macbeth” (Lady Macbeth – 2016), de William Oldroyd

8) “Cobain: Montage of Heck” (Cobain: Montage of Heck – 2015), de Brett Morgen

9) “Sob o Sol” (В лучах Солнца - 2015), de Vitaliy Manskiy

10) “First They Killed My Father” (មុនដំបូងខ្មែរក្រហមសម្លាប់ប៉ារបស់ខ្ញុំ – 2017), de Angelina Jolie

11) “O Experimento de Milgram” (Experimenter – 2015), de Michael Almereyda

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Todos os 90 filmes vistos em 2017


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Revi 10 filmes em 2017: “Ela”, “Capitão Fantástico”, “Caçadores de Emoção” (1991), “Árvore da Vida”, “Escola de Rock”, “Blade Runner: O Caçador de Androides”, “A Missão”, “O Nome da Rosa”, “Universidade Monstros” e “O Retorno do Dragão – A Cidade Perdida”.

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Temporada de série que mais gostei em 2017


Twin Peaks
(2017)
David Lynch e Mark Frost

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As temporadas de séries prediletas vistas em 2017


1) “Twin Peaks” (2017), de David Lynch e Mark Frost

2) “Rick and Morty” (3ª temporada – 2017), de Justin Roiland e Dan Harmon

3) “The Sinner” (1ª temporada – 2017), de Derek Simonds

4) “Dark” (1ª temporada – 2017), de Baran bo Odar e Jantje Friese

5) “Billions” (1ª temporada – 2016), de Brian KoppelmanDavid Levien e Andrew Ross Sorkin

6) “Downton Abbey” (2ª temporada – 2011), de Julian Fellowes

7) “American Crime Story: The People vs OJ Simpson” (2016), de Scott Alexander e Larry Karaszewski

8) “Como Defender um Assassino” (How to Get Away With Murder1ª temporada – 2014), de Peter Nowalk

9) “The Handmaid’s Tale” (1ª temporada – 2017), de Bruce Miller

10) “Mr. Robot: Sociedade Hacker” (Mr. Robot, 1ª temporada – 2015), de Sam Esmail

11) “The Crown” (2ª temporada – 2017), de Peter Morgan

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Todas as 68 temporadas de séries
vistas em 2017
[e um episódio especial]


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Revi 01 temporada de série em 2017: 1ª parte da 4ª temporada de “Vikings”.

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