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Opinião, de Mãe Stella de Oxóssi — Parte 02

Mãe Stella de Oxóssi
Foto: Iraildes Mascarenhas | Arte: Mirdad


"Por mais idade que se tenha, ninguém é sábio suficiente para que não continue sendo um permanente aprendiz"


"Se não queremos que nossa prática religiosa seja condenada sem que se tenha conhecimento da causa, devemos ter cuidado para não condenar, nem mesmo criticar, a dos outros"


"A terra nos alimenta, mas pede em troca os nossos corpos como alimento"


"A pergunta correta não é qual o orixá que rege o ano e, sim, qual o orixá que rege o ano para aquelas pessoas que cultuam essas divindades e estão vinculadas à comunidade em que o jogo de búzios foi utilizado (...) 'E eu, que não cultuo orixá e não tenho relação com o candomblé, não serei orientado nem protegido por nenhuma divindade?' A resposta é: 'Claro que sim! Por aquela que você cultua ou acredita' (...) 'E quanto às pessoas que não são religiosas, elas ficarão à toa?'. Não, é claro que não. Essas serão guiadas e orientadas pela natureza, que é a presença concreta do Deus abstrato. Seus instintos, protegidos por suas cabeças e corações, conduzirão suas vidas de modo que seus passos sigam sempre na direção correta"


"Eu nunca me canso de buscar o conhecimento em todas as áreas da vida, mas principalmente sobre a religião que pratico, pois temos obrigação de conhecermos, o mais profundamente possível, as bases que sustentam a crença que praticamos. A busca de conhecimento gera um maior entendimento, o que ajuda na diminuição do preconceito e no aumento do respeito"


"É frustrante e tedioso perceber que uma característica inerente ao ser humano teima em não se purificar: a permanente atitude de não assumir suas falhas"


"Nem o grande e importante avanço da ciência, para quem a comprovação de dados é fundamental, impediu ou diminuiu a necessidade que tem o homem de conexão com o misterioso mundo divino, que se costumou denominar de processo religioso. Muito se discute se uma corrente religiosa é seita ou religião, como se um simples termo pudesse definir um estado de ser. Isso só ocorre porque a humanidade ainda opta pela rivalidade, concorrendo com pessoas que pretendem a mesma coisa: comungar com o divino"


"O mito é uma das partes integrantes de nossa cultura religiosa, fazendo parte do cotidiano de um terreiro de candomblé (...) O mito, entre outras coisas, tem a função de chamar atenção para um erro (...) sem que para isto seja necessário usar de grosseria. O relato de um mito, por ser uma forma lúdica de se transmitir um ensinamento, faz com que a pessoa receba a reclamação de maneira tão suave que ela não se preocupa em colocar barreiras"


"Magia: são saberes, crenças e práticas reveladas, através das quais determinadas forças da natureza são manipuladas, visando diminuir a distância entre Deus, deuses e homens. Quando os saberes e práticas reveladas se institucionalizam em um determinado grupo social, uma religião é constituída, como é o caso do candomblé"


"Por ser uma religião surgida no Brasil através de um povo escravizado, não letrado, que não fazia parte nem da considerada mais baixa classe social, que não era visto nem como humano e sim como objeto de trabalho e lucro, o candomblé sofre ainda hoje preconceito, até por parte de seus iniciados. Tanto que muitos 'filhos-de-santo' se consideram e afirmam para a sociedade que eles são católicos. Isso acontece por medo de descriminação, por hábito herdado da família e da sociedade. Mas o pior é quando isso acontece por falta de reflexão"



Trechos presentes no livro de crônicas "Opinião" (2012), de Mãe Stella de Oxóssi.

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