Costumo peneirar os trechos prediletos dos livros que leio (compilo aqui), e não poderia deixar de fora o “oroboro baobá”, o meu primeiro romance, lançado virtualmente nas minhas redes e publicado pela Penalux em 2020. Nessa terceira parte do garimpo, a entidade Mokamassoulé entrega a bebê Miwa para Bartira, as negras Benivalda e Bartira acolhem as índias Nara e Luzia, a menina Miwa e a África, o pataxó Burianã quer ser aceito em Caraíva, a polícia não quer investigar assassinato do abneto de Mbamba, a negra rica Bárbara ignora o irmão escravizado, o romance de Dona Tonica e Ranolfo, o goleiro Montanha é preso, e a defesa espectral de Montanha garante Porto Seguro na semifinal do Amadô.
Clarice Lispector (foto daqui ) “A mãe dele estava nesse instante enrolando os cabelos em frente ao espelho do banheiro, e lembrou-se do que uma cozinheira lhe contara do tempo do orfanato. Não tendo boneca com que brincar, e a maternidade já pulsando terrível no coração das órfãs, as meninas sabidas haviam escondido da freira a morte de uma das garotas. Guardaram o cadáver no armário até a freira sair, e brincaram com a menina morta, deram-lhe banhos e comidinhas, puseram-na de castigo somente para depois poder beijá-la, consolando-a. Disso a mãe se lembrou no banheiro, e abaixou mãos pensas, cheias de grampos. E considerou a cruel necessidade de amar. Considerou a malignidade de nosso desejo de ser feliz. Considerou a ferocidade com que queremos brincar. E o número de vezes em que mataremos por amor. Então olhou para o filho esperto como se olhasse para um perigoso estranho. E teve horror da própria alma que, mais que seu corpo, havia engendrado aquele ser apto à vida e à felici...









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