Pular para o conteúdo principal

Lançamento CD Farol de Mou Brasil



Acho o guitarrista baiano Mou Brasil o melhor compositor da atualidade. Não escondo de ninguém essa opinião. Hoje, quinta 04/04, às 19h, na Galeria do Livro do Cine Glauber Rocha, entrada franca, vai rolar o lançamento do álbum Farol, totalmente autoral, com participações de Tiganá Santana, Manuela Rodrigues e Steve Coleman. Vá, compre o CD e confira se não estou certo.

Com 30 anos de carreira, Mou Brasil tinha apenas um disco gravado, fora do Brasil ainda por cima. Assim estava o guitarrista e compositor em 2009, quando o conheci, através do amigo Tiganá Santana. Pra mim foi inaceitável testemunhar composições incríveis sem registro, ainda mais diante desse absurdo com a nossa história musical ter um músico do gabarito de Mou sem álbum lançado no Brasil.

Convenci meu então sócio na Putzgrillo Cultura, o empresário Marcus Ferreira, a topar mais um projeto de CD (o outro tinha sido o 1º de Tiganá), o que não queríamos mais (tínhamos decidido ser produtora de festivais). Argumentei que era uma obrigação nossa para com a renovação da música instrumental baiana.

Escrevemos o projeto (inclusive foi finalizado na noite do meu aniversário de 2009), que concorreu ao edital da Funceb (mais uma vez, como o de Tiganá), e acabou sendo contemplado, com louvor (no mesmo edital em que foram contemplados o Aleluia da banda Cascadura e o ArRede - Tempo sem Nome da banda Radiola). Foi o reconhecimento do Estado da Bahia à brilhante obra de Mou Brasil.

Pois então, no dia seguinte à Cerimônia de Entrega do Prêmio BTR 2010 (emendando projetos é uma doideira só), começamos a gravação no estúdio Coaxo do Sapo, de Guilherme Arantes, lá na Barra do Jacuípe. E, depois de um longo percurso e vários contratempos, o álbum Farol será lançado nesta quinta 4 pelo selo baiano Garimpo Música. Parabéns, Mou, você merece muito mais, meu caro amigo!

Conheça a ficha técnica do CD Farol aqui.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Dez passagens de Jorge Amado no romance Capitães da Areia

Jorge Amado “[Sem-Pernas] queria alegria, uma mão que o acarinhasse, alguém que com muito amor o fizesse esquecer o defeito físico e os muitos anos (talvez tivessem sido apenas meses ou semanas, mas para ele seriam sempre longos anos) que vivera sozinho nas ruas da cidade, hostilizado pelos homens que passavam, empurrado pelos guardas, surrado pelos moleques maiores. Nunca tivera família. Vivera na casa de um padeiro a quem chamava ‘meu padrinho’ e que o surrava. Fugiu logo que pôde compreender que a fuga o libertaria. Sofreu fome, um dia levaram-no preso. Ele quer um carinho, u’a mão que passe sobre os seus olhos e faça com que ele possa se esquecer daquela noite na cadeia, quando os soldados bêbados o fizeram correr com sua perna coxa em volta de uma saleta. Em cada canto estava um com uma borracha comprida. As marcas que ficaram nas suas costas desapareceram. Mas de dentro dele nunca desapareceu a dor daquela hora. Corria na saleta como um animal perseguido por outros mais fortes. A...

Oito poemas de Ana Martins Marques no livro Risque esta palavra

Ana Martins Marques (foto daqui ) História Ana Martins Marques Tenho 39 anos. Meus dentes têm cerca de 7 anos a menos. Meus seios têm cerca de 12 anos a menos. Bem mais recentes são meus cabelos e minhas unhas. Pela manhã como um pão. Ele tem uma história de 2 dias. Ao sair do meu apartamento, que tem cerca de 40 anos, vestindo uma calça jeans de 4 anos e uma camiseta de não mais do que 3, troco com meu vizinho palavras de cerca de 800 anos e piso sem querer numa poça com 2 horas de história desfazendo uma imagem que viveu alguns segundos. Belo Horizonte, 7 de novembro de 2016. -------- Parte alguma Ana Martins Marques Não te enganes: viajar é aborrecido. Num ponto, ao menos, todos os lugares  se parecem: neles já se passou  algo terrível.  As viagens cansam e são tristes.  Viajando apenas constatamos  a repetição tediosa do que existe. Pois para onde quer que compremos passagem levamos a nós mesmos na bagagem. Viajar é conduzir o corpo — esse comboio imundo — a...

Dez passagens de Clarice Lispector no livro Laços de família

Clarice Lispector (foto daqui ) “A mãe dele estava nesse instante enrolando os cabelos em frente ao espelho do banheiro, e lembrou-se do que uma cozinheira lhe contara do tempo do orfanato. Não tendo boneca com que brincar, e a maternidade já pulsando terrível no coração das órfãs, as meninas sabidas haviam escondido da freira a morte de uma das garotas. Guardaram o cadáver no armário até a freira sair, e brincaram com a menina morta, deram-lhe banhos e comidinhas, puseram-na de castigo somente para depois poder beijá-la, consolando-a. Disso a mãe se lembrou no banheiro, e abaixou mãos pensas, cheias de grampos. E considerou a cruel necessidade de amar. Considerou a malignidade de nosso desejo de ser feliz. Considerou a ferocidade com que queremos brincar. E o número de vezes em que mataremos por amor. Então olhou para o filho esperto como se olhasse para um perigoso estranho. E teve horror da própria alma que, mais que seu corpo, havia engendrado aquele ser apto à vida e à felici...