“Como todo velho, Olegário vivia repetindo que antigamente tudo era melhor. Dizia que a juventude de hoje não tinha educação, que os governantes, políticos e juízes eram todos ladrões, a imprensa era vendida, a família estava destruída e bom mesmo era o passado. Quanto mais passado, melhor. Olegário fazia força para ignorar o fato de que o pretérito provavelmente era tão ruim ou pior que o presente e seria invariavelmente tão terrível quanto o futuro. O velho acreditava, como muitos dos que dobram o Cabo da Boa Esperança, que seus muitos anos de vida lhe garantiam a prerrogativa de estar sempre certo e ser inquestionável, esquecendo o fato de que um velho pode ser simplesmente alguém que é estúpido, canalha ou mau-caráter há mais tempo do que um jovem.” “Por alguma razão misteriosa, para seu Olegário os fatos perderam a importância e ele passou a acreditar apenas no que lhe convinha. Se a notícia não lhe agradasse, mesmo que fosse comprovadamente verda...
O lampião e a peneira do mestiço