Pular para o conteúdo principal

Vamos ouvir: Afrika Bahia, de Rafael Pondé

Afrika Bahia (2013) - Rafael Pondé



Não consegue visualizar o player? Ouça aqui

Release do CD escrito pelo próprio artista, disponível no seu Soundcloud:

"
Rafael Pondé lança seu novo disco “Afrika Bahia”

O Cd “Afrika Bahia” é um renascimento, um reencontro, um recomeço...Explico...Depois de seis anos de uma peregrinação, que me auto-impus, por diversas cidades do Brasil e do mundo, pra onde fui em busca de amadurecimento, crescimento, aprendizagem e em busca da cura pra um mal de amor, finalmente retorno e recomeço tudo do meu porto de partida, a Bahia. Estou mais uma vez em seus braços macios...

Essa experiência “cigana” me ajudou muito, pois pude conhecer os modos e culturas de muitos lugares desse nosso “Brasil brasileiro” e também de cidades da Europa que me encantaram muito, como Barcelona e Berlim...O final desse percurso de vagância pelo mundo, levou esse “nobre vagabundo” em 2009 ao Rio de Janeiro, onde vivi por dois anos e onde ocorreu o “reconhecimento”...Naquela boa vida carioca, começaram a aparecer os primeiros sintomas desse renascimento...O banzo estava sempre presente comigo naquela cidade realmente inebriante e bela...Um sentimento, que imagino, habitou também os corações de Dorival Caymmi, Assis Valente e Humberto Porto (meu tio avô, que criou a “Jardineira” e foi um dos primeiros a tematizar a cultura afrobaiana nas letras dos seus lamentos).

Esse banzo, como vim a descobrir depois, é a força e a autoridade que a Bahia exerce sobre seus filhos, quando eles se jogam pro mundo... É um chamamento de sereia constante...Foi lá no Rio em fins de 2011, que começaram a surgir os primeiros sinais de Afrika Bahia...As andanças com o percussionista baiano Marcos Odara, os papos com o genial cineasta Hélio Rodrigues na gravação do seu documentário “O novíssimo baiano”, tratando da obra desse operário musical que vos fala, o centenário de Jorge Amado, o show que fiz no teatro Solar de Botafogo, que contou com a presença e participação dos queridos Letieres Leite, Mariella Santiago, Gabi Guedes, Maurício Braga, entre outros baianos, onde toquei canções antigas do meu repertório, como “Revolta dos Malês,” tudo isso já fazia parte desse chamado que culminou nesse novo trabalho.

No final de 2011 veio a bomba, minha mãe tinha câncer, e esse foi o golpe fatal ou seria o plano divino pra me trazer de volta a minha Salvador? Não sei...Só sei que encarei isso com resignação e vim embora do Rio...Mas nessa volta tive uma certeza, faria uma obra coletiva e marcante pra minha família, pra minha cidade, para o meu povo... Por isso, esse “Afrika Bahia” me é tão precioso... Foi um lindo reencontro com nossos fundamentos, nossa ancestralidade, nossos ritmos, nossa mamãe Afrika... Isso tudo após haver peregrinado por esse mundo de cidades tão lindas quanto dispares...Eu, que nas minhas idas e vindas pra representar nossa cultura na Europa, não contenho as lágrimas a rolar no meu rosto, quando avisto da janela do avião o contorno daquela que é a Baía mais linda de todo o mundo...A Baía de todos os Santos...Esse sentimento nunca me abandonou, em nenhum dos lugares por onde andei e foi exatamente ele que motivou esse novo trabalho...

No começo de 2012 estava de volta a Bahia e caí de cabeça numa pesquisa rigorosa indo atrás de tudo que é novidade no quesito musical e nesse caminho fui me reencontrando com minha essência, meus lugares, minhas alegrias, minhas inspirações, minhas melodias e harmonias...Esse disco é feito de um profundo sentimento de reencontro e pertencimento...Fui deglutindo e rearranjando as informações de casa e as colocando num caldeirão “tropifágico” junto com temperos recolhidos nas várias cidades que passei...

Em meio a isso tudo, o encontro com a Afrika foi exatamente o querer entender a nossa idiossincrasia não mais pelo prisma europeu ou americano, mas sim pelo prisma da nossa mãe de fato, que é a Afrika. Aqui na Bahia “somos todos pretos”, sem dúvida, não podemos fugir da nossa matriz tão preciosa que nos legou o que temos de mais valioso e diferenciador. Com isso, eu quero dizer também, que a informação cultural contemporânea da África propõe novos modelos de identificação e referência, uma ressignificação e novos simbolismos para o ser baiano, pois o estudo da cultura da Afrika nos leva a realmente mudar o conceito do que achamos ser Afrika e com isso somos obrigados a rever os conceitos de baianidade e de afro descendência também... Afinal não podemos parar no tempo, temos que olhar pra frente visando nos reinventar, pois é isso que temos feito desde Caymmi até hoje...A Bahia está sempre se reinventando e por isso sempre esteve na vanguarda cultural brasileira, continuemos isso, vamos acreditar!!!

Gostaria de finalizar desejando uma boa audição do disco e agradecendo a todos os músicos técnicos e artistas participantes, pois sem eles eu não teria sido capaz dessa empreitada. A ficha técnica está disponível no encarte do disco e nas informações nas tracks nos sites onde ele se encontra. O disco está disponível também no www.rafaelponde.com

Um abraço e até sempre!
"
.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

O grito do mar na noite no site do jornal Rascunho

Resenha do livro O grito do mar na noite (Via Litterarum, 2015), publicada no Rascunho #192, de abril de 2016, por Clayton de Souza, disponível para leitura no site do jornal.

Leia aqui

A mesma resenha na versão impressa do jornal aqui

Foto do autor: Sarah Fernandes

Cinco poemas e três passagens de Ana Martins Marques no livro Da arte das armadilhas

Ana Martins Marques (foto daqui)

Espelho
Ana Martins Marques

                                     d’après e. e. cummings

Nos cacos
do espelho
quebrado
você se
multiplica
há um de
você
em cada
canto
repetido
em cada
caco

Por que
quebrá-
-lo
seria
azar?


--------


Teatro
Ana Martins Marques

Certa noite
você me disse
que eu não tinha
coração

Nessa noite
aberta
como uma estranha flor
expus a todos
meu coração
que não tenho


--------


Penélope
Ana Martins Marques

Teu nome
espaço

meu nome
espera

teu nome
astúcias

meu nome
agulhas

teu nome
nau

meu nome
noite

teu nome
ninguém

meu nome
também


--------


Caçada
Ana Martins Marques

E o que é o amor
senão a pressa
da presa
em prender-se?

A pressa
da presa
em
perder-se


--------


A festa
Ana Martins Marques

Procuramos um lugar
à parte.
Como se estivéssemos
em uma festa
e buscássemos um lugar
afastado
onde pudéssemos
secretamente
nos beijar.
Procuramos um lugar
a salvo
das palavras.

Mas esse
lugar
não há.


--------


"Um dia vou aprender a partir
vou partir
como qu…

O fim do Blog do Ël Mirdad

Esta é a última postagem do Blog do Ël Mirdad (que um dia já foi Farpas e Psicodelia). Ao fim, foram 1.083 postagens em 8 anos de atividade, de 2009 a 2016. Divulguei o trabalho de muitos artistas, nas áreas da música, literatura e audiovisual (eventos, shows, quadrinhos, etc.), e também o meu trabalho como compositor, escritor e produtor cultural. Das seções que fiz, a que mais me orgulhou foi Leituras. Abaixo, seguem duas imagens com estatísticas que o próprio Blogger oferece, apuradas em 22 de dezembro. O motivo para o fim desse blog é que não assinarei mais como Emmanuel Mirdad, e não tem lógica manter um canal de comunicação vinculado a esse nome.


Algum dia farei outro blog? Acho difícil. Caso faça, divulgarei apenas o meu trabalho como escritor, o único que continua, assinando, a partir de 2017, como Emmanuel Rosa.


Muito obrigado pela sua audiência. E espero que o Google mantenha esse acervo ativo, para quando você quiser voltar por aqui e ler (ou ouvir) algo que lhe agradou, d…