Em atividade desde 1978, a Educadora FM é a rádio mais plural do dial baiano, uma miríade de sonoridades, estilos, origens, que toca o novo e o clássico, sem jabá, e faz jornalismo cultural, esportivo & geral, com destaque para o programa Multicultura, capitaneado pelo jornalista Renato Cordeiro (para mim, o profissional que faz as melhores perguntas nas entrevistas, formado pela Facom-UFBA, leitor e consumidor das artes, qualificado e elegante, cheio de dica interessante).
Confira a entrevista que dei no Multicultura falando sobre o romance “oroboro baobá”.
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Um pouco de história:
Um dia, no verão de fevereiro, em 2021, overdose da manhã à noite no trampo da pré-produção da Flica na Rede (logística, roteiro, administração), e o melhor é a surpresa de uma mensagem do Cordeiro: “Oi, Mirdad. Onde posso comprar o físico de ‘oroboro baobá’? Compro contigo mesmo? Se sim, como faço? Posso transferir pra sua conta?”.
Patchara, se você não é um escritor invisível, não tem ideia de quanto significa uma mensagem dessa. Pense: você está na sua, num dia como outro qualquer, e um leitor qualificado entra em contato querendo COMPRAR o seu livro, sem nenhum estímulo de propaganda ou fator notícia. Pergunte a um escritor que você conheça: isso acontece? Quando sim, eu não possuía mais o livro para vender. Kuéin! E Cordeiro amplifica: vai no site da Penalux e compra. Fatality: ele lê o meu romance e propõe: “Oi, Mirdad. Terminei ‘oroboro baobá’. Será que a gente poderia fazer uma entrevista amanhã, no final da tarde, via Zoom? Seria uma gravação para o Multicultura da Educadora FM”.
Ô sorte! Quase não acredito: ele leu mesmo, que foda! E o que Cordeiro faz não é excepcional, e sim o que se espera de um jornalista cultural: um autor lança um livro que tem um nome estranho e uma proposta esquisita; opa, vou saber da qualé. Como quase não há esse hábito nos profissionais, meros consumidores de release e requentadores de pautas óbvias, o gesto do faconiano se impõe como generosidade. E é, também. “oroboro baobá”, mais uma vez, bota a cabecinha para fora do palheiro. Lamento: ser curioso & interessado não é um comportamento intrínseco do ser humano, que prefere pastar e ser conduzido como massa de manobra.
Segunda, 26 de fevereiro de 2021, apê 703-B, gravo a entrevista para o “Multicultura” via Zoom, comandada por Renato Cordeiro, no horário combinado de final de tarde. Daí, o pessoal faz um card bonito e o divulga nas mídias da rádio e do programa, com a legenda:
“A história de um goleiro infalível em um campeonato amador é parte de uma trama que envolve ancestralidade, territorialidade e disputas de poder. Oroboro baobá é o primeiro romance de Emmanuel Mirdad, e une cenários da Bahia e Madagascar. Renato Cordeiro conversa com o autor em entrevista ao Multicultura.”
Ainda em 2021, terça, 27 de abril. A pandemia do SARS-CoV2 continua a esbagaçar o Brasil, e eu, sem vacina, mantenho a forma física malhando dentro do apê 703-B; começo a assistir ao filme “A Assistente”, da diretora e roteirista australiana Kitty Green (protagonizado pela fenomenal atriz estadunidense Julia Garner, a Ruth de “Ozark”), publico o 4º post dos trechos prediletos de “oroboro baobá”, cozinho o meu feijão e começo a fazer o relatório da Flica na Rede para a FPC. Cinco para o meio-dia. Pronto. Para tudo. Tiro da caixa e coloco o aparelhinho de rádio na sala. 12h em ponto, sintonizo na 107,5, e mãe acompanha o “Multicultura” também. E eis que a minha voz reaparece na Educadora FM; desta vez, para falar sobre o meu romance. Giramundo!

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